ESCREVIVER - A CURIOSA INVISIBILIDADE 12/09/2023










Já pensaram na hipótese de se poder ficar invisível? Harry Potter ganhou a capa da invisibilidade.



O cinema produziu, no ano 2000, o filme O HOMEM INVISÍVEL.




E, atualmente, muito se fala em invisibilidade.








Clique aqui para ver o vídeo: A INVISIBILIDADE DOS CHINESES


Criação de personagem inquieto, ousado, oportunista, que de tudo faz para ser mais esperto que os outros. 

Como seria ele? 

Quais seriam os traços psicológicos deste protagonista?

Quem seria ele?

Em que época ele vive?

Após terem assistido ao vídeo onde um chinês mostra o manto da invisibilidade, material amplamente divulgado pela internet, vamos fazer com que este protagonista criado hoje, use, de alguma maneira, o manto da invisibilidade para se dar bem.

Faça com que o enredo tenha velocidade, dinâmica. 

Insira figuras de linguagem no texto.

Surpreenda-nos com o desfecho de seu conto. 

Será que o protagonista vai se dar bem mesmo?

Será que há mesmo a possibilidade de se tornar invisível?



Adolpho, o Robô - Ledice Pereira

 

Adolpho, o Robô

Ledice Pereira

 

Gil nascera curioso. Desde muito pequeno parecia observar tudo de forma detalhada. Isso chamava a atenção dos pais e dos avós.

Quando foi para a escolinha infantil, destacava-se das outras crianças por sua maneira atenta com tudo que acontecia ao seu redor.

A professora ficava encantada com o entendimento do menino apesar da pouca idade. Enquanto os demais faziam inúmeras perguntas sobre o assunto, Gil entendia na primeira explicação.

Foi crescendo e se desenvolvendo, ensinando o Guy, seu irmãozinho, tudo que sabia.

Os dois eram inseparáveis e à medida que cresciam, iam descobrindo o mundo de novidades que se descortinava à sua frente.

Vários brinquedos eram desmontados para saber como eram feitos, principalmente, os brinquedos eletrônicos, cujo conteúdo e maquinário causavam curiosidade em Gil e consequentemente em Guy.

Gil cursou o ensino básico sem nenhum tipo de problema e, ao entrar no ensino fundamental, como matéria extracurricular, escolheu Robótica, assunto que o fascinava.

Guy, dois anos e meio mais novo, era um aluno dentro da média, tranquilo, gostava de matemática e ciências e era muito enturmado com os colegas, fazendo parte do time de futebol da classe.

O novo desafio de Gil era construir um robô. Isso o excitava a ponto de ter dificuldade para pegar no sono. Falava no assunto o tempo todo, reunindo-se com um grupo de colegas, como ele, muito eufóricos.

Durante semanas, reuniram-se na casa de um deles para idealizar a construção do tal robô. A ideia era fazê-lo com corpo e movimentos que imitassem o ser humano.

O professor, apesar de entusiasmado com o grupo, procurava mostrar a realidade, fazendo com que tivessem os pés no chão, não dando passos, maior que a perna.

Certa noite, já na cama, contava para Guy sobre o andamento das pesquisas e experiências que estavam tendo, procurando desenhar o protótipo de robô que haviam idealizado e que se chamaria Adolpho, o qual pretendiam construir com a ajuda de uma impressora 3D, existente no escritório do pai de Jorge, um dos integrantes do grupo.

Andava tão cansado por tantas noites mal dormidas, que adormeceu repentinamente, ainda quando falava com o irmão.

Logo, várias figuras povoaram sua mente, num turbilhão de imagens desconexas que o atropelavam desordenadamente, sem controle.

O garoto gemia e parecia querer se soltar sem que conseguisse. Queria gritar, mas a voz não saía, debatia-se em desespero, levando Guy a perceber que algo grave acontecia, indo chamar a mãe que prontamente o acompanhou até o quarto.

Ela tentou acalmar o filho que suava, preso às cobertas que o impediam de se movimentar.

Aquele abraço o acalmou. Abriu lentamente os olhos, buscando o aconchego do peito materno. Estava molhado, assustado, ofegante, cansado.

O pai, percebendo a movimentação, veio juntar-se ao grupo para ouvir o que o menino contava sobre o sonho que tivera com Adolpho, o robô, por eles construído, que havia adquirido vida própria e passado a comandar a vida de todos, determinando o que fazer e dominando o pensamento de cada um. No sonho, ele se revoltara, enfrentando Adolpho com quem tentara lutar, sem êxito, pois o robô parecia ter inúmeros braços que o imobilizavam sem que pudesse defender-se.

Um chá calmante quentinho, feito carinhosamente pela mãe, ajudou-o a voltar a dormir.

Dessa vez, felizmente, sem sonhar.    

 

 

  

 

 

A Lei de Gerson - Ledice Pereira

 




A Lei de Gerson

Ledice Pereira

 

Sydney julgava-se o sujeito mais esperto do pedaço.

Costumava gabar-se de suas façanhas.

A lei de Gerson regia sua vida e tentava passar isso para os filhos: tinham que levar vantagem em tudo. Na escola, nos esportes, com os amigos, enfim.

A mulher, mais cautelosa, procurava interferir no aprendizado dos filhos, ensinando-lhes a agir com ética e moralidade.

Felizmente, as crianças ficavam mais com a mãe, o que não evitava que fizessem questionamentos sobre o comportamento do pai.

Aos poucos a vizinhança, percebendo as atitudes de Sydney, começou a evitá-lo e consequentemente a toda a família, deixando de convidá-los para os eventos que ali aconteciam, fazendo com que se sentissem humilhados e alijados do grupo.

Sydney estava tão cego, em sua filosofia de vida, que nem dava importância à reclamação da mulher e dos filhos, infelizes e prisioneiros em sua própria casa.

Quando foi convidado a participar de uma pirâmide financeira em que ganharia muito dinheiro com uma alta porcentagem prometida, nunca experimentada por ele, sentiu-se um homem muito poderoso. Investiu todas suas economias. Mostraria aos vizinhos sua ascensão, que permitiria mudarem-se dali, sem que precisassem de nenhum deles.

Chamou a família, expondo que mudariam de vida. Poderiam morar onde quisessem e não seriam mais desprezados por ninguém.

A mulher, desconfiada, preferiu permanecer com os pés no chão, transmitindo esse sentimento aos pequenos com medo de que sofressem uma enorme desilusão.

Dito e feito.  Foram surpreendidos pela manchete do Jornal televisivo, que mostrava a prisão por estelionato do cabeça da tal pirâmide, um integrante de uma quadrilha internacional que vinha sendo investigada nos últimos seis meses.

A mulher teve papel importante para que a família não desmoronasse. Convenceu o marido a fazer um sério tratamento com um terapeuta muito bem indicado e, com o salário que recebia como professora secundária, segurou as pontas durante o longo tratamento.

 Esse procedimento o fez reconhecer que sua maneira de pensar e agir não levavam a lugar nenhum. E Sydney recomeçou do zero, sabendo que teria que merecer e que nada cai do céu.

 

 

O Homem manda e Deus desmanda - Ledice Pereira

 



O Homem manda e Deus desmanda

Ledice Pereira

 

Carlos acordou, naquela manhã, em estado de graça total. O canto do sabiá, que costumava irritá-lo, naquela madrugada pareceu-lhe uma suave sinfonia.

Tomou banho entoando “Majestade o sabiá”.

O café da manhã transcorreu em paz como há muito não acontecia.

A família entreolhava-se sem entender nada.

Carlos saiu ainda assobiando, após beijar mulher e filhos e saudar a diarista que o olhava incrédula.

Resolvera que nada viria estragar o dia ensolarado que se iniciava.

Ao ligar o carro, o rádio começou a tocar uma melodia que o deixou ainda mais leve, levando-o a cantarolar baixinho.

Atravessou os faróis com tranquilidade sem se importar com a frequência que se fechavam à sua frente.

Permaneceu em filas que se formavam sem ligar para a demora de cinco ou mais minutos, procurando entreter-se com o programa musical sintonizado.

Evitaria programas políticos que costumavam tirá-lo do sério.

Ao chegar ao escritório, foi avisado que o chefe estava a sua procura desde muito cedo, perguntando por ele a cada minuto.

Examinou a papelada em sua mesa, procurando não dar muita importância.

Dirigiu-se à sala do chefe, que considerava grande amigo, e com quem tinha uma relação sempre pacífica.

Encontrou-o de mau-humor, esbravejando, gritando ao telefone que desligou assim que o viu entrar.

Ia fazer uma brincadeira, mas, pela cara do chefe, viu que o assunto era sério.

Saiu da sala cabisbaixo. Entrou em sua sala, ligou para a secretária, solicitando uma caixa grande.

Havia sido despedido.

 

 

 

A ROBÓTICA QUASE HUMANA - 05 DE SETEMBRO DE 2023

 









ESCREVIVER

A ROBÓTICA QUASE HUMANA

05/09/23


A robótica, sinal da evolução dos tempos, ameaça a segurança dos humanos com a produção em massa de robôs que se assemelham aos humanos, e que, cada vez mais parecidos, agem e reagem como tal.

O que você pensa sobre isso?

Há vídeos que mostram o robô agindo como homem. Veja:


https://www.youtube.com/watch?v=mjfF3yGxagw


https://www.youtube.com/shorts/Nf7LqIqvk6w


https://www.youtube.com/watch?v=ltgo4PHwjKM


https://www.youtube.com/shorts/V3d42A3IQ4w


https://www.youtube.com/shorts/fL3iiqecbDg


E se o seu conto tivesse um robô como protagonista, como seria?

 



Um caldeirão com uma poção mágica bem diferente - Yara Mourão

 

       


Um caldeirão com uma poção mágica bem diferente

Yara Mourão


Naquele dia era véspera de Halloween.

Natália adorava brincar de bruxa e de fazer bruxarias. Então, ela pegou um chapéu preto, a camiseta que tinha uma aranha desenhada, uma vareta torta que ia ser a varinha mágica, e se preparou para o dia seguinte.

Foi até dormir mais cedo, porque estava com pressa do dia das bruxas chegar.

Então, Natália dormiu... E aí, sonhou. Sonhou que ia caminhando, pé lá, pé cá, pisando nas folhas secas que faziam um crac crac assustador, até chegar no meio de uma floresta mágica, onde tinha uns bichos esquisitos, umas árvores com braços e caras de gente, e uma fogueira acesa com um caldeirão em cima dela cheio de coisas fervendo...

Saia a maior fumaceira desse caldeirão. Mas tinha um cheiro bem gostoso, de perfume de neném!

Ela adorou o perfume e no sonho até quase acordou. Só que não. Continuou dormindo e sonhando que ela era a bruxa que mexia nesse caldeirão, de onde ia saindo uma fumaça que fazia uma nuvem cor de rosa, igual ao algodão-doce que ela tinha comido na escola. É que as poções mágicas que estavam ali eram muito poderosas.

Ela não percebeu nada estranho acontecendo, até a hora em que achou que o caldeirão estava ficando muito grande, e que, mesmo de pé em um banquinho, ela não conseguia mais olhar dentro dele!

Depois, ela viu que suas mãozinhas já não conseguiam segurar mais a varinha mágica nem mexer a mistura, que cada vez cheirava mais forte a coisinhas de bebê...

Natália ficou muito preocupada e quis gritar para sua mãe vir ajudá-la. Mas aí, - meu Deus do céu! – Ela não conseguiu nem falar e só começou a chorar, fazendo beicinho que nem uma criancinha pequena!

Ela ficou pensando, no sonho, e descobriu que a poção mágica daquele caldeirão fazia as pessoas irem diminuindo, diminuindo, ficarem bem pequenininhas, até virarem bebês!

Então ela ia virando um bebê, assim sozinha, no meio da floresta mágica!!!

De repente, Natália deu um pulo na cama! Acordou! Ah! Até que enfim! Ainda bem que era só um sonho, na verdade, um pesadelo!

Mesmo assim, ela nem fez festa de Halloween no dia seguinte.

Mas...não sabe bem porque, ela acordou com uma vontade tão grande de chupar uma chupetinha...

Vovó Virgínia e Vovô Sá - Ledice Pereira

 


Vovó Virgínia e Vovô Sá

Ledice Pereira

 

Feliz daquele que teve, ou tem, a sorte de ter os avós presentes em sua vida!

Lembro-me de várias passagens vividas com meus avós maternos onde passei muitos momentos.

Como esquecer dos almoços feitos especialmente para me agradar, minha avó preparando de sobremesa, um abacate amassado com açúcar e limão que muito me agradava e do qual ainda me lembro com saudade?!

E do escritório do meu avô que guardava a folhinha diária do calendário para que eu escrevesse ou desenhasse o que quisesse. Eu desenhava ali um coração, ou outros órgãos humanos e dizia que ia operar. Cortava, colava e deixava sobre um móvel numa espécie de UTI...

O lanche da tarde era preparado pelo meu avô que passava o café, colocava a mesa e chamava minha avó, sempre muito doente com uma eterna enxaqueca. Ah, como me lembro do gosto daquele pãozinho amanhecido que, vez ou outra, ainda reencontro e me delicio.

Após o lanche, sentávamos-nos os três em volta do rádio e ouvíamos a Ave Maria e depois, a escolinha do Nhô Totico, um humorista que fazia várias vozes, inclusive feminina e com o qual nos divertíamos. Talvez ele tenha inspirado Chico Anísio, Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega que escreveram textos hilários sobre escolinha e seus alunos para a televisão, fazendo tanto sucesso.

Ainda havia o programa PRK 30, outro programa humorístico que juntava famílias em volta do rádio para, juntos, se divertirem.

Eu adorava essa rotina. Sentia-me à vontade naquela casa cheia de amor, onde esperava minha mãe vir me buscar ao sair do trabalho.


Um caldeirão com uma poção mágica bem diferente - Yara Mourão

 


       

Um caldeirão com uma poção mágica bem diferente

Yara Mourão

 

Naquele dia era véspera de Halloween.

Natália adorava brincar de bruxa e de fazer bruxarias. Então, ela pegou um chapéu preto, a camiseta que tinha uma aranha desenhada, uma vareta torta que ia ser a varinha mágica, e se preparou para o dia seguinte.

Foi até dormir mais cedo, porque estava com pressa do dia das bruxas chegar.

Então, Natália dormiu... E aí, sonhou. Sonhou que ia caminhando, pé lá, pé cá, pisando nas folhas secas que faziam um crac crac assustador, até chegar no meio de uma floresta mágica, onde tinha uns bichos esquisitos, umas árvores com braços e caras de gente, e uma fogueira acesa com um caldeirão em cima dela cheio de coisas fervendo...

Saia a maior fumaceira desse caldeirão. Mas tinha um cheiro bem gostoso, de perfume de neném!

Ela adorou o perfume e no sonho até quase acordou. Só que não. Continuou dormindo e sonhando que ela era a bruxa que mexia nesse caldeirão, de onde ia saindo uma fumaça que fazia uma nuvem cor de rosa, igual ao algodão doce que ela tinha comido na escola. É que as poções mágicas que estavam ali eram muito poderosas.

Ela não percebeu nada estranho acontecendo, até a hora em que achou que o caldeirão estava ficando muito grande, e que, mesmo de pé em um banquinho ela não conseguia mais olhar dentro dele!

Depois, ela viu que suas mãozinhas já não conseguiam segurar mais a varinha mágica nem mexer a mistura, que cada vez cheirava mais forte a coisinhas de bebê...

Natália ficou muito preocupada e quis gritar para sua mãe vir ajudá-la. Mas aí, - meu Deus do céu! – Ela não conseguiu nem falar e só começou a chorar, fazendo beicinho que nem uma criancinha pequena!

Ela ficou pensando, no sonho, e descobriu que a poção mágica daquele caldeirão fazia as pessoas irem diminuindo, diminuindo, ficarem bem pequenininhas, até virarem bebês!

Então ela ia virando um bebê, assim sozinha, no meio da floresta mágica!!!

De repente, Natália deu um pulo na cama! Acordou! Ah! Até que enfim! Ainda bem que era só um sonho, na verdade, um pesadelo!

Mesmo assim, ela nem fez festa de Halloween no dia seguinte.

Mas...não sabe bem porque, ela acordou com uma vontade tão grande de chupar uma chupetinha...

O segredo do Castelo - Ledice Pereira

 



O segredo do Castelo

Ledice Pereira

 

Aquele casarão escondido no meio de tantas árvores era tido como

mal-assombrado.

Ditinho tinha sido alertado para não chegar perto dali. Mas quem disse que o menino obedeceu? A curiosidade foi mais forte.

O garoto chamou a turminha de amigos, tão levada quanto ele, e os convenceu a descobrir o segredo do casarão.

Os adultos chamavam de castelo, mas pra ele castelo tinha um monte de torres e era bonito. Aquele era escuro, coberto por uma folhagem que escondia até as janelas.

Munidos de ferramentas que pegaram dos pais, os intrépidos meninos rumaram para lá, chegando bem perto da entrada, pé ante pé.

A casa parecia estar vazia e, apesar de estarem com medo, tentaram abrir a porta. Rui havia trazido um pé de cabra. Acontece que não tinham força suficiente para usar o instrumento.

Como a janela fosse alta, resolveram fazer uma escadinha humana e Júnior, o menorzinho, foi o último a subir, com a intenção de abrir e pular para dentro. Combinaram que, uma vez lá dentro, ele viria abrir a porta para os outros. Simples assim.

O pequeno, depois de muito, conseguiu pular para dentro, usando uma pequena fresta.

Nunca mais voltou.

Os outros ficaram ali aguardando, aguardando, o dia virou noite e nada.

Os meninos não sabiam como iriam contar para os pais. E o pior, como contariam para os pais de Júnior. Afinal, haviam infringido uma regra familiar e iriam com certeza ser castigados por isso.

 

O conde de Lemim - M.luiza de C.Malina

 



O conde de Lemim

Maria Luíza de C.Malina

 

O frondoso Carvalho vivia no mais alto da montanha. O tempo esquecera-se dele. Todo desgrenhado observa a linda vista para o vale, sentindo a vida. A Sombra, amiga e refrescante, é a confidente silenciosa das grandes histórias contadas ao seu pé.

Adora escutá-las. Ri das cócegas que lhe fazem quando encravam um coração com o nome dos apaixonados, em seu tronco. Deseja passar por uma experiência igual.

Certa noite, admirando a lua cheia, roga que, por apenas uma noite possa se transformar em um ser humano igual aos enamorados que o visitam.

Seu pedido, em passo de mágica, foi aceito.

Transformado em um rapaz forte, muito alegre e de boa aparência, caminha assobiando lindas canções. Ao se aproximar da praça no pequeno vilarejo, encanta as moças que logo o rodeiam. Os rapazes, sentindo-se traídos pelo forasteiro, aproximam-se querendo expulsá-lo.

O alvoroço toma conta. A confusão dos socos, entre os rapazes, chama a atenção dos mais velhos para apartar com a bagunça. Qual não foi a surpresa do ancião reconhecer seu amo, gritando:

— Parem todos. Ele é Conde de Lemim!

Os jovens param, entreolham-se estupefatos e, julgando que o ancião caducou de vez, em chacota continuam a brigar entre si.

O frondoso Carvalho escolhe a moça mais bonita. Puxa-a para um beco estreito, num abraço apertado, escondendo-a debaixo de sua capa verde. Desaparecem.

Nunca mais a moça foi vista.

Ele se vê transformado em um homem idoso, tão idoso quanto seu tronco. Sua sabedoria é a luz da vela. Os velhos galhos lhe compõem os braços e dedos da mão.  Carrega consigo uma vela acesa presa a um candelabro.

O Carvalho é o senhor dos bosques. Elegante com o manto verde, a cartola e uma echarpe vermelha da cor dos amores secretos, está sempre à procura de sua amiga, a Sombra fortuita, que à noite lhe foge de seus braços.  

Insiste. Não a encontra. Com a vela enxerga apenas sua própria sombra, do homem em que se transformou, por roubar a donzela. Posiciona a vela de tal maneira em que se vê refletido na lua.

Encanta-se!

Dizem que, na primeira noite de lua cheia, ao sentar-se embaixo do carvalho da colina, pode-se ver refletida na lua a imagem, do poder narcisista, do Conde de Lemim abraçado à sua donzela.

 

C. Guinho - Ledice Pereira











Morcego, Caverna, Desenho Animado


C. Guinho

Ledice Pereira

 

Era uma vez um morceguinho nenê. Vivia pendurado na mãe, Dona Morcega que era uma mãe muito dedicada e cuidadosa com ele.

Mas, naquele dia, ou noite, ela teve que se afastar por alguns minutos para buscar algo para dar de comer ao filhote e, ao voltar, procurou C.Guinho, como o chamava, por toda parte e não o encontrou.

Dona Morcega voou, daqui pra lá e de lá pra cá, procurando em cada cantinho, por entre as tábuas do telhado, sem sucesso.

— Onde terá ido C. Guinho? – Perguntava chorando e tremendo desesperada.

Enquanto isso, C.Guinho desbravava o telhado pelo lado de fora. Saíra por um buraquinho de uma das telhas e descobrira um grande quadrado para onde se dirigiu, caindo, no que soube mais tarde, que era uma chaminé. Ali havia um calor que nunca havia experimentado antes. Sorte que a lareira já estava apagada.

Dormiu em cima daquelas tábuas quentinhas sem se preocupar em dar notícias à mãe. A fome, no entanto, o acordou de madrugada e ele tentou voltar pra junto dela. Como não conseguiu, começou a gritar o mais alto que pôde até que a mãe, que a essa altura estava exausta de tanto procurar, ouviu os gritos, reconhecendo aquela voz que ela conhecia tanto.

De castigo, ele ficou amarrado ao telhado, de cabeça pra cima, por uma semana. Sentiu a falta do aconchego que sempre teve com Dona Morcega, mas, por outro lado, começou a ver aquele lugar de uma nova perspectiva, descobrindo, por exemplo, que aqueles enfeites eram muito mais bonitos do que sempre enxergou. Aqueles negócios, presos à parede, que não sabia que eram quadros, tinham figuras que nunca entendera. Gostou de estar de cabeça para cima, ele, que sempre estivera pendurado pelos pés, descobria agora um novo mundo. O castigo servira para isso.


A floresta de Grofis - Ledice Pereira

 



A floresta de Grofis

Ledice Pereira

 

René adorava se embrenhar naquele bosque que havia na cidade onde costumava passar férias, na casa de seus avós.

Ali, ficava solto, livrando-se das ataduras do seu condomínio na cidade grande.

Sentia-se livre, independente no alto dos seus oito anos.

Rubens, seu amigo de férias era vizinho dos avós, bem mais velho, conhecia tudo por ali.

O bosque ficava a quinhentos metros de lá. Não havia perigo.

Após o almoço, dirigiram-se para o lugar. René sabia de cor o que encontraria ali, os balanços, as árvores tombadas que adorava escalar, o vendedor de sorvetes e o da pipoca doce...

Uma coisa, entretanto, chamou a atenção do menino. Um mato estranho que crescia entre as folhagens. Aquilo era novo para ele. Tinha uma cor escura e parecia ter pernas ou fios que se enroscavam em toda parte.

— São grofis, disse-lhe Rubens. Cuidado para não enroscar nas suas pernas. Surgiram por aqui há uns quatro meses e crescem descomunalmente. Não adianta cortar, nem tentar arrancar, pelo contrário, quanto mais cortam ou arrancam, eles parecem crescer mais. Está vendo aqueles caras de boné, lupa e ferramentas? São biólogos e estão estudando a origem dos grofis. Um deles, aquele mais alto, ficou com as pernas presas nos fios e foi um custo para o tirarem dali. Vieram até os bombeiros.

René deixou Rubens ali entretido e foi saindo bastante assustado, ao mesmo tempo que curioso e intrigado. Falava consigo mesmo:

— Essa, preciso contar pro pessoal lá em São Paulo. Eles não vão acreditar. Amanhã vou pedir pro vovô me emprestar o celular pra eu poder fotografar. Que planta mais estranha! Tá louco.

No dia seguinte, sem a companhia de Rubens, René munido do celular do avô, dirigiu-se para o bosque. Queria registrar tudo. Achava que ninguém acreditaria na história dos tais grofis. Iriam rir dele.

Lá chegando, aproximou-se do local, sem perceber que as folhagens estavam mais espalhadas do que no dia anterior. Distraído com o celular, tentando fotografar, foi alcançado por aqueles fios e sentiu-se deslocando-se sem que tivesse força pra se equilibrar. O celular caiu de suas mãos, perdendo-se no emaranhado de talos, e quanto mais ele tentava alcançá-lo, mais sentia que não comandava suas pernas. O menino entrou em desespero.

Pessoas que chegavam ali não tinham como socorrê-lo.

Rubens, que fora chamá-lo após o café da manhã, ao saber que ele já havia se dirigido para o bosque, correu para lá, pressentindo que o amigo poderia estar em apuros. Ao chegar, vendo aquele amontoado de gente, gelou.

Ao ver René, desesperado, tentando escapulir daqueles fios que pareciam ter vida, gritou com toda a força de seus pulmões:

— Socorrooooo!  Por favor, chamem os bombeiros!

Com o grito desesperado do garoto, aquele monte de gente parada, olhando sem nada fazer, acordou. Uns passaram a ligar para a Polícia, outros para o Corpo de Bombeiros, até que uma viatura parou ali, trazendo ferramentas que pudessem salvar o menino que já perdia as forças, soluçando desesperado.

A notícia correu a cidade pequena, chegando à casa dos avós de René, que imediatamente ligaram para o socorro e dirigiram-se para o local.

Ao ver os avós, René que começava a ser socorrido, desmaiou no colo do bombeiro.

O celular com as fotos, ficou perdido no meio dos grofis.

 O caso foi assunto da reportagem do jornal local, cujos exemplares o avô comprou vários, para que a aventura jamais fosse esquecida.

Os pais, que deveriam vir buscá-lo somente no final do mês, sabendo do acontecido, anteciparam a vinda.

Passado o susto, René, que nem quis mais voltar ao bosque, teve que contar e recontar a história inúmeras vezes, sentindo-se uma espécie de herói, embora, intimamente, ainda tremesse de medo pelo que poderia ter acontecido.    


A VÓ QUE TIVE — A VÓ QUE TENHO — A VÓ QUE OUVI DIZER - 22 de agosto de 2023

 







A VÓ QUE TIVE — A VÓ QUE TENHO — A VÓ QUE OUVI DIZER




Ainda podemos complementar com: 

A VÓ QUE SEREI.

A VÓ DA VÓ, etc.

Ontem falamos sobre avó e netos, sobre a importância desse convívio.

Da mãe, a escritora Ruth Rocha ouviu as primeiras histórias de que lembra, anedotas de família. Mas foi o avô Ioiô que incendiou sua cabeça com os contos mais maravilhosos e impressionantes dos grandes autores da literatura infantil. Pela narração engenhosa do avô baiano, os contos dos irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen, de Charles Perrault, eram adaptados ao universo popular brasileiro.

“Toda história infantil conta um modo de viver. Ao ler, a criança aprende o modo de viver e de olhar a vida também” –“ Meus netos gostam muito de mim e a nossa relação é maravilhosa. E eu conto histórias para eles há anos e anos, né? Essa relação é muito rica tanto nas histórias, como na convivência.” Ruth Rocha.

Podemos traçar diversas linhas de atuação dos avós com referência aos netos. Ou dos netos em relação aos avós.

O amor, a convivência, os ensinamentos, as conversas longas sobre a família, o cuidado para não interferir na educação que os pais estão traçando, o paladar na cozinha da avó, as histórias de ficção, as risadas, as brincadeiras… Avós deixam marcas, marcas de um ente familiar que ajuda na configuração da personalidade dos netos. 

Amor e sofrimento. Avó/Avô, em geral, é o primeiro contato da criança com a experiência de perdas familiares.

Tendo visto esses tópicos, falaremos deles e de outros em histórias de avó.

TAREFA: criar história de convivência de avós/avô com os netos. Trata-se de uma história de ficção, que, logicamente, terá muita verossimilhança com a realidade.


Vejam o vídeo de Concessa:

https://www.youtube.com/watch?v=k_Q7hwWN7Ww


E vejam também este vídeo que é parte do filme VIVA, A VIDA É UMA FESTA, e este trecho é a música LEMBRE DE MIM:

https://www.youtube.com/watch?v=N9Zljgx_SSw