Clube
das Palavras
Adriana
Frosoni
O
grupo de escrita criativa se reúne toda terça-feira à tarde em uma sala do
departamento cultural. O ambiente tem um ar nostálgico, mas o cheiro do café
fresco trazido na hora, muitas vezes pelo senhor Zezinho, um dos mais antigos e
queridos colaboradores do clube, aquece o ambiente como um abraço. Alguém
do grupo sempre traz bolo ou outra guloseima, carinhosamente.
Somos,
em sua maioria, mulheres — talvez porque sempre tivemos a necessidade de contar
histórias, de organizar o caos da vida com palavras, de remendar as ausências
com ficção.
O
grupo desenvolve um tema, escreve textos e, cada um, segue lendo seu trecho da
semana, esperando o parecer dos colegas. Saímos da reunião sempre carregados de
reflexões e, no fundo, todos sabemos: aprendemos muito uns com os outros.
Entre
nós, atualmente, há somente um homem, que se destaca não apenas pela presença
masculina, mas pela precisão gentil com que analisa nossos textos: Doutor
Oswaldo, médico de profissão e escritor por paixão. Sua crítica é um bisturi
afiado, mas manuseado com delicadeza. Ele ouve todos com atenção, observa a
construção das frases, a cadência das palavras, o fôlego da narrativa. Quando
lê o próprio texto, há um misto de serenidade e exatidão em sua voz, sem nunca
perder o ar bem-humorado.
Eu,
que venho escrevendo há poucos anos, aceito as observações dele com admiração,
ouço seus pontos de vista como se minha história fosse um paciente que merece
uma segunda opinião. Pois ele sempre nos motiva, e quando elogia, é porque há
mérito. Há um aprendizado oculto na delicadeza das suas palavras. E, se um dia
eu conseguir deixá-lo sem palavras, saberei que estou no caminho
certo.
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