A queda - Ises de Almeida Abrahamsohn

 





A queda
Ises de Almeida Abrahamsohn

 

Um baque surdo foi o que despertou o sonolento porteiro. Devem ser os lixeiros ou algum gato, pensou Josenildo, sem tirar os olhos da entediante partida Bragantino vs. Mogi-Mirim. A pequena TV, mais uma térmica de café, eram as companheiras que o ajudavam a atravessar a noite naquela portaria, em geral, sem incidentes.

Alguns minutos depois, seu colega, Edson, mais antigo no serviço e já entrado nos anos, subiu da ronda que fazia pela garagem.
Ouvi um ruído estranho no outro lado do jardim, Josenildo. Vou olhar...

Deve ser aquele gato cinza que anda rondando. Mas se quiser, vou ver...

O rapaz saiu para o jardim. Silêncio de meio de madrugada, sem ônibus ou carros passando. Olhou ao redor, tudo escuro, o ar parado, imóvel para além do círculo de luz da entrada do prédio. Os olhos se acostumando à escuridão. Deu alguns passos e ouviu. Um leve gemido quase imperceptível.

Josenildo correu para a lateral do prédio. No cimento, o corpo de uma criança aparentando uns cinco ou seis anos. Gritou para o colega acudir e trazer a lanterna. Aproximou o ouvido para tentar escutar a respiração da menina. Nada. Aquele gemido devia ter sido o último. Lembrou do treinamento de primeiros socorros. Ajeitou a posição da cabeça e ajoelhado começou: 6 apertos no peito para cada sopro na pequena boca. Será que estou fazendo certo?

Edson chegou com a lanterna, o celular e discou o SAMU e o 190. Lembrou do Dr. Anísio do 32 e já ligou para o médico. De onde teria caído?

Josenildo continuava a tentativa de reanimação. Não havia sangue. Não sabia se havia fratura na cabeça ou pescoço. Após cinco minutos, chegou o médico de pijama e roupão, munido de estetoscópio.
Examinou a menina que jazia ali imóvel, as pernas estranhamente viradas em direções opostas.


Pode parar, Josenildo. Não vai adiantar. Fraturou o pescoço, o coração não bate e não mais respira...Vamos esperar a polícia chegar.

Eram vinte e quatro apartamentos no prédio, metade voltada para a lateral onde jazia o corpo da garotinha. De qual janela caíra ou tinha sido empurrada? Não havia terraços daquele lado.

Os porteiros deixaram o médico ao lado do corpo e da portaria ligaram para o síndico. Seu Carlos atendeu com aquela voz pastosa, sem entender a princípio o ocorrido.  De repente, acordou...

O que já fizeram? SAMU, polícia, já chamaram? Preciso verificar na lista dos moradores em quais apartamentos há crianças dessa idade. Em três apartamentos daquele lado do edifício havia crianças. Seu Carlos resolveu ligar para cada um e perguntar.

Que horrível, pensou. Ser acordado por um telefonema assim, perguntando sobre o filho ou filha, e ele teria que justificar. Resolveu dizer que tinha havido um acidente, sem entrar em detalhes. Pediria para falar com o homem da casa... Melhor, pensou. Já imaginou a reação de uma mãe? 

O síndico teve bastante sorte. Nos três apartamentos que ligou, as respectivas crianças estavam bem e dormindo. Quem seria?


Na última ligação, quem o atendeu foi o morador do oitavo andar, Inácio, que estava bem acordado ao receber a ligação. Era um desenhista que costumava trabalhar de madrugada, segundo explicou, para poder se concentrar. Carlos o conhecia, era simpático, a esposa era médica e tinham uma filha de três anos que o pai levava à tarde para a escolinha. Inácio se lembrou que naquela noite mesmo, lá pela uma da madrugada, ouviu vozes exaltadas do casal do andar de cima e algum choro de criança. Até pensou que, se continuasse, iria ligar para a portaria. O casal tinha se mudado há um ano para o prédio e aparentemente não tinham filhos. Mas Inácio já os tinha encontrado algumas vezes no elevador. Tinham entre vinte cinco e trinta anos e, uma vez, estavam com uma garotinha de uns cinco anos, talvez uma sobrinha.

Carlos ficou calado, não deixando transparecer que tipo de acidente havia ocorrido, apesar das perguntas do morador. Desculpou-se e desligou o telefone. Olhou sua lista de moradores. Sim, lá estava o casal que morava no nono andar daquele lado. Sabia bem quem eram. Daniel Moreira e Tereza Alberis Castanho. A moça não tinha o mesmo sobrenome do marido. Deviam morar juntos ou ela podia ser a esposa de um segundo casamento. Era bonita, alta, elegantemente vestida e parecia bem decidida. O marido, já um pouco grisalho, talvez uns trinta anos, aparentava tranquilidade e sempre estava com roupa de esportista, tênis e moletom. Os dois saíam de manhã e só voltavam à noite.

Carlos voltou ao andar térreo, onde os dois porteiros bem nervosos o esperavam com o Dr. Anísio, que já dera seu depoimento à polícia e queria voltar ao seu próprio apartamento. O dia começava a clarear. O corpo da menina continuava ali, agora delimitado por uma faixa clara. Quatro luminárias de campo iluminavam a área. Carlos contou ao investigador o que conseguira apurar sobre crianças moradoras do prédio e a conversa com o morador Inácio do oitavo andar. O legista e a perícia ainda não haviam chegado.

Josenildo e Edson foram dispensados para voltar aos seus postos na portaria.

Os policiais resolveram aguardar, raciocinando que alguém iria notar o desparecimento da criança. 


De fato, perto das 6 horas da manhã, tocou o telefone na portaria. Um homem soluçando contou que acordaram e viram que a filha não estava mais no quarto. Viram que na sala havia um rasgão na tela de segurança da janela e ele achava que a menina tinha se debruçado e caído da janela do apartamento. Era sua filha Laís, do casamento anterior, que tinha vindo passar o final de semana com o pai.

A investigação pela polícia verificou que de fato havia um rasgão na tela protetora na janela que permitiria a passagem de uma criança do tamanho de Laís. E havia fiapos da roupa vermelha que ela vestia. O pai relatou que havia um pequeno rasgo na tela de arame e que ele pretendia chamar alguém para consertar, mas não era grande. E que a menina era muito levada. Queria sempre olhar pela janela. Porém, o caso foi esclarecido quando foi achada uma tesoura bastante forte para cortar uma tela em meio aos utensílios da cozinha. As evidências de que se tratava de crime vieram quando a perícia encontrou pequeníssimos fiapos de tela metálica na tesoura. O casal confessou finalmente o assassinato, com a mulher alegando insanidade passageira.

 


IN MEDIA RES PODE SER CURTA. - Oswaldo U. Lopes.




 IN MEDIA RES PODE SER CURTA.

Oswaldo U. Lopes.

 

Bem-vestido, cruzou a porta do Pronto-Socorro e entrou sem chamar a atenção, virou à direita sem hesitação, entrou no quarto onde havia um único leito. Aproximou-se do doente entubado e ligado a um aparelho respiratório. Não se interessou pelo aparelho, desconectou-o do tubo e fechou este com as mãos. Foi rápido e eficiente. Alguns estertores e mais nada. Voltou a conectar o respirador artificial e o enjoativo barulho seguiu-se como se nada houvesse passado. Saiu como entrara, só que cruzou no corredor com outra pessoa também bem-vestida.

        Ninguém notou nada. No PS, havia internadas várias tentativas de assassinato, ocorridas fora dali. Essa talvez fosse a primeira perpetrada lá dentro, planejada e executada por alguém lá de dentro.

        Custaram a perceber a morte, muito! Afinal, o doente já estava mal, entubado, com poucas chances. Começaram a chegar os familiares, todos bem-vestidos. Então era isso, família rica, de posses, influências várias, ficou num quarto sozinho, no corredor da direita. Agora, não havia mais penumbra, luzes, muitas luzes.

        Só a velha enfermeira, antiga na profissão, se preferirem, parecia inquieta, olhava as mãos do falecido, pegava-as e comparava com as suas. Cianose intensa.  Saiu e foi para a sala onde os detetives ficavam. Contou o que vira. Um deles levantou apressado. Chegou ao quarto, olhou e certificou-se do que a enfermeira contara. Perguntou, apontando para o cadáver:

— O falecido tinha algum parente médico?

— O José Antônio, sobrinho, estudou aqui mesmo.

— O cadáver vai para o IML e o José Antônio deve apresentar-se para declarações e interrogatório.

        In media res ficou reduzida a in curta res.

A PÁSCOA – PASSAGEM - Oswaldo U. Lope

                 



A PÁSCOA – PASSAGEM

Oswaldo U. Lopes

 

        Me encontrava encostado na beira da estrada quando Ele passou. Debulhei-me em lágrimas. Ele veio até mim.

— Por que choras?

— Meu ouvido e meu olho incomodam.

Percebi que Ele passava saliva nos seus dedos. Sem que eu tivesse nada dito, passou-os no ouvido e no olho esquerdos. Senti um alívio imediato. Ele voltou a andar no meio da multidão que o seguia. Emocionado, continuei a chorar. Ele, que já estava longe, caminhou de volta e ficou na minha frente:

— Por que o jovem continua a chorar?

— Não sou jovem, longe disso.

— Tens o espírito mais jovem do que muitos que andam comigo, mas enfim, por que o choro?

— Sou um pecador, Mestre.

— Vai em paz, teus pecados estão perdoados.

Ele seguiu, e eu ali fiquei, pasmo, calado, com um resto de lágrimas a me escorrer. Será que demonstrei amor suficiente para ter meus pecados perdoados?

Será esta a passagem da Páscoa pela qual tanto esperamos. Me encolhi mais ainda, pelo menos acompanhara a Passagem do Metre.

N0 HOSPITAL – A FÚRIA - Oswaldo U. Lopes.

 



N0 HOSPITAL – A FÚRIA

Oswaldo U. Lopes.

 

         Jorge Antônio era assistente de pronto-socorro do HC. Estava acima dos internos, residentes, enfermeiras, porteiros e padres. Estava acima do bem e do mal, senhor da vida e da morte.

         Era competente, mas muito competente! O que explicava o enorme respeito que o envolvia, e mais curioso, trabalhava de fazer inveja a qualquer mouro que aparecesse.

         Hoje a coisa perecia sair dos eixos:

— Vai trabalhar, sua vagabunda!

A enfermeira virou as costas, dando graças a Deus de não ouvir “puta”.

“Ah! O menino, mas o menino, chegara quase morto. Acho que é baço” falou o Pé de Valsa, enfermeiro com trinta anos de porta, com ar de longa sabedoria, só para ouvir na próxima vez que empurrava uma maca para dentro:

— Fica na porta que é seu lugar. Vai entubar ou vai ficar espiando pelo laringoscópio?  

O anestesista que tentava acudir o garoto largou o instrumento:

— Faz você, gostosão. Ele fez isso e outras coisas. Fez transfusão para a moça do aborto, mas não sorriu. Olhou a chapa do velhinho e sapecou no residente:

— Cadê o sangue do menino, porra!

— Padre, agora não! Se o menino morrer e você começar a benzer, você vai junto.

A mesinha de curativo que voou longe com o chute certeiro nem sabia qual era a culpa, além do fato de que o material em cima dela estava todo errado.

O foco tombado pensava em como é dura a vida de quem não ilumina direito.

E o menino, era baço mesmo?”

E era. A merda de sempre, gente pobre ganha água encanada, duas torneiras, uma fica lá fora para lavar roupa. Compre um modesto tanque, não tem dinheiro para cimentar, monta uns tijolos, máquina de lavar roupa de pobre é barata, né!

Menino de pobre não é diferente de menino de rico. Curiosos, os dois são. Debruçar, os dois se debruçam. Mas o tanque só vira em cima do pobre, portanto, só corta o baço do pobre.

Dia após dia, bolsa isso, bolsa aquilo, educação continuada, séria, para todos, só na Coreia, Canadá ou Hong Kong. Até quando vai continuar rompendo baço, bolo de áscaris, miséria de aborto, esse mar sem fim de incúria e roubalheira?

Até quando vão ficar levando menino com hemorragia na benzedeira, beijando para ver se melhora, esfregando álcool nas canelas?  Está vivo, mas acho que não chega nem no centro cirúrgico. “Cala a boca, vagabunda! ”

Até quando tanto sofrimento, tantas transações tenebrosas, quando um cimentado dava jeito. A porta devia ter saído da frente, teria evitado o pontapé. “Quem vai assinar o atestado de óbito? Sua mãe, ou melhor, leva para a presidente da república e ela a causa mortis.”


Saiu, uma fina garoa cobria a noite fria, chorou e chorou muito, que homem só chora na solidão. E aquela era a maior solidão. Ele, Deus e a noite na cidade. Como na Balada de Sacco e Vanzetti aquela agonia era seu maior triunfo!


O rei do cimento - Antonia Marchesin Gonçalves

 




O rei do cimento

Antonia Marchesin Gonçalves

 

         — Como vim parar aqui? — Quem é você? 

Marcos respondeu:

— Calma, encontrei você na praia, estava desacordado, trouxe você aqui com ajuda do meu vizinho. Qual é seu nome?

— Nome? - Respondeu, com expressão de dúvida e olhar vago. Após minutos disse: — Não lembro quem sou.

Marcos disse que era normal a perda de memória.

— Você sofreu traumas, provavelmente por sua embarcação ter sido acidentada, pode ficar aqui na minha casa até você se sentir melhor.

                   Nos primeiros dias o homem ficou na cama, ainda se sentia fraco. A esposa de Marcos cozinhava muito bem. E, ele voltava da pescaria sempre trazendo pescados, além de frutas frescas, verduras e legumes originais da ilha.

Dessa maneira, o náufrago começou a apreciar os pratos e saborear o que lhe ofereciam. A família conversava muito com ele, queriam descobrir quem era o homem.

— Podemos te chamar de Venâncio até você se lembrar do verdadeiro nome? E Marcos explicou que não havia médico na ilha, um médico aparecia lá uma vez por mês.

— Daqui a duas semanas ele poderá te examinar, quem sabe até lá você já recuperou a memória.

                   Se sentindo mais forte, Venâncio passou a ajudar a família nos trabalhos do dia a dia. Aprendeu a limpar os peixes, levar para o mercado, preparar a rede para a próxima jornada. Mantinha-se ocupado. Mas, às vezes, ele sentava num tronco em frente ao mar, com olhar distante fixo no horizonte, notava-se o esforço em resgatar a memória. Mas, depois, abaixou a cabeça entre as mãos num sinal de desespero.

Certa tarde, Venâncio estava sentado nesse ponto da praia, quando chegou Mariana, filha do pescador vizinho, que ajudou a salvá-lo. Ele ainda não tinha notado a beleza da moça, e se surpreendeu de encontrar, em lugar tão isolado e simples, um diamante bruto igual a ela. Esbelta, altiva, pernas longas, corpo alinhado, bronzeado e de olhos de um azul esverdeado tão profundo que transmitiam singeleza e, ao mesmo tempo, vivacidade. A conversa durou a tarde toda e não viram as horas passarem. Ele ficou sabendo que ela havia estudado até a oitava série, agora tinha que ajudar a mãe e seus quatro irmãos, mas tinha um sonho, um dia poder estudar enfermagem.

                   Outros dias continuaram a se encontrar no fim da tarde no mesmo lugar, as conversas variando a cada dia. Venâncio não conseguia mais tirá-la dos pensamentos. Nos finais de tarde, já ansiosos, se adiantava para sentar no ponto onde se encontravam diariamente.  Em um desses encontros, Venâncio não resistiu e roubou-lhe um beijo contido há muito, transmitindo toda a paixão que havia nele. Mariana retribuiu com a mesma paixão. Os dois tomados pelo desejo ao sentirem os seus corpos envolvidos com ardor, pele com pele. Só conseguiram se afastar com dificuldade com a chegada de Marcos. Mariana voltou correndo para casa, enquanto Marcos o olhava curioso.

— Eu sei, disse Venâncio, não sei nem quem sou, não tenho o direito de me meter na vida de Mariana. Mas, isso está me consumindo, sinto um vazio na cabeça. Às vezes, sonho com pessoas que não conheço, vejo uma casa grande vazia, acordo com o peito apertado, suando muito. Outras vezes, ondas enormes me engolindo, eu desesperado, tentando respirar, acordo sem nada lembrar, é angustiante.  Essa menina veio me trazer paz, e afugentar meus medos.

                   Via-se na face dele a dor do passado ausente.

Duas semanas mais tarde aportou a barca-hospital, logo filas se formaram.

                   Os integrantes, além dos tripulantes, eram formados por dois médicos e três enfermeiras. Venâncio foi atendido, mas nada puderam fazer com relação à sua memória.  Deixaram, como sempre faziam, revistas e jornais das cidades lindeiras, o que ocupou Venâncio naquela tarde.

No dia seguinte, Mariana chegou à casa de Marcos com uma revista nas mãos:

— Olhe aqui! É você, Venâncio, é sua foto! Todos em volta da revista leram: “O rei do cimento, o jovem industrial Alberto Fonseca de Moraes, está desaparecido após o seu iate ter sofrido pane na tempestade em alto mar. A fúria das ondas e ventos fortes foram as causas de seu desaparecimento. Mesmo após incansáveis buscas, os familiares e sua noiva Angélica, não perderam as esperanças, dizem que ele é atleta e contavam com isso”.

                   Ele olhava a reportagem em silêncio, leu e releu e pensava. Sou eu mesmo, uma noiva, empresário de sucesso? Meus pais devem estar desesperados, mas não vinha na sua mente nem os nomes deles. Devo voltar? Olhou em volta, refletindo e dizendo mentalmente“ Não, eu estou apaixonado pela Mariana, não quero me afastar dela”. Mas, todos se reuniram em volta dele e o aconselharam a voltar.

— Com certeza, com os recursos da sua família, mais chance de recuperação você pode ter. 

Conseguiram o telefone da empresa, e dois dias depois vieram resgatá-lo de helicóptero. Antes, porém, Venâncio ou Alberto prometeu a todos que voltaria logo, em especial para Mariana, sua paixão.

                   Alberto foi recebido com muita euforia pela família. Mas, havia nele uma enxurrada de sentimentos confusos que ressurgiram. Sentia amor dos seus pais e irmão, mas não sentia o mesmo sentimento pela noiva Angélica.

                   Ao chegar à casa em que cresceu, examinou seu quarto e percebeu a memória clareando, aos poucos. E, em poucas semanas, já totalmente recuperado, não parava de pensar em Mariana. Decidiu explicar para Angélica e para os pais sobre a existência de Mariana, terminando o noivado, com a revelação de seu amor pela menina da ilha.  Os pais tentaram de tudo para que ele desistisse da ideia, alegando que o que ele sentia era um sentimento de gratidão. Mas ele estava irredutível.

                   — Não! Lá vi e senti o quanto a simplicidade pode te proporcionar sentimentos verdadeiros, de amor, solidariedade, munidos no desinteresse, sem ambição. Lá encontrei o amor verdadeiro e puro de Mariana, e é com ela que me casarei...

ESCREVIVER - MATERIAIS DE AULAS

 

 MATERIAIS DE TODAS AS AULAS






Quando os autores não se preocupam em empenhar emoção na história, é muito provável que a história não faça a necessária conexão com o leitor. Pois é através da emoção contida na trama que o leitor sentirá empatia com o enredo. Se não houver essa conexão, é porque não houve emoção suficiente no texto.

Não tenham medo da pieguice, não fujam daquilo que é importante para segurar seu leitor: emoção textual. O texto é sua mercadoria, ofereça a melhor, a mais atraente, a mais empolgante.

Além do já costumeiro conselho “mostre, em vez de contar”, vocês, escritores, precisam ir mais fundo, se apoderando dos pensamentos dos personagens, das expressões faciais, dos sinais através dos olhares, dos movimentos corporais. Não devem ter receio de levar o personagem às lágrimas, ou às últimas consequências. Façam isso e explorem os sentimentos deles para contagiar o leitor. Invoquem o passado do personagem para provocá-lo, tragam à tona um amor esquecido que vem agora torturá-lo, um crime escondido, um segredo que ele jamais imaginou as consequências se fosse revelado. Provoquem seus personagens! Trabalhem arduamente na emoção do personagem, na emoção textual.

Descrevam dores e sofrimentos, mostrem seus corações batendo forte, o suor escorrendo pelas costas ou suas mãos ficando dormentes por cerrar os punhos. Podem ir além, dizendo ao leitor que ele teme pela sua vida. Sim, numa conversa do narrador com o leitor, ou do personagem com o leitor, mostrem a insegurança, o medo do personagem. Explorem tudo através das figuras de linguagem, escolham um título chamativo, façam valer as ferramentas literárias que moram nos confins de tantas escritas.

Criar dois contos tendo o cuidado de empenhar emoção nos textos.

TAREFA 1: “Uma mulher faz inquietas descobertas por meio de linhas telefônicas cruzadas”

 

TAREFA 2Um homem de negócios está em viagem, quando sofre um mal súbito e perde a memória.

 






IN MEDIAS RES: In medias res é uma frase latina que significa “no meio das coisas”. Na escrita, usamos esse termo para descrever uma história que começa no meio da ação, sem o preâmbulo de uma introdução. O impacto imediato no público provoca a emoção que o fará seguir adiante. O narrador colocando o leitor no centro da ação, ele emprega uma sensação de urgência tornando a narrativa mais imersiva. É uma estratégia poderosa para cativar o público. Muito diferente das histórias que seguem uma sequência linear de cronologia.

Ilíada de Homero, já começa no meio da Guerra de gregos e troianos. Odisseia, o poema começa 10 anos após a Guerra de Troia, com o protagonista, Odisseu, sendo mantido em cativeiro pela deusa Calipso. O resto da história é contada em flashbacks, que exploram os acontecimentos que levaram à cena de abertura.

 

1. Comece pelo meio. Escolha um momento culminante, conflito, discussão, briga, revelação – qualquer coisa que indique que alguma cadeia de eventos ocorreu neste mundo antes do momento crucial.

2. Injete sua história de fundo. Se você começar sua história no meio, o público eventualmente precisará saber quem são esses personagens e o que está acontecendo. Informações relevantes podem ser fornecidas por meio de flashbacks, fluxos de pensamento, alteração da voz do narrador, ou por meio de diálogo - mas há um equilíbrio que todo escritor deve encontrar ao fornecer informações suficientes ao leitor para que ele entenda a situação atual sem despejar um tesouro de conhecimento sobre ele.

3. Torne isso urgente. A cena que você escolher para iniciar deve ser um momento crucial e de alto risco para os personagens principais de sua história e deve fazer parte integrante do enredo. Provoque o leitor, deixe-o ansioso imaginando como e por que aconteceu, e ansioso também para saber se tudo vai dar certo para os protagonistas.

 

TAREFA 1: Um segredo que gera ganância, desconfiança, e um crime.

TAREFA 2: Uma pessoa está desaparecida, ela foi sequestrada, e isso gera tumulto familiar e empresarial.








As emoções humanas nos ajudam a lidar com a vida cotidiana, permitindo-nos comunicar ou demonstrar o que sentimos em relação a certas situações, pessoas, fatos, pensamentos, sentidos, sonhos e memórias.

Muitos psicólogos acreditam que existem seis tipos principais de emoções, também chamadas de emoções básicas. Eles são: felicidade, raiva, medo, tristeza, desgosto e surpresa. A felicidade é a nossa reação ao positivo, assim como o desgosto é o revoltante e a surpresa é o inesperado. Da mesma forma, reagimos à aversão por meio da raiva, ao perigo por meio do medo e à dificuldade ou perda por meio da tristeza.

Todas as outras emoções são variedades de emoções básicas. Depressão e luto, por exemplo, são variedades de tristeza. O prazer é uma variedade de felicidade, e o horror é uma variedade de medo. De acordo com psicólogos, as emoções secundárias se formam combinando graus variados de emoções básicas. Assim, surpresa e tristeza produzem decepção, enquanto nojo e raiva produzem desprezo. Múltiplas emoções também podem produzir uma única emoção. Por exemplo, raiva, amor e medo produzem ciúme.

Cada emoção é caracterizada por qualidades fisiológicas e comportamentais, incluindo as de movimento, postura, voz, expressão facial e flutuação da taxa de pulso. O medo é caracterizado por tremores e aperto dos músculos. A tristeza aperta a garganta e relaxa os membros. A surpresa é uma emoção particularmente interessante, caracterizada por olhos arregalados e queixo caído, que dura apenas um momento e é sempre seguido por outro tipo de emoção.

Com os personagens literários, não é diferente. Eles têm reações reais aos conflitos, e essas reações são gatilhos emocionais que promovem a sequência da história.  

Aqui apontamos algumas delas para ajudar o escritor no desenvolvimento emocional do personagem:

Apatia / Ansiedade / Tédio / Compaixão / Desprezo / Êxtase / Empatia / Inveja / Medo / Constrangimento / Euforia / Perdão / Frustração / Gratidão / Mágoa / Culpa / Ódio / Esperança / Horror / Saudades / Histeria / Amor / Paranoia / Piedade / Prazer / Orgulho / Raiva / Arrependimento / Remorso / Simpatia...

 

 

Hoje, porém, falaremos apenas do MEDO, emoção que atribuiremos ao nosso protagonista na história que será criada em sala:

 

O medo é a reação emocional a uma fonte real e específica de perigo. Um mecanismo de sobrevivência, o medo está geralmente relacionado a uma apreensão em relação à dor. O medo severo é uma reação ao perigo terrível que se aproxima, e o medo trivial ocorre como resultado de um confronto que não representa uma ameaça significativa. Os graus de medo variam de uma leve cautela à paranoia. O medo pode afetar a mente inconsciente por meio de pesadelos.

O medo é muitas vezes confundido com a ansiedade, que é uma emoção muitas vezes exagerada e vivenciada mesmo quando a fonte do perigo não está presente ou tangível. Embora o medo esteja ligado à ansiedade e a outras condições emocionais, como paranoia e pânico, é uma emoção separada por si só.

Os psicólogos descobriram que o medo pode ser ensinado. Por exemplo, as crianças podem ser condicionadas a temer certas coisas. Além disso, acidentes acendem medos. Uma criança que cai em uma piscina e luta para nadar pode desenvolver um medo de piscinas, natação ou água.

 

Em casa nova história será criada, e o protagonista reagirá com RAIVA: (pesquisar mais)

 

A raiva é a emoção que expressa aversão ou oposição a uma pessoa, ou coisa que é considerada a causa da aversão. Os psicólogos consideram a raiva uma emoção natural necessária para a sobrevivência. A raiva pode trazer melhorias comportamentais; no entanto, a raiva descontrolada pode causar problemas sociais e pessoais.

Os psicólogos dividem a raiva em três categorias. Um tipo de raiva é uma reação instintiva a ser preso ou ferido. Outro tipo é uma reação à percepção de ser intencionalmente prejudicado ou maltratado por outros. O terceiro tipo de raiva, que inclui a irritabilidade, reflete os traços de caráter pessoal de um indivíduo.

A raiva às vezes é exibida por meio de atos agressivos repentinos e evidentes. Um indivíduo incontrolavelmente zangado é suscetível a perder a capacidade de fazer julgamentos sensatos e agir com responsabilidade. A raiva extrema é obviamente autodestrutiva, assim como a raiva que não é expressa externamente e mantida internamente. A raiva é muitas vezes mal utilizada por indivíduos que agem com raiva como um meio de manipular os outros.



Todos os textos devem ser enviados por e-mail para:

 oficinadetextosescreviver@gmail.com

Não basta ser recepcionista. Há que ficar atenta. - Ledice Pereira.

 


Não basta ser recepcionista. Há que ficar atenta.

Ledice Pereira.

 

Ser recepcionista no hotel de luxo na região dos Jardins, em São Paulo, sempre lotado de executivos, deixava Felícia sem tempo até para fazer as refeições.

Mas ela curtia o trabalho. Na verdade, divertia-se muitas vezes com as confusões ocasionadas pelas ligações telefônicas que, por alguma razão que ela desconhecia, se cruzavam, provocando situações hilárias ou constrangedoras.

Naquela manhã, ao transferir uma ligação, interceptou uma conversa pra lá de esquisita, a começar pela voz gutural que ameaçava de morte o interlocutor.  A princípio, ela até julgou tratar-se de uma brincadeira. Ia desligar quando percebeu a voz trêmula do receptor que suplicava por clemência.

Tremendo dos pés à cabeça, Felícia acionou o segurança do hotel que, imediatamente, dirigiu-se ao apartamento do hóspede. Como ninguém atendeu à porta, usou a chave reserva, adentrando ao recinto onde o encontrou caído. Parecia um ataque cardíaco.

Os paramédicos do hotel vieram dar os primeiros socorros e o Resgate foi chamado. No Pronto-Socorro, ele foi prontamente atendido, ficando em observação e submetido a uma bateria de exames. Graças à Felícia e pela presteza do atendimento, um infarto havia sido evitado.

No hotel, em alvoroço, Felícia tinha que explicar como soube que algo grave estava acontecendo naquele apartamento. Ela teve que contar e recontar inúmeras vezes.

Quando todos estavam voltando aos seus postos, Felícia ouviu aquela voz gutural que jamais esqueceria. Ficou imóvel. Sua voz sumiu, não conseguia nem avisar os seguranças. Suas pernas tremiam, não permitindo que ela se movesse. O homem foi entrando, empunhando uma arma apontada para todos e dirigindo-se para o elevador.

Os seguranças, atentos, conseguiram desarmá-lo e o contiveram com certa dificuldade. A Polícia foi chamada e o homem, velho conhecido por provocar inúmeros incidentes, tinha várias passagens pela Delegacia da região. Algemado, foi conduzido ao 78º Distrito Policial.

Felícia sofreu uma crise nervosa, provocada pelos acontecimentos, não conseguindo parar de chorar. Foi levada para o ambulatório, onde foi medicada e dispensada do trabalho no resto do dia. Afinal, ela foi considerada heroína por evitar, com sua percepção, algo de muito grave que poderia ter acontecido.

Após alguns dias, o hóspede retornou do hospital, procurando saber quem seria o responsável por estar vivo. Fazia questão de recompensá-lo. Ficou surpreso ao saber que se tratava de uma jovem.

Revelou então que vinha sofrendo ameaças, desde que chegou a São Paulo. O homem se fez passar por motorista de táxi e o trouxe do aeroporto, oferecendo-lhe seus serviços de guia turístico.  

A voz ameaçadora e como se comportava o pretenso motorista o deixaram desconfiado, dispensando os serviços de guia, o que provocou a ira do meliante que passou a tentar extorqui-lo, afirmando ter ficado à disposição, deixando de atender a outros interessados.

Confessou que andava apavorado e pretendia denunciá-lo à Polícia, quando foi ameaçado de morte naquele telefonema e sentiu-se mal. Felizmente, Felícia havia evitado um mal maior, merecendo a recompensa.

 

Linha cruzada - Adriana S. Froson

 


Linha cruzada

Adriana S. Frosoni

 

Era uma noite chuvosa quando Ana, mulher fútil e curiosa por natureza, decidiu fazer uma ligação para sua amiga Clara para compartilharem as fofocas de sempre. Esse era o maior prazer e passatempo das duas. Ao pegar o telefone, ela percebeu um som estranho, como se houvesse outra pessoa na linha; franziu a testa, mas continuou a discagem, ignorando o ruído.

 

— Alô? — Disse Ana quando a ligação foi atendida. Mas ninguém respondeu do outro lado. Ela ouviu apenas ruídos e algumas vozes distantes e, atribuindo o problema ao mau tempo, desistiu da ligação.

 

Entretanto, mesmo após o tempo melhorar, o problema persistiu e a empresa de telefonia foi chamada para resolver. Nada de errado foi encontrado e decidida a provar o defeito, Ana pegou um velho gravador que tinha em casa e ligou para o número de Clara novamente. Desta vez, ela pressionou o botão de gravar e ficou em silêncio, ouvindo atentamente.

 

Para sua surpresa, ouviu vozes sussurrantes na linha, vozes que não reconhecia. Parecia haver uma conversa paralela, ignorando a presença dela. Mas as palavras eram tão distorcidas que impossibilitava o entendimento. Intrigada, ela continuou a gravar, e com o tempo, seus ouvidos se acostumaram e as vozes se tornaram mais claras e distintas. Até que ouviu quando disseram:

 

— Conseguimos... Ela está entendendo... continue falando...

 

Foi aí que Ana percebeu que não se tratava de pessoas comuns. Eram vozes do passado contando histórias de amor, tragédias e segredos que nunca foram revelados. A princípio seu interesse era apenas descobrir alguma coisa com a qual pudesse se divertir, fofocando ainda mais. Porém, os assuntos eram demasiadamente sérios para isso. Sempre muito cética, Ana não tinha interesse nem conhecimento sobre essas questões espirituais.

 

Assustada por não entender o que estava acontecendo, e ao mesmo tempo, fascinada com a descoberta, continuou a ouvir as vozes. Procurou ajuda e passou a estudar sobre o assunto. Descobriu que tinha um grande potencial para a mediunidade, e que esse foi o caminho escolhido pelas vozes para chegarem até ela, dado que outras formas não funcionaram. Ela não acreditava em nada, era distraída e desapegada em geral, então, decidiram usar aquela curiosidade e capacidade de fofocar para acessá-la.

 

Mesmo que Clara, sua confidente, não acreditasse em nada disso, Ana percebeu que tinha em mãos algo poderoso para ajudar as pessoas ou os espíritos que dela precisassem. Essa descoberta a colocava em posição de grande responsabilidade. Passou a sentir necessidade de compartilhar o que ouvia e começou se preparar para poder entregar as mensagens de forma adequada.

 

Ela se tornou uma excelente ouvinte, registrando as histórias do passado que ainda ecoavam pelo presente. Aprendeu a lidar com o poder de seu dom, e sua vida nunca mais foi a mesma. Agora era muito mais interessante.


LINHAS CRUZADAS - Silvia – a novata




LINHAS CRUZADAS

Silvia – a novata

 

O telefone fixo toca mais uma vez e Claudia, já impaciente, atende com a voz um pouco exasperada. Alô”, ela diz. Do outro lado da linha, entra uma gravação automática de robô oferecendo algum tipo de serviço e também uma voz masculina que apenas diz: “Clóvis, o serviço já está feito e o pacote entregue no rio”.

Como?, pergunta.

A voz metálica continua a discursar em seu ouvido e, em seguida, apenas o sinal de ocupado. Ela ainda tenta fazer contato novamente com a tal da voz masculina, mas tudo que ouve é a gravação, “para falar com algum de nossos atendentes, tecle 2”. Ela, então, coloca o telefone de volta na base e continua o planejamento da viagem que o casal faria no próximo mês, esquecendo-se, por completo, o assunto.

Ela é advogada, sempre atuou na área de direito ambiental e, atualmente, trabalha em sistema home-Office. Clóvis, seu marido, uma pessoa sistemática e muito metódica, é administrador de empresas por formação, mas atua na área de alavancagem de patrimônio para pessoas físicas.  Mas sempre que Claudia questiona sobre os clientes, é muito vago em suas respostas.

Eles se conheceram em um site de relacionamentos e, após dar “match” e namorarem por 5 meses e meio, decidiram se casar porque foi amor à primeira vista e vão comemorar o 1º ano de casados em uma viagem romântica pelo Vale do Loire.

À noite, quando Clóvis chega, imediatamente vem à memória aquela ligação telefônica e ela comenta, meio em tom jocoso, sobre o tal do serviço contratado. Ele responde que não tem ideia sobre o que ela está falando e argumenta que deve ter sido apenas uma grande coincidência a pessoa ter mencionado seu nome.

Eles vão para o quarto, mas Claudia não consegue pegar no sono – até inveja seu marido que, após tomar um Lexotan, adormece como uma criança. Ela começa a ler o livro que está em um pedaço morno, meio chato, quando ouve o sinal de que entrou mensagem no celular. Imediatamente se levanta, mas vê que o WhatsApp entrou para o marido. Ela pega o aparelho e está escrito: “O dinheiro não entrou na minha conta, conforme o combinado. Se até amanhã cedo não fizer o pix, o nome da Matilde vai aparecer.“

Coincidências à parte, Matilde era uma ex-secretária de Clóvis, que havia pedido demissão há 1 ano e meio. Curiosa, ela procura esse nome na lista de contatos de seu marido e, para sua surpresa, há inúmeras trocas de mensagens entre os dois. Começam com escritas românticas, passando para picantes e, finalmente, ameaçadoras, de ambas as partes. Ela, inconformada, querer terminar o relacionamento e ameaçar chantageá-lo, e ele extremamente agressivo, dizendo que ela poderia sofrer um acidente trágico ou algo parecido. A última mensagem datava de 26 de fevereiro, antes de ontem.

Claudia passou a noite em claro e, ao amanhecer, quando ligou a televisão para ver o jornal da manhã, estava noticiando que um corpo feminino havia sido encontrado no córrego Pajuçara. Conforme a polícia, tratava-se de uma “desova” já que a vítima, identificada como Matilde Soares da Silva, tinha sido assassinada com um tiro certeiro na cabeça. Ela ficou lívida e paralisada por alguns momentos, coração disparado, mas respirou fundo e se recompôs.

Serviu o café da manhã para Clóvis, como de costume, com o suco de laranja espremido na hora e 2 ovos cozidos por 9 minutos e depois postos no gelo antes de serem descascados, além do pãozinho francês esquentado no forninho por 3 minutos, acompanhou-o até a porta, esperou o carro partir e só então ligou para o 190.

Descobriu-se, depois, que Clóvis lavava dinheiro para uma organização criminosa e havia encomendado a morte de sua ex-secretária com um subordinado daquela facção.

 

Quanto à Claudia, bem, Claudia foi curtir sua tristeza em francês.