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STORYTELLING - O HOMEM FOI MOLDADO ATRAVÉS DE HISTÓRIAS - EXERCÍCIO
O Patinho Feio | História completa - Desenho animado infantil com Os Ami...
O patinho feio (1843)
O conto, de origem dinamarquesa,
foi escrito por Hans Christian Andersen e publicado pela primeira vez em 1843.
A obra conta a história de um
filhote de cisne que foi chocado em um ninho de patos. Como era diferente dos
demais, foi zombado e perseguido por todos.
Cansado de tanta humilhação,
resolveu ir embora. Durante o seu percurso, foi maltratado em todos os lugares
por onde passou. Certa vez, foi acolhido por camponeses, mas o gato da família
não reagiu bem à sua presença e ele teve de ir embora.
Um dia, viu um grupo de cisnes e
ficou deslumbrado com a beleza deles. Ao se aproximar da água, viu seu reflexo
e percebeu que tinha se tornado uma belíssima ave e que, afinal, não era um
pato diferente, mas sim um cisne. Desde então, passou a ser respeitado e se
tornou mais belo do que nunca.
O Gato de Botas - História completa - Desenho animado infantil com Os A...
O gato de botas (1500)
O conto teve origem oral e foi
publicado pela primeira vez pelo italiano Giovanni Francesco Straparola, em
1500. Ao longo dos anos, a obra passou por adaptações. As mais famosas foram
escritas por Giambattista Basile (1634), por Charles Perrault (1697) e pelos
irmãos Grimm.
O conto relata a história de um
gato falante que foi recebido por um jovem rapaz como parte de uma herança. Ao
questionar o que faria com o animal, foi surpreendido ao perceber que o próprio
gato estava respondendo sua pergunta.
O felino disse que se recebesse
um par de botas, um chapéu e uma espada, faria de seu dono um homem rico.
Devido a algumas artimanhas, o
rei acaba convencido a conceder a mão de sua filha ao dono do gato de botas.
João e Maria - Contos Infantis - História infantil para dormir - Desenh...
João e Maria (1812)
O conto é de origem oral alemã e
foi publicado pelos irmãos Grimm, em 1812.
Trata-se da história de dois
irmãos que foram abandonados em uma floresta. Ao tentarem voltar para casa,
João e Maria decidiram que seguiriam as migalhas de pão que tinham espalhado
para marcar o caminho. No entanto, tais migalhas haviam sido comidas pelos
pássaros.
Os irmãos se perderam e acabaram
por se deparar com uma casa feita de doces e biscoitos. Como estavam caminhando
há bastante tempo sem comer nada, devoraram um pedaço da tal casa. Nela, foram
acolhidos por uma senhora aparentemente gentil, que inicialmente os tratou bem.
Passado algum tempo, descobriram
que a tal senhora era, na verdade, uma bruxa que os tinha acolhido com a
intenção de devorá-los. Em um momento de distração da bruxa, empurraram-na para
dentro de um forno em chamas. Depois de se livrarem dela, os irmãos fugiram e
finalmente encontraram o caminho de volta para casa.
Chapeuzinho Vermelho | História completa em Português| versão curta
Chapeuzinho vermelho (1697)
A primeira versão impressa do
conto foi publicada por Charles Perrault, em 1697. No entanto, a versão mais
popular é uma adaptação realizada pelos irmãos Grimm, em 1857.
A obra conta a história de uma
menina que usa uma capa com capuz vermelho e passeia pela floresta a caminho da
casa de sua avó.
Durante o trajeto, ela é
interceptada por um lobo. Ele descobre onde a avó da menina mora e segue
diretamente para lá, a fim de devorá-la.
Quando Chapeuzinho chega ao
local, também é devorada pelo lobo. Ambas são salvas por um caçador que percebe
a presença do lobo na casa e corta a barriga do animal, libertando assim as
duas vítimas.
Descobrindo Cinderela | Disney Princesa
Cinderela (1634)
Também conhecido como A
gata borralheira, a primeira versão literária do conto foi publicada por
Giambattista Basile, em 1634. As versões escritas mais populares são a de
Charles Perrault, publicada em 1697, e a dos irmãos Grimm, de 1812.
Cinderela foi impedida de
participar de um baile realizado por um príncipe, pois sua madrasta queria que
o rapaz notasse as filhas dela, e receava que a beleza da jovem chamasse mais
atenção. Conseguiu comparecer graças a uma fada madrinha, mas teve de sair de
lá às pressas e deixou ficar para trás um de seus sapatos. Ao achá-lo, o
príncipe percorreu toda a região até finalmente encontrar a jovem. Eles se
casaram e viveram felizes para sempre.
Descobrindo Branca de Neve e os Sete Anões | Disney Princesa
Branca de neve e os sete anões
(1634)
É um conto alemão do século XIX,
cujo primeiro registro escrito é de Giambattista Basile. A versão mais popular
foi uma adaptação publicada pelos irmãos Grimm, em 1812.
O conto relata a história de uma
bela jovem cuja beleza é invejada por uma madrasta que tenta matá-la. A jovem
Branca de neve se esconde na floresta, na casa de 7 anões, mas é descoberta e
acaba por comer uma maçã enfeitiçada que recebe da madrasta. A fruta a faz
engasgar e desfalecer. Tida como morta, foi colocada em um caixão. Enquanto era
transportada, sofreu um solavanco e o pedaço de maçã se desprendeu de sua
garganta. Assim, voltou a respirar.
A versão mais popular do conto é
uma adaptação de 1617, feita para um desenho animado. Nessa história, a maçã
envenena a jovem e faz com que ela adormeça em um sono profundo. O feitiço só
chega ao fim quando a moça é beijada por um príncipe
Descobrindo A Bela e a Fera | Disney Princesa
A bela e a fera (1740)
O conto é de origem francesa e
foi escrito originalmente por Gabrielle-Suzanne Barbot. A versão do conto que
se popularizou é uma adaptação feita por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont em
1756, e fala sobre a relação entre uma criatura (a fera) que se apaixona por
uma jovem (a bela). Ao ter seu amor correspondido, a criatura se vê livre de um
feitiço que a transformara em monstro e volta finalmente à sua forma humana.
A Bela Adormecida em Português - História completa - desenho animado ...
A bela adormecida (1634)
O primeiro registro escrito do
conto é de autoria de Giambattista Basile e foi publicado em
1634. A obra foi adaptada por Charles Perrault (em 1697), e
depois pelos irmãos Grimm (em 1812). A versão do conto que se
popularizou foi a dos irmãos Grimm. A adaptação conta a história de uma
princesa que, quando bebê, é amaldiçoada.
De acordo com o feitiço, aos 16
anos a jovem furaria seu dedo, cairia em um sono profundo e só despertaria com
um beijo de amor. O feitiço se desfez assim que a princesa foi beijada por um
príncipe
MEMÓRIA DESTA VIDA SE CONSENTE - Oswaldo Lopes
MEMÓRIA DESTA
VIDA SE CONSENTE
Oswaldo Lopes
Regina
guiava com cuidado, de volta do cemitério, onde fora visitar o tumulo de sua
mãe, morta faz um ano. De momento lhe veio à mente o verso incomparável de
Camões: “ Memória desta vida se consente”. Será que há outra vida, será que a memória
desta é levada para lá?
Subitamente começou a rir, lembrando os tempos
de escola. Famoso era o poema pelo cacófato (o primeiro verso do soneto “alma minha gentil que te partiste”), maminha
no colégio provocava risos sufocados. Quem hoje em dia sabe o que é cacófato ou
liga para isso?
Mais
do que nada, os poetas servem para isso, colocar em verso sentimentos estranhos
que não sabemos resolver. Memória, memória, o que se levaria para o além,
supondo que ele exista e a memória seja consentida.
Memória,
memória... Primeira coisa que vem a cabeça de mulher é homem, pensou e riu
sozinha, enquanto guiava. Como era mesmo a cantiga que entoavam na escola:
O primeiro foi Paulo, o segundo foi João o terceiro
foi Mateus com quem Regina se casou.
Paulo
foi um caso de Pronto-Socorro. Interna, mas não iniciante, Regina se deparou
com aquele rapaz, bonito, elegante, que capotara com o Paulistinha no Campo de
Marte. Fez bobagem, mas teve muita sorte. O avião ficou de cabeça para baixo e
ele foi retirado com apenas um talho grande na coxa. O tempo que Regina passara
estagiando na plástica foi ótimo. Fez um serviço notável, já mal se via a
cicatriz com os pontos intradérmicos. Era obvio que ficaram íntimos e saíram
juntos algumas vezes.
A
memória lembra, mas o caso não foi longe, Paulo gostava mais de aviões do que
de qualquer outra coisa, mulher incluída. Voou muito, virou engenheiro de voo e
sumiu misteriosamente num avião da Varig em cima do Pacifico. Ele, toda
tripulação e uma coleção de obras de Manabu Mabe que iam para o Japão. Essa
história que tinha uma ligação com o voo de Orly, também da Varig, chamou muito
atenção na época e agora, claro voltava na memória.
João,
o segundo, não era papa, mas um colega, médico que era especialista em
gineco-obstetrícia. Juntaram as coisas e os trapos e tentaram ir em frente.
Consultório comum, apartamento idem. Só que Regina era renomada cirurgiã
plástica e quando você mistura na sala de espera clientes de plástica com
clientes de ginecologia e obstetrícia o resultado é um enorme desastre. Fora os
chamados noturnos, obstetrícia, como todos sabem, trabalha mais a noite, em
geral de madrugada.
A
memória lembra, mas não com muito agrado. Foi um tempo muito complicado que
acabou tristemente. Ele pra lá, noite adentro e ela para cá dormindo
sossegadamente.
O
terceiro, como na canção, foi aquele que Regina deu a mão. Mateus, o advogado.
Pois é, tem gente que acha que medicina e direito são profissões
complementares. Nos Estados Unidos, ambas são profissões que exigem um college
anterior, ou como alguns dizem são profissões pós-graduadas. A brincadeira é
dizer que ambas têm o direito de matar, sem deixar vestígios.
O
casamento, sim casaram, deu certo e tiveram filhos, três no total. As conversas
na mesa de jantar eram interessantes porque os assuntos não eram profissionais
e quando eram, pelas circunstancias, tinham caráter pouco profundo. Não havia
colisões.
Como
dizia o outro poeta: “Mas que seja infinito enquanto dure”. Durou bastante ou
durou pouco, não dava para dizer, uma doença silenciosa levou Mateus com pouco
mais que bodas de prata.
Agora
estaria ele “no assento etéreo”? Talvez com memoria de sua vida, consentida. De
que se lembraria?
E
assim, como dizia o poeta da canção: “Perdida em pensamentos”, na direção do
carro seguia Regina, com seus apóstolos, Paulo, João e Mateus, entre poemas e
canções tentando encontrar a memória desta vida.
Alma Minha Gentil, Que Te Partiste - Soneto de Luís Vaz de Camões
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer te
algüa causa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder te,
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver te,
quão cedo de meus olhos te levou.
Biografia de Luís de Camões
Luís de Camões (1524-1580) foi um poeta português. Autor do poema Os Lusíadas, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa, que celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal. É o maior representante do Classicismo Português.
Nascimento e Juventude
Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa, Portugal, por volta de 1524. Era filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, aparentada com a casa de Vimioso, da alta nobreza portuguesa, e sobrinho de D. Bento de Camões, cônego da Igreja de Santa Cruz de Coimbra.
Em 1527, durante uma epidemia de Peste, em Lisboa, D. João III e a corte transferiram-se para Coimbra, e Simão, a mulher e o filho, com apenas três anos, acompanharam o rei.
Luís de Camões viveu sua infância na época das grandes descobertas marítimas e também no início do Classicismo em Portugal. Foi aluno do colégio do convento de Santa Maria. Tornando-se um profundo conhecedor de história, geografia e literatura.
Em 1537, D. João III transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra. Camões iniciou o curso de Teologia, mas levava uma vida irrequieta, desordeira, além da fama de conquistador, mostrando pouca vocação para a Igreja.
O Poeta e o Soldado
Em 1544, com 20 anos, deixou as aulas de teologia e ingressou no curso de filosofia. Já era conhecido como poeta. Nessa época, compôs uma elegia à Paixão de Cristo, que ofereceu a seu tio. Seus versos revelam que ele estudou os clássicos da Antiguidade e os humanistas italianos.
Em 1544, com 20 anos, encontra-se com D. Catarina de Ataíde, dama da rainha D. Catarina da Áustria, esposa de D. João III e, desse encontro nasce uma ardente paixão, mais tarde imortalizada pelo poeta, que se referia à dama do paço, com o anagrama “Natércia”.
Nessa época, a intelectualidade nacional era incentivada, sobressaindo-se escritores, pensadores e poetas, como Sá de Miranda e o próprio Camões.
Em um sarau, seguido de um torneio poético, o espanhol Juan Ramon, sobrinho de um professor da Universidade, sentiu-se ofendido por causa dos versos de Camões.
Seguiu-se um duelo e o espanhol saiu ferido, o que terminou na prisão do poeta, sob o protesto dos estudantes. No final de muitas discussões, Camões é perdoado, com a condição de ser desterrado durante um ano em Lisboa.
Na capital, os versos do poeta eram apreciados pelas damas da corte. Era perseguido por outros poetas, sendo vítima de muitas intrigas para desprestigiá-lo e afastá-lo da corte. Para fugir das perseguições, em 1547, Camões resolve embarcar, como soldado, para a África. Serviu dois anos em Ceuta. Combateu contra os mouros e durante uma briga perdeu o olho direito.
Em 1549, Luís de Camões retorna para Lisboa e entrega-se a uma vida desregrada. Em 1553, envolve-se em novo incidente, ferindo um empregado do paço. Foi preso e permaneceu um ano encarcerado.
Nessa época, inspirado nas conquistas ultramarinas, nas viagens por mares desconhecidos, na descoberta de novas terras e no encontro com costumes diferentes, escreve o primeiro canto de sua imortal poesia épica, Os Lusíadas.
Posto em Liberdade, em 1554, Camões embarca para as Índias. Esteve em Goa, e toma parte de várias outras expedições militares.

É nomeado provedor em Macau, na China e durante sua estada aí, escreveu mais 6 contos de seu poema épico. Em 1556, parte novamente para Goa, mas sua embarcação naufraga na foz do rio Nekong.
Camões consegue se salvar nadando, levando consigo os originais dos Lusíadas. Chegando a Goa, é preso novamente em consequência de novas intrigas. Ali recebeu a notícia da morte prematura de D. Catarina de Ataíde.
Os Lusíadas
Em 1569, Camões resolve voltar para Portugal e embarca na nau Santa Fé, levando consigo um escravo, que lhe acompanhou até seus últimos dias. Chega a Cascais em 7 de abril de 1570. Depois de 16 anos, estava de volta à sua pátria. Em 1572, publica seu poema Os Lusíadas. Que celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal.
Camões faz do navegador uma espécie de símbolo da coletividade lusitana e exalta a glória das conquistas, os novos reinos formados e o ideal de expansão da fé católica pelo mundo. O poema é composto de dez cantos, cada canto é formado por estrofes de oito versos. Com o sucesso, Camões recebe do rei D. Sebastião uma pensão anual, que mesmo assim não o livrou da extrema pobreza em que vivia.
Inspirado em A Eneida, de Virgílio, Camões narra fatos heroicos da história de Portugal, em particular a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama. No poema, Camões mescla fatos da História Portuguesa a intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador.
Um aspecto que diferencia Os Lusíadas das antigas epopeias clássicas é a presença de episódios líricos, sem nenhuma relação com o tema central que é a viagem de Vasco da Gama. Entre os episódios, destaca-se o canto III que relata o assassinato de Inês de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro, seu amante:
Canto III
Passada esta tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana Terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste e digno da memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de ser morta foi Rainha.Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa a molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.Estavas linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
Um Poeta Múltiplo
Camões foi um poeta sofisticado e popular. o poeta erudito do Renascimento, mas às vezes, se inspirava em canções ou trovas populares e escreveu poesias que lembram as velhas cantigas medievais. Além de Os Lusíadas, Camões escreveu poemas líricos, versos bucólicos, as comédias El-rei Seleuco, Filodemo e Anfitriões e uma coleção de sonetos de amor, entre eles o mais famoso O Amor é fogo que arde sem se ver:
Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer,
É um não querer mais que bem querer,
É um andar solitário por entre a gente,
É nunca contentar-se de contente,
É cuidar que se ganha em se perder,
É querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence, o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Morte
Luís de Camões morreu em Lisboa, Portugal, no dia 10 de junho 1580, em absoluta pobreza. Segundo alguns biógrafos, Camões não tinha sequer um lençol para lhe servir de mortalha. Teria sido enterrado em cova rasa. Mais tarde, em 1594, Dom Gonçalo Coutinho, mandou esculpir uma lápide com os dizeres: "Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas do seu tempo. Viveu pobre e assim morreu"
(origem: e-biografia)
O TRAJE IDEAL - SILVIA HELENA DE ÁVILA BALLARATI
Faço
as malas pensando no delicioso convite para uma festa em fazenda no Mato Grosso
do Sul. Resolvo ir de vestido, separo um bem bonito, estampado, super de acordo
com a ocasião, e coloco dobrado com o
maior capricho na mala.
Chego
em Dourados, sexta-feira e começo a sentir calor, muito calor, mesmo sendo 9h
da noite. Imagino que o vestido escolhido, por ter mangas ¾, não vai dar certo.
Àquela altura já estou incomodada com o suor no pescoço, nos braços e passo a
sofrer antecipadamente, só de pensar no dia seguinte.
Decido
comprar um vestido novo, bem fresquinho, sem mangas. Peço ajuda à minha
sobrinha que sugere lojas de pessoas conhecidas.
De
manhã tomo um café rápido com minha irmã, café preto, só isso; o
"breakfast" completo deixo para depois. Vou para o quarto me arrumar
e ouço vozes na copa, gente chegando.
Buzinam
na rua, Luiza avisa que Marília, minha sobrinha, nem vai entrar. Saio do
quarto, pronta para ir comprar o vestido novo, quando me deparo com ele. Nesse
momento a copa está cheia de gente, mas ele rouba minha atenção, não consigo
desviar o olhar dele: o pão de queijo caseiro, assado na hora, fumegando.
Nem
percebo as pessoas, só uma coisa vai no meu pensamento; corro lá fora e grito
na direção do carro: "Não vou mais, entra para tomar café!" Sem
entender nada, Marília vem e pergunta o que está acontecendo. Talvez ela não
entenda, parece preocupada comigo. Será que percebe a riqueza do momento?
O pão de queijo é muito mais que um alimento, é um estilo de vida, é uma satisfação que não se pode adiar. Junto com ele vem as conversas antigas, o café, a broa, o queijo fresco, o papo sem fim. Parentes e amigos reunidos, um momento clássico nas famílias do interior e isso eu não posso perder.
Hei de achar outro traje para vestir, penso comigo e largo o vestido pra lá. A
conversa se estende animada pela manhã toda, lembranças, risadas, histórias, só
paramos na hora de ir para a festa. Visto uma blusinha, sei que estou menos
arrumada, mas sinto-me tão linda por dentro, tão repleta desse momento
riquíssimo que minha dúvida se esvai.
Vestido
ou pão de queijo? Acho que fiz a escolha certa.
O Cavaleiro Destemido - Maria Verônica Azevedo
O Cavaleiro Destemido
Maria Verônica Azevedo
Jonas é conhecido por
aquelas paragens como o cavaleiro misterioso. Nunca houve alguém naquela vila
que contasse tê-lo visto sozinho sem o seu companheiro Faísca.
Faziam os dois longas caminhadas em busca de um lugar onde se fixar. Tinham
saído da velha cidade onde Jonas nasceu, mas que não oferecia oportunidade para
uma vida melhor. É verdade que ele aprendera alguma coisa com o pai, pioneiro
que desbravara aquela terra inóspita com muito esforço, mas sem conseguir
progredir. Faísca era o único amigo de Jonas.
O cavalo estava sempre por perto mesmo quando Jonas descansava da lida diária
com a manutenção do sítio, dormindo na rede armada na sombra do grande
salgueiro. Aquela sim era uma sombra preciosa naquela terra tão quente.
A vida corria em paz até que um dia chegou a notícia trazida pelo sacristão da
vila que entrou correndo na casa de Jonas. O rapaz estava deveras apavorado. Os
olhos arregalados e a respiração ofegante testemunharam aquela aflição.
¾ Socorro, Dom Jonas! O vigário foi assaltado. Um bandido mascarado com
revólver e tudo entrou berrando na igreja. Levou todo o dinheiro da coleta. E
ainda deu um empurrão no monsenhor que se estatelou no chão.
Jonas não pensou duas vezes. Montou no faísca e ainda puxou o sacristão pela
gola da camisa para que subisse na garupa. Saíram os dois em disparada rumo à
igreja. O sacristão, visivelmente amedrontado, se agarrava na crina do cavalo.
Ao se aproximarem da encruzilhada não repararam no carro de bois. O desastre
inevitável aconteceu. Com o susto, Faísca empacou jogando o sacristão na
estrada barrenta. O pobre homem demorou para se dar conta do que tinha
acontecido. Sentado ali na beira da estrada, todo sujo de lama, não tinha ânimo
para se levantar. Jonas, que a essa altura já tinha dominado o Faísca, amarrou
o cavalo ao tronco de uma árvore e acudiu o sacristão. Fez de tudo para
convencer o sacristão a subir de novo no lombo do Faísca, mas não teve sucesso.
Então continuaram caminhando pela estrada os dois homens lado a lado seguidos
pelo cavalo. A noite já ia se aproximando. Quem passava pela estrada, voltando
para casa depois da lida diária, estranhava aquela cena: no escuro do começo da
noite, um cavalo bem fagueiro acompanhado de dois homens cansados e desanimados
andando ao seu lado. Houve quem sorrisse diante daquela situação
insólita. Afinal, para que serviria um cavalo tão folgado?
Lina, a árvore e o relógio - Adriana Frosoni
Lina,
a árvore e o relógio
Adriana Frosoni
Lina era uma menina
encantadora e, como tal, as coisas à sua volta pareciam encantadas também. Ela
passava as tardes lendo na varanda da sua casa de paredes brancas, janelas
azuis e floreiras constantemente coloridas pelos gerânios. O gramado estava
sempre verdinho e não havia cerca na frente do jardim.
Quem passava pela rua e não
conhecia Lina, ficava intrigado. No meio de um jardim tão bonito havia uma árvore
horrível. Baixa e tortuosa, ela tinha galhos secos e raízes saltadas. Mas as pessoas do bairro que passavam por lá conheciam o
segredo da árvore e já nem a achavam tão feia assim: ela era mágica.
Lina vivia lendo para as
crianças que passavam por lá e, quando terminava a leitura, juntos eles
enterravam o livro embaixo de uma das raízes da árvore. Então ela tirava do
bolso um relógio, também mágico, que começava a brilhar intensamente. Entregava-o
para as crianças e dizia:
— Olhem para o ponteiro maior,
quando ele der uma volta completa no relógio, brotarão vários livros dos galhos
da árvore, um para cada um de nós. Assim, vocês poderão ler para outras pessoas
também.
Encantadas, as crianças
observavam o relógio engraçado, que tinha muitos ponteiros coloridos girando
desordenadamente. Mas ao final da volta do ponteiro maior, o relógio parava de
brilhar e os livros brotavam dos galhos da árvore. 0s olhos delas cintilavam; apanhavam
e abraçavam os livros e então voltavam para suas casas felizes e saltitantes,
cheias de imaginação, levando novas histórias para contar.
Um dia um homem muito
ganancioso descobriu o segredo da árvore e decidiu roubá-la. Ele pensava apenas
em reproduzir milhares de coisas e depois vendê-las. Numa noite fria e
silenciosa, ele pegou uma pá e foi tentar tirar a árvore do jardim de Lina. O
que ele não sabia era da existência do relógio e de que não era o primeiro a
tentar tal maldade. Quando ele deu o primeiro golpe com a pá, duas raízes
agarram seus pés e puxaram-no para baixo da árvore.
Na manhã do dia seguinte
Lina percebeu o relógio se agitando quando foi guardá-lo no bolso, abriu a
janela e viu a pá caída ao lado da árvore. Ela chamou seu pai e foram juntos
ver quem era o dono da ferramenta. Chegando perto da árvore ela tirou o relógio
do bolso, os ponteiros começaram a girar, ao final de uma volta completa vários
homenzinhos brotaram dos galhos da árvore e caíram de lá sozinhos, como frutas
podres. Imediatamente depois as raízes da árvore devolveram o homem, que estava
assustado e com os olhos arregalados. Então os homenzinhos levantaram do chão e
começaram a correr atrás dele, que fugiu sem olhar para trás.
— Papai, quanto tempo
mesmo eles vão correr atrás daquele homem? — Perguntou Lina.
— Até que ele aprenda a
lição e se arrependa da maldade que ia fazer.
BIBI, o JABUTI - Sergio Dalla Vecchia
BIBI, o JABUTI
Sergio Dalla Vecchia
Era
uma vez um jabuti que vivia em um grande quintal de um sobrado. Chama-se BIBI,
nome escolhido pelo pai dos meninos que fez uma analogia do formato do casco com
um quepe dos soldados apelidado de bibi.
Nesse
quintal havia um galinheiro, muito bem construído com telas de arame, dois
ninhos e alguns poleiros sob uma cobertura. Mais ao fundo havia também um
aquário, onde peixinhos de várias cores nadavam tranquilos para lá, para cá,
balançando suas longas caudas. Vez ou outra a porta do galinheiro era aberta
para as galinhas saírem e ciscarem na grama saboreando larvas e insetos
apetitosos. Existia também o Pingo, um cachorro Basset que recebeu o nome de
Pingo, pois tinha as cores preta e bege, lembrando o leite pingado com café. O
quintal era uma alegria só, com a bicharada toda interagindo ao som dos
canarinhos do pitoresco viveiro ali existente.
Assim
era a vida de Bibi. Por ser solitária fez amizade com as galinhas,
aproximava-se delas com o pescoço esticado, balançando de um lado para o outro
chamando as amigas para brincar. Assim passavam bons momentos.
Certo
dia um garoto vizinho trouxe um quelônio um pouco diferente da Bibi e dizia que
ele sabia nadar. A molecada incrédula fez logo um teste colocando-o no aquário.
Na mesma hora ele saiu nadando, para surpresa dos meninos. Um olhou para o
outro e tiveram mesma ideia de colocar a Bibi também na água.
Glub,
glub ...foi o que ouviram quando Bibi foi direto ao fundo! Imediatamente foi
retirada e por pouco não morreu afogada.
Arrependidos
e desconfiados, começaram a comparar os dois quelônios, cascos, dimensões, peso
e patas. Examinaram com mais detalhes as patinhas do nadador e observaram que
elas tinham uns formatos diferentes, eram menos arredondadas, esguias e
possuíam membranas entre as garras, diferentemente das patas da Bibi, que eram
roliças, pesadas e sem membranas. Daí a visitante por ter casco mais leve e
patas com membranas conseguia nadar. Bingo! Aí estava o mistério.
No
dia seguinte contaram para a professora o ocorrido e ela explicou que existiam
várias espécies de quelônios, conhecidos genericamente por tartarugas.
A
professora empolgada, prosseguiu descrevendo as espécies para os ansiosos alunos:
Quelônios
são uma ordem de répteis que incluem as tartarugas, cágados e jabutis. Existem
14 famílias e 356 espécies espalhadas nas regiões tropicais e temperadas do
planeta.
Tartarugas
são
os que vivem no mar e na água doce, possuem grande porte, morfologia aquática,
portanto são excelentes nadadoras.
Cágados são
os que vivem tanto na água como na terra, menores e esguios, como o que nadou
no aquário.
Jabutis,
vivem
somente em terra como a Bibi, são pesadas e com morfologia própria para tanto.
Não conseguem nadar.
Ao
término da explicação improvisada ela prometeu aos alunos avançar na pesquisa
das espécies nas próximas aulas.
Assim
saíram todos felizes com expectativas para as próximas dias, tudo por causa de
uma molecagem com a pobre Bibi, que felizmente sobreviveu e deve estar vivinha
até hoje.
A
experiência valeu a pena, aguçou a curiosidade e os meninos nunca aprenderam
tanto em tão pouco tempo!
VERDADE QUE DÓI OU MENTIRA QUE CONFORTA - Ledice Pereira
VERDADE
QUE DÓI OU MENTIRA QUE CONFORTA
Ledice Pereira
Vânia
acordou suando, outra vez o mesmo pesadelo. Aquilo tornara-se recorrente.
Respirou fundo. O despertador marcava quatro horas da manhã. Revirou-se na cama
sem conseguir pegar no sono novamente. Na verdade, o medo de sonhar outra vez
fazia com que lutasse para não dormir.
Levantou-se,
dirigiu-se à cozinha, preparou um café bem forte. Podia sentir o descompasso
das batidas de sua pulsação.
Não
aguentava mais. Desde que se omitira sentia-se assim. Aquilo estava fazendo-lhe
mal.
Devia
ter falado a verdade. Mesmo que doesse seria preferível do que confortá-la com
uma mentira. A mãe sempre lhe dissera que a mentira tem perna curta. Era disso
que tinha medo. Se Genoveva descobrisse, a amizade de ambas iria por água
abaixo.
Como
poderia consertar aquela situação?
Tinha
vontade de telefonar, marcando um encontro, mas Genoveva costumava dormir até
tarde.
Deixou
passar as horas. Isso a fez perder a coragem novamente.
Apenas
ela sabia da verdade.
Jurava
que sua omissão fora para que a amiga não sofresse, mas isso estava custando um
preço muito alto. Ela estava a ponto de enlouquecer.
Precisava
se abrir com alguém, mas quem?
Ao
menos assim o segredo estava guardado a sete chaves. Dividir com alguém seria
dar chance ao azar.
O
dia começava a clarear. Resolveu sair para caminhar. Precisava esfriar a
cabeça.
Estava
tão absorta que não viu o carro em velocidade. Foi jogada do outro lado da rua.
Nem percebeu
quando a colocaram na ambulância em estado crítico.
Genoveva
soube do ocorrido e correu para o hospital para ver a amiga querida.
A
fratura no maxilar exigira muita habilidade dos cirurgiões que tiveram que
imobilizar a parte afetada por tempo indeterminado.
MENTIRAS QUE PROVOCAM AUSÊNCIAS - Antonia Marchesin Gonçalves
MENTIRAS QUE PROVOCAM AUSÊNCIAS
Antonia
Marchesin Gonçalves
Aprenda a dar sua ausência para
quem não valoriza sua presença. Essa é uma verdade, demorei muito para aprender
e perceber que se doar sem nada pedir em troca não tem valor para as pessoas em
geral. Não só isso, também a intolerância com a mentira dificulta os
relacionamentos. Diziam não precisa mentir é só “omitir”, a verdade nua e crua
não ajuda, pode ser dito de outra forma.
Tudo bem, é verdade, devemos
sempre estar em eterno aprendizado, aceitar e ao mesmo tempo sentir-se
frustrada por violar a sua característica, é quase castrar a tua personalidade.
Com o tempo vai afetando a saúde física trazendo malefícios que sempre terminam
no consultório médico. Muito comum a pessoa mais sincera ser usada pelos
próximos para resolver problemas, a procuram na hora difícil, são ajudados e
depois somem, sem dar um telefonema sequer.
Nesse meio tempo tudo correndo
bem, sequer vêem compartilhar as boas coisas vividas. Muito comum nesses casos
voltarem quando novos problemas surgem, desculpas por suas ausências,
normalmente sempre por excesso de problemas. Mas tem o velho ditado que diz:
mentira tem perna curta, tem sempre alguém que sabe da verdade e conta. Como
disse, aprendi e finalmente resolvi dar uma basta, passei cada vez mais me
ausentar, até quase não mais comparecer.
Os poucos momentos
compartilhados, conversas só o trivial com pouco envolvimento de minha parte,
aí a minha ausência passou a ser motivo de censura e críticas, a mudança passou
a incomodar. Ainda acredito que é melhor
uma verdade que dói do que uma mentira que conforta.
O SORRISO DA SOGRA ME LEMBRAVA... - Ledice Pereira
O
SORRISO DA SOGRA ME LEMBRAVA...
Ledice Pereira
O
sorriso da sogra me lembrava uma professora que tive no ginásio. Ela dava aula
de matemática.
Era
irônica. Debochava dos alunos que se equivocavam, fazendo gracejos.
Aquilo
me irritava profundamente. Tinha vontade de faltar às aulas dela, mas isso me
prejudicaria.
Um
dia resolvi denunciá-la à diretoria. Já havia tantas reclamações que minha
denúncia foi a gota d’água. Sua demissão foi inevitável.
Com
a sogra, entretanto, eu apenas fiquei prevenida. Não tinha a quem denunciá-la,
muito menos ao meu marido.
Nunca
demonstrei a ele o sentimento de desconfiança que nutria por ela...
BLOQUEIO CRIATIVO - PROMPTS PARA DESABROCHAR HISTÓRIAS - 10 EXERCÍCIOS PARA PRATICAR
Sabe aquele momento em que falta um mote, um tema para desenvolver uma história? Alguns chamam de “falta de inspiração”, eu prefiro chamar de “preparação”.
Há muitos estímulos para se “encontrar um tema”, já vimos alguns por aqui: Quadrado criativo, Caixinha de ideias, Painel de temas, Bingo de ideias, Mapa mental, E se...
“Ela faz parte de uma sociedade secreta...”
“Ele nunca contou para ninguém...”
“Eles formavam uma família bem esquisita...”
“Lyn, a chinesa do outro mundo...”
“Nunca se encontraram, casaram por correspondência ....”
“Vi a matéria no jornal. Ele é um homem assustador...”
“Onde andam os sete anões da nossa infância?...”
“Ela cura as pessoas com o toque dos dedos...”
“Fran, a babá pra toda obra...”
“Nunca ficou esclarecido o desaparecimento de
Jonas...”

