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Difícil Adjetivar - Vera Lambiasi
Difícil
Adjetivar
Vera Lambiasi
Chegaram no fim de tarde ao
alpendre.
De lá, descortinava o anoitecer.
Duas cadeiras de balanço
chacoalhavam suas vidas.
Mudos, assistiam o sol sair envergonhado.
Não haviam mais palavras sedentas,
paixão debutante.
A rotina fez do casal, amargor.
Era preciso um milagre, a dissolver
o rancor.
E ele surgiu, em forma esférica, e
alva.
Emocionou por sua grandeza.
Voltaram ao passado ingênuo, quando
assistir a lua, dava calafrios.
Choraram ondas do mar, e olharam-se
como desconhecidos.
Enevoados em lágrimas, o toque
nervoso fê-los despertar.
Era preciso recomeçar.
A beleza do entardecer - Oswaldo Romano
A BELEZA DO ENTARDECER
Oswaldo
Romano
Incrível a Suzy, sadia que é, não apreciar as belezas da ilha
do tio João. É muito estranho.
Acorda ignorando as coisas que o ser
humano considera mais surpreendentes e
desejáveis na vida.
Acordar com o quebrar das ondas, os
pássaros cantando e apreciar a natureza.
Ela abre a janela. Acontece no momento
em que olhando o mar os sons das ondas brandem mais fortes, enrolando-se entre
as pedras já banhadas. Vagas mais calmas acomodam-se morrendo na areia.
Suzy
vê que não é só espuma, não. Olha bem. Milhares de bolhas multicoloridas, olhos
querendo lhe ver, dizer alguma coisa. Tão pequenas e delicadas, refletem as nuances
de um olhar impregnado, apaixonado. Ao ver de onde vêm, encontra uma imensidão
de mar ondulado, cintilante, até onde sua vista se perde.
Suzy começa a extasiar-se. — Esse é o
nosso mundo! Desvia o olhar para o céu. O
azul enche todo espaço, alcança o infinito. Nessa imensidão um ponto de luz
refletindo chama sua atenção. Ele é a estrela d’Alva. A companheira, o consolo
da lua. O misterioso planeta Vênus. Suzy repensa. Um grupo de pássaros
coloridos pousa na macieira próxima a sua janela. Suzy desperta de vez. Sai do
estado de letargia, apaga completamente sua indiferença com a ilha.
Procura quase correndo o tio João com
seus pulinhos trocados. Passa pela parreira do maracujá, atravessa um pedaço do
campo, encontra seu tio.
— Tio, tio. – Ela chama - Não quero ir
embora hoje. Fico para curtir minhas férias.
— Que ótimo filha! Esta ilha vem fazendo
milagres!
—Mais tarde o senhor vai subir comigo
nas pedras para ver o por do sol, vai?
— Claro filha! É lindo! Nunca cansarei
de vê-lo. É Deus que nos olha e lançando seus raios adormece.
— Puxa Tio. Que inspiração!
AMIGO 171 - Maria Luiza de C.Malina
AMIGO 171
Maria
Luiza de C.Malina
Amigo
cheio de mal me queres e bem me queres. O fato é que ele tem “amigos” à beça.
Não
só anunciou aos amigos, como à imprensa mundial o seu casamento com a princesa
da TV brasileira, no, nada menos castelo de Mônaco, tendo como padrinho o
próprio príncipe Albert.
Daí
por diante, as revistas e imprensa de maior circulação, disputavam a melhor
matéria sensacionalista que, corria solta. Até mesmo que o Papa deslocaria um
de seus reverendos para este grande dia.
O
dia aconteceu. O castelo de Mônaco. Era um castelo SIM, mas não o da família
tradicional, era um restaurante chamado
“Castelo de Mônaco”. O padrinho
sim, era o Albert, no entanto era o Albert da Silva, vizinho da comunidade,
assim apelidado.
A
noiva, esta sim, era uma das princesas da TV brasileira.
Quanto
ao papa, ah! Este veio, em carne e osso. Era o papa da igrejinha da comunidade.
Uma
coisa boa este Amigo 171 fez. Foi em Mônaco sim. Pagou todas as passagens, até
para o gato de estimação, com o qual a noiva entrou, carregando ao colo, ou
invés do tradicional “bouquet” de noiva.
A
festa foi uma exaltação à escola de samba. Varou a madrugada. Os gringos já não
aguentavam mais o barulho. Ao final da
festa, uma surpresa, toda a comitiva foi escoltada pelos batedores/policiais, direto
para o hotel.
O
silêncio reinou em Mônaco.
Passada
a lua de mel, o casamento passou. Tudo passara de uma brincadeira de mau gosto.
Tal qual o beijo no sapo.
A Chave do Enigma - Fernando Sabino
A
Chave do Enigma
(trechos)
Fernando Sabino
Minas
O
TURISTA perguntou ao mineiro por que o Estado de Minas
Gerais é conhecido como "As Alterosas".
— Sei não — foi a
resposta. — Vai ver que é por causa das mulheres mineiras, que são muito
alterosas. Basta uma para dar logo alteração.
CAMINHANDO pelas ruas
de São João del Rei. Uma dor de cabeça renitente pede com urgência um
comprimido. Se fosse dor de dente, pediria Cera Dr. Lustosa. Ainda há em São
João quem se lembre do próprio Dr. Lustosa, criador da milagrosa cera, cujo
cheiro característico me vem da infância. Não encontro nenhuma farmácia aberta.
Abordo um passante, que me informa polidamente haver uma de plantão perto da
Estação Rodoviária.
— E é muito longe a
Rodoviária? — pergunto.
— É — responde ele
apenas, e prossegue o seu caminho.
SABARÁ
é
a terra da jabuticaba. De repente, em certa época do ano, Belo Horizonte se
esvaziava: todo mundo vinha a Sabará chupar jabuticabas, que eram vendidas no
pé. O freguês chupava quantas quisesse, até cair do galho. Só não podia levar
nenhuma.
Há algum tempo um
velho coronel mineiro, intrigado, perguntava:
- Todo mundo agora
está indo para a Europa: o Juca já foi, o seu Chiquinho também, o Zé da Sá Rita
está de mala pronta... É tempo de jabuticaba lá?
NO
QUE
eu depender de informações desses meus conterrâneos, acabo indo parar na casa
da mãe Joana. Pergunto a este outro, no posto de gasolina, a distância dali até
Diamantina.
— Não é muito perto
não. Mas também não é longe — informa ele, sério.
— Quanto tempo vou
levar daqui até lá?
— É conforme, uai. Se
correr muito, leva pouco, se correr pouco, leva muito.
OS
BECOS em Diamantina conservam os nomes da época do ouro
e dos diamantes: Beco das Caveiras, das Gaivotas, da Tasca, do Rapacuia, da
Paciência, do Pinta-Ratos. Cada um com sua motivação histórica: o do
Pinta-Ratos, por exemplo, é homenagem a um pintor que, para se vingar da
Irmandade que lhe devia um dinheiro, trancou-se na sacristia da igreja e pintou
dezenas de ratos em suas paredes; o da Paciência era usado para despejo do lixo
e pelos tropeiros, que ali satisfaziam suas necessidades — paciência houvesse
para passar por ali.
—
SE
sou mineiro? Bem, é conforme.
Tudo é conforme:
sabe-se lá por que estão perguntando? ? O que é ser mineiro, afinal? Basta ter
nascido em Minas? Manhoso, ladino, cauteloso, desconfiado — tudo isso junto.
Experimente perguntar-lhe com delicadeza:
— Como é mesmo o seu
nome todo?
Ele responderá,
também delicado:
— Fale a parte que
você sabe.
Se por sua vez não
perguntar:
— Por que você quer
saber?
TUDO
que me ocorre dizer sobre o mineiro já foi dito, contado e recontado. Só mesmo
me valendo mineiramente do que já escrevi sobre o enigma de Minas:
"Dentro de mim
uma corrente de nomes e evocações fluindo desde as minhas origens, como o Rio
das Velhas no seu leito de pedras, entre cidades imemoriais... Prefiro
estancá-la no tempo, a exaurir-me em impressões arrancadas aos pedaços e que
aos poucos descobririam o que resta de precioso em mim - o mistério de minha
terra, desafiando-me como a esfinge com seu enigma: decifra-me ou devoro-te.
Prefiro ser
devorado."
Trechos extraídos de
"A Chave do Enigma", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999.
Tudo sobre o autor em
"Biografias".
Origem: Releituras
Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti
Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em
apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E,
porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não
olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não
abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que
se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de
manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está
atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A
comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é
noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado
sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o
jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que
haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas
negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo
dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o
dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas
sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser
visto.
A gente se acostuma a pagar por
tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com
que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a
pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a
procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas
filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na
rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e
assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado,
conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de
ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da
água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se
acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a
hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas
demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai
afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema
está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a
praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o
trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim
de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica
satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se
ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas,
sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente
se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto
acostumar, se perde de si mesma.
(1972)
Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e
desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas
e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também
por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor
Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada
do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal
delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada
para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta
Affonso Romano de Sant'Anna.
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia",
Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.
Origem: Site Releituras
UMA JOVEM DE CARÁTER - Carlos Cedano

UMA JOVEM DE CARÁTER
Carlos
Cedano
Said
Fuad saiu do Líbano há 30 anos e chegou em São Paulo. Veio com sua mulher e
três lindas filhas. Tinham muitos parentes aqui e por isso a adaptação foi
relativamente fácil. Esta vantagem também facilitou o sucesso nos negócios. A
família era unida e trabalhadora e logo conseguiram instalar uma loja grande na
área mais comercial da cidade. Passaram-se alguns anos e as meninas atingiram a
adolescência.
Halima
sua mulher, comentou com Said:
- Meu querido marido, é bom se preparar
para os pedidos de casamento de nossas filhas que logo, logo vão começar a
chover.
- Sim, já pensei nisso meu amor, e nos
dotes também. Estou juntando dinheiro desde que chegamos, tivemos sorte nos
negócios e creio que poderemos casa-las muito bem, disse Said.
- Insha’allah! - respondeu Halima.
Tal
como previsto pelo casal, messes após receberam pedidos de vários conterrâneos
desejando acertar compromisso de casamento para seus respectivos filhos. A menina mais solicitada em todas as visitas
foi Aisha. Menina bonita que juntava inteligência, energia e muita alegria.
A
mão da mais solicitada foi concedida para Omar Rachid, um rapaz de 25 anos,
bonito que morava em São Paulo e pertencia a uma das famílias mais tradicionais
da colônia libanesa.
Aisha
assumiu o casamento com determinação, amor e desejo de contribuir para o
sucesso da família e dos negócios. Nos cinco anos seguintes tiveram dois lindos
filhos, mas esses acontecimentos foram sobrecarregando demais a pobre esposa
que já trabalhava intensamente no comercio familiar. A esposa pediu ao marido
colaborar mais no andamento dos negócios. Ele respondeu que já se encarregava das
compras e isso lhe tomava todo seu tempo.
— Talvez
você precise se organizar melhor - concluiu seu marido.
Aisha
já vinha percebendo que seu marido não era uma pessoa de muita dedicação ao
trabalho, tinha comportamentos típicos de menino mimado e superestimava suas
poucas realizações. A certeza sobre esse aspecto se acentuavam dia a dia na
cabeça da esposa.
Aproveitando
a semana que Osmar tinha viajado a negócios, sua esposa foi visitar seus pais que
a receberam com a enorme alegria de sempre. Poucos minutos após, Fuad disse:
—
Que foi minha filha? Você esta com olhar muito triste, as coisas com seu marido
estão bem? Cadê sua alegria?
Assim que pai acabou de falar Aisha desabou no
colo dele e chorando. Contou-lhes o que
estava acontecendo no relacionamento com seu marido:
—
O que mais me machuca - disse - é a falta de amor e a insensibilidade dele para
comigo e os filhos.
O
pai inquietou-se:
—
Meu amor, você demorou pra vir a falar conosco, sabemos de tua situação por que
estamos bem informados; também temos acompanhado as atividades de teu marido e
devo te dizer que ele fala de você como esposa negligente e preguiçosa, que
tudo mundo sabe ser uma grossa mentira. Aisha
disse que tinha um plano para separar-se de Osmar e pediu a colaboração de
ambos para executa-lo.
O
pai convocou Osmar e disse-lhe que quando estava viajando Aisha sentiu-se muito
mal e foi levada com urgência ao médico da família. Após um minucioso exame
constatou-se que ela estava numa situação de extremo estrese. Recomendou que
parasse imediatamente de trabalhar durante pelo menos um ano desligando-se dos
negócios e das obrigações domésticas. Fuad também lhe disse que como avôs
maternos cuidariam das crianças assim, Osmar poderia assumir plenamente os
negócios. Osmar ficou desorientado, porém teve que assumir.
Aisha
e seus pais avaliaram que pelo seu caráter, frouxo e negligente, e com a
pressão financeira da amante, Osmar pediria falência no máximo em um ano. E foi
o que sucedeu. Desse modo o marido mostrou o tamanho de sua incompetência, e
sua amante o tamanho de sua ambição, pois como sabia que não existia mais
dinheiro, o abandonou. Fuad comprou a massa falida com a certeza que Aisha já
“recuperada” do estrese levaria o negócio adiante.
Um golpe eficaz - Fernando Braga
Um golpe eficaz
Fernando Braga
Thirson e Cacilda eram de BH. Ele um simpático vigarista, que
viveu muito tempo explorando mulheres de vida fácil. E ela, uma conhecida
cafetina, esperta e sagaz.
Com idades beirando os sessenta anos, resolveram morar
juntos, mas longe de BH.
Vieram para São Paulo, onde alugaram um apartamento, em um
prédio de bom padrão, no bairro do Itaim, e a ideia principal era desferir
alguns golpes, que os deixassem com a vida mais tranquila. Para isto convidaram
para morar junto uma bela garota de 19 anos, que iniciara há pouco a chamada “vida
fácil”. No condomínio, diziam-se um casal, morando com sua neta, que viera para
São Paulo estudar. Procuraram logo fazer amizades, receosos de encontrarem
algum conhecido de BH. Frequentavam as reuniões do prédio, iam à academia de
ginastica e à piscina nos fins de semana. Sua netinha era considerada uma moça
linda, prendada, charmosa e educada. Dois andares abaixo, morava Luiz Carlos, um
executivo de uma importante firma, da qual era o gerente. Sua mulher era muito
simpática, bonita e tinham dois filhos adolescentes. Pareciam muito bem de vida
pela postura, relacionamentos e carros importados. Chegaram a se reunir algumas
vezes para drinques, salgadinhos e jogar conversa fora. A neta sempre os
acompanhava e a toda hora, era elogiada. Especialmente Luiz Carlos trocava
olhares sorrateiros com a neta, e era
correspondido.
Um dia, no início da noite, Cacilda desceu ao apto deles, tocou
a campainha, dizendo ter vindo pedir uma ajuda ao Luiz Carlos, pois sua TV não
estava ligando. Seu marido estava ausente e queria tanto assistir a dois
programas. Ele se prontificou a ir dar uma olhada e Cacilda ficou embaixo
conversando com sua mulher. Luiz Carlos entrou no apto, que estava todo iluminado
e dirigiu-se à sala de TV, mas passou por um dos quartos, porta aberta, onde
estava deitada Rosely, a neta, nua, em posição sexy e aparentemente dormindo. Ele
parou, olhou, apreciou, sentiu um forte desejo e foi ver a TV. O fio estava
cortado, ele os emendou, ligou e a TV pegou. Na volta, parou novamente para
apreciar o belo quadro exposto e foi-se embora, muito perturbado. Luiz Carlos, não
conseguia tirar da cabeça aquela cena e desde então ficou ansioso para retornar
a ver Rosely. Encontravam-se na piscina, onde trocaram olhares matutos, mas não
podiam conversar, pois todos ficavam de olho. Um dia encontraram-se ao acaso e
puderam trocar algumas palavras. Ele foi direto e logo confessou sua grande
atração por ela. Ela também respondeu rapidamente, dizendo que seus avós iriam
viajar para Campinas no final de semana e ela estaria sozinha. Se ele quisesse,
poderia subir. No final de semana, após despistar sua mulher e filhos conseguiu
tempo para subir e encontrar a menina. Passaram juntos três ou quatro horas, satisfazendo-se
ambos, plenamente. Após isto, tudo, aparentemente, voltou ao normal.
Após uns
quinze dias, Cacilda e Thirson, foram ao escritório de Luiz Carlos. A secretária
os introduziu no amplo e bem decorado escritório e encontrando o chefe, foram
solicitados para sentarem-se. Luiz Carlos mostrou-se surpreso com a visita e
logo perguntou no que ele poderia servi-los. Cacilda foi direta e disse que
vieram lhe pedir um empréstimo. Qual o problema, perguntou ele? Responderam que
estavam muito necessitados e queriam 500mil emprestados e sem data para a
devolução. Luiz Carlos se assustou e logo disse ser impossível aquele
empréstimo. Foi quando Cacilda abriu sua bolsa, tirou um envelope e o entregou
a Luiz Carlos. Eram fotos coloridas, muito libidinosas, do affaire de três
horas, que ele havia tido com a netinha Rosely. Cacilda comentou ainda, que
tinha um filme e todos os negativos. Poderia ele guardar aquelas fotos para se
deliciar e que na próxima semana, passariam para coletar o dinheiro. Não
queriam, absolutamente, que ele ficasse mal com sua linda família, no
condomínio e em seu prestimoso serviço
Após um mês, o casal mineiro e sua
netinha se mudaram para outro condomínio no Morumbi. Podemos concluir que
golpes, bem dados, bem preparados, têm grande chance de êxito, principalmente
quando atinge um dos principais pontos fracos do homem.
Gol de Bicicleta - José Vicente Jardim Camargo
Gol de
Bicicleta
José Vicente Jardim Camargo
— Goool, Goool! E é dele, do artilheiro do
campeonato, Luizinho! No último minuto do segundo tempo! - Grita o comentarista
esportivo... E a torcida do timão em polvorosa pede mais...
Em frente a tv, Dalva e Zelão, desligados
do jogo, se enrolam mais na cama e ela comenta:
— Ele só faz gol em campo!Em mim, na cama, não
quer saber de nada! É chute pra fora ou gol contra.
— Deixa pra lá! Você sabe que o artilheiro aqui
sou eu - Emenda Zelão, gaúcho dos bons,
barman registrado da Churrascaria Paulista e completa:
— E digo mais! Para cada gol que ele fizer
em campo, eu faço dois aqui, e mais bonito. E vamos lá Che! Que não temos muito
tempo até ele chegar. Posição! Reinicio de partida...
E assim, o encontro amoroso de todas as
tardes de domingos de jogos de Luizinho, se repetem desde que Dalva conheceu
Zelão.
Ela estava com a amiga Inês, que lhe faz
companhia nestes dias, já que Luizinho sai para a concentração do time pela
manhã e só volta à noite. Foram almoçar na churrascaria, e tomou um pileque de
dar gosto. Zelão caprichou nas caipirinhas já percebendo, pelo bate-papo das
duas amigas, que daquele pasto poderia sair vaca gorda.
Tiro e queda! Iniciou-se com troca de olhares,
palpites de melhores cortes de carnes, dicas e tipos de se fazer churrascos,
pontos do assado até a troca de telefones e o primeiro encontro que acabou
tornando-se rotina.
Dalva, de banho tomado, perfumada e maquiada,
toda dengosa aguarda a chegada de Luizinho:
— Querida! Assistiu o golaço de cabeça que
fiz naquele goleiro franqueiro?
— Lógico! Gozei pra chuchu e achei que dava
pra marcar mais.
— Fica pro próximo jogo! A torcida vibra
com as jogadas ensaiadas, de mansinho, nada de pressa...
— Ah! Mas, para o próximo você me promete
de marcar três. Apostei com a Inês um almoço de domingo na Churrascaria
Paulista, Completo! Com aperitivo, vinho e sobremesa.
— Tudo bem, por você faço das tripas
coração...
— Ah! E tem mais uma coisinha - diz Dalva
fazendo beicinho - Um gol tem de ser de bicicleta...
Luizinho mirando a mulher com orgulho e de
peito cheio diz:
— Assim que gosto, mulher que põe fé no
maridão! Tua aposta já tá ganha, prometo!
— Mas olha Querida! O dia hoje foi muito
cansativo, não vejo a hora de cair numa cama e puxar o ronco...
— O meu também! Retruca Dalva enrolando os
olhos e já imaginando as peripécias dos três gols prometidos e a curiosidade de
como seria o de bicicleta...
NAMORADOS DESLUMBRADOS - Oswaldo Romano
NAMORADOS DESLUMBRADOS
Oswaldo
Romano
Clóvis, que assinava Clóvis Diniz,
tirando proveito do seu nome vestia-se como um importante jovem, roupas de
grife falsas, naturalmente etiquetas que manchavam. Adquiridas nas imediações da Estação da Luz, procurava
mantê-las limpas porque, lavando-as, teve antes uma triste experiência.
Seu cabelo era o chamado cabelo bom,
volumoso, alguns caracóis, soltos ao vento. Posando de filho rico intensificou
suas idas às baladas, chegando sempre mais tarde, modo habilidoso de mais
garotas o notar.
Tinha facilidade de iniciar amizades.
Não precisava se esforçar muito, seu nome já havia corrido entre elas.
Dulce, uma morena bonita, muito bem
produzida, destacando-se entre as demais, com ele trocavam olhares. Outras
meninas chegaram muito mais fáceis. Diniz valorizando-se, já tinha elegido
aquela morena que demonstrava cultura, fino trato, certamente de uma família
abastada.
O interesse mutuo fez com que logo
estivessem juntos. Corria no salão a destacada riqueza dos Diniz, coisa que Dulce procurava ha tempos, tendo como arma sua beleza. Mas, não tinha nada mais para
oferecer. Caso viesse de um lar pobre, mas digno, poderia ser perdoada pela
mentira. Acontece que era uma caçadora de dotes, oportunista, com vários golpes
a serem esclarecidos. Na verdade seu único bem era uma semovente gata.
Fez
ver ao Diniz que seus pais não permitiriam seu namoro sem uma referência a altura
deles, fazendeiros de café na Zona da Mata.
Diniz viu sua grande oportunidade de
tirar o pé da lama. Só precisava encontrar um álibi convincente, que o faria
ser um proeminente membro da famosa família. Depois o mais provável lance era
ficarem e emplacar uma gravidez.
Ajudado por um amigo, montou um encontro
no salão estando juntos, em que deveria além da surpresa, perguntar pelos seus
pais. E aconteceu, recebendo em resposta:
— Há algum tempo, papai e mamãe estão
ocupando nossa casa em Lauderdale, aquela do Croissant Park em Miami.
— Ah, maravilha amigo. — Bonita é sua
namorada, hem! Olhe, quando você for para Lauderdale visita-los, quero ir
também. Tenho saudades dos meus padrinhos. Bem, perdão, mas já estava saindo. Alguém
me espera. É a vida, amigo. É a vida.
UM MALANDRO CHAMADO ARTHUR - Carlos Cedano
UM MALANDRO CHAMADO ARTHUR
Carlos
Cedano
Arthur
chegou ao Rio de Janeiro sem muita grana e foi morar com seu primo Roberto que lhe
alugou uma vaga no seu minúsculo quarto. Instalou-se e logo teve que pensar
como faria para sobreviver. O dinheiro que tinha era o produto da venda de um
pequeno sitio que teve que ser dividido com outros parentes, e não duraria
muito tempo.
Após
uma semana procurando emprego, contentou-se com um cargo de aprendiz de sonoplasta
numa estação de radio e começaria a trabalhar no dia seguinte. Porém, Arthur precisaria
mais dinheiro para viver.
O passo
seguinte foi matricular-se numa faculdade de periferia que a rigor, pouco
frequentou, mas lhe dava status. Poucas semanas depois deu o terceiro passo e
começou a namorar uma morena bonita de condição modesta. Mas, o problema do
dinheiro curto ainda continuava a atormentá-lo, nem sequer podia levar a moça
para tomar um sorvete.
Após
três messes de namoro Arthur pediu à moça para conhecer seus pais, queria falar
com eles. A namorada, Renata, falou com os pais que imediatamente aceitaram e o
convidaram para jantar. Todo mundo feliz em casa e cheios de expectativas. Imaginem um estudante de Direito! - Comentou
a mãe.
Após
o jantar Arthur falou com os pais, seu José e Dona Maria, e disse-lhes:
—
Minhas intenções para com sua filha são sérias, inclusive já estou comprando
parte dos móveis de nossa futura casa. Entretanto o apartamento de meu primo é
tão pequeno que não poderei guarda-los lá, por isso quero solicitar-lhes que os
recebam e os guardem até que me case com Renata. Poderiam fazer esse favor pra mim?
— Evidentemente
que sim, responderam ao mesmo tempo os pais.
Uma
semana depois estavam chegando cama de casal, armário duplo, dois criados mudos
e uma penteadeira que os pais guardaram com todo cuidado. Arthur tinha
investido todo o dinheiro que trouxera. E foi assim que ele “ganhou” direitos
no lar. Jantava aí todos os dias, sábados e domingos era almoço e jantar e até
pernoite. Essa situação durou mais o menos dois anos.
Qualquer
insinuação de casamento era respondida por Arthur que somente após sua
formatura, que estava indo muito bem nos estudos e que inclusive tinha sido
sondado por um conhecido escritório de advocacia, para entrar como advogado Jr.
após sua formatura. Cessaram as insinuações por um tempo, até que Arthur tinha
percebido que as refeições já não eram tão boas como antes. Com esse sinal,
Arthur começou namorar outra moça.
Terminou
com Renata e pediu a seu primo Roberto retirar os móveis da casa da ex. Como os
móveis pareciam estar em bom estado os despachou imediatamente para casa da Vera,
a nova namorada.
Ele
foi tratado com os mesmos mimos do namoro anterior e tudo a custo zero também. Arthur conheceu o tio Rubens irmão de sua
sogra, que fazia visitas periódicas pra ela, e o achou muito simpático.
Quase
dois anos depois, o noivo percebeu que já estava na hora de fazer uma nova e
última “troca” de namorada. Arthur repetiu o ritual, acabou o namoro, pediu
para seu primo retirar os móveis e leva-los para casa da nova namorada.
Algo
imprevisto aconteceu:
O primo Roberto ligou para
Arthur no seu emprego e pediu-lhe para ir com urgência para a casa da Vera, o
tio Rubens queria falar com ele antes de entregar os móveis, precisava que ele assinasse
um termo de recebimento. Arthur estranhou, mas lá foi ele.
O
tio Rubens, que era fiscal da justiça, mostrou o estado dos moveis quase
destruídos pela má qualidade da madeira e pelo ataque de cupins. Porém, a
surpresa maior foi a apresentação de uma conta minuciosa pelo fornecimento de
refeições durante trinta meses além da realização de serviços domésticos, lavar
e passar roupa por exemplo. Caso não quisesse pagar, seria processado por
falsidade ideológica e estelionato. O processo também poderia incluir os
prejuízos causados à família de sua primeira vítima. A conta apresentada era
salgada.
Algo
previsto aconteceu:
Arthur
nunca se formou, casou-se com a Vera, já têm meia dúzia de filhos e moram com a
sogra.
MÁRIO UM EXÍMIO PINTOR - Oswaldo Romano
MÁRIO
UM EXÍMIO PINTOR
Oswaldo Romano
A gente cruza com Cara de Pau, muito
mais vezes do que pensamos. Esta história do Mário, o pintor, assim é contada,
mas como presenciei, para mim não foi história, e sim a mais pura verdade.
Para o futuro, que começa aqui, alguém
ao repassá-la, deixa de ser verdadeira e nasce o conto de mais uma bazófia.
Mário era procurado e disputado como um
exímio pintor de portas e paredes. Sua fama dobrava quarteirões. Era essa fama
que o sustentava. Enquanto ele levava a reputação, nas obras mantinha o Boia,
um afro descendente se lascando de sol a sol.
Mário rodava as ruas, mas sempre
trocando de bairro. Em cada um tinha seu bar preferido onde não dispensava sua
pinguinha. Sempre alegava ser uma necessidade dos pintores. Tinham que limpar a
guela.
Com essa rotina, engabelava os que lhe
procuravam demorando em ser visto na mesma área.
— Nossa, Mário! Você sumiu! Era
indagado.
— Pois é senhor Alberto, muito serviço,
muito serviço.
— Quero que você pinte umas portas, lá
em casa.
— Pinto sim, senhor Alberto. Caso eu não
possa, levo meu secretário, o Boia e vou dar toda assistência. Amanhã por
exemplo não posso. Vou dar uma
entrevista para a imprensa.
— Muito bom Mário. E qual é o assunto?
Para responder,
enfiou a mão no bolso, tirou um papelzinho e leu:
— Como fazer uma pintura economicamente
durável.
Enquanto isso
ocorria, o Boia se desdobrava todo na obra. Mário aparecia só para entregar o
serviço. Nesse dia Boia não aparecia, Mário dava-lhe folga, e levava todo elogio. Era referencia para as próximas pinturas.
Com o senhor Alberto não foi diferente.
Por vontade dele, foi junto escolher as tintas. Mário mostrando conhecimento,
pediu ao atendente que abrisse a lata para falar das suas qualidades e com uma
espátula mexeu, mexeu, mexeu. Levantando a espátula, mostrava a consistência da
tinta, e deixava escorrer para a lata a grossa composição. O excesso de tinta da
espátula era tirado na borda da lata, mas parte ficava depositada no encaixe da
tampa.
Finalizando, Mário colocou sobre a lata
a tampa, e precisava encaixá-la. À vista dos demais fregueses, quis resolver
dando um soco na tampa. Foi um Deus nos acuda. Espirrou tinta verde por toda loja.
Lambuzou todos, homens e mulheres que aguardavam atendimento no balcão. Com a
maior Cara de Pau justificou:
— Falei senhor Alberto. Essa tinta tem
uma respeitável cor e volume.
— É seu Mário... Muito, muito
respeitável...
Documentário VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso - TEMA DE VERA LAMBIASI
Documentário VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso [com legenda em inglês]
O mentiroso da aviação - Vera Lambiasi
O
mentiroso da aviação
Vera Lambiasi
Marcelo Nascimento é o nome do
sujeito que, no Nordeste, ludibriou Amaury Jr e toda sua produção, dizendo-se
Henrique Constantino, filho do dono da Gol, vitorioso empresário das linhas de
ônibus, que montou a Companhia Aérea.
O apresentador nunca havia
entrevistado o verdadeiro herdeiro, e não sabia que cara tinha.
Agendada a visita, no Recifolia, carnaval
fora de época do Pernambuco, puseram-se a conversar, ao vivo, em rede nacional.
O mico foi televisionado a cores,
para todo o Brasil.
O charlatão explicava, em minúcias,
a vida de Constantino, devia ter estudado um bocado para o golpe. E Amaury,
caiu que nem um pato na história.
Portas foram abertas ao provável
empresário, teve carro de luxo e helicóptero emprestados, frequentou as
melhores festas do Recife.
Depois desta ocasião, o apresentador
bonachão passou a checar melhor suas fontes, e sua produção levou a maior
comida de rabo de todos os tempos.
Mas a história não acaba aí.
Marcelo, depois de mais algumas
falcatruas foi preso por estelionato, teve suas artimanhas contadas em livro
por uma escritora, que virou filme na pele de Wagner Moura.
Virou, ele próprio escritor, na
prisão, e promete para breve a grande revelação, em um best seller, de quem
seriam as duas atrizes globais que teriam tido um caso com ele, nos tempos do
Recifolia, dizendo-se Constantino.
O cara não era assim um galã, e teve
a chance de namorar duas beldades.
Imagino o estado delas agora.
E Marcelo, já está solto.
Tributo velado ao artista - Oswaldo Romano
Tributo velado ao artista
Oswaldo
Romano
Entrei na contra mão, lógico
parei. Dirigia sonolento, felizmente percebi a tempo, manobrei e voltei.
Meu carro é vermelho, todos olham
surpresos quando apareço, o comentário é notado, e eu fico extasiado. Desço,
tiro o cabelo da testa, vejo as garotas formadas, lindas, todas alinhadas.
Gostam da cor, ele é bonito e bom, bom,
bom mesmo.
Pode ser seu. Entre, pise firme,
segure-se na direção, dirija-o com atenção. Fica em consignação, se não achar
bom, bom mesmo, aceito a devolução. As garotas não fazem parte, são todas da
promoção.
Agora, prepare seu coração, pras coisas
que eu vou contar. Ele pode não lhe agradar, mas carro vermelho tem o seu
lugar. Eu vivo pra negociar, me ensinei
a não dizer não, vendo a morte no volante eu respeito o lugar.
E nos sonhos fui sonhando, sua cor
sempre brilhando, mas o mundo foi mudando, e novas cores chegando. As visões se
esclarecendo, eu vi amanhecendo, e o sol
aparecendo.
Este carro é de grife, na estrada pode
matar, mas é diferente com a gente, não posso abusar, quer quisesse ou quer
pudesse dominar o seu rolar.
Pela vida o segurei, querendo entrego a
você, pois vim lá do sertão, onde esse touro dominei.
Não vim para enganar, vim para alegrar,
fique com ele. Vou pegar minha viola, vou cantar noutro lugar.
Na corrida já foi bom, mas um dia eu
parei, não por motivo meu, ou de quem comigo estivesse, foi por qualquer querer
que houvesse.
Porém por necessidade, disparei para a
cidade, se você não concordar, posso não
lhe agradar, não por mim nem por ninguém, espero um dia lhe entregar.
Na estrada ele é bom, espantou muita
boiada, a sua cor ajudou, esparramá-los pela estrada.
Mas no mundo fui rodando, nas rodas do
meu Corcel, vi a morte aproximando, e a
morte e o destino tudo, eu tinha fora do
pensar.
Vou deixar você esperando, vou com Deus
me acompanhando. Prepare o seu coração, vou parar no Campo Santo, vejo a morte
sem chorar, eu preciso descansar.
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