O EXPLORADOR PERDIDO - YARA MOURÃO

 




O EXPLORADOR PERDIDO

YARA MOURÃO

 

 

1-  Explorador perdido

2-  Estação de trem

3-  Comparação

4-  Mapa antigo

5-  Colapso da humanidade

 

Alecxander caminhava cansado, a passos lentos, sentindo talvez o peso da mochila às costas. Era tudo o que lhe restava.

Como andarilho, percorrera todas as distâncias daquela parte do país, material à mão: celular, bússola e o precioso mapa antigo que lhe dava todos os dados de que precisava. Era já um senhor grisalho de olhar úmido, mas vivaz; assemelhava-se a um bicho da mata, que anda cuidadoso, perscrutando as trilhas em busca de uma presa.

Chegando à estação de trem, dirigiu-se ao balcão de informações. Perguntou pelos horários de partida, preços, acomodações da próxima saída. Para onde, não importava. Tudo era destino. Como explorador de lugares e de gentes, ele se recusava a se considerar perdido. Para ele, a humanidade era sempre a mesma, sem rumo e sem razão.

Sentou-se num banco de madeira perto da plataforma de embarque. Acendeu um charuto. Vestiu a jaqueta surrada, temendo o frio que se avizinhava, e, com o olhar perdido, entregou-se às suas considerações sobre o colapso da humanidade.

A história tinha datas, linha do tempo.

Em seu mapa antigo, a primeira referência eram os Assírios e Caldeus; mortes no leito dos rios Tigre e Eufrates. Segue o Vale dos Reis; pompa e desenganos ao longo do Nilo e o fim das dinastias. Na virada para o mundo helênico, quase nenhum ateniense ou espartano sobreviveu.

Alecsander parou de divagar para tomar um café; foi o tempo para cogitar o apogeu e a decadência dos Césares de Roma. Passou, pensativo, para os bárbaros, godos e visigodos, mouros, vikings… não havia diferença. Não quis nem cogitar o Novo Mundo, pois, para ele, estava ali bem explícito, todo o colapso da humanidade, envolto em um véu enevoado, frio como um sudário.

 


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