FOFOQUEIRA - Sergio Dalla Vecchia

 



FOFOQUEIRA

Sergio Dalla Vecchia


Lá estava Mafalda debruçada sobre a janela da viela quando surgiu uma moça grávida. Feliz da vida, acariciava o ventre com as mãos, mostrando aquele sorriso típico de grávida, suave e pleno.

Foi o suficiente para Mafalda iniciar o ataque:

 ─ Creuza, como vai você com essa linda barriguinha?

 ─ Ah, Mafalda, estou ótima e já de três meses!

─ Nossa, que rápido, hein! Você não tinha nenhum noivo e agora está grávida. Com todo o respeito, mas você já sabe quem é o pai?

 ─ Claro que sei, é o Roberto, meu noivo.

 ─ Que rápido, hein, agora do nada apareceu um noivo!

 ─ Será que o pai é ele mesmo? Emendou Mafalda com um sorriso irônico.

 ─ Você está me ofendendo, é o que o Roberto já disse, sua maldosa.

 ─ Creuza, Creuza, e o Antenor que você saiu num sábado. Passaram juntinhos aqui na frente, conversando animadamente, e no domingo cedinho você retornou toda descabelada!

 ─ Você está inventando coisas, por ser uma solteirona com inveja. 

─ Ah, é, e o Clodoaldo das terças-feiras, esqueceu-se dele?

 ─ Você é mesmo maluca, Mafalda, passe muito bem que vou embora. Fique aí com seus rancores!

  Mafalda engoliu em seco e, justificando a si própria, resmungou.

─ Não tenho culpa de me atualizar no dia a dia pelo jornal da minha janela, portanto sei de tudo e não controlo essa minha boca santa, afinal sou Mafalda, a fofoqueira. Doe a quem doer!





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