Nossa quarentena doméstica - Suzana da Cunha Lima





Nossa quarentena doméstica
Suzana da Cunha Lima


Acho que ainda não caiu muito a ficha, porque sempre tenho muitas coisas a fazer em casa e o que faltava mesmo era tempo, que agora temos de sobra.

Faz cinco dias hoje.  No início da semana fomos fazer a lista das compras de mercado, para serem enviadas em casa.  Não estavam fazendo delivery.  Então filhos e netos se ofereceram, para trazer aqui em casa, porém  todos trabalham. Então um deles se intitulou o Homem da Rua.  O que é da rua é comigo, mãe.  O outro ficou à disposição e os netos em stand-by. Que máximo!

Então a primeira coisa positiva foi verificar a disponibilidade de minha família e sua preocupação com nossa saúde e bem-estar. Foi muito gratificante.  Já valeu.

Agora é que estamos numa rotina de casal.  Dormimos bem tarde e acordamos bem tarde também.  Tomamos um bom café da manhã e enquanto eu tiro a louça da mesa, meu marido vai limpando e colocando na máquina. Depois fazemos a cama. OK.

Ele vai para o computador organizar a vida financeira da família e dar uma olhada nos WhatsApp. Ele está com duas filhas e a ex-mulher nos Estados Unidos e uma preocupação enorme na cabeça.  Não há passagens aéreas. Ainda bem que o seguro viagem reembolsará quer despesa médica que façam. Eu sento na minha poltrona favorita e leio minhas mensagens, o jornal e o Caderno 2.  com a TV ligada nas notícias.  Hoje foi o primeiro dia que fez um tempo relativamente bom.  

Tenho um pátio bem grande aqui no edifício.  Colocamos o tênis e fomos dar uma andada lá.  Com 15 minutos, sentamos num banco, deixando um mormaço raquítico tentar dar um bronze no rosto.  Conversamos bastante, a brisa despenteando meus cabelos. Que paz!   

Estou escrevendo um livro policial e ele me deu boas ideias. Há muito para desenvolver ainda, mas a dois, tudo fica mais leve e divertido.  Nos permitimos imaginar um monte de situações bizarras.  Nisso lá se foi mais de uma hora.  

Voltamos para casa, tomamos banho e coloquei uma roupa bonitinha, batom e até colar.  Temos que manter a moral alta. Aí ele fez cappuccino para mim e um expresso para ele e anotamos o que seria necessário comprar em matéria de artigos higiênicos e medicação, eu de olho na TV.  Nada de novo a não ser a irritante atitude de nosso presidente diante de assunto tão sério como esta pandemia; "Eu resisti a uma facada, não é uma gripezinha que vai me derrubar". É demais!!!! Não vou me irritar. 

Está muito comprido isso. Vamos deixar o resto para amanhã.  Mas estou percebendo que este confinamento é uma ótima oportunidade de colocar os fatos da vida mais em foco e selecionar quais os realmente importantes.


ISOLAMENTO SOCIAL - COMO ESTÁ SENDO ESSA EXPERIÊNCIA PARA VOCÊ?




MINHA QUARENTENA DOMÉSTICA


Estamos basicamente há uma semana em casa. À principio tive até medo de não me enquadrar no processo, mas me posicionei diante da extrema necessidade de manter a nossa saúde e a saúde do resto do mundo, então ordenei para mim: "fica aí, e fica quieta!".

Confesso que estou obedecendo apenas a primeira ordem "Fica aí", já a segunda parte não consigo nem entender "O que significa ficar quieta?"

Descobri que minha é grande pra caramba!!
Minha empregada, eu também dei quarentena para ela. 

Descobri que minha cachorra sente minha falta.

Descobri que os preços do supermercado estão subindo conforme aumenta o número de casos de coronavírus. Mas eu tenho o telefone deles e eles entregam para mim em tempo record, então me submeto. (Tomara que isso passe logo, senão vou falir nosso orçamento)

Descobri que eu gosto de música brega (hehehe)

Minha academia é na escada e no quintal da minha casa.


Apesar de tudo, a quarentena doméstica está sendo prazerosa, mesmo nos privando do ar puro do Parque da Água Branca, das visitas barulhentas e extremamente felizes dos meus netos e filhos,  das visitas à família, dos encontros com amigos para um papo com uma cerveja gelada no Palmeiras,  das aulas no Clube Alto dos Pinheiros onde aprendo muito mais do ensino, das aulas no Ical onde se fortaleceu uma grande amizade, das saídas para cinema onde sempre encontro bons filmes, das peças de teatro, dos cafés, da sorveteria, dos papos com as vizinhas, das tantas festas e confraternizações, dos passeios no shopping, das compras na 25 de Março, do Museu, da Biblioteca, das caminhadas pelo Bairro, das viagens, da praia, em suma, o que sinto falta é da liberdade de poder ir ou vir, de escolher minhas felicidades. 

Ufa, e só faz uma semana, hein!


No entanto, a ocasião faz o homem! 
E, tenho que dizer que o tempo, esse amigo, nos permite agora ler mais, escrever mais, ouvir boas músicas, ensaiar passos de dança com o marido, tomar vinho com ele levantando as duas taças em brinde à vida e à saúde do mundo. 

Os equipamentos eletrônicos têm sido bons companheiros nesta fase de quase vaguidão específica:  Celular, Netflix, Telecine, canais pagos, Youtube, e outros meios onde cavoco bons filmes, interessantes documentários, e biografias. 

Mas, me chegam também, através dessa mesma tecnologia, as notícias boas e as péssimas. Saboreio as boas, e deixo as ruins no cantinho, muitas vezes até esqueço delas. Tento fazer o melhor que posso para ajudar o mundo sair desse abismo. Faço a minha parte e sei que muita gente também faz. É isso que conta no final das contas. 

Novelas, Rede Globo, programas de auditório, de culinária, não fazem parte do meu cardápio, não me dão apoio nenhum.

As atividades físicas, as tarefas domésticas e as brincadeiras, fazemos sempre juntos, eu e o Olavo, e isso nos permite maior convivência. 
Então ficamos aqui nos cativando. 


Espero que para você seja de prazer e alegria a quarentena. Que tal nos contar?

Saudade de todos. 







E VOCÊ? CONTE-NOS SUA EXPERIÊNCIA NA QUARENTENA DOMÉSTICA, COMO ESTÁ SE SAINDO NO SEU ISOLAMENTO SOCIAL, CONTE SUAS DESCOBERTAS, PRAZERES, E DO QUE SENTE FALTA. MANDE O TEXTO PARA QUE EU PUBLIQUE AQUI NO BLOG



NÃO SAIA DE CASA, ISOLAMENTO SOCIAL VAI SALVAR MUITAS VIDAS!

--

OSWALDO LOPES E AS DIFERENÇAS ENTRE OS CORONAVÍRUS



E,  para contribuir com o entendimento do coronavírus, o Oswaldo Lopes nos envia o quadro abaixo. Manda também a frase de Ésquilo, que remete muito ao momento atual:









Fiquemos em casa, 
é mesmo o melhor remédio!



CORONAVÍRUS - COVID-19


CORONAVÍRUS - COVID-19



Se aparecer  sintomas, ligue 136 ou procure um posto de saúde.


Tem dúvidas sobre o
O Ministério da Saúde
te responde!


Novas Orientações

O coronavírus causa uma doença chamada COVID–19. Como nunca tivemos contato com o vírus antes, não temos imunidade. Ela causa infecção pulmonar. Nos casos mais leves, porém, parece um resfriado
comum ou uma gripe leve.


Como é transmitido?

Como ele age?

Ele penetra pelas mucosas da boca, nariz e olhos e atua, principalmente, nas vias respiratórias.

A transmissão acontece de uma pessoa doente para outra ou por contato próximo, por meio de:

Gotículas de saliva
Objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas,
maçanetas, brinquedos e teclados de computador etc.
Espirro Tosse Catarro
Aperto de mãos
(principal forma de contágio).


Quais são os sintomas?


Os sintomas mais comuns são febre e tosse, dor no corpo ou dificuldade para respirar.

Se aparecer os sintomas, ligue 136 ou procure um posto de saúde.



Como se proteger?


Lave com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão, ou então higienize com álcool em gel 70%.

Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos.

Evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.

Ao tocar, lave sempre as mãos como já indicado.

Mantenha uma distância mínima de cerca de 2 metros de qualquer pessoa tossindo ou espirrando.

Evite abraços, beijos e apertos de mãos.
 Adote um comportamento amigável sem contato físico, mas sempre com um sorriso no rosto.

Higienize com frequência o celular e brinquedos das crianças.

Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos.

Evite aglomerações e mantenha os ambientes limpos e bem ventilados.

Se estiver doente, evite contato físico com outras pessoas, principalmente, idosos e doentes crônicos e fique em casa até melhorar.

Durma bem, tenha uma alimentação saudável e faça atividade física.



 Quando usar máscara?


Use máscara se estiver tossindo ou espirrando para evitar transmitir vírus para outras pessoas.

Para pessoas saudáveis, use máscara somente se estiver cuidando de uma pessoa com doenças respiratórias.

As máscaras são eficazes somente quando
usadas em combinação com a limpeza
frequente das mãos com água e sabão ou
higienizadas com álcool em gel 70%.

Após usar a máscara, descarte-a em local
adequado e lave as mãos.


Vou viajar para um local com casos de

coronavírus (COVID-19). O que faço?


Avalie a necessidade real da viagem
e adie, se possível.

Se for inevitável, previna-se e siga as
orientações das autoridades de saúde locais.


Voltei de viagem
internacional. O que faço?

Recomenda-se isolamento domiciliar voluntário por 7 dias após o desembarque, mesmo que não tenha apresentado os sintomas.

Reforce os hábitos de higiene, como lavar as mãos com água e sabão.

Caso apresente sintomas como febre e tosse ou dificuldade para respirar, ligue 136 ou procure um posto de saúde e informe seu histórico de viagem.



Voltei de viagem doméstica.
O que faço?

Fique atento à sua condição de saúde, principalmente nos primeiros 14 dias.
Reforce os hábitos de higiene, como lavar as mãos com água e sabão.

Caso apresente sintomas como febre e tosse ou dificuldade para respirar, ligue 136 ou procure um posto de saúde e informe seu histórico de viagem.



Já existe vacina
contra o coronavírus
(COVID-19)?


Não há vacina disponível até o momento. Estudos já estão em andamento.



Já existe tratamento contra
o coronavírus (COVID-19)?

Não. Os médicos tratam os sintomas para evitar o agravamento da doença e reduzir o desconforto.

Adianta tomar vacina contra a gripe ?

Não, mas evita que a pessoa tenha outros tipos de doenças respiratórias.


Quem corre mais risco?

Pessoas acima dos 60 anos e aquelas com doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. Para esse público, recomenda-se evitar viagens, cinemas, shopping, shows e outros locais com aglomerações. Também é importante vacinar contra a influenza.


Caso utilize medicamento de uso contínuo, procure seu médico ou posto de saúde para buscar uma receita com validade
ampliada, principalmente no período de outono e inverno. Isso reduz o trânsito desnecessário nos postos de saúde e farmácias.


Crianças correm risco?

Elas são tão vulneráveis quanto os adultos. Mas, até o momento, raramente adoecem.

Há riscos maiores para grávidas?

Ainda não existem dados específicos, mas elas passam por mudanças imunológicas que podem deixá-las mais vulneráveis.

Posso frequentar estádios, teatros, shoppings, shows, cinemas e igrejas?

Não é recomendável para quem tem mais de 60 anos, alguma doença crônica ou sintomas de doenças respiratórias. Para os demais, se possível, evitar locais com aglomerações ou manter uma
distância segura de uma pessoa
para outra.

Os organizadores ou responsáveis por eventos de grande massa devem cancelar ou adiar, se houver tempo hábil. Não sendo possível, recomenda-se que o evento ocorra sem público. Não sendo possível, devem cumprir os requisitos
previstos na Portaria No. 1.139,
de 10 de junho de 2013.

Tenho uma empresa. O que devo fazer?

Disponibilize locais onde lavar as mãos com frequência, dispenser com álcool em gel 70% e toalhas de papel descartáveis.

Amplie a frequência de limpeza de pisos, corrimãos, maçanetas e banheiros com álcool 70% ou solução de água sanitária.

Incentive a realização de reuniões virtuais, cancele viagens não essenciais e, se possível, faça um rodízio com os funcionários e permita o trabalho remoto (home office).

Adote horários alternativos para entrada dos funcionários e faça escalas de forma que não estejam todos ao mesmo tempo no local.

Funcionários doentes devem ficar em casa. 

Facilite a comprovação do atestado, evitando que ele compareça à empresa.

Caso necessite de material de orientação para prevenção do vírus, acesse: saude.gov.br/coronavirus


Quais as orientações para as instituições de ensino?

Planeje antecipação das férias, visando reduzir o prejuízo do calendário escolar, ou utilize ferramentas de ensino a distância.


A vitamina D, C ou água
com limão previne o
coronavírus (COVID-19)?

Nenhuma delas. Não existe vitamina,
terapia alternativa ou remédio licenciado capaz de evitar o contágio ou tratar a doença.

Tem algum risco em
andar de táxi, metrô,
trem e ônibus?

Recomenda-se evitar horários de pico. Se não puder, tente manter uma distância segura de uma pessoa para outra e redobre os cuidados com a higiene.


Animais de estimação
transmitem coronavírus
(COVID-19)?

Ainda não existem evidências nesse sentido.

Produtos que vêm da China
podem trazer o vírus?

Não, apenas a alegria de receber sua
encomenda! A Anvisa monitora os
portos e aeroportos e elabora
regularmente orientações e avisos
sonoros de prevenção da doença.


O Brasil está preparado
para enfrentar o
coronavírus (COVID-19)?

Sim! Antes mesmo da Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmar a epidemia na China, o Brasil já havia identificado o surto.

Diante deste cenário, foram realizados boletins epidemiológicos diários, materiais para a vigilância, instruções de procedimentos da doença e fortalecimento da rede laboratorial.

Além disso, foi criado um site (saude.gov.br/coronavirus) para
esclarecer as dúvidas da população e de profissionais de saúde.

Nosso país possui um Plano de Contingência em todo o território nacional que prevê ações para uma transmissão da doença local ou ampliada, de acordo com as medidas previstas pelo protocolo
mundial.


Tem recebido muitas
notícias sobre a doença?
Para evitar que mentiras sobre o coronavírus (COVID-19)


Para evitar que mentiras sobre o coronavírus (COVID-19) se espalhem, confirme se as mensagens são verdadeiras antes de repassá-las.

Procure o canal Saúde Sem Fake News, no endereço saude.gov.br/fakenews. Lá, você encontrará respostas oficiais e
atualizadas. 

Caso não encontre sua dúvida no site, envie uma mensagem para o WhatsApp: (61) 99289-4640.

A informação é a melhor forma de
prevenção.

COMPARTILHE ESTE MATERIAL E DIVULGUE
AS DICAS ABAIXO PARA A SUA COMUNIDADE.


  1. Faça compras essenciais fora do horário de pico
  2. Mude seu horário de transporte
  3. Opte por se exercitar ao ar livre
  4. Atualize suas prescrições médicas
  5. Evite compras desnecessárias e exageradas
  6. Respeite o próximo
  7. Fique tranquilo, mas atento!


Que saber mais? Acesse:

saude.gov.br/coronavirus

ou ligue 136

Baixe o aplicativo
Coronavírus–SUS

E fique preparado.
O Ministério da Saúde realiza
diariamente coletiva de imprensa
e atualização dos dados da
doença no Brasil e no mundo.

Ministério da Saúde




Motim no araçá - José Vicente Camargo



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Motim no araçá
José Vicente Camargo



Corria apressada pela trilha desviando dos empecilhos de sempre: pedras, galhos, poças d’água e principalmente do turbilhão de companheiras na contramão igualmente apressadas e sobrecarregadas com pedaços de folhas verdinhas, escolhidas a dedo, para alimentarem os fungos da horta que posteriormente seriam servidos à rainha, mãe de todas elas. Vez ou outra recebia das formigas soldados a ordem de atacar um inimigo a vista e transportá-lo como alimento ao formigueiro.

A rotina exaustiva do dia a dia, sem esperança de melhoras, ia deixando a formiguinha cortadeira cada vez mais deprimida com seu destino. Por que não nasci formiga soldado? Pelo menos seria mais alta, teria uma melhor visão desse mundo ao meu redor que desconheço. Quando estou carregada, fica pior, pois tenho de andar de cabeça baixa para suportar o peso da carga que me foi imposta.

Nessa ladainha de infortúnios sente uma antenada mais forte vinda de uma companheira na contramão que balbucia: “Amanhã, na cova do araçá morto, tem reunião das cortadeiras. Despiste os soldados. Compareça, é para o seu bem! ”

Uma sensação de bem-estar toma conta dela. Algo nunca antes acontecido, reunião secreta? Provavelmente de protesto, pois já tinha escutado que companheiras outras também estavam desgostosas com o dia de mortas vivas que tinham. A espera pelo amanhã foi angustiante. A noite contava as horas em conta-gotas. Mal o amanhecer despertou, afiou suas lâminas, descuidando do capricho de sempre, e deslizou pela trilha misturando-se ao turbilhão de cortadeiras, obreiras, empregadas, afastando ao máximo das formigas soldadas que a tudo observavam com suas garras prontas para intervirem ao mínimo movimento de desorganização. Procurava marchar em cadência com as batidas aflitas de seu coração e expulsava da mente qualquer sinal que significasse cuidado, perigo, desistir, conformar-se, como se fosse enfrentar a língua úmida e rápida do tamanduá.

Nessas condições chega ao lugar indicado. Outras centenas de convidadas já recheavam a cova do que foi um dia um frondoso pé de araçá até que um dia uma rainha raivosa, insatisfeita com seu macho Zangão que a fertilizou contra sua vontade debaixo de sua sombra, vingou-se depositando no seu tronco seus ovos que desabrocharam num enorme formigueiro que com sadismo, tal sua rainha, devorou suas folhas com devotada rebeldia que em pouco tempo desabou de fraqueza e morreu.

Com antenas eretas, a formiguinha aguarda os sinais comunicativos, até que vibra o som das promotoras do encontro pedindo atenção:

“Cortadeiras! Escolhemos vocês entre milhares de outras tantas para darmos início aos movimentos de protestos contra a nossa escravidão. Cada uma de vocês passará a espalhar entre suas companheiras as boas novas da luta pela liberdade. Sabemos pelas colegas agricultoras, limpadoras e alimentadoras, que a rainha está prestes a levantar voo para acasalar e formar nova colônia para a qual deveremos nos juntar em seguida. Porém, contando com o apoio de outros insetos que convivem nosso suplício, não iremos. Com a ajuda deles derrotaremos as formigas soldados que tanto nos martirizam e viveremos em liberdade baseada no princípio da união faz a força. Doravante não mais cortaremos folhas e flores que dão subsistência aos nossos amigos apoiadores: cigarras, besouros, minhocas e abelhas. Uma mão lava a outra! Manteremos seus alimentos intactos e, em troca, ganharemos nossa liberdade. Fora a tirania!
Fora a tirania! Responde em eco as ouvintes...

A formiguinha cortadeira não pode acreditar no que ouve. Seus sinais de angústia, diariamente repetidos, não foram em vão. Junto com os de outros milhares de companheiras, serviram para penalizar os insetos ao redor que resolveram acabar com aquela injustiça exposta. Desejaria que os insetos amigos, tomando o exemplo delas, conseguissem também se unirem e vencerem seus grilhões prisioneiros.

Nesse ziguezaguear lúdico não se dá conta de que desviou bastante do trilho ordenado com tanto rigor e sente no corpo franzino um ferrão que o corta em dois.

Suas antenas miram para um céu azul, manchado por um brilho amarelado, que nunca vira antes: Será o tal sol? Pensa com um sorriso de felicidades dependurado nas cortadeiras murchas...


VAGUIDÃO ESPECIFICA - Oswaldo U. Lopes



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VAGUIDÃO ESPECIFICA
Oswaldo U. Lopes



Diálogo entre marido e mulher quando a rotina já está instalada no lar



Ela – Você vai sair agora?

Ele – Hum.

Ela – Volta para a janta?

Ele - Hum.

- Apanha a Lucinha, tá?

- Hum

- Lá onde você costuma pegá-la.

- Hum!

- Veja se ela esta com a Gilda?

- Hum?

- A filha da Judite.

- Hum

- Não precisa levar ela na casa dela.

- Hum

- Traz aqui que depois a Judite passa para levá-la.

- Hum.

- Você entendeu o que eu falei?

- Hum

- Então repete?

- Hum – Hum.

- É para repetir o que eu falei e não o Hum, múmia!

- Ahm.

- Ahm é o cacete. Não se faça de besta!

- Hum?

- Desculpe foi redundância. Besta você já é, está é se fazendo de mais besta. O que não é fácil.

- Hum.

- Você esta lembrado que no sábado fazemos 18 anos de casados? Bodas de turquesa. Podia ser de torniquete que é o que às vezes tenho vontade de te dar.

- Hum, Hum.

- Não vem com a piadinha de que guerra e fronteira conta dobrado. Hum – Hum dobrado é a mãe.

- Hum

- Eu sei que ela além de sua mãe é minha sogra, azar meu!

- Hum, Hum

- Vou contar para ela que você achou o azar duplo meu e seu.

- Hum!

- Santa Ignorância

SUSPENSÃO DE ATIVIDADES DO CLUBE ALTO DOS PINHEIROS - CORONAVÍRUS




Em virtude do crescimento de números de pessoas contaminadas pelo coronavírus em São Paulo, no país e no mundo, nesta sexta-feira dia 13 de março, o Clube Alto dos Pinheiros decidiu suspender atividades culturais e outras, inclusive do EscreViver, para inibir aglomerações.

As atividades serão retomadas mediante novo comunicado do Clube, e todos do EscreViver tomarão conhecimento através do E-mail, WhatsApp, e pelo blog.

Até lá, os materiais da Oficina de Textos EscreViver serão encaminhados por e-mail, e assim, as  atividades literárias não vão sofrer interrupção, funcionarão de maneira virtual, sem risco de contágio. 

Aproveitem para fazer leituras diversas, e quando voltarmos, conte-nos suas experiências.

OBSERVAÇÕES:
Lavem as mãos com sabão mais vezes do que sempre lavaram, evitem aglomerações,  tossir e espirrar sempre protegendo a boca, usem lenço descartável e descarte-o depois de usado, não os reuse.  As viagens, por enquanto, não são bem vindas, há algumas fronteiras fechadas pelo mesmo motivo. 
E, suspeitando de febre, dor de cabeça, dor no corpo, ligue para seu plano de saúde e siga as orientações deles. Essas medidas ajudarão você, sua família, o Brasil, e o mundo.

Se tiver alguma dúvida sobre a doença, entre no site do Ministério da Saúde e esclareça: https://saude.gov.br/

Importante: Não se deixem levar por fake news ou por informações vindas de pessoas não envolvidas oficialmente no combate do vírus.



Desenho alemão ganha prêmio de melhor documentário do ano por conseguir...

A RITA - Oswaldo U. Lopes


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A RITA
Oswaldo U. Lopes



        O comportamento especifico e característico de abelhas e formigas já foi explorado pelos humanos, meio sacanas, para justificar certo determinismo genético.

        Resumindo, se você nasceu para operária, vai morrer operária e não rainha, que também tem uma enorme tarefa, mais nobre é certo, mas igualmente determinada pelo código genético.

        Ou seja, “não vem que não tem”, se você nasceu para lavar roupa contente-se em lavar roupa e não queira ser dona de castelo.

        No caso especifico da saúva ela já passou de inseto destruidor: “Ou o Brasil acaba coma saúva, ou a saúva acaba com o Brasil” para agricultora de mérito, capaz de recuperar plantações e florestas além de fazer um formidável trabalho de limpeza em relação a outros pequenos animais que encontram mortos, ou que mataram elas próprias.

        O determinismo, porém, continua, se você nasceu para cortadeira, cortadeira morrerá.

        Tudo certo e combinado, esqueceram de avisar a Rita, operária exemplar, cortadeira famosa e eficiente que tinha um porém, não gostava de ser o que era e sonhava em ser enfermeira e poder cuidar dos embriões e recém-nascidos.

        Como ela não tinha assistido ao filme, nem as palestras e aulas correspondentes que explicavam solenemente o determinismo, queria porque queria outra função e por isso foi encarar a rainha.

— Licença para falar abertamente?

— Vai em frente Rita, mas não demora que estou ocupada com os fungos.

— Eu sinto em mim que tenho tudo para ser uma ótima cuidadora, enfermeira como chamam por aqui. Quero mudar de função.

— Ô Rita, você sabe que não é possível. A genética para nós é ciência exata. Nasceu cortadeira, cortadeira vai morrer.

— Não aceito o determinismo! Acho que todas merecemos uma oportunidade. Não quero ser que nem esses machos vagabundos que só servem para o voo nupcial. Quero cuidar do berçário.

        A rainha que tinha mais o que fazer e sabia bem como aquela história ia acabar, fez um cálculo mental de quanto tempo de vida Rita ainda tinha e formulou a proposta safada:

— OK, Rita. Se você durante um mês trabalhar na cortagem que nem uma louca, o dobro de qualquer outra, eu vou pensar no assunto.

        E assim a rainha obteve, durante um mês, uma cortadeira super eficiente que logo bateu com as botas, tendo cortado folhas como ninguém antes.

        No determinismo é assim, se você nasceu para aquilo, morre fazendo aquilo e a casta nobre ainda se aproveita para fazer você trabalhar dobrado.
        Tinha razão a cigarra, desse jeito é melhor cantar em outra freguesia.