Sala de Operações
Carla Di Sessa
Há mais de quatro horas, Cecília está sentada em uma cadeira dura e desconfortável no corredor de um hospital. Quando indagadas, as assistentes na recepção só dizem que ainda não há nada a informar e, por isso, Cecília se dirigiu àquele corredor e sentou-se ali. Ele termina em duas portas e, acima delas, o luminoso indica: Centro Cirúrgico. Atrás daquelas portas, em alguma das salas, está a menina que Cecília havia trazido inconsciente e ensanguentada para o hospital.
Do momento em que chegou ao hospital em diante, o tempo perdeu sua lógica e significado. Uma eternidade havia se passado desde que entrara aos gritos na ala de Emergências.
No corredor inóspito, Cecília revivia o pesadelo: o barulho da freada, o baque surdo, os gritos. Depois, a urgência para chegar ao hospital, seu coração aos saltos, as mãos do motorista agarradas ao volante. A correria no setor de Emergência, o barulho da maca rolando pelo corredor e as perguntas sem fim no setor de internações.
Finalmente, as portas se abriram e a equipe médica apareceu. Um deles foi até ela e informou: estava tudo bem, haviam operado o braço esquerdo e o pé direito, a menina passava bem, mas ficaria na UTI até o dia seguinte, por precaução. Não havia hemorragias incontroláveis, órgãos perfurados, massa encefálica perdida e mais tudo o que a imaginação e aflição de Cecília tinha imaginado.
Ela começou a chorar e uma enfermeira se aproximou, levando-a para longe da equipe médica. Solícita, a enfermeira ofereceu chá, café, água, mas Cecília pediu vodca, uísque, Lexotan. A enfermeira riu e disse que às vezes ela também queria.
Vai passar, ela disse, vai passar, ela vai se recuperar.
Cecília ouviu aquelas palavras como se fossem vento dissipando nuvens negras de tempestade.
E escolheu acreditar com toda força nelas.
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