A arriscada vida de um girassol - Maria Verônica

 





A arriscada vida de um girassol

Maria Verônica

 

O girassol é uma flor que se relaciona com o Sol de um modo especial, diferente das outras plantas.

É o que acontece com o Solício um girassol que está brotando no jardim de Antonieta. É uma surpresa para ela e para o neto, Tadeu. 

Tadeu costuma brincar no quintal onde há muitas plantas bem cuidadas. Nota-se o carinho com que são cultivadas e podadas, oferecendo à casa um visual paisagístico encantador.

Tadeu é tido como um menino peralta, talvez por ser muito ativo, ousado em suas façanhas. Coisa de menino. Ele se interessa em brincadeiras que desafiam sua capacidade de vencer. Gosta de empinar pipas e disputar com outros meninos a façanha de “derrubar” a pipa do amigo. Tadeu já tinha compreendido a ação do vento para içar a pipa para muito alto, girar ou retroceder. Trocava muitas conversas com o avô sobre física e ação do vento. Lógico que era tudo brincadeira, mas havia muito aprendizado que Tadeu ainda não levava em conta.   

E foi numa tarde de especial ventania, quando, no quintal da vovó Antonieta, ele fazia a pipa subir, produzindo inúmeras acrobacias no ar, até que o sol faiscou sua vista, e ele invadiu o canteiro sem perceber. Tinha o olhar fixo na pipa que estava bem alta, e vez ou outra desviava os olhos do sol. O brinquedo titubeava no céu e era astuciosamente, levado daqui para lá e de lá para cá.

Conforme se movimentava com atenção no voo da pipa, ele não percebia onde pisava:

— Cuidado onde pisa! Você está me machucando.

Era um pungente grito de protesto que não poderia ser ignorado. O menino olhou para baixo e procurou, até que descobriu o girassol. Era ainda minúsculo, as folhas tenras não pareciam firmes, as pétalas surgindo devagar. Tadeu estava desconfiado “será mesmo que foi esta plantinha que falou comigo? ”, afinal, jamais tivera conversa com plantas:

— Quem está aí?

Então, ele ouviu novamente o protesto do girassol:

— Estou aqui, quase embaixo do seu pé, menino! Você vai me esmagar se pisar em mim. Cuidado, não se mova!

O garoto confirmou que a voz era da plantinha que vicejava ainda frágil se esticando para buscar a luz quente do sol. Abaixou para vê-la melhor, era um gracioso girassol, mas ainda tão pequeno que mal se enxergava.

Não, Tadeu não queria pisar as flores, ele tinha ajudado a cultivá-las, tinha até ferramentas com seu nome. Pensando em quão arriscado é ser uma plantinha, ele foi aos poucos, bem devagar, recuando, recuando. Quando se viu fora do canteiro, suspirou. É claro que sua avó não gostaria de ver o jardim pisado daquela maneira. Sentiu-se até envergonhado por dar mais atenção à pipa, do que ao jardim.

Foi quando notou os olhos firmes da avó apreciando sua decisão de recuar em segurança do girassol. Ela estendeu os braços, e Tadeu correu para aproveitar aquele abraço carinhoso.


O Girassol - Silvia Maria Villac Vicente de Carvalho

 


O Girassol

Silvia Maria Villac Vicente de Carvalho

 

 

Lá de longe já se avista o girassol

Todo imponente próximo ao farol

Gira, gira girassol

Gira em torno do Rei Sol.

 

Flor da alegria e da energia,

Quando juntas em harmonia.

Parecem entoar uma melodia

Para nos encantar com sua companhia.

 

Essa flor tão colorida,

Sempre presente e nunca esquecida,

Mesmo quando não há mais vida,

Se faz agradecida em sua partida.

 

O MAU GÊNIO! - Ledice Pereira

 



O MAU GÊNIO!

Ledice Pereira

 

O fato de ficar todo contorcido dentro daquela lâmpada não era o pior para Crushy, afinal ele era contorcionista.

Fora castigado por ser antipático e rabugento, com zero paciência para com as crianças que vinham vê-lo no circo.

Para ele, elas faziam muitas perguntas, o que o irritava tremendamente:

– Por que você consegue colocar a cabeça entre as pernas?

– Como você consegue se contorcer assim?

– Você não fica com o corpo todo dolorido?

Essas e mais uma porção de perguntas, tinha que responder após cada espetáculo. E fazia isso com muito mau-humor.

O dono do circo só não o mandava embora porque ele atraia o público.

Crushy não era de família circense. Apenas havia nascido com o corpo flexível, que parecia de borracha e virava pra todos os lados.

Sem estudo, o emprego no Circo foi o único que ele conseguira.

Certo dia, estava ele lá, com sua cara de poucos amigos, maltratando a criançada, quando uma estranha mulher ficou observando seu comportamento.

O jeito como ele a encarou foi o suficiente para que ela, na verdade, uma fada disfarçada, o transformasse num pobre gênio de uma lâmpada esquecida num canto do circo.

Crushy esperneou, gritou, pediu socorro, mas a tal mulher, não se comoveu nem um pouco.

– Você vai passar seus dias aí dentro até aprender a ser um homem com H maiúsculo. Um homem que saiba como tratar uma mulher como eu e todas as crianças, sem exceção. Com alegria, respeito, paciência, sem essa sua má vontade. Lembre-se de que é a plateia que paga o seu salário.

O homem ficou ali por muito tempo. Naquela posição incômoda dentro de uma lâmpada estreita, fria, sem graça.

Se, ao menos, tivesse a fama, a importância e o dom de um Aladim...

O tempo passou, Crushy ficou mais velho, sentia falta de gente para conversar. Tinha até saudade da algazarra das crianças. A idade o havia transformado. Ele mesmo surpreendia-se. Procurou convencer a fada de que tinha se tornado um ser melhor.

A fada ficou com pena e resolveu dar uma nova oportunidade ao infeliz. Não sem antes o prevenir de que estaria atenta. Qualquer deslize e Pluft, num rápido passe de mágica, ela o castigaria.  

Livre, ele voltou a fazer contorcionismo. O tempo não havia tirado sua elasticidade. Logo passou a ser a atração principal do Circo. Vivia rodeado de crianças que queriam que ele contasse como fazia aquilo.

E pasmem, ele, agora, tornara-se o mais paciente dos homens. Até se arriscava a ensinar alguns segredos da profissão.

A fada o observava de longe.

O castigo havia surtido efeito mesmo!

Ele a procurava com os olhos, para ver se ela estava acompanhando sua transformação. Morria de medo de voltar a viver dentro daquela lampadazinha estreita, incômoda e solitária.

 

O GÊNIO DA LÂMPADA - parte 1 e parte 2 - Ises de Almeida Abrahamsohn

 



O gênio da lâmpada

Ises de Almeida Abrahamsohn

 

Parte 1

Francisco e Maria tinham planejado a expedição para aquele sábado. Na pequena cidade de Minas onde moravam, corriam muitas lendas sobre a existência de um tesouro escondido no fundo, de uma caverna na época da mineração do século dezoito. Era uma região com muitas cavernas, das quais apenas duas não tinham sido completamente exploradas pelo povo atrás do tal tesouro. Os dois irmãos decidiram investigar a caverna do riacho Fundo.
Iam na direção do riacho Fundo munidos de mochila, água, pá de jardim e de uma corda de pular, grossa de sisal de uns 5 metros e dos faroletes de emergência retirados da gaveta da cozinha,

A entrada da caverna na época das chuvas, com o rio cheio, ficava atrás de uma queda d’água de uns 3 metros de altura. Com cuidado para não escorregar nas pedras lisas, os dois conseguiram passar por trás da cachoeirinha e entraram na caverna. O chão estava firme, mas após os primeiros metros a escuridão era total. Os fachos estreitos dos faroletes iluminavam o caminho à frente, mas não era possível clarear o teto e as laterais. Alguns morcegos, acordados pela luz e pelo barulho, voavam entre as paredes. Mas não assustaram os dois exploradores que sabiam que os radares dos morcegos evitavam os obstáculos.
Súbito, após avançarem uma centena de metros a caverna parecia terminar em um paredão de pedra. Examinando com a lanterna viram uma abertura no nível do chão de uns 30 centímetros de altura e uns 50 cm de largura. Não daria para eles passarem.

Podemos tentar cavar para aumentar o buraco, disse Maria. Ou a gente volta daqui.
Francisco topou a tentativa de alargar a passagem. Se revezaram, um raspando o chão arenoso com a pá, enquanto outro segurava a lanterna. Afinal, após quase uma hora de esforço, conseguiram alargar a passagem para poderem se esgueirar deitados para além do paredão. Puxaram as mochilas com os pés e deixaram a corda marcando a passagem.
Iluminaram o entorno. Era um espaço alto, seco, o teto de rocha lisa e nas laterais alguns recessos entre pedras lisas. Não havia morcegos ali.

Maria falou:

— Acho que antigamente o rio chegava até aqui, essas pedras são lisas e no chão às vezes tem umas pedrinhas iguais às de fundo rio. Se alguém fosse esconder um tesouro, seria entre essas pedras nos lados.

Francisco examinava as laterais.

Olha só, Maria, uma aranha totalmente transparente. Deve ser cega também vivendo aqui. Fugiu entre aquelas pedras. Vamos começar por ali mesmo.
̶  Detesto aranhas de qualquer cor, retrucou Maria, mas vamos começar.

Não vejo nada, só pedra.

Mas ao iluminarem o fundo da fenda entre as pedras viram algo que refletiu a luz.

Lá tem alguma coisa, exclamou Francisco com o coração acelerado. Vou pegar.
— Não é nada de valor, Maria. É um vidro grosso com uma base de metal. Parece ser uma lâmpada muito antiga. Vai ver que é uma lâmpada mágica, igual àquela da lâmpada de Aladim.

Ha, Ha, Ha fez Maria. Então vamos esfregar para ver e o gênio aparece. Está vendo? Nada acontece. Não é mágica.

Nesse momento a luz do seu farolete se apagou e Maria deixou cair a lâmpada de vidro que quebrou ao bater na pedra.

Um vapor azulado subiu do chão. No meio da nuvem azul, os dois viram um rosto magro de barba comprida com argolas nas orelhas.

— Meninos, que bom que me livraram desta prisão onde estou há milênios. Sou da Caldéia, da cidade de Ur, na margem do rio Eufrates. Vocês conhecem?

Bem, gaguejou Francisco assustado a gente ouviu falar na aula de história. Mas existiu há três mil anos.

— Pois é, eu era um gênio bem respeitado na época, mas um feiticeiro achou que eu não obedecia e me trancou nessa lâmpada de vidro. Como vim parar aqui não sei.

Maria, que era muito prática, indagou.

 — Tá bem, seu gênio. Mas nós precisamos sair daqui e vou perguntar já se tem algum tesouro escondido nesta caverna.

— Não Maria, não há tesouro aqui, mas eu posso fazer alguns truques muito úteis se me tirarem daqui e me arranjarem uma nova casa. Esta é muito apertada e estreita. Não conseguia esticar as pernas e ficava todo torto.

Francisco não queria levar o gênio, mas Maria argumentou que ele poderia afinal fazer algo de útil para eles e parecia um bom sujeito. Poderia até ajudar nas tarefas de história antiga.

— Nós podemos levar você, mas tem que entrar numa garrafa. Não pode ficar aparecendo como fumaça azul atrás da gente.  Depois a gente em casa arruma uma lâmpada legal para ser sua casa.   Nós temos uma garrafa de água para carregar você. A gente esvazia e você entra e pronto.

O gênio não tinha outro remédio senão concordar. Quando viu a garrafa ficou entusiasmado.

— É bem mais larga do que a minha antiga casa. E que material bom, é bem mais transparente que o meu vidro e é macio. Mas o problema vai ser o buraco. É muito estreito para eu entrar.

— Chama-se plástico, não tinha na sua época. A gente vai cortar o gargalo para você entrar mais fácil. Meu irmão tem um canivete suíço para essas coisas.
Francisco interveio:

— Tá bom. Posso cortar e alargar a boca para ele entrar, mas como vamos tampar?

— Você ainda tem aquele pacote de chiclete? A gente mastiga um pouco e juntando uns três dá para abrir e esticar, fechando o buraco da garrafa.

E assim fizeram. O gênio se acomodou na garrafa de água tampada com o chiclete e colocada na mochila.

Fizeram o caminho de volta passando na abertura estreita e puxando depois a corda com as mochilas amarradas.

Foram andando bem depressa, quase no escuro, com a luz dos faroletes ficando cada vez mais fraca.

Por fim, alcançaram a entrada da caverna e a claridade. Já era próximo ao meio-dia, estavam com fome e chegariam para o almoço.

 

 

Parte 2

Francisco e Maria entraram correndo pela porta da cozinha até o quarto de Maria, onde largaram as mochilas. Ouviram o chamado da mãe para o almoço. Já era o já famoso segundo aviso para almoço da mãe Dona Maria Lúcia. Quando ouviam o nome acompanhado do grito “Na mesa” bem sabiam que era a última chamada.   A mãe era professora de ciências e geografia e durante a semana tinha tempo contado para almoçar em casa e retornar à escola. Mesmo aos sábados, quando não havia necessidade de voltar à escola, almoçava-se pontualmente às 12:15. Para fazer a tarde render, justificava a mãe.

— E o gênio, vamos deixá-lo na garrafa? Perguntou baixinho Maria ao irmão, enquanto a mãe conversava com o pai.

— Depois do almoço, a gente decide o que fazer.

Os dois nem quiseram esperar a sobremesa. Pediram licença e saíram apressados para olhar a mochila. A garrafa estava lá. Decidiram liberar o gênio ali mesmo no quarto de Maria depois de fecharem as venezianas e janelas e passarem a chave na porta.
— Imagina se ele escapa e sai assustando as pessoas por aí! Falou Maria, certificando-se de que estava tudo bem trancado.  Será que ele pode escapar pelo buraco da fechadura ou pelo vão embaixo da porta?

Francisco era de opinião que não!

— Mesmo espremendo não daria para passar! Afinal ele disse que não conseguiria entrar na garrafa de água e tivemos que cortar para a boca ficar mais larga.
        Mesmo assim, Maria resolveu que era preciso ter algum recipiente para conter o gênio e que fosse bem fechado com tampa. Lâmpada daquele tipo antigo seria impossível de achar e lamparina de querosene tinha uma manga de vidro, mas era aberta. Tinham que procurar na garagem onde se guardava tudo que eventualmente pudesse ter alguma serventia. Dito e feito. Nas prateleiras do armário da garagem encontraram um grande frasco de vidro com tampa de vidro esmerilhado. Era justamente o que precisavam.

 — Acho que cabem uns três litros aí, o gênio vai ficar bem confortável.  Precisamos lavar, está muito empoeirada, no fundo, tem um pó estranho.

Quando abriram o frasco sentiram um cheiro de fruta mofada. Provavelmente era usado para compota de frutas ou para fazer licor.

Agora no quarto, com o frasco lavado, era chegado o grande momento. Tiraram a tampa de chiclete e viram logo subir a nuvenzinha azul.

O rosto do gênio apareceu, estava mal-humorado. Começou reclamando do calor, pois estava acostumado à temperatura estável e fria da caverna. Os meninos tiveram algum trabalho para explicar que estavam no Brasil, em Minas Gerais, ao gênio que era de uma época onde se desconhecia a existência de habitantes em outros continentes e mesmo dos próprios continentes. Imaginem a dificuldade. Usaram um globo terrestre de estudante para mostrar de onde ele vinha, atual Iraque, e onde estavam.  Foi uma complicação. Primeiro, explicar que a terra era redonda. Depois, falar da Europa e a descoberta do continente América. O gênio interrompia a toda hora e acusava os irmãos de estarem inventando histórias. Não era fácil resumir 3.000 anos de história. Já começava a escurecer e Maria e Francisco estavam cansados de explicar e argumentar. Precisavam descansar e logo a mãe iria chamar para o lanche da noite de sábado. A questão agora era como fazer o gênio parar de fazer perguntas e ir para a garrafa.
        Vocês já imaginaram como seria explicar a atualidade para alguém que veio há 3.000 anos?
       O gênio se recusou a ir para a garrafa! Disse que gênios não precisam dormir e que ele ficou três milênios fora do mundo e agora precisava se atualizar. Os irmãos não sabiam o que fazer.
       Maria sugeriu que como não conseguiam agarrar nuvem de gênio e colocar no frasco, a única saída era distraí-lo enquanto eles tentavam continuar com a vida normal. Pelo menos parecia que o gênio não conseguia mexer em nada. Ele via, escutava e falava, além de sentir frio e calor e ter reclamado do aperto na lâmpada da caverna.
      

— Televisão! É isso! Vamos fazer ele assistir TV para nos dar sossego. A gente coloca num desses canais de história e ele vai ficar vidrado... Vamos pegar a TV antiga, aquela menor, que está na garagem, mas ainda funciona, e instalamos no seu quarto.

Francisco tentou resistir, dizendo que não queria o gênio no seu quarto assim sozinho, mas não adiantou. No quarto de Maria, não havia espaço e nem tomada para o aparelho. Dito e feito. Colocaram a TV numa cadeira no quarto e convenceram o gênio ao sair do quarto de Maria, atravessar o corredor e entrar no de Francisco. Os meninos aí perceberam que o gênio não conseguia atravessar as portas. Mesmo se achatando ao máximo, não conseguia passar pelo vão entre a porta e o piso.
       Foi difícil explicar para o gênio, que eles apelidaram de Ge, como funcionava a televisão.  Mas o Ge estava maravilhado com as imagens. Com alívio, Francisco trancou a porta do quarto e os dois desceram para lanchar de sábado.
       A mãe havia preparado pizza e havia salada de frutas e sorvete como sobremesa. Tudo que gostavam... Até se esqueceram do gênio e do problema de como fariam para ter algum controle sobre ele.

Tinham percebido que Ge era um gênio sem muitos poderes, porém podia ser prestativo. Tinha conseguido que a mangueira de regar o jardim se levantasse e passasse a regar as plantas. Aliás, ficara maravilhado em saber que a água podia jorrar de torneiras em vez de ser penosamente tirada de poço ou de rios.  Não conseguia transformar objetos em ouro ou criar palácios como nas histórias antigas das mil e uma noites.  Ge confessou que havia uma hierarquia de gênios, desde os iniciantes até os mais evoluídos e estudados que conseguiam fazer o que relatava nas antigas histórias. Ele, Ge, sabia alguns truques, mas eram menores.

Depois do jantar, Maria retomou o assunto com Francisco antes de voltarem para o quarto.    Era preciso achar um meio de controlar o Ge, argumentou Maria. Francisco concordou. Era exaustiva a presença do Ge o tempo todo perguntando coisas e gênios não dormem, além do que ele se recusa a entrar na jarra que arrumamos, lembrou o menino.
       — Temos que investigar meios de capturar fuma
ça... Se arrumarmos um saco grande de papel resistente, a gente bem rápido inverte sobre a fumaça azul e amarra a boca do saco para ele não escapar. Essa é a minha ideia, disse Maria.
Francisco fez um não com a cabeça. Não parecia muito convencido de que iria funcionar.
— OK, pode ser que não dê certo.  Você tem alguma outra ideia?  Perguntou Maria. Se não tiver, vamos tentar essa e, vambora procurar um saco grande de papel aluminizado.

Acharam no armário da garagem onde a mãe guardava papéis e embalagens para presentes de Natal.

Aproximaram-se do quarto de Francisco levando o saco destinado à captura do gênio. Ao abrir a porta logo viram a fumacinha azul postada em frente à tela da TV.
— Meninos, que bom que voltaram logo! Tenho algo importante para falar...
Os irm
ãos se entreolharam.
— Depois de ficar vendo essas coisas que apareceram nessa placa decidi que tenho que deixar a casa de vocês e sair para conhecer o mundo. Cada coisa incrível que apareceu aí. E eu não posso ficar perguntando para vocês o tempo todo.

Maria suspirou aliviada. Estava resolvido o problema. Francisco sugeriu que Ge levasse o frasco para quando quisesse descansar. Maria sugeriu que Ge se instalasse na biblioteca da cidade, onde ele poderia aprender muita coisa e usar os computadores para fazer perguntas. Ela iria ensiná-lo como usar.
        Ge passou o domingo em frente à TV. Na segunda, Maria e Francisco levaram Ge no frasco até a biblioteca. Por sorte, estava vazia e os dois deram um rápido curso de como acessar os computadores. Deixaram o frasco meio escondido no fundo das estantes. Despediram-se do Ge com votos de felicidades. O gênio prometeu que iria manter contato e sumiu atrás de alguns livros.

Será que manteria contato? Algum dia, talvez...

 




NOVAS IDEIAS, VELHOS PECADOS - Suzana da Cunha Lima

 



NOVAS IDEIAS, VELHOS PECADOS

Suzana da Cunha Lima

 

O Colégio NOVAS IDEIAS estava situado numa construção antiga, muito bem preservada e graças a uma estação de metrô ali perto, tinha se valorizado muito. Mas era considerado meio antiquado e muito rigoroso.

Porém, a onda da modernidade, surfando na era digital, e a competição acirrada entre os colégios que preparavam os jovens para o vestibular, acordaram sua diretoria para os novos tempos.  Primeiro transformaram um colégio estritamente masculino em colégio misto e, a novidade maior, introduziram o Ensino Médio, com foco na Faculdade.

Não economizaram na construção de laboratórios moderníssimos, ampliaram a área esportiva e contrataram os mais conceituados professores, mais habituados a esta faixa etária e ao preparo para o vestibular.

Foi uma experiência inédita para os professores do Ensino Fundamental. Na verdade, tiveram que se habituar àquelas mocinhas em suas minissaias ou shortinhos, os longos cabelos continuamente balançados, sempre rindo ou cochichando, correndo pelas escadas, falando alto e inventando novos jogos de sedução para os mestres mais velhos.

 E os rapazes, ainda tímidos diante de tanta fartura, só se realizavam mesmo nas áreas esportivas, campeonatos e disputas internas. O Colégio adquiriu uma nova vida com esta turma de adolescentes que estava chegando.

E para comemorar tantas mudanças e modernismos, foi pensada uma nova revista, para ser criada e conduzida pelos jovens que se interessassem, sob a supervisão de um professor expert em comunicação.

Era mensal e foi um sucesso desde o início, por conta de uma nova seção da qual não se sabia a redatora. Era um segredo guardado a Sete Chaves.

- Já chegou a revista nova? Perguntou Regina à sua colega de classe que acabava de chegar.

- Aqui na mão. – Carolina balançou a revista bem na frente dela e houve até um simulacro de luta entre as duas. Riram muito e Carolina propôs.

— Vamos ler juntas, então. – Sentou-se perto da amiga e folhearam as páginas até à secção de FATOS E BOATOS, assinada por Poliana, que ninguém sabia quem era.

— Nossa, olha essa, Regina, quem diria, hein?  Olha quem está de olho no Prof. Bento. A Juliana, aquela ameba, completamente sem graça. A Poliana agora errou feio a mão.

Carolina olhou para Regina, meio divertida. - Todo mundo sabe que ele tem uma quedinha por você.

Regina fingiu surpresa, meio displicente e esticou o olhar para o texto que a colega mostrava.

— Meu admirador? Eu só disse que achava ele bem bonitão, já grisalhando e que era muito atencioso, um sorriso lindo... Não está vendo que é pura fofoca? Mas, como é que essa tal Poliana sabe destas coisas?  Alguém anda soprando besteiras nos ouvidos dela, isso sim.

— Como fazer, Regina? Ninguém nem sabe quem ela é. Você quem podia saber, é quem vive enfiada na biblioteca, na sala de professores, nos campeonatos, nos laboratórios... em todo lugar onde o prof. Bento pode aparecer.

— Ele faz revisão nos meus textos, só isso. E faz de quem pedir, não é privilégio meu.

— Bom, já você vai ser chamada para a sala de professores. Ele já passou por aqui duas vezes, de olho comprido para você - alertou Carolina à amiga.

— É que dei um texto novo para ele corrigir e pedi pressa.

 Regina se levantou logo, deu um adeusinho rápido à amiga e correu para a sala dos professores. Viu a moça do café passar para a copa, enquanto o professor saboreava seu café como se não tivesse nada para fazer, esperando a moça ir embora com sua bandeja. Mal ela saiu, ele fechou a porta e cochichou para Regina, fazendo- a se sentar na cadeira.

— Acho que isso não vai dar certo não, Regina.  Essa sua invenção da Juliana comigo caiu mal. Uma aluna paquerando professor... E meu nome rolando nas entrelinhas... Todo mundo vai pensar que dei bandeira, e eu nem vejo muito a Juliana...

— Não precisam acreditar em nada, é só para levantar suspeitas, o começo de uma boa fofoca. - Está com medo de quê?

— Minha reputação, ora. O que mais? Estou lecionando aqui porque fiz concurso, não quero perder meu emprego. Não posso me meter com aluna nenhuma, você sabe disso muito bem, porque veio do Colégio Santana, que é muito rigoroso.

— Rigoroso demais; por isso, está às moscas - Regina fez um muxoxo que a deixava muito sedutora. - Nunca vi ninguém perder emprego por conta de fofoca. Devia ficar feliz porque lembram de seu nome e te acham bonitão. Sabe disso, não é? Não se faça de bobo.

Ele emudeceu, preocupadíssimo.  Combinara corrigir os textos dela para a revista, mas não sabia, então, em que estava se metendo. E quão falsa Carolina podia ser! Um choque e tanto! Tinha enrolado ele direitinho.  Ela tinha boas ideias, algumas avançadas demais, mas um péssimo português, todo mundo ia descobrir quem corrigira aqueles textos. Lógico, o Prof.de Literatura!

Foi quando o Prof. De Comunicação abriu a porta e viu aquele clima formado.

— Ora, ora, o que temos aqui, Prof. Bento? Discussão com minha melhor aluna?

Bento levantou-se rápido:

— Boa tarde, Prof. Rogério.  Estou deixando sua melhor aluna em suas mãos.  Este assunto de textos, editoras, etc. é mais de sua área, mesmo. OK? Ele vai ser muito mais útil que eu, acredite, Carolina.

E tratou de sair rápido dali, mas sem entregar a ela o último texto, picante demais para um colégio tradicional como aquele.

E lá ficou o prof. Rogério, um homem simpático e meio ingênuo, querendo agradar à turma nova.  Quando leu os textos, sabendo do que se tratava, quis cair fora também, mas já era tarde. Carolina o envolvera com seu belo sorriso e lhe afirmava que ninguém sabia quem fazia as correções, a graça daquela seção era o anonimato e podia-se falar de quem fosse, a não ser injúria moral, claro.

A expectativa agora, de todo mundo, seria a reação da turma àquela nova edição de uma seção que nascera com ótimas intenções, em tom de brincadeira, mas tinha tudo para acender fogueiras de incompreensões e intolerâncias.

E essas fogueiras eram bem difíceis de apagar.

 

CANÇÃO DO AMOR TRAÍDO. - Yara Mourão.





CANÇÃO DO AMOR TRAÍDO.

Yara Mourão.

 

Naqueles dias, Francisco chegava de sua longa viagem pelo Japão. Vinha fascinado com o oriente, seus encantos e mistérios. Era um romântico incurável, esse professor, trazendo na bagagem tanta inspiração que mal conseguia esperar o encontro com seus alunos.

No dia seguinte, já reunia a turma no Anfiteatro da Faculdade e, emocionado, expunha a eles, em gotas de emoção, toda a suavidade e beleza dos sentimentos orientais.

Apresentou seu projeto cultural para aquele semestre: iriam reescrever, atualizando e modernizando, o libreto da ópera Madame Butterfly.

Os alunos se surpreenderam. O professor explicou que queria que reescrevessem a parte do canto da protagonista, Cio-Cio-San, quando ela conta a sua ama, Suzuki, a traição de seu amado Pinkerton, e que por isso ela iria cometer um haraquiri. A ama, então, se solidariza com sua dor.

Os alunos se agitaram. Mas a ideia era só fazer a leitura em cima dos trechos das músicas e não representar dramaticamente a história. Entretanto, essa leitura pedia sintonia com as personagens da ópera.

Francisco escolheria entre Luana e Erica. Mas de antemão, já sabia que Érica, que escrevia sob o pseudônimo de Kaká, autora das mais sensíveis e poéticas crônicas, criaria o libreto de Cio-Cio. Luana faria o da ama, embora a aluna fosse uma personalidade forte e nada delicada.

Todos buscaram inspiração nas leituras de autores japoneses, e muitos trabalhos foram apresentados.

Os de Érica eram impecáveis! Traduziam a profunda mágoa de não ter sido correspondida em um amor tão delicado e verdadeiro. Suas palavras escolhidas revelavam que, um dia, sentira essa mesma dor.

Já os textos de Laura eram mais cortantes, preconizavam quase uma vingança, algo que não condizia com o libreto da ama, mas sim com o de uma personagem mais arguta, que ambicionava para si uma vitória a qualquer custo.

Francisco não aprovou Laura. Ela se revoltou, se voltou para os livros em busca de inspiração. À noite, ia às escondidas até a biblioteca, ouvia a ópera baixinho, mas achava que essa postura subalterna e conformada não tinha mesmo nada a ver com ela.

Passaram-se os dias...

Da seleção de textos, o de Érica, “Canção do Amor Traído”, era perfeito! A escolha estava decidida. Mas o texto de Luana era completamente fora do contexto, não traduziria aquele lamento subalterno, sofrido.

O professor entendeu que um papel diferente seria melhor para Luana.

Recorreu a outros consultores procurando por uma sugestão. Precisava de um aconselhamento e lembrou-se de sua amiga Fumiko Takashima, uma laureada escritora da Academia, para dar uma opinião nesse trabalho delicado.

Os pingos de chuva na vidraça embalaram Francisco numa noite triste, em que ele adormeceu esperançoso de que, na manhã seguinte, Fumiko batesse à sua porta...

Foi o que aconteceu.

 

Viver, um eterno aprendizado! - Ledice Pereira

 


Viver, um eterno aprendizado!

Ledice Pereira

 

Virgínia adorava o Campus Universitário que vinha frequentando há três anos. Era tudo que almejara desde jovenzinha. Sempre fora das letras. Escrever era para ela o combustível que a movia. Entrar na Faculdade de Letras representava a realização de um sonho.

Não era de fácil relacionamento. A timidez fazia com que ela preferisse ficar só, sempre acompanhada de um bom livro que devorava com rapidez. A biblioteca era seu recanto predileto. Ali, deixava a imaginação levá-la a escrever crônicas, baseadas nas observações que costumava fazer durante o longo caminho para a Universidade.

Convidada a escrever, esporadicamente, crônicas para uma revista semanal do Campus, de bastante tiragem, aceitou, a princípio, pensando que os trocados que recebesse lá, a ajudariam a comprar mais livros. Como as crônicas alavancaram o interesse pela revista, pediram-lhe que passasse a escrever semanalmente.

Resolveu topar o desafio, adotando o pseudônimo de Margareth Smith. Achou que um nome internacional atrairia ainda mais os leitores. Foi o que aconteceu. Todos ali passaram a ler as crônicas da tal Margareth.

Virgínia achou necessário contar com um revisor. Para isso, optou por pedir apoio ao seu professor de Literatura, o Professor Figueiredo, a quem pediu sigilo e por quem nutria um sentimento que tentava esconder dele e de todos.

Figueiredo era querido pelos alunos. Procurava interagir com eles de um modo amigável sem se colocar no pedestal. Isso o aproximava de todas as classes, embora houvesse uma dúvida no ar. Por que o homem, que usava uma aliança na mão esquerda, nunca falava da mulher, de filhos, de sua vida pessoal?  Isso gerava curiosidade geral.

Roberta, ao contrário de Virgínia, procurava cativar os colegas e professores com seu jeito charmoso, sempre sorridente. Não era tão boa aluna. Tinha dificuldades, mas sempre conseguia a ajuda de um ou de outro, dando um jeito de fazer parte dos grupos de trabalho dos melhores alunos. Assim conseguia manter-se na média da classe.

Durante as reuniões de grupo, lançava sempre um comentário maldoso a respeito deste ou daquele ausente, deixando uma pulguinha atrás da orelha dos colegas.

Por três vezes, Roberta viu Virgínia, mostrando o que ela imaginou ser lição ou trabalho de literatura, ao Professor Figueiredo, o que a fez deduzir que a jovem estava tendo um tratamento diferenciado e talvez, por isso, obtivesse sempre boas notas.

Aquilo renderia uma boa fofoca, pensou, passando a controlar os passos da colega, por quem, aliás, ela passou a sentir inveja cada vez mais intensa e descontrolada.

Ela detestava ler. Nem as tão faladas crônicas, que eram assunto dos jovens toda semana, a atraíam. Procurava ouvir o que falavam para dar uns pitacos nos grupos, mas jamais parava para ler o que quer que seja.

Muitas vezes, faltava à aula para evitar ser chamada e passar vergonha. Isso acabava lhe custando pontos a menos na nota mensal, o que a deixava com muita raiva do professor.

Virgínia, no entanto, saía-se bem nos trabalhos e nas provas, redações, leituras.

Isso fez com que Figueiredo a convidasse para monitorar a cadeira de Literatura o que lhe renderia um pequeno salário. Com o tempo, Virgínia percebeu que o que nutria por ele não passava de uma grande amizade.

Não é preciso dizer que isso deixou Roberta com mais raiva dos dois. Deu asas à imaginação para construir uma história entre Virgínia e Figueiredo, o que acabaria com a reputação do Professor. A Universidade combatia qualquer envolvimento de professor/a e aluno/a.

No grupo de trabalho, lançou a semente da dúvida. Alguns não estavam interessados, pois admiravam Virgínia e respeitavam o professor, mas uns poucos, descontentes com as notas recebidas, resolveram comprar a história plantada por Roberta.

Instigados pela mau-caráter, resolveram seguir o mestre e descobrir onde ele morava. Pretendiam desmascará-lo frente à suposta esposa, contando-lhe maldosamente sobre o caso que teria com a aluna.

 Viram, curiosos, quando ele estacionou em frente a um pequeno prédio de apartamentos e desceu, sorrindo, conduzindo um pequeno buquê de flores-do-campo.

Viram, surpresos, quando um jovem abriu a porta todo sorridente e, com um abraço apertado, agradeceu o lindo buquê.

Viram, pasmos, quando os dois trocaram um demorado beijo na boca.

Pegos de surpresa, e, tendo em vista que a classe toda apoiava o movimento antirracistas e o LGBTQIA+, retornaram à Universidade, com o rabinho entre as pernas, percebendo quão ridículos haviam sido, ao dar ouvidos àquela fofoqueira da Roberta.  Esta, por sua vez, passou a ser repelida pela turma que percebeu sua verdadeira índole, tendo que se esforçar muito para ser novamente aceita nos grupos de trabalho, que já não caíam mais na sua armadilha e passaram a exigir dela maior empenho e colaboração.

A jovem percebeu que, se queria ser vitoriosa, precisava mudar radicalmente de atitude, precisava amadurecer, cuidar da própria vida, dedicar-se ao curso que escolhera, ser leal aos companheiros, respeitar colegas e professores.

Virgínia, cada vez mais enturmada, aos poucos, conseguiu vencer a timidez, até que, ao receber por suas crônicas, o prêmio que a revista universitária costumava conceder anualmente aos seus escritores mais lidos, foi obrigada a revelar sua verdadeira identidade. A admiração que tinham por Margareth Smith migrou instantaneamente para a verdadeira autora, que teve que aprender a lidar com o sucesso, com as entrevistas, com os autógrafos, já delineando uma promissora carreira.  

 

 

 

 

A FORÇA DAS BOAS IDEIAS. - YARA MOURÃO

 




A FORÇA DAS BOAS IDEIAS.

Texto infantil.

Yara Mourão.

 

Por entre aquelas serras passava um riacho que desaguava num vale bonito, entre árvores e pedras e com uns trechos de areia amarelinha que brilhava no sol da manhã.

Era ali que Carlinhos gostava de se refugiar todos os dias antes de ir para a escola. Lá ele não tinha amigos, ninguém ligava pra ele nem para suas ideias diferentes. Falava com os bichinhos, conhecia seus ninhos, seus barulhos sobre as folhas; amava aquele mundinho pequeno, tanto que era difícil sair dali sem levar um pedaço junto.

Um dia, Carlinhos teve uma ideia: ia juntar aquele universo numa caixa de sapatos e guardar tudo bem pertinho dele. Assim, acomodou na caixa uns tatus-bolas, um grilo, formiguinhas, com terra e comidinhas, e levou para seu quarto, debaixo da sua cama. Sonhava que dormia numa floresta cheia de animais, plantas, rios...

Essa caixa era seu segredo, seu tesouro, a coisa mais preciosa do mundo. Voltava da escola correndo para alimentar a pequena fauna.

Um dia, na escola, a professora deu uma tarefa diferente; as crianças tinham que levar o brinquedo de que mais gostavam e compartilhar com os amigos.

Carlinhos ficou muito indeciso. Aquela caixa era o que ele mais gostava! Será que iriam entender?

No dia marcado, ele pegou a caixa, pôs na sacolinha com o material e, meio nervoso, meio preocupado, foi para a aula.

A professora logo começou a ver os trabalhos. Quando chegou a vez de Carlinhos, ela perguntou:

— O que você tem aí nessa caixa?

— Uma coisa muito importante, ele disse.

— Deixe-nos ver, disse a professora.

Ele abriu a caixa e todos se espantaram! Uns acharam bonito, outros nem tanto. Carlinhos contou que o nome do brinquedo era “O segredo da Terra”. A turma toda aplaudiu.

A professora comentou, feliz: 

— Que coisa mais interessante!

Passado algum tempo, a caixa do Carlinhos foi para o museu de eco-ciências da escola, com um cartaz que dizia:

— Aqui está a obra de Carlinhos, um futuro cientista e protetor da natureza.

Desde então, ele passou a ser o garoto mais feliz e importante da escola, graças às suas ideias diferentes!