FLAGRANTE DO COTIDIANO
Sergio Dalla Vecchia
Já há algum tempo Henrique mascava sua relação com Laura.
A conexão com a esposa estava bloqueada. O que ia não voltava e o que vinha dela também não entrava.
Além disso, a amizade exagerada com a vizinha Cremilda o incomodava bastante. A sintonia entre as duas era para lá de ajustada.
A desarmonia do casal crescia cada vez mais ao ritmo de insultos e blasfêmias, a ponto de Laura ligar para a mãe em prantos e derramar sobre ela toda sua desventura.
Entretanto, para aquela madrugada fatídica, Henrique tinha tudo planejado. Não poderia mais suportar tal situação.
Com sutileza, induziu Laura a ir para casa da mãe, mesmo naquela hora da noite.
O conhecido taxista Hilário foi chamado para fazer o translado com segurança.
Avisou a Cremilda que Laura estava partindo e que seria bom ela se despedir. Foi o castigo sentenciado para a protagonista. A participação do evento no meio da rua.
Assim, Henrique, com tudo correndo como o planejado, impassível, apenas observava da janela a cena trágica da despedida das duas, tendo como plateia os vizinhos atônitos.
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