A Floresta de Grofis e Um Castelo onde todos se perdiam dentro dele. - YARA MOURÃO

 

 


A Floresta de Grofis

Yara Mourão

PARTE I

 

Era uma vez uma floresta muito estranha que ficava bem ali, ao lado da casa dos meninos. Não tinha muitas árvores, mas a cada dia que passava, ela ficava maior.

Juca morava lá naquela casa e, toda manhã, ele olhava pela janela para ver se havia crescido uma nova árvore. Ele sabia que aquela florestinha ia virar uma grande selva se ele não resolvesse o problema do jantar.

Isso porque, toda noite, no jantar, tinha salada de grofis, que era uma coisa assim parecida com massinha, verde e marrom, mas de gosto muito pior. Juca não suportava comer grofis! Mas a mãe punha no prato dele e obrigava que ele mastigasse e engolisse aquela pasta horrorosa!

Acontece que Juca enganava todo mundo. Fingia pôr a mistura na boca, mas jogava pela janela. E aí, a gosma entrava na terra; depois, chovia; aí, a coisa crescia e virava uma árvore muito horrível.

Com o passar do tempo a floresta já estava ficando muito escura, cheinha de árvores. Os grofis já iam avançando pelo lado da casa. Até mesmo já se inclinavam para a janela da sala de jantar, fazendo uma sombra fantasmagórica na vidraça.

A mãe não sabia porque aquilo crescia tanto. Quanto mais cortava, mais crescia!

Juca foi ficando muito preocupado, imaginando que os grofis iam engoli-lo e a casa. Nem dormia pensando nisso.

Um dia, um galho de grofis bateu na janela do seu quarto. Nossa! Que medo ele teve! O que devia fazer agora? Será que tinha de contar pra mãe a verdade? Ou será que então ele ia ter de comer a salada de grofis em todo o jantar?

Não, de jeito nenhum, pensou.

Então, ele resolveu: só tinha uma coisa para fazer; ia fugir de casa!

 




Parte II

Um Castelo onde todos se perdiam dentro dele.

 

 


Sim, era isso mesmo. Ele iria para bem longe dali. Talvez para a Disney, onde todo mundo que ia se divertia muito.

Então, Juca correu para o aeroporto, se escondeu no avião que ia para aquele lugar mágico, e se preparou para uma grande aventura!

Chegando lá, Juca ficou maravilhado! Quanta coisa diferente para ver e fazer! Nem sabia por onde começar. Resolveu ir logo no Castelo Encantado, que era muito colorido, cheio de luzes piscando e de onde vinha uma música muito legal.

Foi logo entrando pela grande porta com uma turma animada de crianças que estavam com ele na fila.

Então, se depararam com uma porta secreta que se abriu sozinha… Ah! Ali ele viu uma grande mesa cheia de doces, sorvetes, bolos, sucos. Como estava faminto, comeu de tudo! Depois correu para outra sala, onde teve que se arrastar para poder entrar. Ele ficou muito feliz porque tinha ali muitos brinquedos pelo chão, carrinhos, aviões que se mexiam e corriam, fazendo uma barulheira gigante!

E assim, Juca foi de porta em porta, fez de tudo, viu de tudo, menos… gente! Onde estavam todos? Pensou. Tantas crianças que entraram com ele, onde foram parar?

Aí, um grande frio passou pela barriga de Juca. De repente, ele entendeu tudo! Aquilo era um Castelo Mágico onde todos os que entravam sumiam para sempre!

Mas lembrou: não era isso mesmo que ele queria fazer: sumir daquela floresta que ia invadindo sua casa, seu quarto, tudo?

Um grande medo tomou conta dele e Juca se sentou e chorou apavorado. Mas pensou, pensou, e sabem o que ele falou bem alto para alguém no mundo escutar?

 

“Quero minha floresta de grofis de volta! ”

O Morceguinho que sumiu por vários dias - Yara Mourão

 

 


O Morceguinho que sumiu por vários dias.

Yara Mourão

 

A chácara da Lia era muito gostosa; apesar de ser um pouco antiga, era cheia de quartos, de salas, tinha até um sótão e um porão. Era tudo grande e bonito, mas Lia gostava mesmo era do sótão onde ela guardava as coisas que tinham mais importância para ela. Eram alguns brinquedos meio velhos, uns livros bonitos, duas bonecas de cabelos dourados, um ratinho de verdade numa gaiola e um morceguinho de verdade no teto.

Lia conversava com todos esses personagens e se entendia muito bem com eles. O ratinho era o mais agitado e o morceguinho o mais dorminhoco.

Um dia, Félix, o gato que não ficava no sótão porque era um malvado que perseguia os bichinhos, conseguiu entrar devagarinho e se esconder debaixo de uma caixa. Lia não viu ele ali, mas ele viu a gaiola do rato e o rabo do morceguinho, que dormia quietinho.

Quando chegou a noite, Lia trancou o sótão e foi para a cama. Mas quando já estava deitada, ela escutou uma barulheira de caixas caindo, bicho miando, asas batendo! Sim! Ela adivinhou o que acontecera! Félix atacou os bichos! E o morceguinho fugiu pela chaminé….

Lia ficou muito brava com o gato!

Ela passou a semana sem sair do sótão, esperando que seu morcego voltasse! Mas nada! Se passaram vários dias. Choveu, fez frio. Quase nevou!

Lia fez uma cestinha de frutas e pôs na janela do sótão para o morceguinho vir comer e voltar. Nada.

Então, ela resolveu uma coisa: pôs o Félix numa caixa e mandou pra casa do tio! Nada de morar mais aqui, seu bicho malvado! — ela falou.

Dias depois, quando o morceguinho veio comer as frutinhas, viu que o gato havia desaparecido. Então, agora não tinha mais perigo, por isso ele entrou e foi dormir lá debaixo do telhado como sempre fazia.

Numa manhã, depois de vários dias, Lia viu ele lá e ficou feliz de novo, porque estavam todos juntos outra vez: o rato, o morceguinho e ela, Lia!

MARATONA LITERÁRIA - PRODUÇÃO DE CONTOS INFANTIS - 15 DE AGOSTO DE 2023










MARATONA LITERÁRIA
PRODUÇÃO DE CONTOS INFANTIS
São 16 histórias que podem ser criadas em menos de 3 horas.


Aqui estamos na série de CONTOS INFANTIS.
Cada imagem, uma história diferente.

Nos encontros presenciais, acrescentamos um diferencial. 
O tempo era cronometrado em até 10 minutos para cada conto. 
Obviamente, todas as histórias precisaram passar pelo crivo da lapidação, precisaram ser aprimorados no processo do enredo.

Essa atividade, além de divertida, é um modo de aflorar a criatividade.

Quer tentar?





























A descoberta de um novo leito - Adriana S. Frosoni

 

 


A descoberta de um novo leito

Adriana S. Frosoni


 — Quem você pensa que é para invadir meu leito, dessa forma, sem cerimônia? 

 — Pensei o mesmo a seu respeito! Não gostei tanto quanto você. 

 — Como pode não ter gostado? Sou mais quente, mais veloz… 

 — Do seu calor eu até gostei. Mas para que tanta pressa? Essa agitação toda não o levará a lugar diferente do meu. 

 — Engraçado, não gostei nada da sua lentidão a princípio, mas confesso que em alguns momentos até me acalmou. No entanto, a sua frieza me incomoda muito e me traz certa desconfiança.

 — Minha frieza me permitiu pensar em qual alternativa temos. Não podemos sair do leito, nem mudar o nosso curso. E quanto à minha lentidão, devido a ela, pude observá-lo melhor e sua composição me agrada. 

 — Bem… não que isso seja um elogio, mas o traçado que se formou em nosso encontro, com reentrâncias e saliências, elaborou um belo desenho. Isso tem me agradado mais do que a aspereza da margem. 

 — Claro, sem elogios, estamos juntos à força! Mas olhe para a frente, estamos chegando. 

 — Mas, já? 

 — Eu disse que não precisava correr! Fica frio…

 

EXPRESSÕES POPULARES - LINGUAGEM FIGURADA DO NOSSO COTIDIANO - 08 DE AGOSTO DE 2023

                 









Do Facebook Itaberá City



EXPRESSÕES POPULARES NOS TEXTOS


Abaixo temos algumas frases populares criadas no afã de querer viabilizar a comunicação, e na construção dessas frases podemos ver figuras de linguagem:

 

1.   A porta dormiu aberta

2.   A luz dormiu acesa

3.   Escuta só, pra você ver

4.   Vou só esperar o sol esfriar

5.   Do pudim, não vi nem o cheiro

6.   Ela fechou a cara

7.   Fiquei preso do lado de fora

8.   A torneira amanheceu pingando

9.   Relógio que atrasa, não adianta

            Tinha um gosto gelado

            Que tal você criar algumas expressões, ou tentar se lembrar de outras?


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    TAREFA: Pensando na antologia, criar um conto abraçando o tema     DESCOBERTAS, usando uma ou mais expressões acima.




CADA UM NO SEU LEITO - aqui falamos do encontro das águas - TEMA ESCREVIVER DE 01 DE AGOSTO DE 2023

 










As águas não se misturam por causa da composição química delas, por causa da velocidade dos dois que são diferentes.
O fenômeno ENCONTRO DAS ÁGUAS, devido à diferença de acidez, aliada à temperatura e à velocidade de cada rio. 
O Rio \negro que carrega grande quantidade de matéria orgânica desde sua nascente na Colômbia (o que dá o tom escuro às águas), corre a cerca de 2km?h com temperatura de 28 graus C. O Solimões que nasce nos Andes e tem coloração de aspecto barroso na sua água, carrega sedimentos vindos da erosão do solo de origem vulcânica, faz o percurso em velocidade aproximada de 4 a 6 km/h, a uma temperatura em torno de 22 graus C. 
(origem: Mundo Estranho - Abril)















































Casa própria - Adriana S. Frosoni





Casa própria. 

Adriana S. Frosoni

 

(Releitura da música Construção

de Chico Buarque de Andrade)

 

 

Entrou mais uma vez na fila com o olhar tímido.

Só pensava no futuro, parecia máquina.

Obstinado por um sonho que parecia sólido.

Preencheu a papelada como se fosse a última.

 

Acreditou naquele sonho que era algo mágico.

Respondeu à entrevista para uma voz flácida.

Flutuou na esperança como se fosse um pássaro.

Contou a sua vida como se fosse pública.

 

Confiou na sua sorte, pois parecia lógico.

Agarrou-se àquela ideia porque era a única.

Aguardou o resultado como se fosse o máximo.

A resposta negativa lhe arrancou uma lágrima.

 

Aceitou o seu destino como se fosse óbvio.

Foi bem recebido em casa onde havia música.

Agradeceu a Deus que o dia fosse um sábado.

Deixou o dinheiro do aluguel como se fosse o dízimo.

 

Sobre meu pai - Adriana S. Frosoni

 



Sobre meu pai

Adriana S. Frosoni 

 

Enquanto olho o céu, lembro-me de como costumava ser seu rosto quando você olhava para mim. Andávamos de mãos dadas quando seus ombros não mais permitiam me levar de cavalinho. Você costumava dizer que eu era uma bonequinha.

Não havia medo ao seu lado. Eu fazia planos sem fim e depois descansava no sossego da sua proteção. Acreditei que seria eterno porque gostava dessa ideia, assim como dos seus olhos cor de mel e do sorriso orgulhoso. 

Uma foto talvez pudesse ter eternizado aqueles momentos para os dias que viriam de afastamento e dor. Eu ainda não sabia, mas o tempo e a distância iriam te roubar de mim.

E quando aconteceu, não houve negociação, porque não há exceção quando chega ao fim. No fundo, o amor sempre foi a resposta, mas você esteve tão alquebrado, por tanto tempo, que não pôde perceber a verdade. Lembro-me do seu rosto, do momento em que você partiu; não havia espaço para respirar.

Ainda pude sentir, algumas vezes, sua mão me conduzindo pelo ombro de uma maneira muito peculiar. Você nunca falou muito; não comigo!

Contudo, você se foi antes do que eu esperava e eu fiquei com menos do que precisava. Eu nunca disse o suficiente; não para você!


Um simples aquecedor - Ledice Pereira

 


Um simples aquecedor

Ledice Pereira

 

Preciso trocar o aquecedor da minha casa e resolvo pesquisar por telefone marcas e preços. Só em resolver telefonar para alguma dessas empresas já entro em desespero. Começa minha saga:

Lorenzetti Aquecedores a Gás, em que posso ajudar?

– Bom dia, eu preciso de informação sobre aquecedor a gás para apartamento.

– Um momento. Vou estar passando para o setor de vendas.

Fico invocada. Por que essas infelizes insistem em usar o gerúndio? Será que ninguém falou pra elas que devem usar o infinitivo?

Aguardo impaciente a transferência, um, dois, três… dez minutos e nada.

Desisto.

Parto para outra empresa:

Bom dia, Equigás, Assistência Técnica em Aquecedores a Gás, em que posso ajudar?

Explico novamente que preciso informação sobre aquecedores de diversas marcas.

Senhora, é para GN ou GLP?

— Pode me explicar a diferença?

Percebo certo suspiro. Em tom professoral, com certa impaciência, ela explica:

— Bem, senhora, GN é gás encanado e GLP é gás de bujão. Mais alguma pergunta?

Como se eu fosse obrigada a saber o que é cada um.

— Ah, respondo ironicamente, obrigada por explicar com tanta atenção e paciência… Aqui é GN, então. Pode me explicar sobre a quantidade de litros que usam duas pessoas em dois banheiros?

Mais uma vez consigo perceber a irritação da atendente

Senhora, vou estar passando para o setor competente. Por favor, aguarde na linha. O telefone vai ficar mudo, mas se precisar de alguma coisa é só chamar.

Durante os próximos dez minutos sou obrigada a ouvir aquela musiquinha insuportável e repetitiva, com interrupções a cada momento: EQUIGÁS, ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM AQUECEDORES…

Antes de ouvir mais uma vez SENHORA, desligo. Meu marido me pergunta o que me deixou tão irritada. Nem respondo.

Resolvo ir até uma loja física. Torço para que lá não tenha que ouvir tanto gerundismo. Além de espairecer um pouco, espero encontrar, in loco, um modelo de aquecedor que atenda à nossa necessidade, sem ter que ficar à mercê desse atendimento impessoal que as empresas impõem a nós.

 

O PONTO FINAL DO ÔNIBUS - ANTONIA MARCHESIN GONÇALVES

 


O PONTO FINAL DO ÔNIBUS

ANTONIA MARCHESIN GONÇALVES

 

                   Após oito horas de trabalho no escritório, ela, como todos os dias fazia, andava algumas quadras a pé, até chegar ao ponto final onde ficaria a espera da condução para o retorno para casa. Normalmente, tem cinco ou seis pessoas na fila, com isso garante a certeza de ir sentada até chegar ao seu destino.

                   Não morava perto, e o trânsito fervia no horário do rush. Uma mistura nas vias de carros e coletivos, que pareciam uma salada de frutas, quando não tinha acidentes, acabava fluindo. Ao pegar fila sempre no mesmo horário, convivia com os mesmos colegas de condução. Mas, era tímida, não conversava e por isso chamava atenção.

                   Quase todos se conheciam e ao chegarem já perguntavam reciprocamente. Quando saiu o último, ou o nosso está atrasado? A fila era um misto de homens e mulheres, poucos idosos. Os jovens alegres comentavam: Como foi seu dia? Outros respondiam: O meu chefe estava de amargar, acho que tomou café sem açúcar, ou o meu dormiu com a cueca do avesso. Riam.

                   Fazia parte dos integrantes da fila um rapaz que andava de bengala, teve paralisia infantil, outro um jovem simpático e bonito, muito falante, que demonstrava ser apaixonado pela silenciosa Anete, e outra jovem que com o tempo descobriu-se que era ninfomaníaca. O rapaz simpático, que se interessava por Anete, perguntava. Do que você mais gosta? Qual é a sua flor preferida? Tudo para demonstrar o seu sentimento.

                   Só que a colega ninfomaníaca, já apaixonada por ele, tentava desviar a atenção como: A minha flor preferida é a camélia. Às vezes pedia: Senta aqui comigo. Com ciúmes que demonstrava ao vê-lo sentar com a Anete.

Nessa salada, o jovem, que usava bengala, demonstra também gostar de Anete, e diz ao colega simpático:

— Não tenho chance, com esse meu defeito!

Ali na fila formava-se um redemoinho de sentimentos sem controle.

                   Após um ano Anete anuncia sua saída da empresa onde trabalhava, iria para um Banco, e sua condução seria em outro ponto, não mais se veriam, e ali se despediram todos prometendo:

— Vamos nos encontrar fora da fila, em algum restaurante, mas isso nunca aconteceu.