CORUJA
Sergio Dalla Vecchia
O dia cansou, e a noite, espreguiçando-se, abriu os olhos.
Uma coruja, empoleirada em um mourão de cerca, mostrava-se em postura soberba. Penas cinzas e amarelas mescladas camuflavam a hábil predadora. Escondiam as garras afiadas e um bico curvado para baixo, típico das aves de rapina que perfuram e arrancam nacos do corpo da presa.
Olhos grandes, em constante vigília, rastreavam o ambiente, enquanto a cabeça girava de um lado para o outro, chegando a uma torção de até 240 graus. Nada escapava daquela varredura, ainda mais com a aguçada sensibilidade auditiva das corujas.
Assim foi dada a partida para mais uma sessão de caça da faminta ave.
Após algum tempo em busca de comida, os olhos fixaram-se em uma direção e... Zaz!
Asas silenciosas bateram em direção à vítima. Era um pequeno rato do mato.
O pequenino não teve tempo para nada. Apenas sentiu as garras cravarem-se em seu dorso. Já com o ratinho preso, a coruja logo alçou voo de retorno ao mourão onde estivera.
Certificada de que não havia nenhum inimigo por perto, iniciou a refeição com uma forte bicada e engoliu a pequena presa quase de uma só vez.
Engolir pequenos animais inteiros é uma característica das corujas. Os restos que o estômago não consegue digerir são posteriormente regurgitados, encapsulados em pequenas bolas.
Satisfeita, retomou sua postura altiva, observando, ociosamente, o mundo da sobrevivência.
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