PRONTIDÃO - Maria Luiza de Camargo Malina



PRONTIDÃO
Maria Luiza de Camargo Malina

É noite. Chove a chuva de verão. Gotas salpicam forte na piscina, imitando o gargalhar das crianças, de há pouco.

Lá estão os fiéis guarda-sóis, fechados. Perfilados lado a lado, no descanso do tempo da sombra de braços  abertos.

Com a imponência de guardiões leais, protegem agora o lugar sagrado. Figuras saídas de histórias de heróis  que, sob fortes capotes, olham cabisbaixos, no anônimo silêncio de braços escondidos, a nos observar.


O guardião - Suzana da Cunha Lima




O Guardião
Um olhar poético no Clube Alto de Pinheiros
Suzana da Cunha Lima


Ali, tendo por cenário o céu branco de nuvens aconchegadas, ergue-se solitário o Pinheiro Araucária.
Altivo, não precisa de vizinhos para realçar sua nobreza, mas permite a existência de musgos e trepadeiras perto de si.
Não é primavera ainda,  porém as sempre-vivas já emergem timidamente de seus canteiros, ansiosas para aparecer.
E o Pinheiro ali se mantém, belo e altaneiro em todas as estações do ano, como guardião daquele verde mundo florido a seus pés.

Teimosia agreste - José Vicente Jardim de Camargo




Teimosia agreste
José Vicente Jardim de Camargo



Sobre um chão tórrido que sua pele reflete
Ele empurra a agonia vagarosamente
A procura da esperança que teimosa insiste
Em se agarrar nas nuvens do céu ardente

E a vegetação que distante aflora
Acompanhando o leito morto do rio
É como as promessas vãs dos governantes
Que nascem em festivos palanques
Mas não conseguem fincar raízes
Na alma seca do retirante em fuga



CIDADE INVENTADA - Maria Luiza de Camargo Malina

 


CIDADE INVENTADA
M.Luiza de Camargo Malina

“A água de Babiléfia estava fazendo mal a população”... Esta notícia, era tudo o que um médico idealista recém-formado em 1942, precisava para honrar o juramento.

Babiléfia, em seu nome fictício,  mostra através das atitudes de um médico, as dificuldades que encontra junto a prefeitura local, para dar continuidade ao seu trabalho, fato este que, até a data desta escrita 2013, ainda se arrasta o problema.
A cidade, havia uns 5 anos que havia sido fundada. Faltava tudo e de tudo um pouco mais. Sombra!  Imagine!  igual ao cerrado com o sol à pino.  O hábito do uso de chapéu é justificado. A poeira levanta até com um espirro. O empório de secos e molhados funciona até mesmo como uma farmácia e açougue, aliás, é uma coisa boa, uma vez que o “mascate” o abastece uma vez por mês. A carne de gado, frango ou porco são vendidos a bom preço, por causa das fazendas vizinhas ou porque cada um tem seu curral e horta no fundo da casa. Comunicação! Apenas através de um rádio com antena, considerado objeto de luxo, ou através das antenas de rádio-amador. Os postes instalados apenas nas oito ruas principais tem baixa iluminação, sem falar dos telefones com as telefonistas atrapalhadas nos botões do PABX. Mas funcionam, é muito “chique” trabalhar como telefonista, ela sabe de tudo na cidade.  Ah sim! Já ia me esquecendo do cinema. Não tem. Só na cidade mais próxima há 48 km. Que também, para poder se locomover, o ônibus é a coisa mais certa.   Obedece aos horários, igual ao relógio da igreja. Impecável.

E a água! Caminhões de pipa abastecem diariamente Babiléfia, próximo à prefeitura, uma vez que a água encanada estava contaminada.

É neste quadro que o médico Dr. Lupércio, nome fictício, ao invés de Dr. Benedito de Camargo Rocha, resolve encarar a grande jornada, junto com a esposa, enfermeira.

Apenas com um olhar, já percebe a causa do grande problema da cidade... As crianças barrigudinhas, não apresentam saúde, são vermes, bebiam água sem ser filtrada e a escassez é outro problema. Como a demanda está grande e repetitiva, mostra ao prefeito Vadico, a situação em que se encontra a cidade, pede urgência no plano de saneamento básico, ao que o prefeito Vadico não atende, dando preferência a obras que possam lhe garantir novos votos. Afinal, o que é o saneamento, se vai ficar debaixo da terra e ninguém vai se lembrar!

Cansado, resolve por si. Receita em consultas e entrega de casa em casa, um determinado vermífugo, com data certa a ser ingerido. Avisa aos pais que, todas as fezes recolhidas nos “pinicos” ou urinol, devem ser depois despejadas dentro dos tambores, estrategicamente colocados junto aos poucos postes da cidade.

O dono do posto de gasolina empresta os tais tambores, uma vez que a gasolina é entregue dentro dos mesmos. A ideia é boa. Aguardam. O alvoroço na cidade começa junto com a fedentina, a qual a céu aberto torna-se insuportável com o rodear dos mosquitos. Não é preciso enfatizar que as relações com o prefeito estavam estremecidas. Chega o dia.

O médico Dr. Lupércio, e o senhor Torquato, dono do posto de gasolina, se dirigem à casa do prefeito Vadico. Relatam o plano com austeridade e o obrigam a  acompanha-los. Vadico já sai, de sua confortável casa, com um lenço no nariz. Obrigam a Vadico olhar dentro os tambores para certificar-se do que se tratam os vermes. Horrorizado Vadico vomita lá mesmo. A população aplaude, clamando pelo Dr. Lupércio.

Naquele mesmo ano Vadico dedica a verba ao tão sonhado “saneamento básico”.

Dr.Lupércio recebe o reconhecimento oficial. A entrega da chave da cidade no coreto da praça, com a presença, dos rostos corados de saúde, da população entoando o Hino Nacional junto a Banda do Exército da Salvação.

Junto com a esposa, volta para casa. Coloca a chave da cidade na estante, dentro de um pinico de porcelana pintado à mão, que recebera de sua esposa. Os dois se abraçam satisfeitos e, partem para uma nova jornada.

Dr. Benedito, o então fictício Dr. Lupércio, tornou-se um médico polêmico, pelas cidades em que trabalhava, tanto em relação à política local quanto ao meio à classe médica que, ao constatar a pobreza familiar, não cobrava consulta, tão pouco a cirurgia.


Faleceu no ano de 1985 com a constatação da falta de vontade política, frente ao tão sonhado plano de saneamento básico, que é de direito mínimo ao ser humano. Exerceu o seu sacerdócio.

ACONTECEU NUM VERÃO - Oswaldo Romano






ACONTECEU NUM VERÃO
Oswaldo Romano

         Aconteceu num verão há muito tempo, história hoje lembrada, quando dois apaixonados resolveram passar a lua de mel naquelas praias, de moto rodando ao acaso.
         Praias, no verão, e próximas a São Paulo, são convidativas. Na época a classe média não podia pensar em passar a lua de mel na Europa. Nem de avião se distanciar da cidade. Usava-se a metade das férias porque a outra metade trabalhada contribuía nas despesas do casório. Em quinze dias, não se podia pensar numa viagem de navio. Faltava tempo, dinheiro e até navios.
         Aviões internacionais eram poucos e só para alguns, assim como os DC3 regionais, eram um luxo. Os noivos carregavam na imaginação os melhores momentos de uma grande festa.    Uma entrada triunfal no salão, clarins que arrepiavam e vibrando mexiam com os nervos dos presentes. A orquestra tocando uma valsa comovente, e os pares dançando, diziam coisas a meia voz.

É o noivo agora quem conta:
         — Estávamos um para o outro e a ternura nos envolvia de caricias. Olhávamos as convidadas, dançavam atentos entre nós e na nossa apresentação. Destacava-se o vestido da noiva, lembro bem, era rendado, todo branco e estrelado. Ela lançava sorrisos de alegria, eu com leveza a carregava, dançando alegremente.
         Entram de novo os clarins anunciando a chegada do bolo. Diminuem as luzes, servem o champanhe. Tim, tim. Trançamos os braços, brindamos, bebemos. A orquestra enchia o ar de emoção. Giramos, rodamos ao som da Danúbio Azul e Strauss que nos perdoe, finalizamos com o Lago dos Cisnes do Tchai, menos cansativa, aquela da Bela Adormecida.
         As solteiras aguardavam o arremesso do buquê. Embora as flores fossem vivas, elas levaram borrifadas, reforçando seu perfume. O mesmo acontecia com as jovens cuidando das suas maquiagens.
         De mansinho escapamos de mãos dadas, motivados pela vontade eminente de viajar. Depois por familiares fomos levados para a rodoviária. Ávidos por algazarras, lançavam pétalas de rosas e punhados de arroz.
         Festejando o casório, nos jogamos nas poltronas do bacurau, o ônibus Pulmam, e unidos, dominados pelo cansaço e sono, caímos nos braços de Morfeu.
         Não durou mais que um minuto. Fomos descobertos e despertados com gozações e felicitações vindas de traz, uma moçada, um grupo que seguia no mesmo carro para as praias de Santos.
         Senti-me numa situação inusitada. A cabeça rodava, seria o balanço do ônibus ou resquícios da bebida. Bebida do modesto jantar que havíamos oferecido aos padrinhos. O momento não permitia festas ou estender convites além deles.
         Foi muito bom sonhar. Sim, aquilo foi tudo um sonho, acordei. Curtimos a alegria dos jovens. Mandavam epítetos apimentados e sentimentais de parabéns e cantavam.
         A ilusão da festa marcou um incentivo e confiável esperança de algum dia podermos vivenciar coisas melhores.
         Cantavam talvez motivadas pela esperada ideia de um dia ocupar nosso lugar. Jogavam palavras de amor, que cobriam nossa primeira noite. Foi assim, no balanço do Pulmam que nascia à responsabilidade da vida. Vida que foi valentemente enfrentada e vencida.
         Aos poucos imperou o silêncio, e com ele dormimos. Quando percebemos éramos recebidos numa simples pousada.     Principiava a nossa lua de mel.
         Ficou um pequeno problema pendente. O nosso segundo amor, raramente o largávamos, havíamos deixado em São Paulo. Era a moto Harley Davidson, nosso maior e único capital, companheira inseparável. Foi por segurança que a deixamos. Bebida não combina com moto. Nunca nesse dia. Tínhamos uma vida para cuidar.
         Madrugada, nem aurora tinha, quando de Santos eu chegava de Zefir em São Paulo. Logo mais, acelerando e ouvindo o ronco da 1200 CC, eu voltava cheio de contentamento rumo a pousada. Encontrei ainda a Bela Adormecida desmaiada. Até me culpei!
A ATRAÇÃO E O ENCANTO DAS AREIAS.
         Milhares de quilômetros foram rodados entre as Praias do Sul e Costa Verde. Os caminhos existentes eram elas, as próprias praias. Surpreendidos pela Preamar, pernoitávamos em qualquer local possível de chegar, mesmo rodando sob as trilhas existentes nas linhas de transmissões. O amor estava dividido em quatro: O nosso, a moto, a areia e o mar.
         A festa narrada de início, como vimos, não passou de um comovente e desejado sonho. Mas dando tempo ao tempo, resgatamos essa cobiça, promovendo um intenso trabalho a dois. Conhecemos o mundo, agradecendo a Deus a transformação desse sonho em realidade.
                                      E assim ela se mantem por mais de cinquenta anos.

Janela Indiscreta 2 - José Vicente Jardim de Camargo



Janela Indiscreta 2
José Vicente Jardim de Camargo


Joel adora cinema, principalmente os filmes de suspense de Alfred Hitchcock, considerado pelos cinéfilos como o melhor diretor de filmes deste tipo da cinemateca mundial.

Ao lado da sétima arte, o passatempo predileto do Joel é o futebol de várzea. Difícil afastá-lo nas tardes de sábado e de feriados do campinho de terra batida da várzea do Carmo. Aguarda os dias de trabalho ansioso pela dupla recompensa que lhe trará o final de semana, compensando o trabalho fatigante de bancário em uma das mais movimentadas agencias de um banco comercial. Filas de clientes impacientes aguardando atendimento, chefia sugando cada minuto de trabalho disponível. Tudo e todos voltados para o cumprimento das metas pré-estabelecidas pela Diretoria visando a maximização do lucro.

É o que os acionistas esperam de todos os colaboradores” diz o jargão utilizado em todos os pronunciamentos da chefia, relegando as reivindicações dos funcionários a um segundo plano.

Na volta a casa, sempre insatisfeito e de saco cheio, Joel troca idéias consigo mesmo sobre a necessidade de procurar outra atividade, menos dependente do contato direto com o público. Talvez mudar para uma cidade do interior, onde do tempo ainda pode-se tirar algo mais para si.

Mas só a ideia de abandonar sua turma da pelada dos sábados e feriados, o faz logo mudar de pensamento e pensar nas recompensas do fim de semana:

“Neste sábado o Tico faz aniversário, com certeza vai levar a turma do Zé do Pagode. Preciso ligar pro Tato para ver quem encomenda os espetinhos da dona Alzira e lembrar o Tuca do chope”. Talvez a Mara apareça no pagode e pinte algo para a  noite, senão, vou assistir “Um Corpo que Cai”. Essa Kim Novak é demais, me deixa sempre excitado. Senão vejo no domingo, após o jogo do timão e que esse fdp do Silvinho não vá me errar mais pênaltis...

A clinica ortopédica São Salvador, por ter expediente 24 horas por dia, é utilizada com frequência pelo pessoal que joga futebol nas várzeas do bairro.

Joel, sentado em cadeira de rodas, perna estendida e engessada da ponta dos dedos até o joelho, não para de insultar o Luizão que lhe deu um carrinho quase na entrada da área e que lhe rendeu, segundo diagnóstico médico, duas rupturas na tíbia. Prazo de recuperação 90 dias mais outros tantos de fisioterapia.

Que saco - comenta com Tato - tanto tempo sem bola não vou aguentar. Pelo menos vou poder curtir meus DVDs de Hitchcock e meu binóculo que comprei usado do Alcides e que até agora não consegui usá-lo por falta de tempo.

Tato intrigado pergunta:

- E pra que você quer esse trem, vai ver o que, se não pode andar?

- Ah, já vi que você não é do meu time quando o negócio é Hitchcock! - Responde Joel sorrindo, já confortado com a ideia de que o Luizão até que lhe tinha prestado um favor.

- Certamente você não viu o filmão dele “Janela Indiscreta”,  uma obra prima!  - e completa - Hoje não tenho mais ânimo pra ir pra várzea nem mesmo com churrasquinho e pagode. Se ver  o campo, vou me lembrar da jogada desgraçada, pelo menos se tivesse sido pênalti...

-É, mas foi por esse lance que o Tuca marcou o gol da vitória, senão nesta hora nois tava era chorando e não comemorando - diz Tato atencioso com o guiar da cadeira de rodas.
Joel decide:

-Me leve pra casa, que eu já sei o que vou fazer, e, se você se apressar, ainda pega chope e carne...
O domingo amanhece ensolarado. Apesar da insistência de Tato, na noite anterior, em ficar com ele para auxiliá-lo nos primeiros movimentos na cadeira de rodas: preparativos do banho, café, necessidades outras, ele recusou:

-Me viro bem sozinho, tiro de letra. Se precisar te ligo!

Mas o que Joel mais queria mesmo, era curtir sozinho o seu desejo de há muito contido, de ter a sua “janela indiscreta”...

Durante a noite, o incomodo da perna engessada que lhe tirava o sono, era superado pela expectativa que lhe traria a vizinhança, já agora por ele tida como misteriosa.

Da gaveta da cômoda antiga, herdada da mãe, tira a caixa preta do binóculo Zeiss, alemão legítimo utilizado na 2ª Guerra Mundial, e  portanto fazendo jus ao preço alto mas, assim mesmo, de amigo pra amigo, segundo Alcides.

A expectativa era tanta que não o incomodou as dificuldades de levantar-se, sentar-se na cadeira de rodas nem o apoiar-se nas muletas para melhor equilibrar-se em uma só perna – “Bendito esse Tato que bem me lembrou em alugar junto com a cadeira de rodas, essas muletas, quebram um bom galho”...
Munido de café preto e torradas, arrasta para a janela a mezinha de centro do apartamento de quarto e sala que alugara, inicialmente como provisório, mas depois, com o término do noivado, por não querer cumprir o prazo de casamento imposto pela noiva, tornou-se definitivo. Acomoda-se prazerosamente e de binóculo em punho inicia a varredura tão esperada.

Em sua frente dois sobrados o distanciam da fachada lateral do próximo prédio, tão alto quanto o seu e, com alegria constata,  com maior número de janelas e terraços.

Suas iguarias na mezinha terminam e nada descobre de valia.  Cenas corriqueiras de famílias com filhos nos afazeres da casa, cozinhando, lavando, brincando com cachorros, pais ralhando com filhos, TVs ligadas, adolescentes ao telefone... Somente uma silhueta de mulher é que, de tempos em tempos, se aproxima da janela com gestos dançantes e desaparece. Mas, por estar atrás de uma cortina de voal, não é possível definir maiores detalhes.

Com a ansiedade diminuída, um tanto desapontado pelos resultados, resolve dar um break, pedir uma pizza, abrir uma cerveja e se preparar para o jogo do timão.

No jogo não consegue se concentrar. Seu pensamento vai da TV às janelas que lhe atraem mais que a bola na telinha. Também o jogo não ajuda. Jogadores sem animo apesar do dinheirão que ganham. Muito mais garra mostra o pessoal da várzea, que invés de dinheiro, reparte as contas de água, luz e a gorjeta do guarda pra evitar invasões dos sem casa e de casais de namorados.

No intervalo do jogo, faz nova varredura, demorando o binóculo mais na silhueta feminina agora já localizada na janela do 6º andar, depois do terraço da área de serviço.

Como das vezes anteriores ela se aproxima da janela e, com o cair da tarde, pode-se ver melhor sua silhueta que lhe parece ser, talvez pela desejo forçado da imaginação, bem sensual. Desta vez porém a luz do ambiente pisca duas vezes. Um arrepio de satisfação percorre o corpo esperançoso de Joel – Vamos Hitchcock, é agora, manda brasa!... Duas vezes mais a luz pisca e a silhueta desaparece.

Joel atento na cena, nem se dá conta de que o jogo já reiniciou. De muleta pulando, traz do quarto ao lado o abajur do criado mudo e, sem titubear, ascende e apaga três vezes, aguarda... Novamente duas vezes, aguarda...

Apaga a luz da sala, desliga a TV nem querendo saber resultado do timão. Repete a operação de apaga, acende, mas nenhum sinal do lado de lá. Pega mais uma cerveja, de gole em gole olha a janela do 6º andar, já marcada na memória. Repete a operação só que agora continuamente, como se estivesse integrado na trama do filme e a qualquer custo necessita de uma reação da, agora já definida como loira e mais sensual que a Kim Novak.

Tem um sobressalto com o toque repentino da campainha...

“Só pode ser ela, pedindo socorro do amante vingativo ou o próprio querendo tirar-lhe satisfações pela ousadia talvez até esteja armado”. Titubeante, equilibrando-se na muleta, mas encarnando o herói do filme, abre a porta e depara com um homem de barba espessa, corpanzil avantajado que sem delongas, ao ver na mesinha da janela o binóculo revelador, lhe defere um punch de direita que o arremessa de cabeça contra a parede oposta bem na quina da porta do quarto: “esse é pela minha filha do prédio em frente, seu bisbilhoteiro fdp, pedófilo! Não lhe dou mais em consideração a sua muleta, mas se continuar com a malandragem, lhe quebro os ossos da outra perna” diz, e pegando o binóculo, arremessa-o janela abaixo com toda a força da raiva contida.

Ao sair cruza com o zelador que nem ousa, dado o estado alterado do intruso e a diferença corpanzil, questionar-lhe as intenções.

Ao abrir os olhos, Joel vê Tato ao seu lado que lhe balbucia: “Você teve uma forte contusão na cabeça e foi necessário fazer uma cirurgia para extração do coágulo. Mas está tudo bem agora. Está na enfermaria do Hospital das Clinicas e deve ficar alguns dias em observação. Se tudo der certo, volta logo pra casa”.

Essa palavra aguça os olhos de Joel que, de perna, e agora de cabeça e pescoço enfaixados, procura, até onde seu olhar alcança, localizar as janelas do ambiente.
Sentindo-se seguro, cerra os olhos e responde a Tato esboçando  um sorriso de alivio:
–Puxa, ainda bem que não vi “Um Corpo que Cai”...



EFE e UM CACHORRO NA ESTRADA. - Maria Luiza C. Malina


EFE e UM CACHORRO NA ESTRADA.
Maria Luiza C. Malina

Estamos sempre rodeados de códigos. Não os percebemos pelo apressar da vida num complô com o destino. Continuamos neste caminho, sem tréguas, indo e indo para algum lugar. Se, este lugar existe não sabemos. Sentimos às vezes arrepios ou, pensamentos que não nos afastam daquele objetivo ou ser, não de uma forma obsessiva, mas precisamos ir a este encontro, como num sentir de que faltaremos a algum compromisso.

Um dos códigos mais conhecidos é a Estrela do Oriente, anunciando algo aos Três Reis Magos que, os atraiu ao encontro do milagre, pelo brilho e sua grandeza.  Caminhavam acreditando. Encontraram.

Num dia de ressaca do mar, apostávamos frente à casa, se a água chegaria até o muro. Num momento, minha filha com 10 meses foi colocada sentada em frente ao muro. Num ímpeto, só tive tempo de levantá-la. A onda, como que raivosa, bateu no muro chocando-se com um cãozinho que por lá passava, espremendo-o. Ficamos todos em silêncio e chocados. O código havia se transformado em micróbios, no meu pensar. Não deixaria uma criança pequena, sentada na areia sem fraldas. Apenas isto. Frente a uma ação. Fiz.

F. Von Edel, resolve dar uma guinada em sua carreira, após 53 anos. Transforma sua belíssima casa de praia em uma pequena hospedaria, com quatro suítes. Todas pré-reservadas para o verão de 2013/2014 estão confirmadas. Está feliz pela decisão de vida. Avisa os amigos a mudança de atividade, endereço e seu novo telefone. Pessoa de boa formação e bom caráter faz amigos com facilidade.

Sua melhor amiga é uma “Harley Davidson” de quem poucas vezes se separou. Ela e ele avistaram junto à estrada um cãozinho perdido, identificou-o igual ao seu antigo cão. Esta cena não lhe sai da cabeça. Vai ao encontro de amigos num bar próximo e, conta do bichinho. Um rapaz que acabara de conhecer lhe diz: - Posso ir junto, eu o ajudo a trazer o cachorro.

Feliz, “Efe” agradece e seguem a procura do animal. Passadas umas horas, os amigos resolvem ir procurá-lo. No caminho encontram o Resgate. Hoje dia 4, ao procurar pelo nome de “Efe”, o “Google” já informava o novo endereço – Cemitério de Congonhas.


Fico com os pensamentos entrelaçados entre o seu verdadeiro cão, que tanto o amava e este cão da beira da estrada que, com um código secreto, o atraiu, o aguardava para a viagem que não sabia que faria. Estava na hora marcada, pelo relógio da vida, no lugar combinado. “EFE” foi. O Google codificou.


Imagem não diz tudo - Vera Lambiasi

Imagem não diz tudo



Texto e foto de Vera Lambiasi


Pedro e Mosquito são cabras machos. Empunham seus facões em defesa de suas honras.

Trabalham juntos e não estão de brincadeira. Sujos de terra, defendem seu patrimônio.

São os nossos queridos jardineiros do Clube Alto dos Pinheiros!

Destroem ervas daninhas e cultivam agapantos com o mesmo vigor.

E amor!




NOSSA TURMA ESTÁ ACELERANDO!!

Escritores do Clube Alto dos Pinheiros:
Pessoas que enxergam a vida com as enormes lentes do coração!










VERA LAMBIASI HOMENAGEIA JUDITH CARDOSO



Uma delicada homenagem da escritora Vera Lambiasi, para a colega escritora Judith Cardoso.

Um bilhete para Desbrocado - Oswaldo Romano


UM BILHETE PARA DESBROCADO
 OSWALDO ROMANO                                                           


Na estação Roosevelt, em São Paulo, um viajante de nome Francisco comprou sua passagem para Desbrocado onde se encontraria com o político Vadico. Vadico fora recentemente reeleito e havia prometido a Francisco homenageá-lo às nove horas na secção especial da Câmara, na linda cidade de Desbrocado. Seria eleito Cidadão Desbrocadênse.

Francisco estava tomado de orgulho, era sua cidade natal, distante da capital onde vivia. Faria a viagem à noite, reservou o carro dormitório, assim chegaria cedo, livre de qualquer atraso.

Tomou seu lugar na cabine 17, acionou o alarme do seu relógio de pulso. Tinha certeza, ele toca tão baixo, não iria ouvi-lo. Então pega o pendente e aciona o guarda - dormitório e lhe pede encarecidamente acordá-lo para descer na esperada cidade de Desbrocado.

— Senhor, devo desembarcar nem que seja à força, custe o que custar. Nessas estações o trem não para mais do que três minutos, e eu tenho o sono muito pesado. Deve me acordar as 7 preciso desembarcar nessa parada. Serei homenageado, serei mais um Cidadão Desbrocadênse! Use da força e se necessário for, jogue agua na minha cara, me derrube no chão. Autorizo até ponta pés. Costumo ficar muito bravo quando sou acordado. O senhor não ligue, faça-me descer em Desbrocado não me importa como. Dou-lhe uma boa propina para não se esquecer. Obrigado, boa noite, e estamos combinados?

O trem corria e com aquele balançar Francisco caiu num profundo sono, pensando na gentileza do político Vadico.

Na manhã seguinte, Francisco desperta com o atrito das rodas freando e vê Novitória, cidade uns trezentos quilômetros depois de Desbrocado. Indignado, repete palavrões, fica enfurecido e todo descabelado, de roupão, sai no corredor e grita, chamando o guarda-dormitório. Passageiros acordam assustados e pensando no pior saem pelo corredor. Incêndio? Crime? Assalto? O guarda-dormitório passa correndo, não atende ninguém, chegando ao desconhecido descabelado.

Espantado, nem precisou perguntar nada.

— Seu estúpido! Seu idiota! Seu burro! Incompetente, Imbecil, não lhe disse para me despertar. Tinha que descer em Desbrocado. Cadê sua responsabilidade? Com certeza dormiu também!

Escandalizados, os demais viajantes  assistem, condoem-se.

Não me conformo! Sua besta, idiota, idiota, três vezes idiota! Sua mãe não é séria.

Tomando partido do guarda um dos presentes pergunta?

— Como você aguenta tudo isso? Ele te ofende, agride, te xinga e você fica quieto? Você tem sangue de barata?

O guarda  abobado disse:

— Isso não me espanta nada não, senhor. Ele tem razão! Os senhores deviam ouvir os desaforos que me disse o outro!

— O outro? Que outro? Berra o viajante.

— Aquele que, em Desbrocado, eu fiz desembarcar a pontapés. Foi uma luta, ele queria voltar a todo custo! Segurei no corrimão meti-lhe a botina. Consegui. Ele se esparramou na plataforma, ainda de pijama, soltando fumaça.

O trem partia, só deu tempo de jogar também sua mala.

A História de Maria e José - Maria Luiza C. Malina


A História de Maria e José
Maria Luiza C. Malina


O Imperador Augusto havia ordenado o recenseamento do império. Desta forma as pessoas deveriam retornar às cidades de onde nasceram para efetuarem seus registros. Maria e José pertenciam à tribo de David.  Ao chegarem à Belém, não encontraram hospedagem, a cidade estava lotada devido ao censo. Ao anoitecer resolveram pernoitar no presépio nos arredores da cidade. Soprava o vento frio do deserto. Cansados, adormeceram. À meia-noite um forte clarão os acordou. Maria surpreendeu-se ao ver ao seu lado, em meio às palhas, o Menino a quem deveria dar o nome de Jesus.

Contam, que cada animal que lá estava, tinha um propósito o alimento, o hálito e a lã das ovelhas, para aquecerem o pequeno que estava apoiado em palhas dentro do cocho.

A escura noite, clareada pelas estrelas, tornou-se dia. Os pássaros cantam, os galos cacarejam o amanhecer do dia, acordam os habitantes intrigados com o que estava acontecendo ao ouvirem um coral de anjos entoando: “Gloria a Deus no mais alto do céu, e a paz na terra aos homens de boa ambição”.

De muito longe, três Magos, ao visualizam a enorme estrela no céu, entendem o sinal e a seguem levando presentes de significado real. Melchior, ouro; Baltazar, mirra (planta de perfume agradável) e Gaspar, incenso.

 O filho do Altíssimo nascera! A profecia anunciada pelo anjo, que Jesus nasceria em Belém, havia se concretizado através do Imperador.

Após inúmeros acontecimentos e perseguições - os cristãos - assim chamados os seguidores de Jesus, deixam as catacumbas com os códigos secretos estampados nas paredes para erguerem igrejas. Estas recebem pinturas de fatos ocorridos, sinais cristãos e cenas de Maria e José com o Menino na manjedoura.

Conta-se que no ano de 1223, o padre Francisco de Assis estava na cidade de Greccio, Itália e, próximo havia uma bela campina. Lá, ao ar livre, ergue um altar simples para celebrar uma missa no final do dia, com a finalidade de explicar do mistério do Natal aos camponeses. Estes, solidários, lhe emprestam o boi e o burro. Dois jovens representam Maria e José ao lado da manjedoura com palha, não sabiam o que colocar dentro para representar o Menino Deus. Em um dado momento, durante a missa, Francisco de Assis emociona-se ao falar que Jesus havia nascido numa manjedoura igual a que lá estava por amor ao próximo.

Eis que no momento da consagração, um raio de luz iluminou a manjedoura, brilhando por alguns momentos, como se fosse fogo. Os camponeses prostraram-se de joelhos em oração. Há quem diga que, quem conseguiu olhar para o berço, viu sobre o feno o Menino Jesus, que ali permaneceu até o final de missa.

Este fato correu de boca em boca.

 O costume espalhou-se ganhando o mundo. Adaptou-se às características regionais e culturais, seja através das ordens religiosas, teatro, praças ou residências. Os jesuítas foram os grandes divulgadores dos presépios, uma vez que os utilizavam nas missões de evangelização. Junto aos índios, adaptavam à cultura dos orixás, para melhor entendimento.

Uma curiosidade: A palha da manjedoura foi usada para abençoar animais doentes.

Em São Paulo, o Museu do Presépio surgiu em 1949, através da doação do industrial Francisco Matarazzo. O presépio napolitano é composto de 1.500 peças, século XVIII, proveniente da Itália. O Museu de Arte Sacra de São Paulo encontra-se no Mosteiro da Luz, aberto para visitação durante todo o ano.




 PRESÉPIO, no latim “praesepium” significa estrebaria, curral, cocheira. Em hebraico significa manjedoura. Local geralmente situado fora da cidade, em que se recolhiam animais, próximos a bebedouros. Representação do estábulo de Belém e das figuras que participaram do nascimento de Cristo

BELÉM, do hebraico Bethlem, do árabe Beith-lehem, nome dado a um povoado devido à fertilidade local. Rodeada por vales, de clima frio, a colina de 822 metros de altura, dista de Jerusalém 8 km.

No Brasil, a cidade de Belém, estado do Pará, Brasil, dista de Brasília 2.120 km. O símbolo da Bandeira, dois braços fortes com flores e frutas em cada mão, significa que a cidade está situada em terras extremamente férteis, e por isso escondem com mais segurança, a sua exuberante flora sempre fluorescente e frutífera. Se houver braços fortes e corajosos tudo é capaz de dar...”Vereat ae Ternum e Tutius latent”, alusivos ao Rio Amazonas onde tudo é verduras e maravilhas e ao Rio Tocantins pela oposição escondidas as vistas dos exploradores.






Sempre Um Papo com Amyr Klink



Nessa belíssima entrevista com o navegador Amyr Klink, podemos descobrir o Brasil, e o mundo através das correntes marítimas e literárias.

Interessantes revelações geográficas.
Interessantes descobertas.

Amar - Carlos Drummond de Andrade - Com Marília Pera

O Milagre de Santa Luzia

A menina que sonhava em ter a Lua - Conto de Bartolomeu Campos Queirós

USO DE CÓDIGOS - Oswaldo Romano


USO DE CÓDIGOS
Oswaldo Romano   

Esses fatos são reais e tem origem em acontecimento que alguém aprontava. Troquei o nome do verdadeiro personagem,  para evitar  sensibilidades. Aqui Márcio é um epiteto.

Na loja.
Acabamos adotando o nome Márcio, como podia ser outro qualquer, sempre que surgia algum freguês papo-furado ou maçante. Já conhecido ou que se revelava no primeiro contato, a gente passava o dito cujo para um balconista assim:
— César (nome do balconista), quer fazer o favor de atender aqui o seu Márcio.
Aí o freguês contestava:
— Meu nome não é Márcio, é José. Márcio é meu pai. (coincidência).
— Oh, desculpe o engano.
Nessa altura, o vendedor já tinha entendido tudo. Era chamado um balconista mais tolerante, como o César ou o Mariano, que acabava fazendo boas vendas também para os Márcios que apareciam.
Com o tempo, a alcunha de Márcio pegou pelo bairro! Por muito tempo, quando alguém contava aquela lorota ou era um chato, logo era chamado de Márcio. Só que poucos sabiam da sua origem.
O nome era muito conhecido pelos andantes da Vila. Quando assim chamado logo vinha a defesa:
— Oh cara. Eu não sou Márcio, não!
Quando montei a loja, criei um código para marcar as mercadorias, uso comum no comércio e praticado pela maioria dos estabelecimentos. Útil como hoje é o código de barras. A prática constante deste código acabou diversificando sua finalidade. A letra A é a segunda letra desse nosso código, porém a classe A no convívio social é conhecida como de primeira categoria. Então quando o distinto, um freguês, um fornecedor, um gerente de banco, enfim qualquer outro se mostrasse ser um "Márcio", logo recebia a categoria "freguês classe A". (segunda categoria) E... ficava todo satisfeito!
A parte engraçada era na avaliação de preço para o freguês.
Veja este diálogo:
O freguês: — Sr. Roma, por quanto o senhor me faz este aparelho de lavatório?
Eu: — O preço certo é 20, mas para você continuar cliente vou fazer 17,  o preço antigo, tá bom? (preço marcado em código).
Ele: — Dezessete é o preço, vinte o amigo chutou!
Eu: — Não, não chutei, não. Quer ver?
Eu: — (agora me dirigindo a outro balconista por perto): 
— Mariano, Á... á... Á... quanto devo vender esta torneira?
Resposta imediata: 
— 20 - gritava
Confiança adquirida, mercadoria vendida e todos ficavam contentes. Lembre-se de que o A é 2 e não seria possível só 2, nem 200, daí o 20 respondido ao pé da letra pelo balconista que sabia como jogar, ou tinha noção do preço.
Usávamos também outras palavras que punha o perguntado em atenção, ou atenção de perigo. Um exemplo, aproximando-se alguém que inspirava cuidados, ligava para qualquer dos gerentes e perguntava:
— Testou a lâmpada.
Imediatamente comparecia onde eu estava e dizia:
— Testei sim. Só falta verificar estas.
Ficava por perto, ou assumia o problema.
Quando longe, acionava outro funcionário.
Esses fatos tem origem em acontecimento que algum Márcio aprontou. E como aprontava...
Certo dia ele debruçado no balcão expondo sua irreverência, um balconista menos paciente soltou:
— Mas você é Márcio mesmo, hein! 
— Claro, faz tempo você me conhece.




O Grito do Ipiranga - José Vicente Jardim de Camargo



O Grito do Ipiranga
José Vicente Jardim de Camargo



Valentina e Germano, ambos de 8 anos e alunos da 2ª série, têm uma queda especial para as aulas de história do Brasil, principalmente sobre a Proclamação da Independência.

Na visita da escola ao museu do Ipiranga, em frente do famoso quadro de Pedro Américo retratando o fato histórico, ouvem atentamente as explicações da professora:

— Nas margens do Rio Ipiranga, sob um céu azul, Dom Pedro, porte esbelto, olhar altivo, montado em seu corcel branco, com uniforme bordado a ouro, elmo de brancas plumas, botas altas reluzentes, cercado por sua comitiva de altos oficiais e funcionários do reino, desembainha sua espada e num grito varonil proclama – “Independência ou Morte!”

Valentina e Germano captam na imaginação o eco deste grito e a visão da cena majestosa e sentem um arrepio de orgulho por tão bravo ato de rebeldia do Príncipe e de seu amor à terra que o acolheu.

Neste instante, um segundo grupo de pessoas, de aparência intelectualizada, entra na sala de exposição e comenta:

— Neste quadro temos um bom exemplo entre ficção e realidade, a influência da mídia sobre a mente humana, um verdadeiro marketing histórico- nacionalista:

—“Dom Pedro e comitiva acabavam de chegar de Santos e, dado ao longo trajeto e as condições ruins do caminho, montavam em mulas, exaustos, talvez famintos e sujos, e o príncipe estava com um desarranjo de estomago que o obrigava a parar frequentemente para se aliviar. Numa dessas ocasiões, nas margens do Rio Ipiranga, que estava mais para um córrego, recebeu o carteiro real com a carta de se pai obrigando-o a retornar a Portugal. E, com o coração batendo mais forte para o lado de seus amores e aventuras ocultas, do que com a terra bem amada, deu o grito histórico...”

Ao ouvir tais comentários, Germano, com cara de contrariado, comenta com Valentina:

— Que mentirosos!Acham que sabem mais do que os livros da escola e a professora.


—  Coitado do nosso Príncipe, pena que naquele tempo não existia celular com câmera fotográfica, para esfregar a foto na cara deles,     complementa raivosa Valentina...