BIBLIOTECA VIRTUAL DO ESCREVIVER - PORTAL DE LEITURAS

 






BIBLIOTECA VIRTUAL DO ESCREVIVER

O Seu Portal de Leituras Clássicas


A leitura é a porta de entrada para o conhecimento, e os clássicos são as chaves que abrem os mais diversos mundos. Em nossa biblioteca virtual, você encontrará obras atemporais que expandem o vocabulário, enriquecem o pensamento e inspiram novas leituras e escritas.

Aqui, reunimos grandes títulos da literatura para que você possa explorar histórias fascinantes, reflexões profundas e lições valiosas. Seja para aprimorar seu repertório linguístico, compreender melhor a cultura e a sociedade ou simplesmente viajar pelas palavras de mestres da escrita, nosso acervo está à sua disposição.

Descubra, aprenda e se inspire. Sua próxima grande leitura começa agora!

Esta página é um guia literário com variadas literaturas em PDF (é só clicar no título para abrir o PDF).

Aproveitamos para agradecer os diversos sites que disponibilizam os livros em PDf, e o excelente trabalho dos narradores dos áudios-livros.




ESTÓRIAS DA CASA VELHA DA PONTE

Cora Coralina

LIVRO EM PDF

Áudio-livro




MEMÓRIAS DE SUBSOLO

Fiódor Dostoiésvki

LIVRO EM PDF


Áudio-análise do livro







O CAÇADOR DE PIPAS 

Khaled Hosseini 

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Livro falado



O IDIOTA 

Dostoiévski 

LIVRO EM PDF



Análise






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Livro falado






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Livro falado



Vidas Secas - Resumo






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Livro falado



Hamlet - dublado






DOM QUIXOTE 
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Livro falado






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CRIME E CASTIGO - ANÁLISE





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LIVRO FALADO



Análise






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Livro falado


Análise primária





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LIVRO FALADO






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LIVRO FALADO - LIVRO 1


LIVRO 2


LIVRO 3





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LIVRO FALADO






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LIVRO FALADO


ANÁLISE FILOSÓFICA




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LIVRO FALADO - PARTE 1

PARTE 2






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LIVRO FALADO





              O MENINO DO PIJAMA LISTRADO 
          JOHN BOYNE
          LIVRO EM PDF


LIVRO FALADO





LIVRO EM PDF



LIVRO FALADO


FILME - MADAME BOVARY





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LIVRO FALADO - PARTE 1






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LIVRO FALADO








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ARROZ DE PALMA - INTERPRETAÇÃO






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LIVRO FALADO






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LIVRO FALADO




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ANÁLISE

INTERPRETAÇÃO






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LIVRO FALADO


CLARICE LISPECTOR POR ELA MESMA






TRISTE FIM DE POLICARPO 
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LIVRO FALADO






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LIVRO FALADO






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LIVRO FALADO






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LIVRO FALADO - COMENTADO







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LIVRO FALADO

ENTREVISTA COM O AUTOR JEFERSON TENÓRIO






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LIVRO FALADO - PARCIAL





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TORTO ARADO - LIVRO FALADO







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LIVRO FALADO - PELO PRÓPRIO AUTOR


ENTREVISTA COM O AUTOR ITAMAR VIEIRA JUNIOR











Uma amiga de infância - Antonia Marchesin Gonçalves

 



Uma amiga de infância

Antonia Marchesin Gonçalves

 

                                  Eu já tinha uns dez anos, quando a família da Dona Carmela foi morar num sobrado na Cunha Gago, travessa da Teodoro Sampaio, em Pinheiros, onde nós morávamos. Minha mãe, fazendo compras na quitanda perto de casa, ouviu uma senhora que mal falava o português tentando também fazer compras. Wanda, minha mãe, a abordou e ali foi o início de uma amizade que perdurou por muitos anos, até nos mudarmos para o bairro de Indianópolis, onde o papai construiu a nossa casa, até então pagávamos aluguel. Carmela, uma mulher muito sofrida, chegou ao Brasil anos após a Segunda Guerra.

                                  Casou por procuração com um sargento do exército italiano, aposentado por trauma de guerra, era muito rude, só o conheceu quando aqui chegou, ele já residia no país. Benito se chamava. Eles tiveram duas filhas, Giovanna e Lia. Giovanna, a mais velha, tinha a minha idade, com isso acabamos ficando amigas. As três mulheres sob o jugo do marido e pai sofriam muito, maltratadas, inclusive ele batia muito nela, que ela sempre dizia que as marcas no rosto e corpo eram que ela vivia batendo na porta do armário e outras desculpas. Os irmãos sabiam e pediam para que ela se separasse pelo bem das três. Engraçado, ao mesmo tempo, tínhamos na casa vizinha à minha, uma família de libaneses ricos. E ele, o marido, também batia na esposa. Ela era linda quando casou. Mas foi se transformando numa mulher sofrida, com quatro filhos e a sogra. Ele era um louco. Ela chegou a perder os dentes da frente por socos do marido e os vizinhos sabiam e ouvíamos seus gritos e choros, mas nada podiam fazer, mas essa é outra história.

                                  Voltando para a Carmela ela e as filhas que não puderam estudar fizeram só o primário, ele passou a exigir que para comer que fossem trabalhar. Giovanna conseguiu um emprego num salão de beleza perto como ajudante e depois virou manicure, Carmela cuidava da limpeza e Lia menor se virava em casa até também poder trabalhar. Com o tempo conseguiram se tornar sócias do salão, com isso as três ganhavam para sua sobrevivência, sem depender do marido e pai. Após alguns anos meu irmão fazendo a faculdade de engenharia na Politécnica conheceu o colega Luis que passou a estudar na minha casa, quando o conheci. Eu já trabalhava na secretaria da Gerência do Banco Francês e Italiano na Boa Vista. Eu saia do banco as cinco e chegava perto das seis, sendo que o ponto de ônibus que eu descia na Teodoro era perto de casa, e o prédio do salão da Giovanna era em frente ao ponto.

                                  Luis passou a me esperar no ponto, sempre com um agrado, um bombom sonho de valsa ou uma barrinha de chocolate diamante negro, já com a intenção de me namorar. Alguns meses depois, passei a ter à minha espera também a minha amiga Giovanna, que eu inocentemente pensava ser pela minha amizade, mal sabia eu que era pela amizade de Luis o seu maior interesse. Depois que passamos a namorar, ele acabou contando que minha querida amiga dava demonstrações explicitas de interesse nele. Ao mudar, perdemos o contato, mas no meu casamento as três participaram como convidadas.

                                 

                                 

 

Encontro de almas - Ledice Pereira

 



Encontro de almas

Ledice Pereira

 

No dia em que Dóris apareceu no EscreViver, com aquele sorriso franco e um jeito adorável de se comunicar, conquistou imediatamente a todos.

A mim, foi como se tivéssemos sido amigas de infância.

E quando ela mencionou que havia se encantado com um texto publicado na revista do clube que, por acaso, havia sido escrito por mim, e que a teria feito inscrever-se no EscreViver, aí senti-me ligada a ela para sempre.

Ficamos amigas. Seu sorriso aberto e histórias de vida contadas me encantaram.

Tento me inspirar nessa mulher maravilhosa que tem sabido levar a vida, driblando os maus momentos e valorizando os bons.

Sinto falta da sua presença, sempre tão rica, desde que se mudou para mais longe, dificultando sua vinda. Mas, sempre que a vejo ou falo com ela ao telefone, posso sentir sua força, sua energia, sua alegria e sobretudo sua amizade tão querida.

 

Perdas significativas - Ledice Pereira




Perdas significativas

Ledice Pereira

 

 

A vida é repleta de altos e baixos. Bem cedo aprendemos a lidar com os percalços. Isso serve para nos deixar mais fortes e nos fazer enfrentar aquilo que está preparado no nosso destino.

Minha primeira experiência com a morte foi aos quinze anos, quando perdemos minha avó materna, com quem eu tinha uma convivência muito grande e quase diária. Depois de uma queda e uma cirurgia de fêmur, ela se foi. Trouxemos meu avô para ficar conosco. Cedi meu quarto para ele e me ajeitava no sofá da sala. Ele era uma pessoa fácil e queríamos que ele permanecesse em nossa casa, mas depois de seis meses ele quis voltar pra casa, ligou para o jornal O Estado de São Paulo, que assinava, voltando a recebê-lo no seu endereço.

Meses depois, adoeceu, vindo a falecer e deixando um grande vazio.

O irmão mais chegado de minha mãe era aquele tiozão que eu adorava. Eu queria que ele fosse meu padrinho de casamento. Mas, um dia antes de comemorarmos nosso noivado, ele faleceu aos 51 anos. Aproximamo-nos mais ainda dos três filhos e da esposa dele, o que nos uniu para sempre. Minha prima foi com outro tio, minha madrinha de casamento, tornando-se minha confidente, apesar de termos seis anos de diferença de idade. Nunca imaginei que ela iria embora antes de mim.

Em 1992, numa visita a meu pai, que morava então em Santos, sozinho, percebi que ele não estava bem e o trouxe para minha casa. Foram várias consultas, várias cirurgias e vários tratamentos. Nesse ínterim, em 1994, minha mãe sofreu um AVC, voltando para casa numa cadeira de rodas. Tivemos que administrar esse momento. Felizmente, tive a ajuda de filhos, marido, primos, cunhada, sogra, enfim. A duras penas, consegui sobreviver.

Em março de 1995, mamãe faleceu e, em maio, papai nos deixou. Fiquei um pouco sem chão. Senti-me inútil. Duas perdas que me balançaram tremendamente. Dediquei-me ao trabalho, o que me ajudou a seguir em frente.

Ficou uma tremenda saudade!

Ultimamente, temos sido surpreendidos, cada vez mais, por notícias de morte de amigos queridos. Sabemos que a vida é um sopro e que, por mais efêmera que seja, jamais iremos nos conformar com sua finitude, principalmente quando atinge a quem amamos.    

Visita inesquecível - Ledice Pereira

 





Visita inesquecível

Ledice Pereira

 

Quando meus pais diziam que iríamos à casa de tio Leôncio, eu e meus irmãos queríamos sumir do mapa.

Era uma verdadeira tortura!

Os meninos escondiam-se nos lugares mais improváveis, dentro do guarda-roupa, na lavanderia, até no galinheiro.

Ali, entretanto, as galinhas se encarregavam de dedurá-los.

As meninas choravam, implorando para mamãe deixá-las com Vitória, nossa governanta.

Mamãe dizia “não” uma vez só. Não adiantava insistir.

Eu, no auge dos meus quinze anos sentia-me na obrigação de ajudar mamãe a convencer os pequenos a não desobedecerem, pois eu sabia que sobrariam palmadas para todos, inclusive para mim, quando intercedia por eles.

O problema é que a casa de tio Leôncio era escura, triste, quase mal-assombrada. Enquanto os adultos conversavam, nós não tínhamos o que fazer.

E tinha um pote de vidro enorme, onde eles guardavam montes de bombons e não os davam pra ninguém.

Os pequenos olhavam praquele pote e os olhinhos até brilhavam, mas tia Quitéria, com seu olhar vesgo ficava de tocaia pra ver quem iria ter coragem de tentar abrir o pote que dizia estar fechado a sete chaves.

Naquele dia, porém, os tios foram mostrar, para nossos pais, o novo chevrolet que compraram e nos deixaram a sós naquele mausoléu. Fui convencida a abrir o tal pote e pegar um bombom pra cada um.

Quando eu ia pegar o meu, os adultos voltaram e eu fui pega com a boca na botija.

A bronca, e depois, em casa, as palmadas sobraram para mim.