ORGÂNICO e RECICLÁVEL - Sérgio Dalla Vecchia

 




ORGÂNICO e RECICLÁVEL

Sérgio Dalla Vecchia

 


Duas palavras atuais, muito significam nesse mundo de dejetos presenteados pela população à mais pura fonte de vida, a natureza.

Estava eu em busca de uma boa cena, fotografando pelos jardins de um Parque, quando deparei-me com duas lixeiras gêmeas portando os seguintes crachás, orgânico e reciclável.

Naquele momento deixei de lado os pássaros, as flores, pessoas e a vida verde, para me concentrar na importância das gêmeas em tal paisagem pitoresca.

De imediato fotografei-as!

Logo imaginei a que se prestava a gêmea orgânico. Forneceria sua carga para fabricação de adubos, fertilizantes bem como para  formar aterros sanitários.

Para a gêmea reciclável vislumbrei as Usinas de reciclagem, movimentando seus moinhos, prensas e picadores, transformando plástico em grãos, ferro, aço, alumínio e outros metais. Aquecendo-os em altas temperaturas tornando-os liquefeitos, como lavas coloridas direcionadas à confecção de chapas, trefilados e afins.

Assim, dei-me conta que não importava o quanto era bela a fauna e a flora no Parque, sem a presença das duas acanhadas lixeiras gêmeas ali plantadas, mas que com suas sementes germinando nas usinas e aterros elas são as mantenedoras do ciclo da vida.

Por fim, recordei-me da frase do pai da Química, Antoine-Laurent de Lavoisier, morto em Paris no ano de 1794 que sintetizando a lei da conservação das massas disse: Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Já de volta para casa, pensativo interagi com minha alma sobre o comportamento humano. Logo surgiu a ideia de se plantar no mesmo Parque mais duas lixeiras com os seguintes crachás:

Atitudes orgânicas e recicláveis!

Será que melhoraria o mundo?

AJUDA DIVINA - Sérgio Dalla Vecchia

 





AJUDA DIVINA

Sérgio Dalla Vecchia

 

Quando se passa pela atual Rua Quintino Bocaiuva no centro da cidade de São Paulo, sente-se na pele a vibração da arquitetura urbana acompanhada de uma certa nostalgia. Talvez por entender que a história ali é presente. Assim sem nos darmos conta somos induzidos a relembrar o passado, seus acontecimentos, fatos e curiosidades de tal vivido local.

Em pesquisa tivemos a oportunidade de conhecer a pitoresca história desse antigo local datado de 1765.

A Logradouro inicialmente chamou-se Rua Do Padre Tomé, em homenagem a ele como morador muito conhecido, de nome Cônego Tomé Pinto Guedes.

Logo depois recebeu o nome de Rua da Cruz Preta, o motivo foi a cravação de uma enorme Cruz de madeira pintada na cor preta. Na esquina da Rua da Freira (atual Senador Feijó ).

Após a visita da Família Real em São Paulo no ano de 1916, ela passou a ser chamada de Rua do Príncipe.

O mais romântico dos tantos fatos que ali ocorreram destacou-se o do estudante que para conquistar a qualquer custo a cobiçada moça que residia no sobrado bem onde foi instalada a Cruz Preta, fez um plano arrojado de ataque.

No princípio, tímido ajoelhava-se ao pé da Cruz como se rezasse. Deus entendeu, pois sabia que o motivo não era aquele! E assim foi se aclimatando até que ela abriu a janela. Feliz da vida escalou a Cruz e próximo da escolhida cantou uma serenata empoleirado.

Assim, de serenata em serenata, pulou para o quarto da moça!

Foi um amor relâmpago conquistado à duras penas, mas abençoado por Deus pela conexão do casal através da Cruz.

Quando o pai da moça soube da aventura, obrigou o seresteiro a casar-se imediatamente e assim foi feito!

Entretanto para finalizar a história, estudantes despeitados por terem perdido a musa da rua, certa noite arrancaram a bendita Cruz e a jogaram no córrego Anhangabaú.

Não demorou muito para ela ser encontrada nas águas do córrego,  perto da ponte de Lorena, por um morador da Ladeira do Piques.

Ele, com outros devotos acabaram edificando uma Capela no Largo do Piques, que ficou conhecida como Santa Cruz do Piques e durou até 1930. Constituindo um final honroso para a merecida Cruz!

 

Foram fatos da minha querida São Paulo antiga.

 

 

JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS - Antonia Marchesin Gonçalves

 


JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

Antonia Marchesin Gonçalves

           

Valdomiro era um homem grande e forte, trabalhador, ótimo vendedor.  Trabalhou na mesma empresa por trinta e cinco anos, e com seu sotaque português conquistava muitos clientes. Mas, o que pouco sabiam era que ele era um excelente caçador e pescador, sempre alegre tinha a sua turma que acampava no Pantanal para esse hobby. Voltavam com o freezer cheio de peixes, alguns bem grandes, que distribuíam até para os amigos da cidade. Ele tem um troféu especial, a pele inteira de uma cobra sucuri de mais de oito metros que mostra com muito orgulho.

Mas o que as pessoas não sabiam é que ele era um homem com coração de ouro, sensível e que ajuda todos que pode.

Morando numa tranquila rua no interior, à noite com o silêncio da madrugada, ele e a esposa ouviam seu vizinho bater à mulher. Acordava quase todas as noites com os gritos de dor e o choro dela, junto com os palavrões dele. Inconformado, com o sangue subindo pelas ventas, como dizem no interior, não podia fazer nada, a não ser no dia seguinte a esposa consolar a vizinha.

Essa tinha a sogra idosa que a ajudava e sofria junto ao ver o filho bêbado bater na mulher e os três filhos pequenos que se encolhiam chorando ao verem que mãe que apanhava. Certa noite Valdomiro não suportou, de pijama atravessou a rua, entrou porta dentro da casa da vizinha, invadiu o quarto, pegou o bêbado pelos ombros o encostou na parede deixando o fulano com os pés balançando, tamanha força que usou e tinha.

Ameaçando disse a ele; não te dou uma surra senão te mato, mas se de novo eu escutar a tua mulher gritar você vai sentir na pele o que você faz ela passar, seu cafajeste! E o largou. O fulano caiu sentado no chão assustado sentindo que escapou de quase ser morto.

Nunca mais Valdomiro escutou os gritos da vizinha, apesar do marido continuar chegando bêbado quase todos os dias até morrer este ano.

     

Na delegacia - Antonia Marchesin Gonçalves e Ises A. Abrhamsohn

 




Na delegacia

Conto a quatro mãos: 

Antonia Marchesin Gonçalves

Ises A. Abrhamsohn

 

Norberto estava muito feliz. Finalmente passara no concurso e conseguiu entrar como escrivão na 13ª Delegacia. Era seu primeiro dia e estava ansioso por conhecer seu chefe, o delegado Ferreirinha. Os dois investigadores acolheram o entusiasmo do novato com um meio sorriso enquanto se serviam do café da garrafa térmica. Vai logo ver como funciona, murmuraram, assim que Norberto se afastou para atender o primeiro caso da noite. Dona Ilza, anotou o escrivão, bolsa furtada durante sessão de cinema. Mentalmente avaliou a vítima, meia idade, bem vestida e rica. Após os dados de residência e identidade, começou pela descrição do possível suspeito. Era um homem alto, moreno, bem vestido, que ela notou apenas quando ocupou a poltrona ao lado. Não percebeu mais nada até o fim da sessão quando sua bolsa e o homem haviam desaparecido.

Foi nessa hora que o delegado Ferreirinha entrou vindo da esquina onde tomava seu lanche habitual das 22 horas.

E aí, Norberto, meu jovem do que se trata?

Enquanto Norberto resumia o caso o delegado avaliava a queixosa.

Faça a relação dos pertences roubados e conduza a senhora ao meu escritório.

De fato, a avaliação do delegado foi certeira. Era rica, muito rica. A bolsa, ela relatou ser Prada legítima, frisou, e conter além de mil reais cerca de dois mil dólares. Também havia dois celulares iPhone e um relógio Cartier que ela não usava no pulso por medo de ser assaltada.

Com D. Ilza já encaminhada ao delegado, Norberto escutou do investigador Juarez:

Dessa ele vai conseguir uns bons dez mil.

Como assim? - retrucou o espantado Norberto.

Cara, tu é inocente demais. Vou te contar como funciona. O Ferreirinha conhece muito bem o Arlindo que atua no bairro. É um trampo de ajuda mútua. O delegado promete recuperar os pertences roubados, o que naturalmente será facilitado se a vítima oferecer uma recompensa. Nesse caso talvez uns quinze mil ou mais. Só o relógio e os dólares já valem uns bons cem mil. Aí a bolsa reaparece intacta e ficam cinco mil pro Arlindo, dez mil pro delegado e todos ficam felizes e contentes: a ricaça, o Ferreirinha e seu amigo Arlindo.

No dia seguinte Norberto pediu transferência para outra delegacia.

Canteiro de gardênias - Adriana Frosoni

 



Canteiro de gardênias 

Adriana Frosoni

  

Intrigante é a capacidade de afetação de um aroma sobre uma pessoa. E como um único inspirar pode despertar tantas sensações, com tamanha intensidade!  Mais de 25 anos se passaram e Hannah ainda sentia uma pontada no peito todas a vezes que passava perto de um canteiro de gardênias que estivesse exalando seu perfume adocicado.

Desacelerava o passo e o pensamento viajava, vinham à tona várias vivências, e ela era capaz de sentir como se tudo estivesse acontecendo de novo. Algumas vezes era como se sentisse a frescura do início da adolescência e a leveza da caminhada na volta da escola. Mas aquele perfume inesperado ainda a fisgava das mais variadas formas. Certa vez, a sensação foi tão intensa que ela não pôde conter um sorriso e um leve rubor quando a memória foi invadida por um certo par de olhos verdes que lhe causavam calafrios. Eles eram devastadores e fascinantes, e as trocas de olhares invariavelmente terminavam em beijos furtivos.

Definitivamente aquela fora uma fase feliz, tanto que uma vez ela até voltou ao mesmo local, à procura do conforto daquele perfume. Mas assim como todo o resto, o canteiro não estava mais lá: as doces gardênias tinham sido substituídas por insípidas strelitzias, lindas e coloridas, mas totalmente desprovidas do perfume que procurava. Depois disso decidiu não mais perscrutar o passado; não voltaria mais lá, estava decidido.

Tornou-se cada vez mais raro perceber aromas de flores ao acaso, talvez fosse o adensamento populacional da cidade ou a poluição que não permitisse mais que tais perfumes cumprissem o seu papel no imaginário das pessoas. De qualquer forma, com ou sem gardênias, a vida seguiu em frente.

Com o tempo, memórias e sensações antigas se arrefeceram e foram relegadas ao esquecimento. Um dia, durante sua corrida rotineira, o delicioso aroma tomou conta de sua alma novamente e ela percebeu, com um prazer secreto e indescritível, que um canteiro de gardênias acabava de ser plantado, pois também sentia cheiro de terra úmida. Mas quando foi à procura das pequenas flores brancas que estavam exalando o perfume, enorme foi susto de, desta vez, ser descoberta por olhos castanhos, atentos, que surgiram por detrás das plantas. Desconcertada por ter sido pega de surpresa, estacou e explicou que estava apenas procurando as flores. Justificou-se em vão, um sorriso convidativo já estava instalado no rosto daquele homem com as mãos sujas de terra. E ele aproveitou o silêncio envergonhado da exploradora para fazer um convite para que ela conhecesse o resto de seu jardim, cultivar plantas perfumadas era o hobby dele.

A julgar pelo número de canteiros e pela variedade das flores existentes no tal no jardim, associado à disposição que ele demonstrou em apresentar tudo detalhadamente, pôde-se concluir que o novo casal se deu muito bem. Novas memórias perfumadas foram criadas. 



Iara, a mãe das águas - Ises A. Abrahamsohn

 

Foto do lago Aussen Alster de Hamburgo Ragnar Stefannson Hoenig.


Iara, a mãe das águas

Ises A. Abrahamsohn

 

Na superfície do lago o reflexo acobreado de um sol já posto brilhava sob a luz da esplendorosa lua acima do horizonte. Vítor mesmerizado, observava a paisagem fantasmagórica. Sentia-se suspenso no tempo. Apenas os ramos dos salgueiros balouçantes à leve brisa indicavam que não se tratava de uma visão conjurada pela mente. Os dois veleiros absolutamente imóveis não revelavam presença ou atividade humana.

Estarei sonhando?

Ao fixar o olhar na superfície do lago, pareceu a Vitor haver uma ligeira ondulação.

É o vento.... Estranhamente, agora os salgueiros estão imóveis, pensou.

Da superfície viu erguer-se a bela mulher de pele morena, de cabelos negros, lisos e compridos acariciando os seios de bicos firmes e duros. Iara, chamou... Iara .... E foi caminhando na água até chegar ao abraço poderoso que o arrastou para o fundo escuro do qual não voltaria.

Nunca conseguiria esquecer Iara. Haviam se encontrado em Belém, há um ano quando ele fazia um estágio no Instituto Goeldi. Foi uma paixão feroz. Coup de foudre,  como dizem os franceses. Passou mais rápido para ela do que para ele. Depois de três meses ela anunciou que iria embora. Para Manaus, catalogar outros espécimes no interior da selva amazônica. Arrasado, ele propôs largar tudo e acompanhá-la. Não adiantou. Em três dias ela o deixou só, completamente solitário em Belém. Não quis deixar endereço. Foi ótimo enquanto durou, ela disse ao se despedirem. Vítor não conseguia mais trabalhar. Após uma semana foi procurá-la em Manaus. Finalmente a localizou no INPA. A princípio a moça se negou a encontrá-lo. Estava muito ocupada, coletando insetos num igarapé a duas horas de Manaus. Ele insistiu. Já que estava ali, podia ir junto e ajudá-la na coleta. Partiram os dois, bem cedo, na canoa de motor de popa. Cruzaram o Solimões e navegaram pela calmaria do Negro. Embarcações de todos os tamanhos vinham no sentido contrário para Manaus

 Conversaram pouco na viagem, apenas os projetos dela  e de Vítor. Ele, cauteloso, não mencionava a separação. Continha-se para não estender a mão e tocar Iara. Ansiava deslizar a mão pela pele macia do pescoço até a fenda da camisa onde entrevia a curva dos seios. E o perfume. Que era apenas dela. Amálgama de suor fresco com o leve toque do sabonete do banho da manhã. Evocou Iara ao chuveiro. Ao chegarem na região dos igarapés, puxaram o barco para terra firme e montaram a mesa dobrável e o material de coleta.

Vítor não se conteve mais. Abraçou Iara e começou a beijá-la. A moça o afastou, irritada.

Chega, Vítor. Já conversamos. Somos apenas amigos agora. Nada mais.

Mas Vítor não queria ser apenas amigo. Voltou a abraçá-la, mais firme até que ela se desvencilhou e gritou que já tinha outro. Que ele parasse. Mas ele não desistiu. Ela correu para o barco. Escorregou no barranco e caiu na água escura do igarapé. O rapaz puxou-a de volta ao barranco lamacento.

E Iara de novo escapou para alcançar o barco e dar a partida.

Não vai me deixar aqui, sua safada, gritou Vitor agarrando-a pelas costas e derrubando Iara no raso do igarapé. As mãos alcançaram o pescoço enquanto ela se debatia e gritava para ele parar, que sim, ela voltaria para ele. Tarde demais. Quando percebeu que Iara parou de respirar, Vítor empurrou o corpo que afundou silenciosamente nas águas escuras do igarapé semeadas por raros reflexos do sol.

Dois dias depois, Vítor voou para Hamburgo.


Herança de Família - Yara Mourão

 



Herança de Família

Yara Mourão

 

Naquele dia, todos se prepararam logo cedo para o evento no colégio. Era apenas uma gincana escolar, com brincadeiras e competições para os iniciantes em futebol, corrida e natação.

Os pais se agitavam tanto quanto os meninos e meninas, pois o dia era de festa e comemorações pelo final do ano.

Mas, havia uma questão lúdica para coroar as brincadeiras: haveria entrega de medalhas para os campeões, não de ouro nem de prata, mas reluzentes, pesadas, cheias de significado.

Foi aí que teve início a trajetória nefasta de Marcus.

Tiago, o irmão caçula, venceu na raia dois e ganhou a medalha de ouro! Foi aplaudido, laureado, era um campeão!

Marcus ficou petrificado! Rosto branco, por onde escorriam grossas lágrimas, silenciosas, pesadas, cheias de mal contida raiva, inveja e desprezo.

Para ele, aquilo era uma usurpação de seu prêmio, de seu direito de irmão mais velho. Um golpe de traição que ele não perdoaria. Ainda mais de um irmão adotivo. Jurou vingança.

Perseguiu uma trajetória de artimanhas nefastas e odiosas. Ignorou Tiago, e passou a agredi-lo abertamente, repetindo sempre: ¨Você não tem o meu sangue e nunca terá nada meu.¨

O passar do tempo reforçou seu ódio. Nunca um olhar complacente, uma palavra menos grosseira era endereçada a Tiago.

Para os pais já era uma questão de brio familiar manter Marcus afastado das questões mais importantes como o rumo dos negócios, os projetos futuros que a grandeza da fortuna propiciava. Fortuna essa que Marcus ambicionava só para si, e se preparava para isso de todas as maneiras, sem cogitar partilhar nada com ninguém. 

Aconteceu que, um dia, o patriarca partiu.

Desde então a mãe, em sua triste viuvez, se esgueirava pela mansão, recolhida, pensando na jornada que tiveram. Sabia que deveria dar continuidade aos laços, aos traços da vida. Decidiu ser a hora de acertar a herança, de fazer a partilha dos bens. De certo, ela teria o seu quinhão, pensou. Os demais, Marcus, sua irmã e Tiago ficariam com partes iguais.

Não foi de algumas semanas, mas de incontáveis anos o lapidar do mal nas entranhas de Marcus.

Tudo o que o rancor, a inveja, a artimanha nefasta, puderam engendrar em sua mente transbordavam em seus atos.

 Não ia dividir a herança com ninguém. Aliás, não haveria ninguém para partilhar pois o plano já estava traçado. A começar pela mãe. Ele a internaria num abrigo, pois tinha certeza de que a idosa já deveria estar com os dias contados e não precisaria de mais nada. Quanto à sua irmã, que morava no exterior, acusa-a de terrorismo e que se voltasse ao país seria presa e, portanto, impossibilitada de receber qualquer bem, sendo assim deserdada por motivos óbvios. E Tiago? Ah! Esse já tinha a sua medalha de ouro e não precisava de mais nada! Tiago, o irmão postiço que se apoderara de uma vida que não lhe pertencia, a qual não tinha direito, esse iria amargar a total miséria! Incendiaria sua casa, desfaria seus laços de amizade, inutilizaria suas mais caras conquistas.

Agora ele, Marcus, o primogênito, que foi roubado de toda glória desde cedo, era o herdeiro legítimo que ia ter o seu quinhão de fama e brilho, a sua medalha de campeão!

E foi assim, devastando a própria vida e a da família inteira, vingativo, usurpador, que Marcus subiu ao lugar mais alto no pódio dos abomináveis  vilões.

 

 



A Cartomante 2 - Yara Mourão

 


A Cartomante 2

Yara Mourão

 

A primavera chegara indecisa, ensolarada porém fria demais. A garoa diária deixava os jardins viçosos e enlameados, nada convidativos para um passeio. Estava um clima estranho, não dava para confiar.

De certa forma Cecília experimentava uma semelhança desse tempo com sua própria vida, desde que se mudara da cidade para sua bela chácara no interior.

Viera recentemente, assim que seu marido adoecera. Esse retiro sagrado era uma recomendação médica para Raul.

Ele adoecera assim repentinamente. Uma tristeza enorme se abatera sobre ele causando-lhe um recolhimento total, um distanciamento dos prazeres da vida.

Na verdade Cecilia tinha uma suspeita antiga, alimentada pelo fato de que Raul, um dia, estivera na casa de uma cartomante. Ele mesmo lhe contara, sem, entretanto, revelar o que a vidente lhe dissera.

Nem precisava contar. 

Cecília intuía o pesadelo.

Sua história de ¨amor secreto¨, ¨encontros furtivos¨, certamente foram reveladas pela cartomante ao seu marido, que desde então se afastara totalmente.

Era um tormento para ela imaginar-se sem Raul, seu porto seguro, garantia de um futuro tranquilo, bem-posto e bem mantido.

Mas, no turbilhão de sentimentos, Cecília se sentia menos culpada e sim mais ofendida; pois fora desmascarada, assim na surdina, pelo assalto ao seu mais recôndito segredo.

Agora ela via seu castelo ruir.

O que a cartomante teria revelado? Teria sido o início daquele romance nascido nos encontros de família? Os momentos inesquecíveis vividos desde o primeiro olhar? O primeiro beijo?

Era um tormento! Não havia um só dia, uma só noite em que ela não se afligisse com esses pensamentos.

Tudo era nebuloso agora, angustiante, desde que aquela cartomante sem eira nem beira, passara a assombrar sua vida.  Que rasteira do destino!

E o tempo que ia passando tanto queimava seu coração quanto congelava corpo e alma de Raul.

Quanto sofrimento pelos descaminhos do amor...

Raul sucumbia lentamente, silenciosamente, como quem já quer partir, enfim.

Cecília, no ardor do desespero, amaldiçoava o universo inteiro, os sonhos idos, a vã felicidade desfeita.

Assim, a primavera de seu desassossego caminhou para o inverno de suas aflições. Pois ela mal podia crer que isto tudo se desfizera tão completamente, num único dia, por causa de uma reles cartomante, sem eira nem beira.

DICA DE ESCRITA - Traços de caráter de personagens

 

 



Traços de caráter de personagens 

Sugerimos abaixo inúmeros adjetivos que podem qualificar seu personagem:


AFETUOSO

AGRESSIVO

ALEGRE

AMÁVEL

AMBICIOSO

AMIGÁVEL

AMOROSO

ANSIOSO

AUDIENTE

APLICADO

APOLOGÉTICO

APRESENTÁVEL

ARROGANTE

ARROGANTE

ARTICULADO

ASTUTO

ATENCIOSO

ATENCIOSO

AUTÊNTICO

AVENTUREIRO

 

BANAL

BANDIDO

BÁRBARO

BÁSICO

BATALHADOR

BENÉVOLO

BENFEITOR

BENQUISTO

BITOLADO

BOÇAL

BOM

BRILHANTE

BRINCALHÃO

BRAVO

BRONCO

 

CALMO

CARISMÁTICO

CAUTELOSO

CIUMENTO

COMPASSIVO

COMPLACENTE

CONFIANTE

CONFIÁVEL

CONFIÁVEL

CONSCIENCIOSO

CORAJOSO

COVARDE

CRÍTICO

CRUEL

CUIDADOSO

CURIOSO

 

DECISIVO

DEPRESSIVO

DESAGRADÁVEL

DESAJEITADO

DESARRUMADO

DESCONFIADO

DESCUIDADO

DESONESTO

DESPREOCUPADO

DESRESPEITOSO

DESTEMIDO

DETERMINADO

DISSIMULADO

DITATORIAL

DIVERTIDO

DOMINADOR

DURO

 

EDUCADO

EFICIENTE

EGOÍSTA

ENCANTADOR

ENÉRGICO

ENGRAÇADO

ESPIRITUOSO

ESTÁVEL

ESTRITO

EXIGENTE

EXIGENTE

FELIZ

FIEL

 

GAIATO

GALANTE

GANANCIOSO

GARANHÃO

GAUDÉRIO

GÉLIDO

GENEROSO

GÊNIO

GENTIL

GENTLEMAN

GOLPISTA

GRACIOSO

GROSSEIRO

GROTESCO

GUERREIRO

 

HÁBIL

HABILIDOSO

HABITUAL

HEDIONDO

HESITANTE

HERMÉTICO

HERÓI

HÍBRIDO

HIPÓCRITA

HISTÉRICO

HONESTO

HONRADO

HOSPITALEIRO

HUMANITÁRIO

HUMILDE

HUMORÍSTICO

 

IDEALISTA

IMAGINATIVO

IMPACIENTE

IMPENSADO

IMPRUDENTE

INDELICADO

INDEPENDENTE

INGÊNUO

INOCENTE

INQUIETO

INSTÁVEL

INTELIGENTE

INTERESSEIRO

INTROMETIDO

IRÕNICO

 

JACTANCIOSO

JOVEM

JOCOSO

JUBILOSO

JULGADOR

JUVENIL

JUSTICEIRO

 

LABORAL

LAMURIENTO

LASCIVO

LEAL

LEVIANO

LÍDER

LIGEIRO

LIMITADO

LISO

LISONGEIRO

LIVRE

LOQUAZ

LÚCIDO

LÚGUBRE

 

MAÇANTE

MADURO

MAL-EDUCADO

MALANDRO

MALVADO

MANDÃO

MANIPULADOR

MATERIALISTA

MELANCÓLICO

MESQUINHO

MISERÁVEL

MISTERIOSO

 

NABABESCO

NAMORADOR

NÃO AMIGÁVEL

NEBULENTO

NERVOSO

NÍVEO

NOBRE

NORMAL

NOTÁVEL

NOTÍVAGO

 

OBEDIENTE

ODIOSO

OPINATIVO

ORGULHOSO

OTIMISTA

OUSADO

OUSADO

 

PACIENTE

PARASITA

PASSIVO

PENSATIVO

PERIGOSO

PERVERSO

PETULANTE

PIONEIRO

POSSESSIVO

PREGUIÇOSO

PRESUNÇOSO

 

RACINAL

RADIANTE

RADICAL

RÁPIDO

REALSTA

REALIZADO

REBELDE

RECATADO

RECEPTIVO

REDENTOR

REFINADO

REFLEXIVO

RELIGIOSO

RENOMADO

RESERVADO

RESILIENTE

RESOLUTO

RESPONSÁVEL

RESPEITADOR

RIDÍCULO

RICO

RÍGIDO

RIJO

RISONHO

ROMÂNTICO

 

SÁBIO

SÁDICO

SARCÁSTICO

SECRETO

SEGURO

SEDUTOR

SELVAGEM

SENSÍVEL

SENSUAL

SENTIMENTAL

SÉRIO

SERENO

SEXY

SILENCIOSO

SIMPÁTICO

SINCERO

SINISTRO

SISUDO

SOBERBO

SOCIÁVEL

SONHADOR

SOLÍCITO

SOLITÁRIO

SUBMISSO

 

TALENTOSO

TÁTICO

TEATRAL

TEIMOSO

TEMEROSO

TEMPERAMENTAL

TENSO

TENTADOR

TERAPÊUTICO

TERNO

TÍMIDO

TÍMIDO

TOLERANTE

TOLO

TRABALHADOR

TRADICIONAL

TRANSIGENTE

TRANSPARENTE

TRAQUEJADO

TRANQÜILO

TROPICAL

TURBINADO

 

UNIFICADOR

URBANO

ULTRAJANTE

ULTRAPASSADO

ÚNICO

USURPADOR

ÚTIL

URGENTE

 

VAIDOSO

VADIO

VAGABUNDO

VALENTE

VALIOSO

VAZIO

VELHACO

VIVAZ

 

ZANGADO

ZELOSO

ZEN

ZOMBADOR