Exaltação ao Brasil - Vera Lambiasi


Exaltação ao Brasil
Vera Lambiasi

Brasil, este é o país
Que nascido entrei
Dele tive a raiz
Por ele me apaixonei

Brasil, embora difícil
Crescido fiquei
Por vezes sofrível
Me acostumei

Brasil, filhos criados
Muito trabalhei
De modos variados


Improvisei !

UMA NOITE NO BAILE - Oswaldo Romano

                 

UMA NOITE NO BAILE                           
                     Oswaldo Romano
                              
Foi aqui que a conheci.
Estavas dançando tão linda
Eu que há muito a tinha
Em casamento pedi.

Dançamos a noite inteira.
Desastrado pisei no seu
Dolorida você disse, doeu né?
Agora ajude, pegue uma cadeira.

Pedi muitas desculpas
Ela aceitou com reserva.
Jurei, não tive culpa
A culpa foi toda dela.

Calei-me quieto e sentido
O protesto foi violento
Amor,  disse ela, não minto
Sinto dor, um sofrimento.

O CASAMENTO
Sua mãe ficou sabendo
Prepararam o enxoval
A capela ia fornecendo
O preço do cerimonial

Chegou o grande dia,
Há muito esperado
Todo mundo preparado,
Que lamentável, chovia.

A capela era pequena
Poucos bancos, cadeiras
O padre mantinha a cena
Pondo na frente as solteiras.

O ATRASO

A noiva inquieta, se preparava.
Vestido branco, liso, fitas rodeavam.
Tudo lindo, porém ela chorava,
As lágrimas corriam, não paravam .

O que fazer nessa hora?
Todos consolavam a noivinha.
Chegava o momento, e agora?
Dê agua com açúcar à mocinha.

Voltando ao normal, soluçava
Sua pintura toda escorria.
Contente a mãe rezava e falava,
Sorte do noivo, vai ter o que queria.

No altar o noivo esperava
O Padre muito experiente
Animando antecipava:
Não se apoquente, seja paciente.

Finalmente a noiva e seu pai postaram-se na entrada.
O noivo no altar, acertando-se, esperava cheio de fé.
Com músicas comoventes, um coro afinado cantava.
Ela entrou, beijou e falou, amor hoje  não me pise o pé.

Não amor,  agora só vou cariciar
Chegou afinal nosso momento tanto esperado
O Padre interveio, - vou começar
O noivo,  padre estou muito preocupado

A mãe inquieta, desde a sacristia.
Postou-se junto aos padrinhos
 Atenta ao desenrolar, nervosa assistia.
Alto se pronunciou, não judie do meu anjinho.



Depois da cerimônia, foi só comemorar
Um bolo e champanhe deram inicio ao  balançar
A orquestra animando começou a tocar
Os noivos bebericavam e não pararam de dançar.

A mãe ficou animada
Vendo todos sacudirem,
Puxou o pai, entusiasmada
Quis beber, se divertirem.

O pai, desajeitado, mal  dançava.
A mãe muito assanhada
Virou a noite, já madrugada...
Pulava, rodopiava, cantava.

O noivo revelando educação.
Vendo o entusiasmo da sogra
Largou a noiva, no salão
Agarrou a sogra, azar,  deu-lhe um pisão.

Ela bebia, já estava calibrada
Soltou um palavrão, arrasada.
A moça ouviu, ficou abalada.
Puxou o noivo; - o que você fez pra coitada?

Ganhei dela no meu primeiro dia,
Palavras  que há muito não ouvia.
— Meu Deus, querido o que ela falou?
     — Me apertou. —  E daí?
                 — Entre outras, disse no meu ouvido: Carinho de

     genro com sogra, bem que falam, é doído.

Amor & Saudade - José Vicente Jardim de Camargo


Amor & Saudade
José Vicente Jardim de Camargo


Amor gozo profundo
Saudade triste lembrar
Amor me deixa vivo
Saudade longo pesar


Quem me dera sempre ter
Forte amor ao lado meu
Pra saudades nem de longe
Perturbar o sonho meu   

Amor Impossível - José Vicente Jardim Camargo


Amor Impossível
José Vicente Jardim Camargo


Tua lembrança minha mente agita
Tua imagem meus sonhos invade
Vãs perguntas na alma me faço
Se pudesse o destino mudar

O motivo a razão definiu
Aceitaste sem querer questionar
Meu consolo em segredo é saber

Que me destes a paixão conhecer

Exaltação Brasileira - José Vicente Jardim de Camargo


Exaltação Brasileira
José Vicente Jardim de Camargo


Por nobre navegador avistada
Que das margens do Tejo navegando
Aqui aportou em monte santo
Na primeira missa batizando:

Terra de Santa Cruz

Já eras mãe gentil
Entre outros mil
Dos bravos Guaranis,
Tupis e Aimorés

Ao desbravar tuas virgens matas
Majestosa árvore do teu seio aflora
De rica madeira carmesim tingida
Tal qual do fogo ardente brasa:

Chamam-te BRASIL

Teus braços se abrem em caloroso afeto
Abrigando em teu manto verde amarelo
Os aqui nascidos outros chegados
De longínquas terras do além mar


Tornas-te de todos a pátria amada
De solo fértil e ricas lavras
Berço esplêndido de esperança

De amor e paz irradiante

SAUDADES DO MEU AMOR - Mario Augusto M. Pinto



SAUDADES DO MEU AMOR
Mario Augusto M. Pinto


Ainda não o havia visto.
Parece estar meio perdido.
Deve ser recém-chegado.
Algo está a procurar...
Tem olhar sofrido.
+Olá, posso ajudar?
Conheço tudo por aqui.

-Oi, na verdade, quero conversar,
Para mim é urgente!

+Tanta pressa assim?
Aqui não há mais gente
Nosso tempo não tem limite
Nem fim.
Ahn...Quando chegou?

-Há pouco.
Não entendo sequer
O que se passou.
Lembrava minha vida
Com minha mulher.
Agora neste lugar estou
Como alma perdida.

+Não percebeu nada...
Vocês, o que estavam falando?

-Nosso passado recordando.

+Então conta pra mim...

-Posso contar.
 Prepare seu coração
P`ras coisas que vou dizer
Pois você vai gostar.
Conheci minha mulher dançando numa balada.
Foi ver, e gamar.
Vê-la passou a ser obsessão.
Eu andava sempre por perto,
Mesmo nas noites frias,
Por toda parte
Todos os dias.
Tímido, sem coragem
nada lhe dizia.
Mas, ela foi decidida,
Perto chegou e falou:
Se de mim nada consegues
Por que será que me persegues
Constantemente na rua?
Respondi que a amava
Muito, tanto que ela era a luz
a iluminar meu caminho,
tornando o mundo encantado
quando estava ao seu lado.
Você sabe, essas coisas
Cafonas que dão resultado.
Emocionada me deu um beijinho
Tipo assim, um selinho.
Nesse dia a conquistei
E daí em diante
Sempre a amei,
Mesmo distante,
Sem ais, que tais,
Sempre mais.
Íamos a qualquer lugar
Para nos amar.
Um dia brigamos
Discussão feia
Ela gritava:
Vái embora,
Me deixa em paz!
Deixamos
De nos gostar.
Cada um foi para seu lado
Sem olhar para trás
O ser amado.

+E houve volta, reconciliação?

-Não seja apressado
Ouça com atenção.
Mudei.
Não sentia meu coração,
Andei, viajei pra todo lado
Outro ser me tornei.
A nada estava ligado.
Daí, então, ao sul cheguei.
Desde esse momento
Bebí, churrasquei e bailei.
Era arroz de festa.
Bailarino mor
Ensinava a dançar salsa,
Mas sempre havia valsa.
Depois, o amor.
Eram tantas
De nenhuma guardava a feição
Até que uma fez parar meu coração.
Senti seu corpo, seu cheiro,
Era ela voltando a meus braços.
Mil beijos nos demos.
À sua casa fomos
Esgotar nossos desejos.
C´a cabeça em seu regaço
Vitória de amor cantei.
Adormeci, tal era o cansaço,
Mas foi tudo um sonho
Acordei.



Paixão pela sereia - Oswaldo Romano


PAIXÃO PELA  SEREIA
Oswaldo Romano                                                                                                                   

Tive medo da vida
Quando lhe conheci.
Você estava tão linda
Logo vi que lhe perdi.

Sua beleza agitaria os mares.
Eu modesto navegador
Acreditando no amor, esperava por milagres.
Achava-me acabado, carregava a dor.

Dor, desleixo, barbudo, vivo no mar a deriva, sem rumo.
Num encontro acidental com ela, até acreditava.
Meu barco está vazio sinto falta de carinho, mal durmo.
Rezo e peço a Netuno nosso rei, o milagre de encontrá-la.

Aconteceu! Você emergiu vestida de Sereia, dia de maré cheia, muito alta.
Ofuscante, pensei ser visão, então a vi, foi meu maior espanto.
Você sorria,  olhava admirada, num palco iluminado por luzes da ribalta.
Nunca dantes esperada, emergindo nestes cantos, estava um encanto.

Não era ilusão, nada de visão, era você,  tinha certeza.
Chamava-me, me queria, senti forte paixão, corri pro convés me debrucei.
Tomei coragem pulei, mergulhei, abracei-a, meu Deus, que leveza.
A areia mexeu, a agua turbou, surge um monstro, era Néss - assustei….                                                                                                                     Nos agarramos, chamei por Netuno, socorroooo...   ACORDEI.

Amor fortuito - Vera Lambiasi

Amor Fortuito
Vera Lambiasi

Achar um amor por acaso
Não é o mesmo que procurá-lo
Almas postas ao lado
E a surpresa de encontrá-lo

Assim age o destino
Como quem não quer nada
Homem, ainda menino
Descobre a mulher amada

Cabe aos dois, no entanto
Perseverar na paixão
Toda uma vida de encanto

É o ápice da sublimação !

OS ÓCULOS DA VOVÓ - ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO


OS ÓCULOS DA VOVÓ
ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO
Por: Oswaldo Romano

         A vovó é tão velhinha
         Franzidinha como que
         Passa os dias lá na rede
         Entretida com crochê

         Às vezes fica zangada
         Com o barulho que faço
         Pega a chinela, eu me rio
         Ela ri e vem um abraço

         Um dia virou a casa
         Para os óculos achar
         Remexeu canto por canto
         E queria me culpar

         Bem que eu sabia de tudo
         Mas aquilo era uma festa
         Pois a vovó tinha os óculos
         Presos no alto da testa.


Por Oswaldo Romano: ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO: ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO      -  1.869  -  1925
Escreveu livros e cartilhas. Tem Rua e Grupo Escolar em SP com seu nome. 
Foi diretor da Caetano de Campos até 1925. 
Comprovado pelas datas, foi o autor da poesia acima.
“Visando à compreensão de um importante momento da história da
alfabetização no Brasil, focalizei a proposta para o ensino da leitura4 apresentada
pelo professor paulista Arnaldo de Oliveira Barreto (1869-1925), em Cartilha
Analytica5, publicada pela editora Francisco Alves (RJ), com 1ª edição
presumivelmente em 19096 e a última localizada até o momento, a 58ª, em 1950.
Mediante abordagem histórica centrada em pesquisa documental e...”

NO GOOGLE:- ASPECTOS DA VIDA E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DE ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO: nasceu em Campinas/SP, em 12 de setembro
de 1869 e faleceu na cidade de São Paulo, em 1925. Era filho de um farmacêutico
gaúcho, Antonio Jesuíno de Oliveira, e de Aristhéia Brazilian de Lemos Barreto,
natural do estado da Bahia, e irmão de René de Oliveira Barreto, também educador e escritor de livros didáticos.
DETALHE MAIS DO QUE IMPORTANTE: É O AVÔ DA CECÍLIA – PAI DO PAI.




Aurora - Vera Lambiasi

 
Aurora
Vera Lambiasi

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Plágio? Não, homenagem!
Ao poeta Casimiro de Abreu
Que melhor teve a coragem
Da saudade e do amor escreveu.

Aurora, menina bonita,
Que nos remete à infância
Chegou para dar vida
A quem ainda quer ser criança.

Deusa do amanhecer
Como o sol veio contemplar
Aqueles que como eu
Não se cansam de amar.

Bem-vinda a vida, querida
Muitos corações a alegrar
Perdoe-nos tanta ferida
Que tiver que curar.


CORAÇÃO DE FILHO – CORAÇÃO DE PAI - Oswaldo Romano

 

CORAÇÃO DE FILHO – CORAÇÃO DE PAI

Oswaldo Romano

Um filho como tantos outros, assistindo o envelhecimento do pai, vai se desdobrar o quanto puder para realizar o sonho e fazer o velho feliz oferecendo-lhe no seu dia um modesto presente.

O custo do presente, como sempre acontece, foi além do previsto para seu controlado dinheiro de adolescente. Parte daquilo que ele aspirava comprar para si, deixaria para depois, agora estava comovido diante daquele senhor radiante de alegria, que hoje reunia a família espreitando toda evolução e o crescimento dos netos.

Não, não podia negar. Oferecendo tenro abraço, diante do próprio olhar alegre e suplicante, disse:

Pai eu comprei... Eu comprei para você, Pai!

O Pai não resistindo disse com voz embargada, e os olhos que já o entregava:
Filho, farei de tudo pela nossa união, nada fora do normal eu desejo, se isto lhe faz feliz, comunguemos nossa felicidade.

Puxando-o junto ao ombro, juntou seu rosto daquele que não há muito era seu bebe, e comovido, soltou suas lágrimas de afeto que não pôde conter.

Liberou e deixou nesse aconchego extravasar sua emoção. Falou mais alto o escopo da reprodução, envolvido por misteriosa atmosfera de carinho e amor. Criou mais um instante mágico na sua atribulada vida.


Sentiu, era esse o momento de libertar com a sua simples anuência, seu até então duro, vacilante, e atribulado coração de pai, renovando assim os valores do próprio lar.

DIFÍCIL AMOR - Mário Tibiriçá


DIFÍCIL  AMOR
Mário Tibiriçá

O guia, é meu  coração
meu corpo, uma só emoção
meus olhos, minha mente,
De tudo, você é a semente

De um amor infernal
dominador   sem igual,  
contudo é  possuidor
d’um  estimulo interior

Que coragem a minha?
Sempre a tal ladainha,
Tentar e tentar te falar
Acabando por mais te amar

Corações famélicos de amor
nos engrandecem na dor
Conduzem o  pensamento
levando ao sofrimento

Infelizmente o mal está feito
Mas, sempre daremos um jeito.
Viveremos perene na ilusão
dos momentos  de paixão.

Querida, há muito que contar
por muitos trabalhos de estafar
com o suor de mim arrancado
pelo seu amor ao pecado.

Infelizmente doidivanas do amor
levam alegria, sem ligar  à dor
apenas visando a paixão
dos otários, levados de roldão

Sem vida e sem maldade
destruo minha felicidade                                 
explode meu coração                                       
sobram lagrimas de emoção                              
                                                                          
Amor, despeço-me dos meus,
Nos veremos junto a Deus.
Eis que o amor vencerá

E nesse dia, assim será.