MOMENTOS TRÁGICOS NA RODOVIA 169 - Oswaldo Romano

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MOMENTOS TRÁGICOS NA RODOVIA 169
Oswaldo Romano                                                              

          Viajava pela R169 ouvindo Tony Bennett  envolvido com meus pensamentos.

          Aquele olhar despreocupado que a gente dá no espelho lateral, mostrava tudo ok. Como é normal aproveitei levantar os olhos vendo a paisagem.

É aquele piscar de olhos que, acredite, repeti no susto.

          Vi quem ha muito procurava encontrar. O mesmo que me jurou de morte! Estava, calculei, a uns cem metros, ali no centro da praça. Conversava com alguém. Sua protuberante barriga, o denunciava. Era ele!

Peguei no porta-luvas minha Taurus e tomado de ódio, pisei no freio, encostei. Abri a porta, sai marcando-o, não queria perdê-lo.

Ele fora meu sócio e interessado na minha filha.  Descobri que avançava também nos meus ganhos. Instalei micro câmera na saleta do cofre, provando que mexia na minha gaveta. Alterava nossas planilhas, e aos poucos aumentou sua roubalheira, tirando e corrigindo nelas os valores.

Acionei a polícia. O vídeo não deixava dúvidas. Mesmo com seus argumentos, suas justificativas não convenciam ninguém. Foi preso. Era o mínimo que merecia. Uma dona, de nome Juana, a quem também enganou, contribuiu denunciando-o.

O malandro contratou um famoso causídico, conivente com um corrupto juiz, e em pouco tempo conseguiu a liberdade.

Livre, um dia apareceu no escritório com uma ordem judicial, a fim de retirar o que era realmente seu. Sem aviso e eu sem outra alternativa, abri a porta. Chegou ostensivamente mostrando uma arma. Disse que estava disposto a me matar.

Um susto. E que susto! Virou a mesa com raiva, jogando tudo pelos ares.  Alegava que desviou porque trabalhava mais.

Mentira usada, por todos da sua laia.

Sacou o revolver, me fez de alvo e impôs: ajoelhe e reze, porque você vai morrer.

Fiquei sem chão. Senti a morte. Ele estava transtornado. Eu imaginava uma bala entrando no meu corpo. E minha família? Minha mulher?!

Olhando-me com olhos vidrados, olhava para os lados, preparava uma fuga. Bendita sequência, e bendito o crucifixo que eu mantinha na parede à direita.  Reconsiderou, abaixou a arma colocando-a na cintura. Vivi uma reconquista do meu eu.

Ainda disse:

— Resolvi, quero matá-lo, é na rua. Quero ver gente, muita gente vendo-o morrer.

Apanhou um saco plástico, recolheu suas coisas, e batendo a porta, foi-se.
Imaginem meu estado. Mal conseguia levantar-me. Apoiando-me na cadeira, sentei. Vi a morte muito perto. Tremia e tremi dirigindo até em casa. Meu pensamento, agora, era um só. Ele realmente estava decidido a me matar. Diante dessa premissa, senti uma injustiça tão grande que aos poucos me contagiei de cólera.

          Colérico resolvi: “Sou eu, eu é quem vai mata-lo. Depois terei o que contar. Diferente do estar morto.”.

Bem, agora lá está ele. Vou pega-lo. Chegou a hora. A rodovia 169, será a testemunha.

Corri, corri me misturando a um casal que fazia cooper. Estava a cinquenta metros do valente. Arma escondida na mão. Do jeito que ele me surpreendeu, agora chegou minha vez.

Nesse momento alguém me puxou! Vai rasgar minha camisa, protestei! Largue!! Estanquei, olhei para os lados e para trás. Ninguém! Não vi ninguém. Coisa estranha!! Meu pensamento se abriu, dizia: você já perdeu o dinheiro, agora quer perder também a liberdade?! Ele também pode estar prevenido. O outro pode ser segurança. Você não morreu antes, quer morrer agora?

Enquanto ainda decidido, só pude dar alguns passos.

          — Volte, apoie-se no amor a vida que você tem.  Não conheço nenhum bandido vencedor. Volte, tenha amor a sua família. Deixe que o mundo o julgue..

          Foi bom ouvi-lo.

          — Sabe de uma coisa? Meu pensamento está certo. Meu carro me espera. Ele vai levar-me para casa, e eu vou seguir meu destino.

          Longe, ficaram o sócio que certamente já o havia visto, e seu segurança.

***

SEGUNDO CAPÍTULO

 Pau que nasce torto, nunca se endireita. Eu não sentiria sua morte caso o matasse. Ele é o tipo do cara, o chamado cara de pau. Não devia ter desistido da minha intensão quando o vi naquela praça. Faz menos que um ano e já está envolvido em novo mistério de família. Muito mais grave que o simples furto. Trata-se de sequestro, prevendo-se assassinato.

  Seu nome é Armando foi expulso da nossa sociedade, Ferraro & Armando Ltda.- quando pego no roubo em nosso cofre. Minha filha Noelí que com ele se engraçou, vivem juntos ha quase dois anos.  Agora está misteriosamente desaparecida! Forte desconfiança é de que ele a escondeu montando um golpe, um acharque com ajuda de outros de sua laia.

Sou o Ferraro, Vicente Ferraro. Tido como homem muito rico. Baseiam-se no meu patrimônio. Acreditam que posso pagar qualquer valor de resgate. Há tempos deixei de ser político, e como todos, queira ou não, político é sempre envolvido com maracutaias. Nunca precisei de dinheiro ilícito, apenas acompanhava os demais.

Não tenho dúvidas de que é ele o mentor dessa trama.

Entre as inúmeras amizades da Noelí está o jornalista Cícero que gerência a coluna investigativa do Jornal Guia da Cidade. Cícero é considerado bom amigo, embora eu guarde certa reserva dessa amizade.

Acho, assim como meus seguranças, que Cícero também cortejava Noelí usando-a para descobrir meus negócios, nem sempre declarados no mundo empresarial.

Foi ele quem acionou a polícia no processo do roubo do dinheiro da nossa sociedade. Prato cheio para um grande furo investigativo seria agora descobrir o paradeiro da Noelí. Tem se movimentado muito, acompanhado de agentes da polícia.

 Está mexendo com fogo. Sabe do que Armando é capaz, caso seja o culpado. Ele tem consciência disso.

Levantando possibilidades não esquece que Ferraro proibia o namoro de Noelí detentora dos segredos do pai que com ela compartilhava posses,  perigosas de constar no próprio nome. Afasta-la de Armando era a solução que procurava desde que se aproximaram. Nessa ocasião Ferraro assistia aos flertes de Cícero com a filha. União que até seria melhor.

 Na polícia o volumoso processo estava a cargo do Delegado Fausto. Diante dos inúmeros e vulneráveis fatos, pouco definidos, o Doutor apelou para delegados criminalistas e formou uma mesa redonda. Queria ouvir pareceres.

— Primeiro faço uma relação dos envolvidos para facilitar montagem do perfil de cada um.

Os senhores têm nessa pasta o resumo dos suspeitos. São dados desde a abertura do inquérito, mais as anteriores constantes nas folhas corridas.   

— Bem... sugiro começarmos pelo chefão, o Ferraro. 

— Sim concordo, porem, deixa-nos ver o escopo dos fatos, para avaliação. - Pediu Dr. Guedes.

Acharam muito importante a sugestão e no silêncio leram as sinopses.

— Ok iniciou o Dr. Guedes. O Ferraro tem tudo para ser o sequestrador da filha.

—Sim. - disse Dr. Gentil, mas vejam as fichas. O bandido aqui é o Armando. Tem passagem, botou Ferraro de Joelhos, disse que iria matá-lo.

— Pode ser que me engane, disse o Dr. Darci, mas quando menos se espera... Vejam o astuto jornalista Cícero. Precisava tirar dela o que queria. Com uma reportagem bomba receberia o que almejou a vida toda: O prêmio Jabuti desbancando Laurentino Gomes neste ano.

Nessa altura o Delegado Fausto, interrompendo, disse: — Gente, estamos na estaca zero, vocês estão jogando tudo  no meu colo!

Falou rindo.

— Sua vez Dr. Vieira. Agora eu me calo!

— Bem, até agora não encontraram o corpo. Quem pode afirmar ter sido assassinada? Noelí se escondeu! Sentiu que sua vida corria perigo. Aguarda uma oportunidade de se mostrar e fazer reconhecer os bens que estão em seu nome.

        —Vocês têm em mãos o contencioso completo do caso Noelí, interveio Dr. Fausto. Peço que estudem, removam achados evasivos e me deem notícias.

Dr. Fausto convocou os dois seguranças do Ferraro. Eram Fernando e Joel. Fernando, filho da cozinheira Isaura, foi criado na mansão de Ferraro, considerado de estrema confiança. Joel fora indicado pela própria delegacia.
Apenas compareceu Joel porque Fernando havia viajado para o norte, licença concedida por Ferraro, pois queria procurar e conhecer familiares da mãe.

Ao delegado, Joel diz que sempre acompanhou o patrão. Nunca viu nada de anormal entre pai e a filha, a não ser discussões de família. — Ele tinha ódio de morte era do Armando que se dizia genro e se tornou sócio no escritório. Meu patrão provou que ele é ladrão. Foi preso, e logo conseguiu sair. Sei que entre eles havia jura de morte. Meu patrão não tem dúvida de que ele é o responsável pelo sumiço da Noelí. Fez por vingança. Em dois anos deve ter tirado as informações que queria.

— Das conversas com seu patrão, em que mais você pode nos ajudar?

— Doutor, sou seu segurança. Olhar atento, mas surdo e mudo. O que falei é do conhecimento de todos.

— Aqui e na justiça você deve falar. O direito de se calar lhe é dado, porem se você veste a carapuça, deixa alusões de culpado, seria prejulgado depois.

 — Acho que entendi mais ou menos, doutor. Tem, nada não. Todo mundo sabe do desgosto que causou aqueles dois se juntarem. Noelí era a filha confidente. O patrão ficou louco quando ela se amigou. Ele é um cara malandro, manjado.

—Tá bem Joel, você sabe muito mais, não faltará oportunidade de nos contar. Pode ir agora.

Doutor Fausto acomoda-se na poltrona, põe seu pensamento a navegar: - “poderia o próprio pai sumir com a filha? Caso ela revelasse o que sabe o pai correria risco de vida? Ele teria coragem de numa discussão mata-la? E Armando, depois de tirar dela os segredos a mataria? O Cicero ficou em cima do muro. O que estaria planejando. Seria só reportagem? Devo esperar, é possível que o corpo apareça. Em todo caso...”   — Moça, me traga um café. Obrigado.

Não demorou. No domingo foi dada a notícia de que fora encontrado um corpo em cova rasa. Levada a notícia ao delegado, Fausto vibra na esperança de tê-la encontrado. Requisita o IML e juntos seguem até o local.

Era um corpo sim, mas de homem.

Sofreu um banho de água fria!

Dia seguinte Ferraro recebe uma carta. Reconhece a letra! Não tinha remetente. Abre e ansioso, tremia e lê:

— Pai, estou bem e bem feliz! Vivo com o Fernando. Estamos revivendo nosso tempo de meninos, brincando nas dunas, nas trilhas, no mar. Fique sossegado que está tudo sobre controle. Dê notícias a quem perguntar por nós. Para a Dona Isaura, meu beijo e diga que seu filho é um amor! Para o Armando que procure outra vida. Pai, seus segredos estão muito bem guardados.
Meu amor por Fernando sempre existiu. Eu é que o descobri tarde. Beijos.

Noelí

Ame seu texto.


“Uma história possui começo, meio e fim, mas nem sempre nessa ordem.”
Tim Burton

“O que você escreve se torna o que você é. Então tenha certeza que você ama o que você escreve
J.K.Rowling

ZICA TRICA. - Mario Augusto Machado Pinto

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ZICA TRICA.
Mario Augusto Machado Pinto

Aguardar na fila do caixa de supermercado não é o melhor lugar para pensar na perda de alguém que passou na sua vida, mas em compensação se aprende receitas para a ceia de Natal, há fofocas da região e dá para mirar algumas senhoras e jovens bem dotadas. Aqui há gente sortuda. Já estive no pedaço, mas acabou com um tchau e ZAPT! Até mais! 

Quando li o recado que a secretária da redação deixou no tablet imaginei o porquê do Pereira me chama: certeza de encrenca com algum “pezzo grosso”. Por que eu? Simples: tenho livre trânsito no meio, e sou arquivo confiável. Prova? Meu premio da Associação com matéria do “bas fond” onde escrevi “tudo e muito mais”, fui fundo, chupei o sangue deles de canudinho e nada me aconteceu. Só um aviso: “Agora, vê se serve coxinha pra nós!” Pra bom entendedor...

Bem, liguei e Pereira contou que a Zica, conhecida como Zica Trica, filha do “Bucca” ou “Tio Mazzolla”, estava desparecida desde que tivera violenta discussão com o pai após ter comentado que ia se casar com o namorado Luiz, um pilantra caça dotes. Pro Bucca isso era muito perigoso já que colocava em risco montes de dinheiro e investimentos feitos por ele em nome dela. Era tudo “barrani”, Como eu tinha andado pelas intimidades poderia ajudar evitando ele pisar na bola deles – falou. Entendi, e aceitei.

Peguei o táxi do “33”, cara que me conhece mais que a  palma da própria mão. Foi dar o endereço e abriu a bocarra num bruto sorriso. - É o Bucca, né? - e começou a falar coisas do passado comum quando foram fechados o bingo “13” e o Brabuleta, hotel das “primas”, “reino” dele que denunciei acabando com a “contradança”. Agora, pela 1ª vez, me disse que achou ruim na ocasião, mas tinha ficado quieto porque o “cafifa” do reinaugurado “Folias do Primo” lhe deu passe livre. Hoje é sócio. Controla tudo do “ponto de táxi”.

Enquanto ele falava eu imaginava razões para alguém acabar com a Zica e não encontrava elementos sérios, finais. Minha cuca girava pra todo lado, até pensei no maluco do pai ser interessado, ciumento e impulsivo que é, como quando mandou me avisar pra me afastar da filha ou... Desafiei o “ou” e no final ganhei “umas férias”. Junto aos “V” de vigarista, violento e vingativo o cara é “big shot”, não iria se melar botando a mão em cumbuca. Na atual situação é bicho muito perigoso, bota muito perigoso nisso.

Cheguei de mansinho como alguém que não quer nada, acenando. Parei ao lado do Delegado Pereira de aparente, mas enganosa bondade: é letal para os fora da lei.

Enquanto nos afastávamos contou-me que encontrara a minha ex: feições contorcidas, olhos esbugalhados como tendo visto fantasmas; boca aberta, gritante; roupa revirada, tronco de costas, quadril e pernas voltadas pra esquerda, sem um sapato, ferimento na testa. Era melhor não ver. Aguardava o legista para o exame do corpo. Sentia muito. Agradeci e concordei.

- Quem? Perguntei por hábito.

- Ainda não temos ideia, mas você vai ouvir o pessoal chegado a ela. Vem. Vamos à Delegacia.

Ali estava a criadagem completa, inclusive o Luiz com seu tique nervoso, tremelicando, encolhido como sentindo frio; sempre arredio; estava ao lado, junto, mas não no meio da turma.

A conversa das três senhoras ainda preocupadas com a ceia de Natal desviava minha atenção para o esboço mental da reportagem que escreveria pra edição de domingo. Tagarelavam sem parar: “Panetone aqui, ovos moles ali.” Afastei-me um pouco, olhei pro lado, concentrei-me e consegui pegar o fio da meada.
Interrogados abertamente pelo Pereira, as respostas deram resultado unanime: Zica foi embora porque não aguentava mais o gênio ranzinza, briguento do pai mandão. De fato, o Bucca falou que a deserdaria se casasse. Assim, tendo resposta unanime dispensou a turma, mas pediu ao Luiz para ficar.

Após todos saírem Pereira iniciou interrogatório cerrado sobre a vida do careta. Até aquele momento o rapaz respondia calmamente, sem vacilo. De repente alterou o tom, começou a tremer e a gritar e, apontando pra mim disse - “Você desfrutou enquanto deu e depois, “até mais ver”. Lembra?”.  Fiquei “P da vida” e agarrei o cara. O Pereira se meteu no meio e nos apartou.-“Estou zonzo. Preciso comer alguma coisa. Comer, comer,” gritava ele agitando os braços feito pás de hélice de helicóptero. Me livrei do Pereira, peguei um saquinho de biscoitos que sempre tenho e ofereci pro Luiz: -“Toma. Come logo”. Mordeu, mastigou com sofreguidão enquanto chorava a dizer “- Foi sem querer, foi sem querer. Aconteceu...”. O Pereira agarrou-o pela gola do casaco, sacudiu-o e gritou mais alto ainda:

- Conta tim tim por tim tim. Desembucha, seu porrinha de uma figa. Fala!

Ele contou num folego só:

- O Bucca ainda estava esbravejando; eu e a Zica saímos correndo da casa, pegamos o carro dela e demos o fora querendo sumir daquela situação. Estava dirigindo e a Zica pediu pra ir ao Centro das Artes passando antes no mercado. Paramos, desceu, comprou e voltou pro carro. Ofereceu: - Dá uma mordida. Liguei o motor e ia sair dali quando ela pigarreou várias vezes. Batia com as mãos no peito, mas o engasgo não passava; então desci do carro e fui correndo abrir a porta do carona, puxei-a pra fora, abracei-a pelas costas pressionando seu baixo ventre várias vezes. Ela buscou apoio na janela da porta. Escorreguei e me segurei puxando a echarpe dela. Com o puxão bateu a testa violentamente na armação da porta e foi escorregando e eu me segurando pra não cair puxava a echarpe pra cima. Foi quando parou de arfar e se agitar; pensei que tinha desmaiado. Apesar dos meus esforços não conseguia reanima-la. Estava morta! Morta! Deixei o corpo ali, subi no carro e fugi enlouquecido. Não tenho culpa, foi sem querer, foi sem querer.

Enquanto Luiz contava o sucedido, Pereira atendeu alguns chamados pelo celular e sua fisionomia foi se distendendo voltando quase ao normal. Terminado o relato do Luiz, falou calmamente:

- O legista confirma: a Zica Trica morreu sufocada por uma bolota de barra de cereal mastigada entalada na garganta. A pancada na testa não ocasionou maiores consequências.

A sequência da vida do Luiz o inquérito vai determinar De minha parte vou escrever a reportagem exclusiva. Por aqui e agora me contenho pra não achar ruim com as idosas que ainda tagarelam:

- Vou ter um trabalhão, informou uma.

- Nem diga. E você, caladona, o que está cozinhando? Perguntou a outra.

- Nada. A ceia vai ser na casa da minha nora. Problema dela.



Uma biografia de Papai Noel - Ises de Almeida Abrahamsohn


Uma biografia de Papai Noel
Ises de Almeida Abrahamsohn

São Nicolau

         O papai Noel, ou Père Noël, ou Weinachtsmann em alemão, ou Santa Claus em inglês, tem como origem São Nicolau. Papai Noel viaja em um trenó puxado por renas. Já São Nicolau viajava no lombo de um burrico!

         Nikolaos era grego, viveu no século IV. Órfão, foi criado por um tio e  tornou-se bispo de Myra, atualmente um território da Turquia. Era rico e, desde jovem, muito generoso com as crianças, os pobres e os doentes. A sua caridade era sempre anônima. As moedas ou outras doações eram deixadas pelas janelas ou entregues por algum ajudante. Muitos milagres e lendas lhe são atribuídos e tinha muitos devotos.

         Com a reforma protestante no século XVI as festividades para São Nicolau foram abolidas na maioria da Europa. Apenas os holandeses guardaram seu nome original Sinter Klaas (holandês para São Nicolau) como o santo amigo das crianças, que no seu dia, seis de dezembro, distribui brinquedos ou doces.


         Quando os holandeses colonizaram os Estados Unidos no inicio do XVII trouxeram a tradição de Sinter Klaas que virou Santa Claus. Ao longo dos séculos São Nicolau foi modificado na personalidade e na roupa até chegar ao atual Papai Noel. Mas ainda conserva a barba branca e o manto vermelho da representação original.



O dote de São Nicolau para as três virgens 



São Nicolau, Bispo de Myra                 
                                                 
(Gentile da Fabriano,1425, Pinacoteca Vaticana, Roma)




Clement Clarke Moore, o avô do Papai Noel!



Em 1821 um escritor Clement Clarke Moore escreveu um conto de Natal para seus filhos, intitulado “The night before Christmas”, no qual uma entidade que chamou de Pai do Natal aparecia em um trenó puxado por renas. O mesmo autor elaborou a ideia e em 23 de dezembro de 1823 publicou no jornal Sentinel de Nova Iorque um conto “A visita de São Nicolau”, no qual duendes que viajavam em um trenó puxado por oito renas entravam pela chaminé e distribuíam presentes às crianças. A nona rena, o famoso Rudolph, de nariz vermelho que ilumina o caminho, só foi acrescentado ao grupo em 1939.






THOMAS NAST, o pai do Papai Noel




         O papai Noel na figura que conhecemos hoje “nasceu” em 1863 das mãos do desenhista Thomas Nast do semanário nova-iorquino Harper´s Illustrated. Por cerca de trinta anos Nast representou o seu Santa Claus, gordo e jovial, de barbas brancas, acompanhado das renas. 





Em 1885, Nast desenhou o percurso de seu Santa Claus do Polo Norte até os Estados Unidos estabelecendo a sua residência oficial. Um ano mais tarde o escritor Georges P. Webster acrescentou que a oficina de brinquedos e a casa de papai Noel  existiriam escondidas sob o gelo e a neve do polo norte. 



A Coca-Cola, em 1931, encomendou ao desenhista Haddon Sundblom um desenho para sua campanha de inverno com o bom velhinho tomando Coca-Cola para recuperar as forças durante a árdua tarefa de distribuir os brinquedos. Assim, as crianças seriam estimuladas a consumir o refrigerante também nas épocas mais frias do ano. O artista gráfico ajustou as tonalidades da roupa para o vermelho e branco da garrafa original de Coca- Cola. O novo look deste Papai Noel se espalhou pelo mundo devido à publicidade do refrigerante e tornou esta imagem do bom velhinho o dono incontestável da noite de Natal ao redor do mundo.   É o nosso atual Papai Noel.



Mas, independente da história de sua criação, a ilusória chegada de Papai Noel nos faz lembrar a infância e a celebração de natais com a família e amigos.
Vamos também nos lembrar do bom São Nicolau e compartilhar a nossa boa sorte e felicidade com os menos aquinhoados!



Natal - José Vicente J. de Camargo

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NATAL
José Vicente J. de Camargo                                  

Desejar a alguém um Natal de Alegria, Paz, Amor, não é um contrassenso neste mundo em que vivemos cercado por notícias de atentados terroristas, guerras, ódios, corrupções sem fim, fome, bombas matando e separando famílias, crianças inocentes afogadas num mar de desespero?

Estava eu justamente meditando sobre esse dilema, a procura de uma resposta convincente, quando recebo de um amigo um e-mail de “Boas Festas” com um vídeo anexado que me deu a resposta à essa dúvida:

“Uma mãe de família preparando o ambiente natalino, comprou uma árvore de natal natural – preferida por seu marido e pelos três filhos em relação a árvore artificial, por ser mais bonita e mais apropriada para o motivo escolhido, pois, todos os anos, a família elege o tema do enfeite da árvore – e, para este ano, escolheram:

“Passarinhos”!

A mãe comprou uma bonita árvore de quase dois metros de altura e a colocou no terraço que dá para o jardim dos fundos da casa, onde a família costuma festejar a santa data. Depois comprou os enfeites voltados para o tema escolhido, isto é, passarinhos de vários, tipos, cores e tamanhos... Estes foram caprichosamente colocados na árvore e intercalados com bolas coloridas, miçangas, cordões prateados, dourados e as tradicionais figuras de anjinhos, estrelas e papais noéis...
Nos dias que se seguiram a mãe notou que no chão próximo a árvore – apesar da limpeza diária – sempre voltava a aparecer sujeira de jardim como graminhas, folhas, palhas e pequenos gravetos.

Foi então que um dos filhos notou, bem escondido entre os ramos da árvore, uma “tico-tico” de verdade chocando no ninho recém-construído. A surpresa, logicamente, foi geral na família, mais ainda a alegria de ter uma “vida real” na árvore e sobretudo “novas vidas” quando os ovinhos, três ao total, eclodiram e os pios estridentes dos filhotes ecoaram por toda a casa e o carinho da mãe ao alimentá-los e protege-los emocionou a todos. E isto acontecendo justo na época que se comemora o nascimento do Menino Deus, que se fez homem, para redimir a humanidade dos seus pecados. Veio trazer a Luz da esperança, da conciliação, do amor e paz entre os homens e anunciar a vida eterna no seu reino celeste...

O ninho da tico-tico se tornou o enfeite mais precioso da árvore. Os filhos foram pesquisar na internet tudo a respeito do pássaro que é um dos mais conhecidos e estimados do Brasil. Seu nome vem do tupi e é derivado do sonido do seu canto e é, Brasil afora, também conhecido por: ticão, toinho, tiquinho e um que mais chamou a atenção pela coincidência com o significado da festa – jesus de meu deus!”

Assisti o vídeo várias vezes e senti a alma aliviada, o que me convenceu ser ele a resposta ao dilema que me afligia, pois, demonstrou que as coisas boas podem acontecer a qualquer momento quando menos se espera, trazendo alegria e encantamento àqueles que a presenciam, àqueles que ficam sabendo do seu acontecimento ou que leem a seu respeito, multiplicando assim, o seu fator benéfico.

Portanto vamos desejar que neste Natal, uma tico-tico venha construir seu ninho em cada árvore de natal de cada família nos quatro cantos do mundo, transmitindo a todos que a vejam o encantamento, a alegria e principalmente o valor da vida e do amor que pode transformar o mundo que aí está.

Desejo a você e aos seus familiares o canto do tico-tico...
Felicidades,

Do amigo Vicente

14/12/2016