ANA, a BELA
Carla Di Sessa
Era uma vez uma fada
madrinha chamada Ana a Bela. Era uma daquelas fadas que tornam realidade os
sonhos de seus protegidos, mas, ultimamente, tinha surtos de esquecimento e
acabou com fama de atrapalhada.
Sua supervisora, com o
intuito de ajudá-la, a presenteou com um tablet, dizendo:
Pronto, agora com esta
maravilha moderna você vai anotando tudo e vai ver como as coisas vão se
ajeitar.
Bem, não foi bem assim. Os
caminhos do aparelhinho às vezes criavam vida própria, mudavam e ela quase
nunca conseguia fazer o caminho de volta.
Resolveu se inscrever em um
curso sobre tablets que aconteceria em uma loja de departamentos e agora estava
ali se dirigindo ao terceiro andar, seção de tecnologia. Lá chegando, se
apresentou e perguntou pelo curso. Disseram para ela se dirigir à sala 5, no
corredor à direita. Nesse momento, Ana, a Bela, percebeu que esquecera o seu
tablet.
Droga, ela pensou, agora
tenho que usar algum truque para conseguir ir buscá-lo e voltar a tempo de
assistir à aula. Preciso achar um lugar vazio onde ninguém me veja
desaparecer e reaparecer do nada.
O tal corredor à direita
tinha várias salas e Ana, a Bela, foi olhando discretamente até descobrir uma
vazia. Entrou e começou a se preparar. Pegou sua varinha e começou a dizer as
palavras mágicas:
Tempo, tempo,
tempo
Ligeiro, rápido,
veloz
De volta, me
leve.
De volta, me
traga.
Para antes,
agora e …
Foi aí que ela viu uma funcionária
da loja em um canto da sala apontando o celular para ela.
Não pare, continua, está
ótimo! Ela disse.
Ana, a Bela, riu sem graça,
dizendo: 'Você gostou?
Sim, você é muito autêntica,
parecia mesmo que uma mágica ia acontecer. Você veio para o teste da peça
infantil? Estava dando uma última ensaiadinha, né? Vem comigo, eu te acompanho
até o teatro.
Ana, a Bela, seguiu a
mocinha da loja, sentindo-se feliz: a ideia de uma peça infantil era muito mais
atraente que o curso sobre tablets.
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