Um “réveillon” na praia - Ledice Pereira




Um “réveillon” na praia

Ledice Pereira


Tudo tem seu tempo certo. Quantas inúmeras vezes enfrentamos vinte ou trinta quilômetros de congestionamento e cinco ou seis filas de pedágio (naquele tempo não havia “sem parar” nem nada do gênero) para, com dois filhos e um amigo de cada um, passarmos férias no Guarujá.

Para distraí-los, inventávamos jogos, muitas vezes quem contasse mais números oito ou nove nas chapas dos carros que nos ultrapassavam. Isso os entretinha por alguns minutos até se cansarem. Aí, tínhamos que pensar em outro tipo de diversão.

Íamos, em geral, na segunda quinzena de dezembro, para passar na praia as festas de Natal e Ano Novo.

No Natal, juntávamos às vezes mais de vinte pessoas e nos divertíamos muito, preparando a ceia e escondendo os presentes das crianças, que, em número de sete, aguardavam ansiosas a chegada do bom velhinho, pontualmente à meia-noite, quando o relógio batia, uniformemente, suas doze badaladas.

Os dias eram muito bem aproveitados, com praia, jogos, muita cerveja e as crianças sujas de areia misturada com sorvete.

O “réveillon” era um espetáculo à parte: centenas de pessoas trajando branco, dirigindo-se em bando para a praia, onde esperavam o estourar dos fogos. Dúzias deles. E, depois de brindar com, ao menos, duas garrafas de “champagne”, ou algo parecido, pulávamos as sete ondas, pedindo graças a Iemanjá.

Quantas lembranças felizes de tempos que não voltam mais.

Hoje, os oitenta e um anos e a prudência pressionam para que não nos aventuremos mais. 

Tráfego intenso, jamais!


Nenhum comentário:

Postar um comentário