Sedução - Suzana da Cunha Lima


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Sedução
Suzana da Cunha Lima



Ele a esperava no alto. Seus olhos sorriram quando percebeu que ela se aproximava, deslizando pela calçada como uma pluma. Ele desceu quase voando pela escada para encontrá-la.

Lá embaixo, na calçada, ela levantou a cabeça e seu sorriso tímido o alcançou, antes mesmo de subir os degraus que os separavam.

Encontraram-se no meio. As mãos se buscaram ansiosas, após tão longa espera. Quentes, ávidas.  Ele não se conteve e a abraçou, o perfume de seus cabelos envolvendo-o numa nuvem encantada. Alfazema, jasmim? Tão perto daquela boca acesa e gulosa, carregada de promessas...

Perto demais. Tentador demais. A fina teia da sedução o envolveu e até hoje ele está preso e perdido para sempre. Já não sabe onde começa ou termina, deste labirinto não conhece a saída, só sabe que é prisioneiro, mas não quer fugir.  

O PÔR DO SOL - Antonia Marchesin Gonçalves




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O PÔR DO SOL
Antonia Marchesin Gonçalves

O universo me encanta e me intriga na sua totalidade, os  os planetas, a escuridão do vazio, a falta de gravidade que tudo  flutua, a lua   cheia fazendo os enamorados amarem com mais intensidade,   o romantismo que aflora. E quando se consegue ver o céu estrelado no escuro do campo, onde aparecem milhares de diamantes brilhando com mais intensidade ou menos, conforme o seu tamanho e sua distância! Ah, a imaginação do homem onde formatos dos mais diferentes surgem, nomes que usam como parâmetros pelos estudiosos dos astros, desde o início da humanidade para orientar ou influenciar os seres da terra.

Mas o que mais me encanta  em tudo isso é o Sol. O   nascer no fim do horizonte é deslumbrante! O céu começa a clarear e nasce devagar, pequeno, cresce e inunda a natureza com sua luz, o seu calor, as vezes até demais, principalmente no verão. Ele nos faz tão bem que precisamos de uma dose diária dele para que a vitamina D e outras se integrem em nosso organismo, desde pequenos até o envelhecer.

E o final da tarde quando ele se põe é outro espetáculo a ser admirado por todos. Lembro-me na viagem que eu e meu marido fizemos para Dubai, em que fomos convidados a jantar no deserto, fomos de jipes, pois era um grupo de casais,  havia mesas baixas e compridas e muitos tapetes  pelo chão no lugar de cadeiras. Estava ainda claro quando nos dirigimos todos há uma duna de areia mais alta, para que pudéssemos assistir ao   Pôr do Sol .

Jamais esqueci.   Vai ficar  enquanto eu viver a imagem que eu vi. Em pé esperamos ele descer, ali no deserto parecia maior ainda, devagar ele ia se pondo majestoso, irradiando seus raios a sua volta e  a medida que escurecia mais fortes ficavam, e descendo até desaparecer no horizonte, ainda se via a força da luz na noite que chegava. Emudecidos estavam todos, tamanho encanto que foi aquele momento.

Voltamos para o acampamento para o jantar típico, nunca mais comi tâmaras tão grandes e doces e com direito a danças do ventre a luz do luar, e o céu estrelado assistimos. Convidaram-me para dançar e eu fui e não é que disseram que eu levava jeito.

 Agradeço por ter assistido o esplendor  da natureza e de ter feito essa viagem inesquecível, mas não só essa foi divertida e interessante, em outra  oportunidade contarei outras.


O nó do prazer - Suzana da Cunha Lima



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O nó do prazer
Suzana da Cunha Lima


Seu detetive desvenda o mistério da mulher estrangulada no quarto do hotel
O casal chegou ao hotel de madrugada. Bem vestidos, pareciam cansados, chegaram de táxi, com apenas bagagem de mão pois disseram que só iam passar aquela noite. Dia seguinte iam retornar para B.Horizonte. Devido à curta duração, a recepcionista nem fez ficha de admissão. De manhã, como o casal não atendia ao telefone, um funcionário foi ao quarto, no terceiro pavimento, tocar a campainha e encontrou a senhora morta, estrangulada. O detetive Ramires foi acionado.

Antes mesmo de chegar ao Hotel, o detetive Ramires pediu que isolassem a área, para evitar contaminação e perda de evidências, e dispersão de pistas ou indícios.

Assim mesmo havia grupos de curiosos na entrada, embora contidos pelos isoladores de área e uma patrulha policial.

Ramires subiu ao quarto, pelas escadas, sempre farejando pistas e observando atentamente por onde passava. Logo percebeu que o homem devia ter descido as escadas e não usado o elevador.  Por quê? Chamaria menos atenção, claro, e entraria no hall de entrada do hotel pela lateral, meio escondida atrás das pilastras e balcões.  Observou alguns riscos provavelmente feitos pelo fecho de maleta nas paredes por onde as escadas se situavam, sugerindo alguém com muita pressa, sem preocupação com a integridade das paredes.

Bom, - pensou. – O homem desceu correndo, queria era sumir daqui o mais rápido possível, sem chamar atenção.

O espetáculo não era bonito. A mulher jazia no chão, à primeira vista parecia que fora estrangulada. Ramires notou então uma corda no chão. Fora enforcada ou estrangulada com as mãos de alguém? A senhora em questão era corpulenta e alta e a descrição do marido, feita pelo recepcionista, era de um senhor magro, parecendo bem mais velho que ela.  Seria preciso muita força para imobilizar a mulher e apertar-lhe o pescoço ao mesmo tempo. O legista começou a trabalhar no corpo e Ramires aproveitou para dar uma olhada no que havia no quarto.  No banheiro ainda estavam as escovas de dentes, pasta, sabonete e shampoo com condicionador. Escova de cabelos, pente, um gel e nada mais.

Na falta da ficha de admissão, Ramires enviou uma foto que tirou ali mesmo, meio macabra, da morta e enviou tudo isso pela Internet e para o departamento técnico da polícia, com os dados do único documento encontrado na bagagem de mão da senhora.

Enquanto esperava os resultados, vasculhou a maleta da mulher que continha apenas uma muda de roupa, artigos de higiene e maquiagem, um par de sapatos altos que lhe chamou a atenção, como totalmente inadequado aos pés de uma senhora de idade, além de um belo vestido de seda.  Notou jogados na poltrona, uma lingerie insinuante, preta e alguns artigos próprios de sexo erótico.

O casal teria se hospedado naquela única noite para promover uma farra a dois?
Aos poucos os informes foram chegando.  A policia de BH informou que se tratava de um casal que morava há muitos anos em Belo Horizonte.  Nada constava em ficha policial. Ele empresário de certo sucesso, ela dona de casa. Sem filhos. Tinham um bom padrão de vida. Gostavam de viagens curtas, sempre no eixo B.Horizonte, Rio e São Paulo. 

O legista confirmou que ela não tinha sido estrangulada.  Fora pendurada pelo pescoço, simulando estrangulamento, certamente para estimular ao máximo os centros de prazer. O que era muito estranho é que este procedimento era mais usual entre homens, não com mulheres.  Ou foram informados erroneamente desta atividade, ou não souberam sustar o estrangulamento a tempo. Já havia casos em que isso havia acontecido, mas sempre com homens, devido mesmo à sua conformação biológica.

Aquele cadáver era mesmo de mulher?

O legista, que até então só havia se preocupado com a garganta, cabeça e olhos do cadáver, voltou seus olhos para a genitália e constatou que era de mulher, mas somente no IML poderia dar isso como certeza, devido a tantas cirurgias de mudanças de sexo ocorridas naqueles tempos.

No final das contas, era um casal que desejava incrementar sua vida sexual e ouvindo falar deste procedimento de semi estrangulamento, não se ateve para o perigo e riscos que estavam correndo, pelo desconhecimento total do processo e da  inadequação dele tratando-se de mulher.

Com certeza o marido ficou tão envergonhado e assustado com o ocorrido que resolveu fugir, e pensar melhor o que faria depois.

Ramires não fez muita força para encontrá-lo.  Ele já havia sido punido pela sua imprudência e o fato de ter que viver sua vida escondido e sempre apavorado, era castigo suficiente.

Dia das Filhas. - Sérgio Dalla Vecchia



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Dia das Filhas.
Sérgio Dalla Vecchia


Por que nos calendários
Tal dia não existe?
Comemorá-lo é necessário.
Para justificar poder,
Frase de cardíaca senhora,
Que o único lugar ofereceu
À sua madura filha
Na sala de espera
De renomado Hospital.

Tal gentileza, a filha
De pronto não aceitou
E retirando-se da sala
A voz de sua mãe
Ainda ouvia a dizer:

Procureis um lugar para sentar-se,
Pois em pé não deveis ficar.
Após ter dito isso, a senhora olhou para nós todos
E falou com visível orgulho:

Filhos são tesouros das nossas vidas!

Atônito com a inversão de carinho, não entendia o porquê da doente senhora estar tão preocupada com a sadia filha.

Lembre-me da rebeldia de minha filha e da paciência da mãe mimando-a.

Era tudo o que eu sonhava naquele momento, ver em casa essa doce sintonia fluindo entre mãe e filha.

Emocionado vislumbrei que deveríamos criar o dia das filhas, onde elas seriam homenageadas, receberiam beijos e abraços de todos.

Assim, tenho certeza, que após esse grande dia de glórias, serão grandes filhas e carregarão nos ombros, o peso dos prazeres de se tornarem grandes mães!

FLORES DE OUTONO - Ledice Pereira



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FLORES DE OUTONO
Ledice Pereira

Venham ver que carregado o meu pé de Manacá
Parece estar nos dizendo que é ele quem manda lá.
Vai tingindo lentamente com o branco, rosa, lilás
E a linda Primavera não fica nem um pouco pra trás.
Com os seus cachos de flores em tom vermelho paixão
Vai dando o toque de outono que arrebata o coração.
E no meio dos Gerânios de florezinhas mimosas
Aparecem majestosas as, sempre presentes, Rosas.

Disseram-me que os frutos são próprios dessa estação
Eu diria, no entanto, que não vejo isso não.
Entre o vermelho das folhas, espalhadas pelo chão,
As cores do arco íris se revezam em profusão.
São Bromélias, são Orquídeas e aquela Flor de Maio
E eu quase me esquecia do Bico de Papagaio.

Elas têm nome científico. Não consigo aprender.
Prefiro o apelido que é mais fácil de dizer.



O CASAMENTO REAL - Sérgio Dalla Vecchia




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O CASAMENTO REAL
Sérgio Dalla Vecchia



A coroação de Stella estava próxima. Seria a rainha mais jovem que aquele reino já teve. Tudo estava preparado para que fosse um evento inesquecível.

A felicidade e a euforia dominavam os súditos. Mas, para ela a coisa não era bem assim.

O príncipe escolhido para seu marido não era nem de longe o que ela sonhava.

Sua mente virgem ansiava por um jovem e valente, por quem seus olhos brilhariam e o coração transbordaria.

Imaginava ela com seu bem-amado cavalgando livremente pelos campos, uma parada, um beijo, carinhos e uma vida amorosa pela frente. Acordava transpirando emoção pelas noites quentes pensando no grande amor.

Governariam felizes um reino próspero e de harmonia.

Mas, não!

O rei Pai, ofereceu sua mão à um rei mais velho que ficara viúvo há pouco tempo. Por interesses políticos se uniriam em força e territórios para combater um outro reino vizinho, maior e almejado há tempo por ambos.

Poderia ser como o reinado de Isabel de Castela com Fernando de Aragão. 

Formaram um único reino vencedor de grandes batalhas, expulsando os mouros e implantando as cruzadas. O grande reino perdurou por anos sob o comando do jovem casal.

Mas isso jamais ocorreria com Stella e seu príncipe. Havia uma grande diferença. Fernando e Isabel eram jovens e se amavam. Sentimento incompatível com a atual escolha real.

Por fim o destino casou-os com todas as pompas da realeza durante os três dias de festas.

Entretanto a felicidade e alegria da união em nada ajudou na fria noite de núpcias. Uma cama, um ato, prazer de um e desilusão de outro.

Mesmo assim num leito majestoso de poder, carente de amor, o casal gerou dois filhos.

Rainha Stela sábia, não vendo outra alternativa de vida, resignada pelas imposições políticas do seu sangue real, doou-se ao governo com nobreza, criou dois filhos e viveu muitos anos num reino próspero e harmonioso, graças a sua entrega pessoal.

O amor aos pobres e combate às injustiças foram o bálsamo que a mantiveram viva. Suas ações foram eficazes e reconhecidas pelos súditos que a adoravam. 

Conseguiu baixar os impostos aliviando a vida dos comerciantes e com isso foi querida por todas as classes. A estabilidade econômica manteve-se e todas trabalhavam felizes.

A dedicada rainha de sorriso doce, começou a sentir o efeito emocional depressivo, mesmo lutando com todas as forças reais no duro combate. Seu escudo alegre, começou a ser corroído pela tristeza interna da desilusão amorosa por anos a fio.

Quando Stella faleceu houve uma comoção em todo reino. Inconformados, todos queriam se despedir do corpo da carismática rainha, exposto na Capela do Castelo. Foram sete dias de luto e muita tristeza.

O luto acabou, o governo retomou a administração e logo o rei já articula o casamento do primogênito com uma conveniente princesa de outro reino cobiçado além mar.

Assim a ampulheta do tempo virou por diversas vezes e o ciclo dos casamentos pensados continuou fazendo negócios por muito tempo, renegando o amor a um segundo plano.

Como previu um astrólogo do rei quando consultado sobre a felicidade do casamento:

Por hora ainda se ajeitam, mas daqui há muitas gerações, não haverá lugar para o amor, apenas os negócios dominarão e o casamento não mais existirá.




MORTOS OU VIVOS, A QUEM TEMER? - Ledice Pereira





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MORTOS OU VIVOS, A QUEM TEMER?
Ledice Pereira

O cemitério não era um lugar que me atraísse, muito pelo contrário, morria de medo de me deparar com alguma alma do outro mundo. Mas não pude me furtar de acompanhar minha prima Madalena, cuja mãe encontrava-se ali sepultada.

Eu já tinha sido alertada para que tivesse cuidado quando fosse ao cemitério.

Nunca vá só, nem muito tarde dissera minha tia Nina, que ouvira dizer que lá andava acontecendo uma série de assaltos.

Madalena, entretanto, queria porque queria visitar o túmulo da mãe.

Fomos. Eu, apreensiva, olhava para todos os lados, evitando até respirar direito para não perder nenhum ruído.

Para arrumar as flores nas floreiras do túmulo, dirigi-me a uma torneira próxima. Estava ali a encher o recipiente, quando ouvi barulho de passos que foram ficando cada vez mais próximos. Eu não conseguia ver ninguém. E como não queria chamar a atenção, fiquei estática. Dali de onde estava não avistava Madalena. Ouvi um grito. Gelei. Fui me deslocando, lentamente para a direita de onde, eu acreditava ter vindo o som. Fui agarrada por mãos fortes que me imobilizaram. Ia gritar, mas fui impedida. Estava amordaçada.

Desesperada, restou-me rezar à minha santinha, pedindo proteção.

Ninguém mais por perto.

“Madalenaaaa!”

Lágrimas copiosas escorriam, misturando-se ao caminho de terra.

O barulho da água, que escorria da torneira aberta, encobria qualquer outro som.

Rendi-me vencida. Não havia mais o que fazer. Ia morrer ali mesmo, naquele lugar propício. Triste fim para uma jovem como eu. Não era justo.

Ouvi vozes se aproximando. Era um cortejo. Alguns conversavam, outros choravam.

Minha salvação. Meu algoz fugiu, deixando-me ali agachada.

Tirei aquele pano imundo, que me impedia de gritar.

As pessoas olharam-me como se eu fosse um E.T. Estava assustada, suja de terra e com os olhos vermelhos de tanto chorar. Contei o que havia acontecido. Ficaram desconfiados. Alguns, entretanto, resolveram me acompanhar até a administração. Só lá, me dei conta de que estava sem minha bolsa e, consequentemente, sem dinheiro, sem celular e sem documentos.

Madalena havia sumido.

Tínhamos sido vítimas de bandidos.

Deixaram-me ligar para meu pai. Entre soluços, contei o que havia acontecido.

Em pouco tempo, ele estava ali. Senti-me segura quando ele me abraçou. Desmanchei-me num pranto nervoso.

Auxiliados pelos funcionários do cemitério, voltamos no sentido do túmulo de minha tia.

Madalena estava lá dentro. Encolhida. Tremendo de medo. Com os olhos assustados. Papai ajudou-a a sair dali. Contou chorando e me abraçando que quando percebeu a presença dos assaltantes, pegou nossas bolsas e escondeu-se dentro do túmulo, de onde não via nada e não tinha coragem de sair.

Papai fez questão de fazer um boletim de ocorrência.

Felizmente, ou graças à minha santinha, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.


TUDO OU NADA - Sérgio Dalla Vecchia




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TUDO OU NADA
Sérgio Dalla Vecchia

No faz de conta
Nada não é real
Tudo se desponta
Na ótica do virtual

Num reino do mal
Tudo move o poder
Nada é só decimal
Não há bem querer

Num reino do bem
Tudo pode ser nada
Nada, não é desdém
É harmonia do viver

Tudo é o bem do mal
Nada é o mal do bem
Versos antíteses para
Um incerto amanhecer.


O amor tem suas manhas - Fernando Braga





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O amor tem suas manhas

Fernando Braga





Colega nosso de andanças tantas,

Vagando por terra pernambucana,

Perdidamente apaixona-se um dia,

Por dançarina de frevo, de nome Ana.



Ao assisti-la acompanhando o som,

da “frenética” música , monumental,

Movendo aquele corpo moreno e lindo,

As pernas roliças, rostinho divinal.



Adorando o Show, com olhar bem fixo,

Na maravilha rebolando em sua frente,

Atingido em seu períneo e peito foi,

Por flechas do cupido ali presente.



Pezinhos ágeis, flexões perfeitas,

E bem vestida em seu traje típico,

Sobressaia das demais colegas,

Por seu ritmo alucinante e rico.



Sem exceção rapazes ali presentes,

Não despregavam os seus olhos dela,

Daquela princesa, rica de volúpia,

Ao mesmo tempo uma mulher singela.


   

Ao terminar execução muito bisada,

Quando então se afastou da pista,

Romano foi em busca da já amada,

Sentada ao lado de uma outra artista.



Sentiu a pele lisa ao segurar seu braço,

Ela encarou-o e perguntou: - o que queres?

Olhando firmemente em seus olhinhos:

Disse :-O teu amor e o que mais tiveres.



Não o conheço e sou moça séria,

Não pegue em mim, posso chamar o Carlos,

Meu namorado, com quem me caso breve,

Que se te pega pode te encher de calos.



Insistiu Romano em falar com ela,

E senta perto na cadeira ao lado,

Jogando charme e olhando firmemente,

Mostrando-se, contudo, muito concentrado.



Pegando em sua mão lentamente disse,

Sou um sonhador sempre olhando o céu,

Você é bela, como tudo que é mais belo,

Imploro em provar teu delicioso mel.



Essas lindas palavras ecoaram fundo,

No coração da transtornada Ana,

Que também flechada foi pelo cupido,

Acabou não resistindo aquela inana.



De onde vens meu caro amigo, disse,

Que ousadamente assim me aborda,

Um prazer intenso te ouvir falar, eu sinto,

Será que o destino a mim acorda?



Paulista, rico e solteiro sou

Se aqui vim apenas passear,

O destino preparou-me tudo,

Só falta agora você colaborar.



Sentindo a mensagem sincera,

Daquele bem charmoso apaixonado,

Após muita conversa trocada,

Sentou-se finalmente a seu lado.



Esqueço o Carlos se tu assim pedires,

Sinto meu coração sensibilizado estar,

Por algo que penetrou bem fundo,

Em meu peito, pra sempre ficar.



E se casaram, pra ficar unidos,

Uma grande família que chegou depois,

E até hoje ao som da Vassourinha,

Dança no quarto, somente para eles dois.