Cordel do herói que virou ladrão - Ises A. Abrahamsohn






Cordel do herói que virou ladrão
Ises A. Abrahamsohn

Quando jovem e com toda convicção
Combateu ditadura com muita razão
Escapou dos milicos que grande sorte
Trocado pelo gringo escapou da morte

Passou por França com desconfiança
Charutos fumou muitos com Fidel
Tempo de ver do partido a festança
Ao povo sobrou censura e tacão cruel

Aprendeu bem a nova lição
Solitário voltou ao seu rincão
Mudou de nome, cara e profissão
Até a mulher e a família enganou

Então a alma gêmea encontrou
O antigo companheiro abraçou
Se uniram o metalúrgico ambicioso
E o comunista ganancioso

Muitas fizeram enquanto roubavam
Certeza tinham de que escapavam
Nada temiam enquanto no poder
Doação de campanha pra inglês ver

Malandragens a torto e a direito
Mas em Curitiba não deram jeito
Primeiro se f....  o Zé Dirceu
Depois Lula, o chefão fariseu

Sucumbiram os dois à lava-jato
Cumprem pena com amargura
Anseiam por alvarás de soltura
Que os liberem das agruras.

POR QUE O SER HUMANO NÃO SE CANSA DE GUERREAR? - Antonia Marchesin Gonçalves



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POR QUE O SER HUMANO NÃO SE CANSA DE GUERREAR?
TIRADO DA CRÔNICA DE MINHA AUTORIA
ANTONIA MARCHESIN GONÇALVES

A pergunta que me faço
Quando a estupidez humana
Entenderá que, guerrear não tem espaço
Que o homem, ama a vida mundana
Mas quer, segurança de ter trabalho
Para o seu sustento garantido
Onde terá adquirido o seu agasalho


Moradia simples ou luxuosa, “o sonho”
De cada um que espera adquirir
O pensamento de paz, “exponho”
Pois não me conformo, isso não existir
A ganância e crueldade de lideranças
Faz a esperança de alguns desmoronar
Tenho que entender, o porque de matanças


Seria minha inocência acreditar na “utopia”
De que existem sim, homens honestos
Que amam os seus semelhantes com harmonia
Tentam mediar a paz com ideais modestos?
Mas a corrupção corroe a alma  inexistente
Mesmo que seja, matar o impotente


Mas eu não perco a fé verdadeira
Que deixarei para os meus netos
Um mundo de amor e paz a beira
Da existência deles criados com afetos
Transmitirão o sentimento universal
Que a fé move montanhas para a paz mundial


Ao Pé da Cruz - José Vicente J. Camargo


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Ao Pé da Cruz
José Vicente J. Camargo

Trim, Trim, Trim!

Com o susto detetive Galvão faz um gesto brusco com as mãos, esbarra na xícara de café quente, deixa cair na calça, solta um palavrão e atende:

− Alô! Quem é?

− É o Guilherme! Vou direto ao assunto:

 “ Encontraram agora há pouco mais um corpo de homem coberto com véu negro. Desta vez foi num dos altares laterais da igreja Matriz. Tem um corte profundo na garganta, igual aos outros. Não há dúvida que se trata do mesmo assassino ou...assassina.

− Em qual altar? Pergunta Galvão

− No de Jesus Crucificado.   O corpo está debruçado com a cabeça ao pé da Cruz. A polícia técnica já está no local colhendo digitais.

− Feche a igreja! Ordena o detetive. Não deixe ninguém se aproximar, nem mesmo o padre. Por enquanto todo mundo é suspeito. Vou trocar de calça e vou pra aí.

− Trocar de calça? Que negócio é esse? Você tá com alguém aí? Pergunta o auxiliar em tom jocoso.

− Deixe as piadinhas de lado! Estou sozinho em casa quebrando a cabeça nessa investigação. Foi o susto da campainha do seu telefonema que me fez derrubar café na calça. Agora é seguir as pistas que tenho na cabeça: todas as vítimas são homens e todas as cenas dos crimes tem algo relacionado com a Paixão de Cristo: Cristo Morto, Cristo na Cruz, Cristo Ressuscitado, e o mais interessante: todas as vítimas cobertas com um véu negro. A primeira vítima foi encontrada na sacristia da igreja da Boa Morte. Tinha no pescoço uma corrente com crucifixo de ouro que, apesar de valioso, não foi roubado. A segunda, encontrada no cemitério da mesma igreja, foi esfaqueada junto a um túmulo decorado com a escultura da ”Pietá”.

− É, você tem razão! A terceira vítima, na igreja de São José, estava no altar do Cristo Redentor. Boa pista essa sua...

− Concordo! Diz Galvão, tropeçando na calça que estava trocando, fazendo-o bater com a cabeça na porta do armário − novo palavrão se faz ouvir no pequeno apartamento de quarto e sala próprio para solteirões, como ele, na faixa dos cinquenta anos − Doravante vamos nos concentrar nesta pista! Peça na secretaria das igrejas a lista dos fiéis que mais frequentam as atividades religiosas, os que pagam o dízimo, os que coordenam as pastorais, etc. Numa cidade de médio porte, a lista não deve ser muito grande...

 Na igreja Matriz, o detetive Galvão recebe o relatório preliminar da polícia técnica:

“Não há vestígios de digitais no local do crime! O assassino usou luvas. Encontrado fio de cabelo loiro, de homem”.

Guilherme se aproxima e lhe entrega a lista dos paroquianos mais assíduos das três igrejas e comenta:

− “Cinco desses paroquianos constam na lista das três igrejas: três mulheres e dois homens. Uma delas, é a cuidadora da casa paroquial onde moram, além dela, padre Anselmo, padre Duarte e padre Luís, responsáveis pelas igrejas da Boa Morte, de São José e da Matriz. Ela cuida da faxina, da cozinha, das compras e das roupas. É, apesar de jovem, viúva e sem filhos, muito devota e discreta – faz questão de manter em segredo a rotina da casa e dos padres. Há boatos maldosos que ela é também “dama de companhia” deles. A segunda, uma solteirona de meia idade, não esconde que é apaixonada por padre Anselmo. Está presente em todos os atos religiosos que ele celebra. Assiste todas suas missas, sentada na primeira fila. Só comunga e confessa com ele. Desde que o noivo a deixou, no dia do casamento, usa luto da cabeça aos pés. Na igreja, cobre o rosto com um véu negro. A terceira das mulheres é uma ex-freira que abandonou os votos por incompatibilidade com as regras do convento e hoje ensina catecismo para crianças nas três igrejas. É bastante introvertida, não gosta de falar do seu passado de freira e chama a atenção por passar horas contemplando o altar da Crucificação. Quanto aos dois homens: um é o Antonio − sacristão das igrejas. Órfão, foi criado em seminário de padres até os vinte e um anos, quando, já noviço, desistiu da batina, casou e hoje é esposo e pai exemplar de quatro filhos. O outro é um senhor de terceira idade, aposentado, cujo passatempo é frequentar igrejas e fazer promessas. É ultraconservador, detesta comunistas e de tudo que seja contra a moral e os bons costumes. É membro honorário da associação “Deus, Família e Propriedade”.

− Vamos seguir a rotina desses suspeitos e ver se descobrimos algo mais, responde Galvão. Contudo, não podemos descartar a possibilidade de uma outra pessoa, não tão chegada à igreja. Mas, tratando-se de crimes tão peculiares só pode ser algum psicopata ou...

Foi então que a ficha cai na mão do detetive! Chama o auxiliar de volta e ordena:

− Pesquise junto a hospitais, clínicas, médicos psiquiatras, serviços sociais que cuidam de pessoas com distúrbios mentais. Veja se têm como paciente, algum desses suspeitos ou outros que odeiam tudo que tenha a ver com religião. Não deve ser difícil, já que a cidade não é nenhuma metrópole...

Apresse antes que outro crime ocorra...

Auxiliado por outros investigadores, Guilherme faz uma varredura nos locais indicados. Num posto de saúde consta o cadastro de uma mulher esquizofrênica, que durante os surtos da doença, em delírio, esperneia e grita para salvá-la do fogo do inferno e solta palavrões contra algo − ainda não bem definido pelo médico – que tem a ver com sangue, cruz, escuridão, manto preto...

Dia seguinte, na chefatura, Guilherme apressa-se:

− Chefe! O esforço valeu! Encontramos a ficha de uma paciente na Santa Casa, que bate com a da suspeita ex-freira que ensina catecismo.

− Mas, indaga Galvão, como pode uma mulher doente e franzina como essa, que parece não fazer mal a uma mosca, ter coragem de matar a sangue frio homens bem mais fortes e os colocarem nas mais estranhas posições? Só se teve a colaboração de um ou mais homens. Portanto vamos ter que continuar a busca... Mas, espere! A ficha diz que ela deu entrada na Santa Casa pelo SAMU, vindo da Matriz, onde teve um surto de esquizofrenia. Quem chamou foi o Sr. Antonio, sacristão. Agora a coisa começa a esquentar. Vamos visitar o sacristão e saber mais sobre esse surto ou, melhor ainda, vamos primeiro falar com a dama de luto, apaixonada pelo padre Anselmo. Ela não perde uma missa, com certeza sabe algo.

No casarão antigo, estilo português, de paredes azulejadas, com portas e janelas de pinho de Riga, abre Dona Gertrudes, que ao ver os dois homenzarrões na soleira da porta, recua e tenta fechar, mas é barrada pelo detetive:

− Senhora, somos da polícia! Só queremos algumas informações – muito sutil, lembrando da paixão dela, o detetive acrescenta: sobre padre Anselmo...

Ouvindo a palavra mágica, Dona Gertrudes não só os manda entrar, conduzindo-os à sala de piano, como também pede à empregada abrir as janelas e trazer café com amanteigados.

− Ao vosso dispor, diz aos visitantes, trocando a sisuda carranca de sempre por um traço de sorriso que contrasta com a vestimenta negra.

O detetive, ajustando-se na cadeira de palhinha, inicia usando a mesma astúcia da palavra mágica:

− Padre Anselmo está muito preocupado com os crimes que vêm ocorrendo nas igrejas da cidade. Queremos ajudá-lo e elucidar o mais rápido possível, tais afrontas à lei de Deus. A Sra., devota que frequenta diariamente a igreja, presenciou o surto que acometeu a professora de catecismo, que foi socorrida pelo sacristão Antonio?

− Jurei, responde ela, perante Cristo na Cruz, manter segredo de tantas injúrias proferidas. Mas, se é para o bem do padre Anselmo, digo que a professora era o próprio Satanás contorcendo-se e mandando ao fogo do inferno nosso Salvador – benze-se três vezes e continua − só se acalmou quando o sacristão lhe abraçou com força e disse baixinho palavras que não entendi, pareciam ser em latim. Logo chegou o SAMU e a levou para a Santa Casa. Meu espanto aumentou dia seguinte, quando, já recuperada, ela voltou a ensinar as crianças, numa boa, os mandamentos de Deus. E aumentou mais ainda, quando a vi, após a aula, ir à sacristia falar com Antonio, de portas fechadas. E esta rotina vêm se seguindo desde então.

O detetive mira Guilherme, faz um aceno positivo como a dizer “xeque mate”, levanta e ao despedir-se de dona Gertrudes, confidência no ouvido:

“Obrigado pelo segredo! Padre Anselmo quando souber, mal vai poder dormir de tanta alegria. Com certeza sonhará com a senhora”...

Chegando na Matriz, os dois se dirigem à sacristia, onde encontram Antonio nos preparativos para a próxima missa. Usando sua astúcia costumeira, o detetive vai direto ao assunto:

− Queremos lhe interrogar sobre os crimes ocorridos por aqui.

Antonio perde a calma aparente, agita-se e gaguejando responde:

− Em que que posso ser útil? Não presenciei nenhum deles. Só sei o que a imprensa publicou.

− Mas o senhor fala latim, foi criado em seminário de padres, conhece bem a professora de catecismo que, como o senhor, também deixou o hábito por “força maior”. Gostaria de saber que força maior foi essa. Por acaso deixou de acreditar em Deus ou foi uma conduta imprópria de algum colega ou superior?

As pernas do sacristão amolecem, seus ombros se curvam e comenta:

Nos ataques de surto, ela amaldiçoava a Cruz que a traiu, o Senhor que permitiu tais agressões no silêncio da clausura, tudo em latim. Eu, entendendo a língua, descobri que ela passara pelo mesmo infortúnio que eu, de assédio sexual. Recuperada, contei a ela minha história, quando meu professor de teologia me punha de castigo em seu quarto, até recitar de cor, os principais salmos do evangelho. Como não conseguia, me pedia compensações...  Então ela e eu passamos a nos identificar cada vez mais. Só que sua sequela foi mais profunda que a minha. A esquizofrenia a deixou a margem da vida, enquanto, no seu interior, crescia o desejo de se vingar de tudo que lembrasse seu confessor: o crucifixo no peito, o negro da batina, o quadro da crucificação na parede do quarto.

 − Mas vocês dois tão franzinos, como conseguiram apunhalar as vítimas bem maiores e as colocarem em posições tão esquisitas? Pergunta o detetive.

− Aí é que o Sr. se engana! Contesta Antonio. Nós não matamos ninguém! Ela, nas crises, berrava vingança, mas eu a persuadi de tais intenções. É Ele no céu, que dará a quem for, o castigo merecido. A nós, mortais, cabe acatar Sua vontade.

Essa declaração, foi como uma ducha de água fria arrancando os louros da vitória da cabeça do detetive. Mira o colega que o acompanha e questiona:

− Voltamos à estaca zero?

− Talvez não! Intervém Antonio. Tenho notado nas últimas semanas, a presença de um homem loiro e forte em quase todos os atos religiosos. Ele se posiciona atrás de uma das colunas da nave principal, e, quando o miro, ele se disfarça virando de lado. Desconfiado, passei a observá-lo escondido. Notei que ele olha fixamente para dona Gertrudes, que, como sabem, assiste diariamente as missas.

Imediatamente, Galvão relaciona a cabeleira loira do sujeito com o fio de cabelo loiro achado pela polícia técnica no altar do último crime. Uma ducha, desta vez quente, lhe recupera o ânimo e indaga:

− Vi que a igreja possui câmaras de vigilância bem posicionadas. Requisito as fitas em nome da investigação. O Sr. e meu assistente as analisarão para identificar o tal homem loiro. Enquanto isso, vou fazer mais uma visitinha a Dona Gertrudes.

Antes de deixar a Matriz, pega três santinhos que estão à disposição e retira emprestado da lapela do sacristão, um alfinete do Coração de Jesus.

Na soleira da porta, nem precisa tocar campainha. Dona Gertrudes abre, estampando o tracinho de sorriso:

− Recado do padre Anselmo? Pergunta

− Ainda não! Responde o detetive. Em breve, com certeza. E não será recado não! Uma visita em pessoa para agradecer sua colaboração.

O efeito não poderia ser maior! Na sala de música pede à empregada, além do cafezinho, servir suco, bolo e compotas de doces – preparadas por ela – com queijo fresco da fazenda. Por sua vez, o detetive lhe entrega, respeitosamente, os santinhos e o alfinete do Coração de Jesus: “para as orações pelo rápido desfecho dos crimes que ofendem o Salvador”. Vendo a luz brilhar nos olhos da corola, Galvão ataca:

−  O sacristão Antonio me confessou que a Sra. é a paroquiana mais fiel aos mandamentos de Deus, e que já foi noiva!

Dona Gertrudes cospe o resto de chá, engasga com o bolo e protesta:

− Esse Antonio não tem o mínimo respeito por mim. Diz coisas das quais não sabe. Mas, se for para apressar a visita do padre Anselmo, digo que sim. Fui noiva de um interesseiro que só pensava na minha herança. Meu pai não aprovava o casamento, mas, inocente, insisti. No dia do casório, meu noivo soube que meu pai só consentiria a união com separação de bens. Aí o judas me abandonou e fugiu da cidade. Nunca mais soube dele.

− Não teria por acaso uma foto desse infiel, usurpador de donzelas? Indaga Galvão. É muito importante. Prometo guardá-la a sete chaves e peço ao padre Anselmo devolver-lhe pessoalmente.

Novamente a palavra mágica age como pó de “pirilim – pinpin”! Ela levanta sem dizer nada e volta com um envelope amarelado. Abre e retira uma foto dizendo:
− Só guardei essa por que estão meus pais e irmão! É do jantar de noivado. As demais queimei. Meu pai era católico fervoroso, presidente da ordem dos marianos e muito amigo do cônego Martins – que Deus o tenha – que influenciou meu pai contra meu casamento com tal libertino, caçador de dotes, querendo dar o golpe do baú.

− Esta foto basta, afirma o detetive. Não se preocupe, só vamos checar uma pista. A Sra. não tem nada a temer. A devolvo ao padre Anselmo para entregar-lhe.

− Avise-me antes por favor. Tenho de preparar mais compotas e amanteigados para tão ilustre visita.

Mal chega na chefatura, corre em sua direção o auxiliar Guilherme:

− Conseguimos identificar o loiro no filme, fizemos uma foto, e dado que morou na cidade vários anos, é muito conhecido na redondeza. Já sabemos até onde se hospeda: Hotel Majestic!

O detetive a compara com a foto que tem no bolso e exclama:

− Acertamos na mosca!  Expede um mandado de prisão e peça à perícia comparar o cabelo dele, com o fio de cabelo encontrado na cena do crime.

O procurado é pego em flagrante dando uma de “Don Juan” encima da filha de um rico comerciante da cidade. Na delegacia, após a confirmação positiva da perícia, confessa que praticou os crimes por ódio da igreja, que o impediu de passar a mão na fortuna da noiva, empurrando goela abaixo sua doutrina ultrapassada a ela e ao seu pai. E, cada vez que vê a noiva, seu ódio cresce e o leva a praticar tais crimes.

− E porque o manto negro cobrindo as vítimas? Indaga Galvão

− É para lembrar à igreja, o que sua intromissão na vida alheia pode causar. Um exemplo disso é justamente meu caso, que desde então vivo fugitivo, e da minha ex-noiva, que passou a vestir-se de negro e a sofrer na solidão. Tinha interesse sim na sua fortuna, mas isso não quer dizer que não seria um bom esposo e pai de família.

“Fim de jogo”! Exclama Galvão.    

Retornando à escrivaninha de sua sala, encontra um boletim da chefatura informando:

“Senhora Dolores Soares, professora de catecismo em várias igrejas da cidade, teve um surto de esquizofrenia na igreja da Boa Morte e, subindo no altar da Crucificação, retira a ponta da lança de um dos carrascos e a crava no peito. Socorrida, foi levada para a Santa Casa onde já chegou sem vida”.

Galvão reflete:

“Pelo menos, no último ato, teve a presença Dele...”


Honras ao Mérito - Sergio Dalla Vecchia



Honras ao Mérito
Sergio Dalla Vecchia


Em junho de 1951 nasceu ele,
Tercio Dalla Vecchia, o caçula.
O recém-nascido dos quatro irmãos
Que logo espichou de tanta gula.

Cresceu como notas musicais
Dedilhava o violão com maestria
Alegrando nossos muitos carnavais
Mas na faculdade o ano ele repetia.

Tocava com ardor, com poesia
E encontrou o amor que buscava.
Foi Silvinha que somou na alegria
E juntos realizaram o que faltava.

Nas ilhas Maurícius foram buscar
A ciência da cana para melhor aprender
Os conhecimentos de terras além-mar.
Que na Faculdade fizeram por merecer.

Ao Brasil voltaram com diploma de conclusão
No trabalho tudo certo com competência!
Silvinha já com dois filhos levados pelas mãos
Aplaudia o sucesso do marido com deferência.

Assim Mariana e Diogo talentos de tornaram
Ela na administração e ele como o pai na engenharia
O sucesso e a alegria da família desabrocharam
Mas Deus por algum motivo quebrou essa confraria.

Levou para si o sorriso mais autêntico dessa irmandade.
Silvinha se foi com honras de alegria que tanto queria.
Tercio da tristeza tirou vantagem, buscou fé e novas amizades.
E lá do céu hoje sorriso aplaude os 67 anos de tanta sabedoria.

Parabéns

Do eu irmão Sérgio Dalla Vecchia

VIDA NO CORDEL - Sérgio Dalla Vecchia



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VIDA NO CORDEL
Sérgio Dalla Vecchia


Cordel também é barbante
Amarra o pacote do presente,
Do amor latente ao distante,
com um mimo convincente.

Cordel ainda foi linha,
Coseu manta para o amor,
Dois debaixo em conchinha
Ela corou, foi só de calor!

Cordel também é firmeza
Amarra o amor encontrado,
corre a solidão com presteza

Desse  cordel ora apaixonado.

Quando nos conhecemos, ele era ele. - Ledice Pereira



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Quando nos conhecemos, ele era ele.
Ledice Pereira




No meu primeiro dia de trabalho
Fiquei ali tentando me enturmar.
Ronaldo, prestativo, me ajudou
Ao novo desafio eu enfrentar.
Notava que ele era afetado
Achava que isso era natural
Eu sabia que ele era casado
E tinha uma vida bem normal.
Após ele ficar tempo afastado
Voltamos ao trabalho, lado a lado.

Seu casamento  andava muito mal
Contou-me ele numa confidência.
E eu lhe sugeri que eles viajassem,
Tentando uma nova experiência.
Ficou mais um tempo bem distante
O que será que lhe acontecera?
Até que apareceu tão  radiante
Olhos brilhando de uma maneira
Eu quis saber o que lhe ocorria
Ele disse estar indo à terapia.

Que coisa boa! ─ eu  disse então,
A terapia lhe fez tão bem
Boa aparência, bem bonitão
Nem mais parece aquele alguém
Ele sorrindo então me confessou
Que o terapeuta o enfeitiçou
Eu precisei então me controlar
Para tal susto eu não demonstrar.
E disse a ele que era tão normal
Do terapeuta alguém se apaixonar.

DIETAS JÁ - Silvia Helena De Ávila Ballarati


 
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DIETAS JÁ 
(em forma de cordel)
Silvia Helena De Ávila Ballarati



Resolvi emagrecer
Lendo tudo sobre o assunto,
Só não parei de comer.
Ia virar um defunto!
Refrear essa tendência,
É motivo de urgência.
Vamos agir em conjunto?

Aqui não é diferente.
Estudou-se o perfil
Da população adulta
E também da infantil.
Segundo dados da ABESO,
Estamos com sobrepeso.
Um retrato do Brasil.

Não é só questão estética
Que preocupa nossos lares.
Diabetes tipo II
E doenças vasculares, 
Causam preocupação.
Mudei a alimentação
Para evitar mais azares.

Na cidade de Narón
Na região da Galícia
Um regime coletivo
De tão bom virou notícia.
Prefeitura sugeriu,
População aderiu,
Virou causa vitalícia!

Pelo menos por dois anos
A nova norma decreta
Alimentos mais saudáveis
E estímulo à bicicleta.
Todos juntos vão querer
Cem quilos emagrecer.
Um sucesso essa dieta!

Resolvido meu problema:
Passo um tempo sem bombom.
Cirurgia bariátrica
E o mais básico ultrassom
Estão fora da jogada.
Fiquei muito animada,
Vou mudar para Narón!

Setilhas com versos de 7 sílabas fonéticas
ABESO  (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica)

O quilo de feijão - Sergio Porto - Stanislaw Ponte Preta -



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O quilo de feijão

         Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos cantos escuros, era quase impossível a qualquer pessoa que cruzasse com ele ver seu rosto.         No local combinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado à guisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu um cigarro e soltou a fumaça em três baforadas compassadas.          Imediatamente um sujeito mal-encarado, que se encontrava no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.

         Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou:

         Siga-me! - foi à ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no guaraná e saiu. O outro entrou num beco úmido e mal iluminado e ele - a uma distância de uns dez a doze passos - entrou também.

         Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. Mas o homem que ia à frente olhou em volta, certificou-se de que não havia ninguém de tocaia e bateu numa janela. Logo uma dobradiça gemeu e a porta abriu-se discretamente.

         Entraram os dois e deram numa sala pequena e enfumaçada onde, no centro, via-se uma mesa cheia de pequenos pacotes. Por trás dela um sujeito de barba crescida, roupas humildes e ar de agricultor pareciam ter medo do que ia fazer. Não hesitou - porém - quando o homem que entrara na frente apontou para o que entrara em seguida e disse: "É este".

         O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotes e entregou ao que falara. Este passou o pacote para o outro e perguntou se trouxera o dinheiro. Um aceno de cabeça foi à resposta. Enfiou a mão no bolso, tirou um bolo de notas e entregou ao parceiro. Depois se virou para sair. O que entrara com ele disse que ficaria ali.

         Saiu então sozinho, caminhando rente às paredes do beco. Quando alcançou uma rua mais clara, assoviou para um táxi que passava e mandou tocar a toda pressa para determinado endereço. O motorista obedeceu e, meia hora depois, entrava em casa a berrar para a mulher:

         - Julieta! Ó Julieta... Consegui.

         A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos em um avental, a sorrir de felicidade. O marido colocou o pacote sobre a mesa, num ar triunfal. Ela abriu o pacote e verificou que o marido conseguira mesmo. Ali estava: um quilo de feijão.
                                                                             
   Sérgio Porto - Stanislaw Ponte Preta