ALMOÇOS DE FAMÍLIA
Antonia
Marchesin Gonçalves
A vinda da minha família para
o Brasil, foi como se viéssemos do outro lado do mundo. Tudo bem diferente,
desde a natureza brasileira, bem diferente da italiana, como também os seres
vivos, animais, a vegetação e principalmente as pessoas.
Chegando
em Santos onde o navio aportou, minha mãe pensou estar no país errado. Ao pisar
no chão, depois de 22 dias de viagem, foi uma emoção grande para ela. Um misto
de encanto e medo. Ao ver os estivadores negros, raça que ela nunca tinha visto
antes, segurava com força nossas mãos. Agarrava nós três, até avistar meu pai
que já se encontrava aqui há dois anos. Dizia ela brincando, que se não tivesse
vindo, papai arranjaria outra família.
As nossas roupas eram
diferentes das que se usavam aqui e as vezes nos sentíamos motivo de
brincadeiras pela vizinhança, o que nos embaraçava. Mas, com os anos, fomos nos adaptando ao modo
de viver no país, fazendo amigos na vizinhança. Papai trazia, nos finais de
semana, os colegas do trabalho, italianos também, aí havia certo resgate das nossas
tradições. Mamãe era boa cozinheira e o
meu pai bom apreciador de vinho, mesa posta todos em volta, a matar as saudades
com lembranças das famílias que ficaram na Itália, pois cada amigo vinha de
regiões diferentes.
Começava-se com o antepasto,
depois o primeiro prato, sempre uma massa, às vezes uma lasanha que minha mãe
fazia à perfeição. Nós crianças tomávamos o suco, que era de vinho, água e
açúcar. E, a conversa ia se tornando mais alegre, com a liberdade do ambiente,
iniciava-se a cantoria, com canções que todos conheciam. Um amigo lírico,
cantava peças de opera maravilhosas.
Bons tempos aqueles, apesar
das dificuldades de adaptação de todos, tínhamos uns aos outros para nos
consolar e confraternizar, e alguns anos mais tarde, amigos brasileiros fariam
parte desses almoços divertidos.
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