Uma
recordação de 1974
Fernando Braga
Dias
atrás vendo a gravura de um equilibrista caminhando sobre um cabo armado de aço
entre dois prédios altos em uma grande cidade, imediatamente veio em minha
mente, aquela cena inédita que presenciei aos meus 34 anos, quando pela
primeira vez visitei os EEUU, indo conhecer a capital do mundo, após um
congresso. Fiquei deslumbrado com a grandeza da cidade, o prédio mais alto do
mundo na ocasião, o famoso Empire States, a sede da ONU, o Central Parque, a Quinta
Avenida e outras coisas mais. Após almoçar, por volta das 15,00 horas, caminhando,
fui visitar, o que era quase uma obrigação, a Wall Street e quase ao lado, a
Twin Tower, ou Torres Gêmeas, quase em término de sua construção.
La
chegando na grande praça, deparei com uma multidão olhando para cima, apontando
seus dedos em direção àquela construção. Parei, calibrei meus olhos e
maravilhado vi, naquela altura um homem usando um traje avermelhado, andando
sobre um fio de aço, tendo em suas mãos uma comprida vara na horizontal.
Perguntei quem era e me responderam: - A Crazy! A fool man! Has no protection!
Realmente,
não tinha qualquer proteção e por 45 minutos, o vi atravessar de um lado para o
outro, algumas vezes. Parece que o homem não cansava. Finalmente, desapareceu!
No
dia seguinte os jornais mostravam grandes fotos, comentários em letras
garrafais, na primeira página, daquele homem se equilibrando sobre um fio, a
400 metros altura.
Comprei
um jornal e fiquei sabendo tratar-se de um equilibrista francês, Phillipe
Petit, já bem conhecido por demonstrações anteriores iguais, sem qualquer proteção
em alguns prédios famosos. Já havia atravessado entre as duas Torres da Catedral
de Notre-Dame em Paris, da Ponte da Baia de Sidney a um prédio lateral.
Contavam
ainda que a sua travessia presente, não tinha qualquer autorização e que havia
sido preso logo após ter executado sua proeza. Ele contou na delegacia, que com
ajuda de amigos haviam conseguido estender o fio de aço de 250 quilos, em uma
distância de 417 metros, usando para tal arco e flecha. Não entendi como conseguiram
fazer isto, porque nenhuma flecha atinge tal distância. Conseguiram fazê-lo entre
a torre sul e a torre norte, em uma altura de 400 metros.
Sua
prisão foi por pouco tempo, saiu após concordar em fazer uma travessia em menor
altura dentro do Central Park, beneficente para crianças. Guardei este jornal que
era de 1 de outubro de 1970.
Este
francês ficou muito famoso, no mundo inteiro, após esta proeza na Twin Tower. Tornou-se um conferencista dando palestras e
workshops, sobre criatividade. Após este acontecimento, Petit escolheu os EEUU
para moradia fixa.
É
para meditar um pouco. A maioria da humanidade tem pavor das alturas, não daquela
de prédios altos, torres, pontes, montanhas, precipícios, mas que trazem o risco
de queda, como pular de paraquedas, fazer alpinismo, subir o Everest. Sempre
existem aqueles muito corajosos e que eu gostaria de ser um deles, mas pensando
bem, prefiro meus pés no chão. Sou um homem de pés no chão.
E
pensar que vi as Torres Gêmeas no final de construção e ainda após ser
destruída no dia 11 de setembro de 2001 por aqueles dois jatos enormes, naquele
ato de terrorismo idealizado por Bin Laden!
Até
que já vivi muito e vi muitas coisas, neste mundo de Deus.
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