João e Maria é mais um conto de fada, da coleção “Contos de fada em Cordel”


Resultado de imagem para joão e maria


João e Maria é mais um conto de fada, da coleção “Contos de fada em Cordel”


João e Maria é mais um conto de fada, da coleção “Contos de fada em Cordel”, de autoria de Stélio Torquato editado pela Cordelaria Flor da Serra, com lançamento na Bienal do Livro, programado para o dia 21.

João e Maria é um conto de fadas de tradição oral, tendo sido coletado pelos Irmãos Grimm, que a suavizaram para agradarem a classe média do século XIX. Nas versões originais, a narrativa faz referência aos homicídios de crianças, prática comum na Idade Média devido à fome e à constante escassez de comida. Na versão dos Grimm, os irmãos são deixados no bosque para que morram ou desapareçam porque não podem ser alimentados. No livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, o psicólogo austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990) descreve a narrativa como uma metáfora da fase oral da criança (que se estende do nascimento até cerca de 18 meses de vida), representada no conto pelo ato das crianças comerem a casa da bruxa. Em 2013, o filme de ação e terror João e Maria Caçadores de Bruxas, dirigido por Tommy Wirkola, traz os protagonistas do conto já adultos, os quais se tornam caçadores profissionais de bruxas:


Esta historinha começa
Com a péssima decisão
Que tomaram um dia os pais
De Maria e de João.
A ideia foi motivada
Porque a família citada
Passava por privação.

Era, de fato, bem pobre
O referido casal,
O qual tinha muitos filhos,
Sete ou oito no total.
Devido à extrema pobreza,
Faltava tudo em sua mesa,
O aperreio era geral.

Como o pai dessas crianças
Estava desempregado,
Raramente esse senhor
Conseguia algum trocado.
E sem serviço e sem ganho,
Seu pesar era tamanho
Que vivia atormentado.

Pra achar uma solução
Pra aquela vida sofrida,
Precisava conversar
Com sua esposa querida.
Indo as crianças dormir,
Com a esposa ia discutir
Procurando uma saída.

Indo os filhos para a cama,
Foi falar com a mulher dele.
“Que solução nós daremos?”
– Bem depressa disse ele.
Procuraram, procuraram,
Mas solução não acharam
Para um problema daquele.

A mãe disse: “Sem dinheiro,
Como nós vamos criar
Esse monte de menino
Que é preciso alimentar?
Cada filhinho peralta,
Se sumir, faz muita falta,
Mas precisamos pensar…”

Aproveitando essa fala,
Disse o pai, coçando a testa:
“Dois filhos eu vou levar
E deixar lá na floresta.”
A esposa se entristeceu,
Mas a ideia do esposo seu
Nem acata e nem contesta.”



CHAPEUZINHO VERMELHO EM CORDEL


Resultado de imagem para CHAPEUZINHO VERMELHO
CHAPEUZINHO VERMELHO EM CORDEL



Bem vindos, ó minha gente
Uma história eu vou contar
Da Chapeuzinho Vermelho
Que os doces foi levar
Preste muita atenção
Para não se assustar.

Uns docinhos bem gostosos
A mamãe lhe preparou
Colocando na cestinha
A mamãe lhe avisou
Mas não vá pela floresta
Mas ela não escutou.

Pela floresta ela foi
E encontrou o lobo então
E o lobo disfarçou
Que era um anjo guardião
Atrasando a menina
Se mostrou espertalhão.

A menina atrasada
Na casa da vó chegou
Na porta ela bateu
Mas ninguém de lá falou
Chapeuzinho preocupada
Na casa então entrou.

Quando a vó ela viu
Foi difícil de entender
Nossa vó que olhos grandes
É para melhor te ver
E essa boca enorme
É a que vai te comer

E o lobo a boca abriu
Para menina engolir
E um salto ele deu
Para ela não fugir
Foi quando o lobo disse
Não adianta você ir.

Para sorte da menina
Aparece um caçador
Corajoso ele disse
Vou acabar sua dor
Chapeuzinho alegremente
Sorriu como uma flor.

O valente caçador
Com a faca empunhada
Abriu a barriga dele
Tirou a vovó amada
Que saiu de lá sorrindo
E todinha amassada.

E assim aqui termina
Um conto com alegria
Do lobo que se deu mal
Com tanta estripulia
Um abraço pra vocês
Adeus até outro dia.



Autoras:
Regina Nardi
Maria Angélica Zanata
Angela Nascimento
Cássia Tedde
Cláudia Galvão
Lu Mani
 

Um Vulto na Sacristia - Sérgio Dalla Vecchia



Resultado de imagem para homem de capuz

Um Vulto na Sacristia
Sérgio Dalla Vecchia

Os sinos dobravam em um domingo ensolarado avisando fiéis para a badalada missa das onze horas.

O padre ainda na sacristia vestia-se com paramentos para a celebração de mais um rito na sua madura vida sacerdotal.

Igreja repleta, o coral cantava Adeste Fidelis conclamando as pessoas a orarem naquele momento de fé.

A paróquia era formada por famílias da classe média alta, a elegância das senhoras era realçada pela mais nova coleção de modelos prêt-à-porter e o aroma inalado na nave lembrava discretamente Provence.

Por fim, o padre deixa a sacristia guiado por dois coroinhas tilintando sininhos, e pomposo adentra no altar.

Todos se acomodam, com fé seguem os ritos iniciais, depois o rito da palavra e na sequência o mais solene rito sacramental.

No momento da comunhão, enquanto o padre segurava o cálice de hóstias em uma das mãos e com a outra entregava-as aos fiéis, pressentiu algo. Rapidamente olhou de relance para a sacristia, onde viu um vulto que parecia encapuzado.

Estranhou o fato, não deveria haver ninguém naquele instante lá. Mesmo assim seguiu com o rito final, abençoou a todos e dirigiu-se à sacristia.

Quando lá pôs os pés, deparou-se com uma cena horrível! Havia um corpo de mulher caído sobre uma poça de sangue.

O pavor tomou conta de todos, os coroinhas saíram disparados em direção aos fiéis, sem nem ao menos abandonar os paramentos.

Delegado Percival, católico praticante, sentado próximo ao altar, logo percebeu algo errado. Imediatamente agarrou pelo braço um dos coroinhas que passava correndo ao seu lado.

—Diga, garoto, o que aconteceu?

Percival imediatamente como um gato alcançou a sacristia.

A cena era chocante. O padre desesperado, tentava reanimar a pobre mulher usando todo seu conhecimento de primeiros socorros, mas nada! Ela havia levado uma facada mortal no peito.

Os paramentos estavam encharcados de sangue. O chão de mármore branco parecia um mármore vermelho de Verona.

Percival se aproximou, verificou as funções vitais da mulher e certificou-se de que estava realmente morta. Não restava a menor dúvida.

De imediato chamou a polícia técnica da divisão de homicídios.

Ouviu-se uma sirene,  logo o local foi isolado e os peritos iniciaram os trabalhos.
O delegado, atento aos detalhes, fez questão de acompanhar pari passu os trabalhos técnicos.

A mulher era linda, aparentava uns quarenta anos, longilínea, cabelos negros cortados Channel curto, unhas compridas em esmalte vermelho, vestido estampado, alta e um corpo escultural.

Joias discretas, bolsa, carteira com pouco dinheiro, cartões de crédito e documento de identidade atestando ser casada.

Verônica era seu nome, conhecida na paróquia, vinha duas vezes na semana ajudar voluntariamente em diversas atividades.

Segundo uma paroquiana mais próxima a ela, informou que o casal estava passando por uma crise conjugal e que o marido andava desconfiado de sua fidelidade.  

Percival, mesmo sendo um delegado experiente, indignava-se com o fato de alguém assassinar uma mulher tão linda.  

Era inaceitável para ele, um solteirão colecionador de romances perdidos e ainda esperançoso na busca de um verdadeiro amor.

Pôs os pensamentos no lugar,  deixou o cadáver por conta dos peritos e saiu em busca do padre para obter mais pistas.

Encontrou o sacerdote demais abatido, culpava-se por não ter interrompido a comunhão, de não ter corrido atrás do vulto e impedido o crime.

— Verônica nos ajudava muito, era muito alegre e fazia tudo com muito amor. Ajudava na horta e cuidava com primor do jardim. – Lamentava o padre.

Percival com muito jeito o consolou e iniciou um discreto interrogatório.

Padre, preciso que descreva com detalhes o vulto que senhor avistou.

Ele esforçou-se e descreveu o pouco que viu:

— Vestia um moletom escuro com um capuz que lhe escondia o rosto, mostrava estatura alta e parecia ser forte.

— Necessito também que fale das pessoas que habitualmente frequentam a área da Igreja.

Franzindo a testa, após respirar fundo o padre lhe disse:

— Dona Maria na cozinha e Valdete na arrumação, ambas colaboram na casa paroquial onde resido.

— Da horta e do jardim cuida o Lucas, ótimo jardineiro, jovem trabalhador, educado que está conosco há três meses.

—E Verônica? - Emendou Percival.

O padre pareceu ter se incomodado com a pergunta e respondeu secamente:

 — Ela era uma paroquiana que muito nos ajudava na igreja, só isso.

Percival estranhou a atitude do padre e no momento nada mais lhe perguntou. 
Virou-se e foi em busca de mais informações com Valdete, a arrumadeira.

Chegando na casa paroquial encontrou a moça desconsolada, chorando copiosamente sentada em um canto da sala.

Apresentou-se, levantando-a pelas mãos, deu-lhe um abraço confortante e a tranquilizou até que o choro sessasse.

— Você conhecia aquela moça Veronica?

Ela empalideceu e num desabafo desembuchou:

— Eu bem que avisei o padre que Verônica não prestava, mas ele estava enfeitiçado. Fazia tudo por ela e eu que sempre estive ao seu lado, dando-lhe todo meu amor, admiração, fui esquecida. O resultado aí está, ela assassinada!
— Espera aí moça, foi você quem a matou? - Arguiu Percival.

— Deus me livre, cruz credo. Eu nunca mataria ninguém!

A fisionomia do delegado mudou completamente, olhos brilhantes, sobrancelhas altivas e um discreto sorriso anunciavam o início de uma bela investigação criminal.

— Você desconfia de alguém?

Constrangida Valdete respondeu que não era dedo duro, que também não tinha certeza de nada.

— Pode falar sem medo o que sabe ou desconfia, eu te garanto segurança.

— Então delegado, tem aquele rapaz jardineiro, o Lucas, que desde quando ele chegou pedindo para cuidar do jardim, não fui com a cara dele não! Ele é daqueles que ficam encarando a gente e olhando para nossas pernas com olhos de lobo. Com o tempo começou a encarar a Verônica que vezes o ajudava no jardim. Ela sabia que era cobiçada, tinha prazer em provocar, coisa que eu nunca soube fazer.

Percival cada vez mais interessado continua a ouvi-la.

— Certo dia eu fui estender uma roupa e vi os dois se atracando no fundo do quintal atrás de uma bananeira. Nossa, fiquei até arrepiada! No dia seguinte não tive dúvidas, contei tudo para o padre com muito gosto.

— Bem-feito, quem manda se engraçar com o meu padre!

— Ele ficou possesso com a notícia. Sem pestanejar expulsou Lucas da paróquia. Isso ocorreu há três dias. - Delatou Valdete.

Depois do ocorrido o padre ficou acabrunhado, melancólico e sem apetite, até que Verônica apareceu. Ele contendo-se de ciúme e ela sem saber da delação de Valdete, cumprimentaram-se como de costume.

Acontece que Verônica foi ter ao padre para informa-lo que não frequentaria mais a paróquia, pois seu marido, ela não sabia porque, a proibira categoricamente.

Entretanto o padre enfeitiçado ainda pede a ela para encontrarem-se naquele domingo as 12:30h, logo após a missa as 11:00h. Onde conversariam com calma a respeito. Tanto insistiu que ela concordou.

Naquele fatídico dia, Verônica mentiu para o marido dizendo que assistiria a missa em outra igreja e foi ao encontro marcado.

Chegou um pouco antes das 12:30h e ficou aguardando na sacristia o termino da missa.

Enquanto isso no fundo do quintal, desenrolava-se uma luta corporal entre dois homens fortes.

O marido desconfiado que estava, seguiu Verônica até a Igreja e a viu entrar na sacristia.

Percorreu o quintal reconhecendo o terreno, atentou para a pequena horta e para o bem cuidado jardim. Farejava com intuição de marido ressabiado, em busca de alguma evidência que lhe comprovasse a suspeita.

Foi quando deparou com o Lucas, pisando firme e munido de uma faca gasta pelo uso. Andava convicto em direção a sacristia.

Eles não sabiam nada um do outro. Apenas o marido tinha ouvido alguma coisa sobre um jovem jardineiro, contada pela própria Verônica dizendo que o ajudava na horta e no jardim.

Seria ele o responsável pela alegria de Verônica quando retornava da Paróquia? - Pensava o marido ciumento.

Na dúvida foi em direção ao Lucas e logo lhe perguntou:

— Você conhece Verônica?

Lucas surpreso, saiu por instantes do transe e com raiva respondeu ao marido.
— Conheço sim, é minha namorada, sou apaixonado por ela e aquele padre desgraçado dava em cima dela e me mandou embora da Paróquia. Hoje voltei para resolver esse assunto.

O marido agora convicto, porem cauteloso perguntou-lhe:

— Você vai resolver o assunto com essa faca na mão?

— Claro que sim, é caso de vida ou morte. Não me importa quem sobreviverá.
— Ah é! - Disse o possesso marido traído.

— Então vamos ver quem sai vivo dessa.

Segurou a mão que empunhava a faca e atracou-se furiosamente com o jovem rival.

Enquanto isso, aflita e sem saber de nada, Verônica aguardava contemplando a decoração da sacristia que ela mesma havia projetado.

Eis que do nada surge um homem encapuzado, que com velocidade de um raio e sem a mínima complacência crava a faca em seu peito. A outra mão tapava a boca da agonizante enquanto com os lábios grudados em um dos ouvidos ainda lhe sussurrou:

— Minha beata esposa, eu sei de tudo, o Lucas antes de morrer me contou.

Assim o infeliz marido após essa atitude passional, recolheu-se em casa. Não se alimentava, apenas remoía a desventura em que se metera.

Enquanto isso o padre após se livrar dos protocolos do assassinato daquele domingo trágico, acolheu-se na casa paroquial.

A noite chegou e exausto foi para o quarto tentar dormir.

O sono não vinha. Apenas lembrava dos momentos que passou junto a Verônica. Sua fisionomia linda e alegre não saia da mente. A culpa por não ter conseguido salva-la espetava-lhe a alma.

De repente, o silêncio do quarto escuro foi quebrado por um pequeno ranger de porta.

O padre ainda sonolento perguntou:

— É você Valdete?

Ouviu-se o assoalho ranger por dois passos, um engatilhar de uma arma, três estampidos, um gemido e nada mais.

No dia seguinte, Percival compareceu na cena do crime chamado pela cozinheira Dona Maria.

— Cadê a Valdete? - Logo perguntou o delegado.

— Doutor, não sei não! Não apareceu até agora e já são dez horas da manhã e ela não é de atrasar.

Percival não queria acreditar que Valdete seria capaz e ter cometido esse crime. Havia confiado nela!

Assim desiludido com as pessoas, com seus amores frustrados e com a própria vida, dirigiu-se a Delegacia.

Cabisbaixo acomodou-se na escrivaninha e começou a verificar documentos até que percebeu uma pessoa em sua frente. Levantou os olhos e perguntou:
— Quem é você?

— Sou marido de Verônica. Vim me entregar!


Morte e Vida Severina | Animação - Completo



Morte e Vida Severina -  João Cabral de Melo Neto
em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.


Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.









A letra deste magnifico texto de João Cabral de Mel Neto está aqui.



CONTOS DE CORDEL - Harry Potter em Cordel.


Seu conto pode ser um cordel.


Já mostramos anteriormente o cordel de Ariano Suassuna que conta a história de Romeu e Julieta, retratando toda a peça de Shakespeare.



Temos abaixo o cordel de Marcelo Melo e Wanessa Caroline, que tem o enredo baseado em Harry Potter:


Harry Potter em Cordel.



"Literatura de cordel também conhecida no Brasil como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar as pessoas."




A jornada de Harry Potter
Vou contar esta história
Do bruxinho muito esperto
Que era triste e sem família
Mesmo com sua tia por perto.
Cumprindo sua trajetória
Foi para o caminho certo.
Era amado pelos pais
Com toda sua alma e coração,
Até o dia que alguém mau
O fez ficar na solidão.
Era o Lord das Trevas,
Que os matou sem perdão.
Hagrid, o bom conselheiro,
Lhe contou toda a verdade.
Harry, mesmo bem espantado,
Aceitou com seriedade
Ser um grande feiticeiro
E obter a felicidade.
Da nova escola foi a caminho
E o trem nove três quartos pegou
Lá conheceu seus novos amigos,
Com quem até se identificou.
Ao chegar, viu-se sozinho,
Mas logo a professora o chamou.
Chegando ao salão principal,
O chapéu seletor o escolheu
Para a casa Grifinória,
Onde sua turma o acolheu,
Mas sua cicatriz deu o sinal:
Você-sabe-quem não morreu.
Logo em sua primeira jornada
Encontrou a Pedra Filosofal,
O Voldemort queria tê-la
Para tornar-se imortal,
Mas Harry a deixou guardada
E o expulsou de modo banal.
Em sua segunda jornada,
Encontrou a Câmara Secreta
Onde Voldemort escondia
Uma cobra indiscreta,
Basilisco era chamada,
Harry, a matou completa.
Em sua terceira jornada,
Seu padrinho ele conheceu,
Era o Prisioneiro de Azkaban
Que Harry logo compreendeu
Sobre sua vida complicada
E a injustiça que ele sofreu.
Em sua quarta jornada,
Um torneio Harry foi enfrentar
Os difíceis concorrentes,
Que uma taça queriam ganhar,
Mas ficaram descontentes
Quando viram o mal chegar.
Como a profecia falava
Alguém teria que perder,
Felizmente o bem venceu,
Logo Harry começou a crescer.
Casando-se com quem gostava
E Para sempre feliz ser.
╚════ :cactus: ════╝
Créditos:
(Marcelo Melo e Inessa Caroline) - Disponível em recanto das letras. [CI]Ilustração Harry Potter por Bruno Cerqueria.

A viagem repentina no fim de ano - Fernando Braga




Imagem relacionada


A viagem repentina no fim de ano
Fernando Braga

        Viagem repentina, é aquela não planejada, onde você toma uma decisão rápida para empreende-la. Geralmente está ligada a um fato ou acontecimento que surge de repente, mais frequentemente relacionada a um falecimento ou doença grave em um membro da família, que está distante.

       Foi o que aconteceu há dois anos, no dia 30 de dezembro, dia em que me preparava para viajar e passar 4 dias em um resort, previamente marcado. Meu filho, mulher e filhinha iriam junto, em apenas um carro.

       Logo cedo, eis que o telefone toca e um parente comunica o falecimento de um primo muito querido, em cidade do interior, 430 quilômetros da capital. O enterro havia sido marcado para o mesmo dia às 16 horas.

       Não podia deixar de ir, éramos muito ligados a este querido primo, filho de um tio adorado, que alegrou minha infância e mocidade, levando-me a apreciar as músicas famosas da época interpretadas por Sílvio Caldas, Orlando Silva, Chico Alves, Elizeth Cardoso e outros mais.

       Este primo, um grande fumante, no começo do ano foi diagnosticado com um tumor no pulmão, que apesar de todo tratamento quimioterápico instituído veio a derrota-lo, exatamente, um dia antes do final do ano.

       Pedi que minha mulher fosse para o Resort com meu filho, que eu havia decidido ir em meu carro, sozinho para o enterro. Era no mínimo cinco horas de viagem. Meti as caras.

       Comi um lanche na estrada quando o relógio marcava 14 horas, estava entrando no cemitério.  Muitos familiares e conhecidos presentes, quando me aproximava, vieram em minha direção me abraçar. Exteriorizavam o pesar pela morte, já esperada e desejada do querido primo, uma pessoa realmente boa gente.

        Fui ao local onde estava o caixão, dei os pêsames à sua esposa e filhos, aproximei-me do cadáver, alisei seu rosto e dei-lhe um beijo na testa.

       Todos agradeceram minha presença, principalmente após saberem que vim sozinho de carro, em viagem longa.

       Fazia muito tempo que não via nossa família toda reunida. Muitos conhecidos de longa data, que também não via há séculos, se aproximaram para conversar.

       Várias coisas notei. A primeira delas é que a família de meu primo falecido não estava pesarosa, mas até um pouco contente. Logo entendi. Davam graças à Deus por ter terminado um sofrimento, depois de vários meses daquela tosse atroz, falta de ar, fraqueza intensa, dor e grande emagrecimento. Foi embora! Sua imagem dos bons tempos ficará. Sua melhor imagem, agora se cristalizava.

       Outra observação. Amadeu, outro primo, agora com 84 anos,  que era um galã nos bons tempos, estava todo encurvado, enrugado, andando com muletas, mas ainda conservando   o bom humor. O que achei o máximo foi de uma senhora que se aproximou de mim, cumprimentou-me e perguntou:

       - Sabe quem sou eu?

       Olhei, olhei, não a reconheci.

       - Eu sou a Giovana Mendonça.

         Giovana!

       -Não acreditei. Fiz festa parecendo contente em revê-la.

        Giovana era a mulher mais bonita da cidade e a mais sexy, corpo perfeito. Estava agora magra, muito envelhecida, cabelos rarefeitos, uma verdadeira bruxa.

        Como o tempo é cruel!

       Na hora exata, após a reza do padre, fecharam o caixão, peguei em uma das alças para carrega-lo até sua tumba, já preparada.

       Despedi-me de todos e contrariando o conselho da maioria, peguei a estrada de volta. Eram quase 18,00 horas.

        Entrei em contato com minha esposa dizendo que estava saindo. Seriam mais cinco horas. Queria encontrar minha mulher e filho, que já estavam no Resort, a uma hora de São Paulo.

       Por volta das 21 horas, plena noite, comecei a sentir a direção do carro puxar para o lado. Parei e fui examinar os pneus.   Percebi que o do lado direito, da frente, estava completamente murcho. Peguei meu celular para comunicar-me com a Porto Seguro, presente em qualquer cidade, mas o telefone estava totalmente sem carga e havia esquecido o carregador. Pensei: - Estou ferrado e mal pago. Não tinha nem lanterna.

       Assim mesmo tentei trocar o pneu, mas não consegui nem retirar o primeiro parafuso da roda. Estava tremendamente preso. E agora?  Só não adiantava chorar.

       Parado, tentei, mas ninguém parou naquela escuridão, para me ajudar. Entrei no carro, encostei a cabeça para dormir.

       Por volta das 2300 horas, parou um carro da polícia rodoviária perguntando se precisava algo. Expliquei tudo e eles em 30 minutos trocaram o pneu. Foram gentis demais.

       Por volta da uma hora da manhã, estava entrando na garagem de meu prédio.      Chegando em casa o que primeiro fiz, foi entrar em contato com minha mulher pelo celular dela. Quando atendeu, estava muito tensa, pensando em algo pior, um desastre. Logo comunicou a meu filho, que aguardava notícias, boas ou péssimas.

       No dia seguinte segui em direção ao Resort. Ao chegar, minha mulher me comunicou que a sogra de nosso outro filho havia morrido à noite e iria ser cremada às 16,00hs, na Vila Alpina. Tivemos que ir.

Felizmente à meia noite estávamos todos juntos no Resort para comemorar a passagem de ano. Bebida não faltou! Tudo Inesquecível!

 O Réveillon foi ótimo, nos divertimos muito.

Espero não fazer outra viagem repentina, por muito tempo!