Beijos
Suzana
da Cunha Lima
Estava
boiando plácida e feliz num lugarzinho quente e aconchegante, quando senti que
me empurravam, sem aviso, para um túnel escuro que desembocava num lugar
enorme, frio e branco. Alguém me puxou,
me colocou de cabeça para baixo, me deu umas palmadas e só sossegou quando
comecei a chorar. “Que mundo é esse, que luz tão forte, vão me matar...
senti-me perdida.
Foi
quando percebi algo quente a me envolver e acalmar e logo senti lábios macios a
tocar meu rosto. Eu não sabia o que era um beijo ou um abraço, mas presumi que
estava outra vez com minha mãe, em outro lugar, desconhecido, mas tão bom e
acolhedor como seu útero. Foi o primeiro beijo que recebi na vida.
Minha
meninice foi marcada por muitos beijos e abraços, minha família era grande e
amorosa. Mas nenhum beijo continha tanto amor quanto aquele primeiro.
Já na
adolescência, surgiram muitos candidatos a querer me beijar e percebi que não
queriam ficar apenas nos selinhos inocentes.
Queriam provar o gosto da minha boca, e, se possível, de todo o resto.
Idade dos hormônios, dos desejos e inquietudes. Beijos sôfregos e exigentes. A
natureza tinha pressa.
Já
moça, conheci o beijo do primeiro amor. Um gosto diferente, um anseio, ternura
misturada com desejo.
Assim,
o beijo está presente em toda nossa vida e se revela de todas as maneiras e
formas, porém, quando irrompe a paixão, aí sim, o beijo é o grande
protagonista, não apenas coadjuvante na arte de amar.
Quem
já se apaixonou sabe como um simples roçar de lábios na nuca ou atrás das
orelhas pode desencadear uma explosão selvagem de desejos. Tanto quanto o beijo
na ponta dos dedos, nos bicos dos seios, na curva das nádegas, a boca ávida vai
desbravando, conhecendo e prolongando ao máximo, o imenso prazer de estar
partilhando com o ser amado uma das mais belas e significativas experiências
que o ser humano pode experimentar.
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